Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

03 março 2015

Da mais antiga profissão do mundo



«Aquele que usa os serviços de uma prostituta não é um homem a sério».

Estas palavras soam, à primeira vista, exageradas. Afinal, não se considera a prostituição uma profissão como outra qualquer?
Para a freira italiana Valeria Gandini, não.
Ora, perguntarão muitos, que se esperaria de uma freira?

Bem, esta não é uma freira qualquer. Há vinte anos que Valeria Gandini se ocupa de prostitutas, em Palermo, na Sicília. Dá-lhes assistência, conforta-as, ajuda-as a superar muitos problemas e a mudar de vida. E sabe, melhor do que ninguém, que a maioria delas exerce forçada essa profissão, ou não viu outra alternativa.

Existem redes de prostituição e tráfico de mulheres por toda a Europa, muitas das moças não sabem para o que vão. Este é, porém, um assunto pouco divulgado e discutido e os homens que usam tais serviços não perdem um segundo a questionar-se se as mulheres ali estão de livre vontade, ou forçadas, escravizadas mesmo.

Ao abordar o assunto sob essa perspetiva, confesso que me vejo tentada a concordar, pelo menos, em parte, com Valeria Gandini, já que as generalizações são sempre traiçoeiras.

Nota: baseado em artigo da KirchenZeitung.


9 comentários:

Bartolomeu disse...

De que forma, sem recurso à generalização, podemos conceptualizar ou definir, prostituição.
Por exemplo; se uma criança de oito anos de idade nos questionasse acerca do significado da palavra, de que forma a elucidaríamos, a que definições recorreriamos e em que termos: sociais, religiosos, dogmáticos... profissionais?

Cláudia da Silva Tomazi disse...

Discordo. Não é mais antiga profissão no mundo.

Bartolomeu disse...

Pois não; a Claudia tem razão! A mais antiga profissão do mundo é a de apanhadora de fruta... começou com Eva quando colheu a maçã para oferecer a Adão.

Cristina Torrão disse...

:D
Sim, qual será a mais antiga profissão do mundo? Usei a expressão porque se tornou um lugar comum dizer que é a prostituição. Mas aceito outras versões ;)

Quanto ao teu primeiro comentário, Bartô: metendo crianças, o melhor é aconselharmo-nos com algum psicólogo da especialidade, ou ler algo sobre o assunto. Não havendo essa possibilidade, é verdade que se pode tornar um bico de obra uma explicação destas...

Bartolomeu disse...

Não sei se será tão "bido de obra", desde que se contextualize de forma explicita, sem dogmas.
Quando a freira italiana defende e protege as mulheres que são vítimas de tráfico humano, ou aquelas que foram obrigadas a aceitar prostituir-se por alguém que lucra com o aluguer do seu corpo, é obvio que está aproteger pessoas vítimas de um crime. Mas quando estamos a avaliar a situação de mulheres que se auto-forçaram a alugar o corpo, porque queriam sair dos lugares pobres onde viviam e alcançar um nível de vida mais confortável, já não estamos perante um crime. Mas se avaliarmos a situação de mulheres que se obrigaram a alugar o corpo porque tinham filhos pequenos e precisavam de dinheiro para os alimentar, educar, etc. Já estamos a falar de um crime social, um crime em que o criminoso não tem um rosto e em que a vítima é simultâneamente criminosa de si mesma. Mas, obviamente, o tema não se reduz a meia-duzia de situações e de opiniões. Assim como prostituição não se resume somente a alugar o corpo. Este mundinho em que vivemos tem uma particularidade estranha e ao mesmo tempo empolgante; move-se segundo as regras ditadas pelo poder. E, não ignoramos que cada um exerce poder sobre algo, ou sobre alguém.

Cláudia da Silva Tomazi disse...

Com relação apanhadora de fruta ou colectora esta acção remonta serventia e caracterizar-se-á acção promissora e generosa a prole no início dos tempos enquanto a finalidade de cultivo face perspectiva a regra de sobrevivência, convivência e vivência; obviamente desconheciam e nem o tinham discernimento para tal, naquele tempo a mulher desprovida de músculos estaria a medir forças com o sexo oposto?! Embrutecido ou não, desejoso ou não, o sexo masculino impõe através dos tempos o rastro (bem) conhecemos a história salvaguarda e a memória justifica, clarifica devolvendo novas gerações que os entendem pacificando e, elaborando envolvimento, ternura e princípio, atualmente homens falam a respeito de temas outrora inescrupulosos.

Bartolomeu disse...

Antropológicamente, o comentário da Cláudia faz todo o sentido, contudo, para tudo o que posteriormente foi incluido no percurso evolutivo da humanidade, houve um ponto de partida, um início. Então, apesar de a ação coletora da mulher e a ação caçadora do homem, vistas à luz do que acabas de expor, podem considerar-se o início de profissões mais antigas que a prostituição. Sabe-se que no início não existiam casamentos, nem tão pouco sentimentos a que hoje chamamos amor, paixão, etc e que nem sequer existiam laços de consaguinidade, exceto de pais para filhos, e de mães para filhas. O sexo praticava-se livremente e sem a componente afectiva e de prazer mas unicamente com a finalidade de procriar, aumentar o número de membros do clã, garantindo assim a renovação e subsistência de todos os membros. Ha que ter em conta que a esperança média de vida, nos primórdios, não ultrapassava os 30/35 anos. A prostituição surgiu mais tarde, paralelamente à atribuição de valor a dinheiro e a peças ornamentais pessoais. E porquê?! Porque as mulheres desejavam possui-las, essas peças exerciam atração sobre elas que, ao usa-las, aumentavam o seu poder sedutor, relativamente às outras mulheres. Ora, como era o homem que recolhia da terra o metal, o fundia e depois o moldava, dando lugar ao surgimento da joia, era a ele que a mulher precisava de se subjugar para ter acesso a essas joias. Portanto, estamos perante uma equação composta de inumeros membros e inúmeras incógnitas.

Cláudia da Silva Tomazi disse...

Bartolomeu o tema sedução nasce com posse do metal em forma de objetos cortantes aliado a força e manuseio este oferece poder o domínio de outros, considerar-se-á o metal sedutor desde então, entende-se o conforto a defesa o ataque a conquista. O metal enquanto adorno torna-se sagrado e consagra a coroa o símbolo maior depositada a cabeça masculina.
Sedução a fraqueza e prostituição ato rompido em ausente razão o conhecido corromper.

Bartolomeu disse...

Antes de "subir à cabeça" o metal foi simbolo de poder, de força, autoridade e grandeza, usado ao pescoço e no pulso. Mas nunca deixou de ser objecto de desejo femenino, fosse ele colocado onde fosse.