Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

03 fevereiro 2012

Opinião Afonso Henriques (V)

Desta vez, foi a Joana Dias, do Páginas com Memória, que deu a sua opinião sobre Afonso Henriques, o Homem:


Não lhe interessa contar uma história que já foi centenas de vezes contada sobre os feitos heróicos de D. Afonso Henriques, interessa-lhe sim contar quem foi o homem de carne e osso por trás do herói.

Outra personagem que nos é apresentada de forma convincente e elucidativa é D. Teresa, geralmente apresentada ora como uma vítima do filho que a prende, ora como uma víbora e má mãe que desgraça a memória do defunto marido e se vira contra o próprio filho. D. Teresa não é nenhuma das duas coisas (...) É antes uma mulher de quem o filho herda grande parte do feitio, que tem uma personalidade invulgarmente forte e lutadora para as mulheres da época (...) que acredita que luta pela sua herança pois o Condado Portucalense pertencia originalmente ao seu pai. Morto o marido ela vê-se como herdeira legítima, por direito de sangue.

Não existem por parte da autora julgamentos de valor relativamente aos povos e aos personagens. Ela não diz se é D. Afonso ou D. Teresa quem tem razão na luta, não nos diz quem são os heróis ou os vilões da história (...) o que existe são personagens de carne e osso, com diferentes motivações, que não os tornam melhores nem piores. E é isso que torna este livro único: não estereotipar tudo e todos.

6 comentários:

antónio ganhão disse...

Uma opnião que faz justiça ao livro. A abordagem pelo lado simples dos afectos, difícil, está plenamente conseguida.

Cristina Torrão disse...

Muito obrigada, António, adorei esta tua opinião, acho que ainda não tinhas dado nenhuma em concreto. E olha que a tua opinião me é importante, porque tu sabes o que é escrever um livro.
Sei que este não é o teu género de leitura, mas ouvir-te dizer que a abordagem pelo lado dos afectos está conseguida alegra-me muito :)

Daniel Santos disse...

muito bem.

Imperatriz Sissi disse...

Estou curiosa. De D.Afonso Henriques muito se fala da coragem, da valentia, mas da esfera pessoal...muito pouco.

Cristina Torrão disse...

Nada como experimentar, Sissi ;)

Olinda Melo disse...

Penso que o espírito da época, com razões que presentemente não defendemos, está aí todo implícito, por exemplo, um filho pegar em armas contra a mãe e vice-versa. Naquela altura tudo era diferente, as motivações outras...

Fazer um romance histórico procurando humanizar as personagens de uma época tão distante, é talento.

Bj

Olinda