Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

07 abril 2015

Afinal, parece que são as mulheres que não nasceram para a monogamia!

Em 2016, vai ser posto à venda o Viagra feminino, criado pelo bioquímico holandês Adriaan Tuiten, que garante que descobriu a cura para o síndrome Female Sexual Arousal Disorder (FSAD). Na verdade, 40 % das mulheres parecem sofrer de FSAD, ou seja, têm pouco, ou nenhum, apetite sexual, um assunto ainda muito tabuizado. Estudos dizem-nos que este síndrome ataca, na sua maioria, mulheres que vivem em relações duradouras.

No entanto, há peritos em sexualidade e antropólogos que duvidam do sucesso do medicamento, já que põem em dúvida se essas mulheres sofrem realmente de um distúrbio. A tradição diz-nos que as mulheres tendem a ser castas, enquanto os homens mal conseguem dominar a sua líbido e estão, por isso, destinados à infidelidade. Quem assim pensa parece esquecer que a infidelidade só se realiza a dois! E novos estudos da biologia evolutiva apontam para uma direção completamente diferente.

A tão propalada fidelidade da mulher parece assentar apenas no desejo masculino de que assim seja, uma crença que só pôde durar séculos porque se convencionou pôr as mulheres economicamente dependente dos homens, o que levou a que elas controlassem e ignorassem os seus próprios instintos. No seu livro What Do Women Want, o norte-americano Daniel Bergner apresenta uma nova teoria para a falta de interesse sexual das mulheres: falta de variedade!

Observou-se que, numa relação duradoura, enquanto a líbido masculina, depois da entusiástica fase inicial, vai decrescendo devagar, a feminina sofre um declínio dramático, passados poucos anos. Não será a falta de apetite sexual que atinge essas mulheres, mas o desinteresse em praticar sexo sempre com o mesmo parceiro. A biologia evolutiva confirma que é vantajoso para a mulher misturar os seus genes com os de um grande número de parceiros, pois aumenta a possibilidade de obter descendência forte e saudável.

Parece que, se os homens não foram feitos para o «casamento até que a morte nos separe», as mulheres muito menos. Adriaan Tuiten, porém, está convencido de que o seu Viagra feminino vai salvar a monogamia.

Ah, bom, se é assim...


Nota: texto baseado num artigo lido na revista alemã TV Today e nas informações sobre o livro de Daniel Bergner (ver link acima).


7 comentários:

Cláudia da Silva Tomazi disse...

Where do women go on?! Estaria o título em causa a tratar-se a cultura procedente.

Sara disse...

Estou a ver que ninguém nasceu para o até que a morte nos separe afinal...lol. Se calhar devíamos ser como os animais que se juntam para satisfazer uma necessidade e depois separam-se (alguns), afinal o casamento é uma construção social nascida por razões económicas e outras que nada tinham que ver com amor..

Bartolomeu disse...

Eu, discordo do Sr. Adriaan Tuiten. Não será essa pílula dourada que salvará a monogamia. Temos de perceber que a natural tendência masculina e feminina é a poligamia. Na génese feminina está esse impulso de obter os melhores génes, praticando o coito com diferentes machos, os quais possuem na sua matriz o mecanismo que os estimula a fornecer esses génes. A questão da monogamia é portanto, anti-natura, no entanto cumpre outras finalidades: a de minimizar o risco de transmissão de doenças sexuais, a de garantir a trnsmissão de bens e direitos. Não nos podemos esquecer que as sociedades têm vindo a transformar-se ao longo dos milénios e, consecutivamente a auto-adaptar-se a essas transformações. No entanto, devo fazer uma declaração de interesses: declaro-me apoiante da poligamia e de todos os benefícios que ela representa para o melhoramento das relações entre homens e mulheres. Quem sabe, se a humanidade restabelecer a liberdade de relações, como foi no início dos tempos, deixariam de se verificar atos de violência e de violação...

Cristina Torrão disse...

Pois, meus caros, isto é um assunto que dá pano para mangas. A novidade, no artigo em que me baseei para escrever este post, é desmistificar a sexualidade feminina, ou seja, já se desconfiava há muito que o homem não tivesse nascido para a monogamia. Agora, a mulher...
Nada contra, mas não devemos esquecer que, na sociedade que construímos, a monogamia dá uma certa estabilidade, principalmente, aos filhos. É conhecido o que eles sofrem com a separação dos pais (quando mais novos forem, pior). Por outro lado, se eles não conhecessem a família tradicional desde o nascimento, talvez não sofressem... E também há muitas crianças a sofrer num casamento de aparências.

Enfim, difícil...

Bartolomeu disse...

Cristina, no que diz respeito aos filhos, e uma vez que a questão se coloca em ambiente de poligamia, não existiria a "figura" da separação dos progenitores. Acho até que a infância de crianças geradas de pais polígamos, teria mais hipoteses de ser feliz dado a possibilidade de acesso a um leque mais alargado de "culturas". Não faço referência a um maior número de irmãos para brincar porque não me parece possível que uma mãe polígama optasse por ter mais filhos que uma mãe monogâmica... é que a vida não está de feição para grandes proles. A menos que a estrutura social e famíliar sofra uma alteração radical passando as mulheres e os homens a viver em comunidades alargadas, tipo... kibutz ou outra estrutura do género.

Cristina Torrão disse...

Sim, eu penso que a estrutura social teria de ser alterada. E, em tempo de métodos contracetivos eficazes, a questão da prole numerosa realmente não se põe. Na verdade, a evolução científica anda mais depressa do que a nossa adaptação, ou seja, ainda temos instintos, se bem que já muito disfarçados, dos tempos pré-históricos, daí estes impulsos ;)

Até pode ser que se dê essa alteração estrutural, mas já não é para nós ;) ;)

Bartolomeu disse...

Não seremos nós, neste espaço aberto à opinião e ao diálogo, os magos que irão configurar o próximo estágio socio-político-religioso-cultural da humanidade.
O nosso exercício "inteleectual" resume-se à opinião, com base na observação e na experiência pessoal e coletiva, na parte em que ela se torna pública e científicamente observada. Sabemos no entanto que nada é efectivamente e somente o que parece e, nada surge do nada. Por trás de cada aspecto, existe um sem-número de causas... algum as entendíveis e enquadráveis num contexto mais ou menso alargado a milhares de anos, outras, que se mantêm entre as nuvens do desconhecido ou, do ainda não decifrável. No entanto, existem aspetos básicos, mais ou menos compreendidos, ou, compreendidos num determinado sentido socio-cultural e religioso. E é inevitável não ligarmos sexo a religião, religião a conflitos, e conflitos à preservação da espécie. Foi assim desde o início e, assim será até ao final, se final houver. Façamos então aquilo que a nossa natureza nos manda; mulheres e homens são seres sexuais; a sua espécie só permanecerá se ambos procriarem mas, não nos esqueçamos que existe um "mecanismo" que faz "funcionar" essa ação. Esse mecanismo difere de acordo com o genero, mas, é um mecanismo natural, não foi inventado, nem criado, nem modificado ou aprefeiçoado. Talvez o mais sensato seja, deixar que a natureza opere na sua total lógica.