Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

13 março 2012

Rainhas em vez de Reis

Era para publicar este post no Dia Internacional da Mulher, mas não consegui aprontá-lo a tempo. Enfim, diz-se que o Natal é quando um homem quer. E eu digo que o Dia Internacional da Mulher é quando uma mulher quer! E, embora o mundo esteja cheio de mulheres anónimas, que lutam pela vida, decidi homenagear uma que nasceu em berço de ouro, pela simbologia que ela encerra.


Durante séculos (ou milénios) a sucessão real fazia-se por via masculina, ou seja, o sucessor do trono era sempre o filho varão mais velho, sem contar com as irmãs nascidas antes dele. Na Suécia, pôs-se fim a esta tradição a 1 de Janeiro de 1980, quando ficou decidido que a primeira criança a nascer, independentemente do seu sexo, é o/a herdeiro/a do trono. Foi assim que a princesa Victoria, nascida em 1977, passou à frente do irmão, príncipe Carl Philip, nascido em 1979.


Em 1998, porém, a Suécia sofreu um choque, quando, numa cerimónia pública, a princesa surgiu extremamente magra. A Casa Real teve de admitir que ela sofria de bulimia. Começou a discussão: seria ela incapaz de arcar com a responsabilidade? Tinha sido um erro optar por ela, em relação ao irmão? Na altura, a princesa queixou-se da perseguição dos media, alegando que precisava de experimentar uma vida normal, anónima, antes de arcar com as suas responsabilidades. E foi para os EUA, onde esteve dois anos a estudar, na Universidade de Yale.

Regressou com bom aspecto, mais conscienciosa e até se inscreveu num ginásio, a fim de tratar da sua saúde física. Um ano mais tarde, em 2001, o novo choque: Victoria apaixonara-se pelo jovem dono do ginásio que frequentava, de seu nome Daniel Westling (nascido em 1973).


Começou uma grande batalha da princesa contra todos aqueles, incluindo a própria família, que não achavam Daniel Westling digno de fazer par com a herdeira do trono e, mais uma vez, os suecos se perguntavam se ela teria discernimento suficiente para tomar a decisão certa. Ela provou ser persistente, anos a fio, até que a família cedeu e Daniel Westling foi iniciado nos procedimentos oficiais. Durante muito tempo, porém, não era autorizado a aparecer ao lado da princesa nas cerimónias públicas.

Há cerca de dois anos, mais uma dificuldade para Victoria: Daniel, que sofre de uma doença renal, piorou de tal maneira, que teve de ser operado. Mais: o pai dele teve de lhe ceder um dos seus rins, a fim de lhe salvar a vida. Foram tempos dramáticos para a princesa, que se dividia entre os seus compromissos e as visitas ao hospital, onde o noivo esteve, algum tempo, em risco de vida.

Os dois superaram a crise e casaram, finalmente, a 19 de Junho de 2010.


A 23 de Fevereiro passado, Victoria deu à luz uma menina, a quem se pôs o nome de Estelle e que se tornou automaticamente na nº 2 na sucessão do trono sueco, logo a seguir à mãe. O que quer dizer que, depois do actual rei Carl Gustav, e durante, pelo menos, duas gerações (que espero sejam bem longas), a Suécia terá uma rainha, em vez de um rei.


Desejo muitas felicidades à princesa Victoria e à sua princesinha Estelle!

4 comentários:

Manuel Cardoso disse...

Que grande história! É a realidade a imitar a ficção! :)

Cristina Torrão disse...

Andemos nós de olhos abertos, a ver o que se passa à nossa volta ;)

tina disse...

Eu acho a Monarquia actual (em especial a dos países do norte da Europa) uma verdadeira lufada de ar fresco neste velho continente.
Depois de tantas politiquices do Presidente da Républica português estou cada vez mais consciente que se D. Manuel II tivesse tido descendência talvez também tivéssemos direito a uma monarquia que nos permitisse sonhar.

Cristina Torrão disse...

É interessante verificar que quase toda a Escandinávia (com a excepção da Finlandia), uma das zonas mais ricas da Europa, vive sob o sistema monárquico. Há quem aponte os custos como argumento contra. Mas os dinheiros gastam-se mal de qualquer maneira, com rei/rainha, ou sem eles.