Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

16 novembro 2013

História da Vida Privada em Portugal - A Idade Média (3)



A vida no interior das residências de reis, bispos, membros da nobreza, era relativamente simples. Só a pouco e pouco, à medida que se foi caminhando para o final da Idade Média, as exigências de conforto passaram a ter maior expressão, quer ao nível dos objectos materiais de uso diário quer à multiplicação das dependências e do número de servidores, organizados hierarquicamente, adstritos às funções domésticas.
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Os móveis eram reduzidos. Entre todos, o de maior excelência era a cama. Frequentemente deixada em testamento, particularmente a instituições religiosas, denuncia, neste caso, a importância de que gozava na sociedade medieval.
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Quando se fala de camas, há que entender também todos os aprestos necessários à sua utilização. Colchas e cobricamas, almofadas, lençóis, cobertores, etc., gozavam da mesma importância e apreço que o leito propriamente dito.
A seguir à cama, o móvel mais difundido e mais útil era a arca. A sua função primordial era a de servir de guarda às roupas de vestir e aos objectos mais preciosos, mas também de mesa ou de apoio a outras funções. Era, sem dúvida, o móvel mais plurifuncional e, além disso, absolutamente indispensável aquando de deslocações.
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Mesas e cadeiras, embora as houvesse, eram relativamente limitadas. Maior uso e difusão tinham os bancos, com ou sem encosto, sendo as cadeiras reservadas apenas a grandes senhores (reis, bispos e a mor fidalguia) e utilizadas em cerimónias de aparato, com um sentido muito preciso de poder.
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A decoração das salas e câmaras dos paços fazia-se através de tapeçarias, panos-de-rás, couros lavrados.
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A tapeçaria, de modo particular, alia ao aspecto utilitário a vertente moralizante ou celebrativa. Com efeito, a sua trama serve de suporte a grandiosas cenas e histórias do Antigo Testamento, a feitos de heróis da Antiguidade greco-romana, a façanhas gloriosas dos próprios encomendantes: a sua exposição permite, desta maneira, a evocação constante das virtudes ou dos feitos exemplares que todos devem seguir.

O Paço (José Custódio Vieira da Silva) - páginas 90/91


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