Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

24 março 2012

Largueza (Volume 1)


Trata-se de uma obra muito informativa. A acção situa-se na segunda metade do século XIX e segue a vida da personagem principal, um ribatejano, que, depois de completar o seu curso na Academia Militar de Lisboa, é colocado, primeiro, na Índia e, depois, em Angola.

A vida do jovem no Ribatejo e em Lisboa e, como adulto, nos outros sítios por onde passou, é descrita ao pormenor: os hábitos, as comidas, as paisagens, etc. Nesse aspecto, o livro é muito interessante. Como romance, no entanto, torna-se exaustivo e requer muita resistência por parte do leitor. Não só para vencer as 800 páginas, mas também porque o enredo é bastante simples, sem grandes surpresas.

Além disso, senti falta de um certo sentido crítico por parte do autor. A personagem principal sabe sempre tudo e age sempre correctamente, de acordo com os princípios que lhe foram ensinados na infância e na juventude, por pessoas (entenda-se, homens) igualmente sem defeitos e de uma moral ímpia. A sua acção nas colónias é exemplar, alimentando o mito de que os portugueses foram melhores colonizadores do que ingleses e alemães, por exemplo. Se assim foi, não sei porque Portugal, hoje em dia, está onde está. Mas talvez o próprio romance dê a resposta, nesta passagem:

"Falaram dos diamantes como não podia deixar de ser, que tão importantes eram para prosseguir os projectos de desenvolvimento da metrópole, ainda em escombros e tão atrasada... os hospitais, caminho-de-ferro e telégrafo, estradas, portos... tanta coisa para fazer e tanta falta de recursos neste país onde a agricultura era pobre e a inexistência de matérias-primas, minerais e outras limitavam a instalação das grandes indústrias... a solução estava portanto nas colónias!"

Ou seja: 'bora lá explorar a terra dos outros, para desenvolvermos a nossa!
E, afinal, deu um resultadão, andar atrás das riquezas das colónias...

Outros dois aspectos que me incomodaram: a caça é um "vício", faz parte da vida de um homem, por isso, é lícito que o faça por prazer, ou que ande apenas atrás de marfim; as mulheres servem quase exclusivamente para se dedicarem aos seus homens e, quando estes as deixam, resta-lhes sofrer em silêncio, compreendendo a necessidade que eles têm de mudança!

Enfim, um outro mundo, e talvez fosse mesmo assim, no século XIX.

Depois destas 800 páginas, sinto grande necessidade de ler outros livros, pelo que o segundo volume terá de esperar...

1 comentário:

Iceman disse...

Olá Cristina!

Honestamente não me convence, ainda mais quando o primeiro volume tem 800 páginas???

Bolas!

E da Chiado Editora???

Hum???

Não me convence mesmo!