Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

22 abril 2012

Quebrar o silêncio

Sinto muito vir ensombrar esta época de festa dos livros, com a abertura iminente da Feira do Livro de Lisboa (entre outras Feiras, como a de Moura), mas há alturas em que o saco fica cheio.

A CESodilivros, a maior distribuidora de livros em Portugal, no mercado há mais de vinte anos, acaba de pedir a insolvência, deixando em grandes dificuldades e com muitas dívidas as mais de quarenta editoras que distribuía. No Cadeirão Voltaire, o blogue onde esta informação foi publicada, estranha-se que este caso não seja mais divulgado. Eu andava há cerca de um mês a tentar confirmá-lo, já que, a 27 de Março, recebi um email da Ésquilo, a minha editora, do qual transcrevo extractos:

“ninguém vislumbrava que a Sodilivros chegasse um dia a pedir a insolvência. Mas o certo é que fomos informados há poucos dias que a administração da Sodilivros iria solicitar a insolvência a muito curto prazo”.

“De facto já no ano de 2011, os pagamentos da Sodilivros começaram a ser muito espaçados no tempo e, invocando uma situação difícil do mercado em geral e a mudança de administração, foi adiando pagamentos desde de Outubro de 2011”.

“Perante esta, que é a pior situação por que passamos desde o início da nossa actividade, solicitamos paciência e compreensão aos nossos autores e fornecedores. A ambos estamos disponíveis a realizar pagamentos, parciais ou totais, em livros, sendo que, a nossa tesouraria atravessará um período muito difícil até ao mês de Outubro”.

Contactei de imediato a Ésquilo (igualmente por email):

“Lamento estas más notícias (…) não há dúvida de que a situação actual é complicada e tenho inteira compreensão. Peço-lhe, no entanto, que também tenha pela minha situação. Infelizmente, a falta de pagamentos em relação a mim não se resume ao ano de 2011. Tenho ainda a receber, além deste, 2009 e 2010”.

Pois, este caso da Sodilivros acabou por fazer transbordar a taça. E aqui vai: não recebo os pagamentos devidos às vendas dos meus livros desde 2009! Nem sei bem quanto livros foram vendidos, porque a editora não me dá quaisquer informações sobre o assunto! Ou seja, tenho estado a trabalhar de graça, para o boneco. Sei que o país está a passar por uma crise e haverá editoras que não se aguentarão. O comportamento indigno da Ésquilo, porém, já se arrasta há três anos! E, ainda por cima, me envia uma mensagem a pedir compreensão para o atraso dos pagamentos referentes a 2011!

Escusado será dizer que não recebi qualquer resposta ao meu email acima referido, enviado a 30 de Março!

6 comentários:

Joao Raposo disse...

Provavelmente a solução para os autores passará pela publicação on-line dos seus livros. Depois, se houver editoras interessadas, que paguem antecipadamente.
Há autores que vendem bem e que têm o mesmo problema de não receberem. A maioria mudou de editora. Mas sem "nome feito" é necessário um trabalho publicitário que os autores desconhecidos não conseguem porque lhes faltam os meios e o acesso aos "grupos e grupinhos" de divulgadores e críticos. Os divulgadores independentes aparecem nos blogues mas são ainda uma pequena minoria e com pouca visibilidade.

Cristina Torrão disse...

É mesmo isso, João, sem tirar nem pôr. Como tenho poucos contactos, não tenho informações, mas calculo que haverá vários autores com falta de pagamentos.

Bem, vou à procura. Talvez tenha sorte e consiga mudar de editora. A edição online também é uma hipótese, mas, primeiro, gostaria de esgotar outras possibilidades. Pelo menos, enquanto há livros em papel ;)

Manuel Cardoso disse...

Também concordo com o João Raposo.
Esta situação é intolerável e VERGONHOSA.
O Luís Novais já deu o primeiro passo; a publicação on-line pode vir a ser a solução e constituir um grande abanão no sistema!
Força, Cristina, nós precisamos dos teus livros!

Cristina Torrão disse...

Muito obrigada, Manuel :)
Beijinho

Colon-o-Novo disse...

Pelo que tenho vindo a descobrir, o comportamento indigno da Ésquilo é um Modus Operandi há muitos tempos... não pagam nem se importam de não pagar!!!!

Cristina Torrão disse...

É incrível como conseguem sobreviver dessa maneira! Mas quanto mais isto se tornar público, maiores dificuldades acabarão por ter. Acho eu...