Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

11 agosto 2011

Adolescência



Muitos pais possuem parâmetros de educação duvidosos para a adolescência dos filhos, vivem na ilusão de que a separação e o distanciamento inevitáveis podem acontecer livres de conflitos. Porque hão-de surgir conflitos, se os pais desejam o melhor para os filhos?
Infelizmente, a ideia do que é melhor não é coincidente entre as duas partes. Muitas vezes, os pais têm objectivos irracionais, se, por exemplo, vêem nos filhos uma extensão narcisista de si próprios, se a separação lhes custa demasiado e tentam manter os filhos consigo, ou se tencionam definir, eles próprios, a profissão dos filhos, ou, mesmo, toda a sua vida.
Os conflitos existem, porém, mesmo quando os dois pontos de vista coincidem, porque um adolescente, para se distanciar dos pais, tem forçosamente de assumir uma posição contrária. Na verdade, se o período de adolescência dos filhos decorre cheio de harmonia, é um sinal de que o desenvolvimento de autonomia da criança já sofreu danos, ou o adolescente não possui a persistência adequada para a idade, ou tem demasiado medo da separação, ou vê-se obrigado a subjugar-se a uma autoridade extrema. Nestes casos, os filhos ficam, normalmente, durante muito tempo ligados aos pais, muitos não se conseguem desligar nunca.
Se, por outro lado, os conflitos atingem grandes proporções, traumáticas mesmo, pode-se dar o caso de o adolescente sair muito cedo de casa, mantendo, no entanto, um desejo muito grande de se tornar a ligar aos pais.
O melhor a fazer será os pais defenderem os seus próprios pontos de vista, quando se sentem incomodados com as actividades dos filhos, sem, no entanto, tentarem impô-los. A sua preocupação pelo futuro dos rebentos deve ser, porém, patente. Neste caso, há boas probabilidades de, mais tarde, os filhos se interessarem pelo ponto de vista dos pais e procurarem o seu conselho, em várias fases da sua vida.

Kleine psychoanalytische Charakterkunde, de Karl König (tradução minha).

4 comentários:

antónio ganhão disse...

Tenho uma pré-adolescente em casa... socorro!

Cristina Torrão disse...

Bem podes gritar... ;)

Bartolomeu disse...

Quando li um livro de uma autora americana que explicava a importância do amor e do sentido de justiça, quando colocados na fórmula para educar os nossos filhos, percebi a razão do sucesso que obtive nesta tarefa.

Cristina Torrão disse...

Amor e sentido de justiça - nem mais :)