Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

18 julho 2012

Uma história de elefantes

A "David Sheldrick Wildlife Trust", fundada nos anos 1970, no Quénia, dedica-se à recuperação de elefantes e rinocerontes órfãos. No passado dia 9, foi transmitida, na estação televisiva ARD, uma reportagem sobre um elefante fêmea, a quem deram o nome de Dida.

Dida foi encontrada, ainda bebé, junto à mãe moribunda, ferida de morte por caçadores em busca de marfim. A "David Sheldrick Wildlife Trust" resgatou-a, mas Dida estava tão traumatizada, que precisou de muito tempo para ganhar confiança nos seus tratadores humanos.

Foi comovente ver a tristeza do elefantezinho, que perdurou semanas, provando, mais uma vez, que os animais têm sentimentos e sofrem, mas também me impressionou a maneira como os elefantes mais velhos, ainda residentes da estação de resgate, tentavam consolar a pequena Dida, a par dos tratadores.

 
















Dida recuperou a sua alegria, estabelecendo uma forte relação com o seu tratador.


Mas o trabalho só está completo quando estes elefantes são devolvidos à vida selvagem, para isso é que são salvos. O programa passa por uma fase de adaptação, no Parque Nacional de Tsavo, em que eles entram, durante o dia, em contacto com elefantes selvagens. E, mais uma vez, foi impressionante ver como a manada logo os aceita, os protege e educa.


Depois de ter completado os dois anos, e apesar de ainda ser “criança”, Dida sabia que se aproximava a hora da partida. Quedava-se, porém, indecisa, tanto olhava para o local onde vivia com os humanos e onde se recolhia à noite, como para uma manada de elefantes selvagens que andava ali por perto. Os tratadores deixaram-na sozinha para decidir, não a queriam pôr sob pressão, com a sua própria tristeza. E ela lá cumpriu o seu destino, sem cenas melodramáticas.

Amar também é saber deixar ir.



2 comentários:

Bartolomeu disse...

Sobretudo isso, Cristina; amar é não alimentar sentimentos de posse, que impeçam a livre tomada de decisões.
Bonito post. Lembrou-me a "viagem do elefante" de Saramago e abriu-me o apetite para voltar a lê-la.
;)

Cristina Torrão disse...

Olha, lembras bem, ainda não li.