Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

20 novembro 2015

A Origem da Violência


«Numa situação concreta de conflito, saber se a violência é exercida em nome da religião, de uma ideologia ou por motivos étnicos é tão relevante como, por exemplo, saber se é o consumo de vodka, de whisky ou de gin o responsável pela tendência agressiva dos jovens».


Dr. Andreas Hasenclever, Professor de Estudos da Paz e Política Internacional no Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Tübingen, Alemanha


Muita gente se pergunta de onde vem tanta violência e como há pessoas capazes de espalhar o terror como os terroristas islâmicos. A religião não é a causa da violência, mas o pretexto. O ser humano é violento, uns mais, outros menos, há pessoas que, seja por traumas, seja por herança genética, são autênticos barris de pólvora, dispostos a rebentar a qualquer momento. Há quem se prejudique a si mesmo, ou seja, dirige a violência a si próprio. E há quem prejudique terceiros.

Verificando-se determinadas condições ou circunstâncias, praticamente não há limites. Muita gente que circula pelas ruas, todos os dias, em qualquer país do mundo, gente que conhecemos, que se calhar até são colegas de trabalho, ou membros da família, caso tivesse meios à sua disposição e quem lhe “legalizasse” os crimes, seria capaz das maiores barbaridades! Não acreditam? Peguemos, por exemplo, num indivíduo que exerça violência sobre a mulher e os filhos, tanto sob a forma de pancada, como a nível sexual (sim, daqueles que violam as filhas, desde tenra idade; acontece mais do que se pensa). Ele até pode ser um colega de trabalho simpático. Porém, se alguém lhe dissesse algo do género: «pega nesta arma, vai para a rua e mata uns quantos, que até ganhas uma recompensa (sejam as virgens no Paraíso, seja dinheiro, seja reconhecimento, seja poder)», ele dificilmente hesitava!



A estratégia de regimes com o do “Estado Islâmico” (já usada por Hitler e outros) é precisamente essa: aproveitar indivíduos violentos e/ou frustrados, dar-lhes meios e autoestima falsa e “legalizar-lhes” os crimes. Falo em autoestima falsa, porque, ao contrário do que se pensa, a verdadeira autoestima é a melhor coisa para evitar violências, invejas e rancores. Por seu lado, a autoestima falsa é aquela que se consegue, convencendo alguém de que pertence a uma raça superior, ou a uma religião superior, ou a qualquer outra coisa, desde que seja superior ao comum dos mortais.


Na verdade, quanto menos boa autoestima alguém tiver, mais fácil é de convencer, ou seja: pessoas sem referências, sem rumo, convencidas de que não valem um chavo, de que ninguém se importa com elas, nem sequer os pais. E quanto mais cobardes forem, melhor! Porque apenas cobardes são capazes de maltratar ou torturar pessoas mais fracas, ou de disparar contra pessoas indefesas.

É certo que os países islâmicos estão cheios de pobres sem perspetivas e de famílias disfuncionais. A maior parte das mães são mulheres frustradas, maltratadas e subjugadas desde pequeninas, forçadas a casar e a criar um rancho de filhos, sem liberdade, nem para sair à rua. A maior parte dos homens não passa de cobardes, cujo passatempo preferido é maltratar mulheres e crianças. Não pensemos, porém, que gente deste tipo só existe noutras latitudes, onde se praticam religiões diferentes. Há muita disfuncionalidade por trás da fachada das famílias tradicionais cristãs. No tempo da nossa ditadura, por exemplo, não consta que Salazar tivesse dificuldade em arranjar gente disposta a perseguir e a torturar (por vezes, até à morte) os seus próprios compatriotas! Tudo depende da instrumentalização, da manipulação. E os mais fracos e cobardes são os primeiros a cair na esparrela.

 

7 comentários:

Sou a mãe do puro amor Lucia Bauer disse...

Acaso alguém escolhe a hora de nascer
Para ser subjugado e torturado
por covardes que não tem-em sabedoria para conduzir
o rebanho de uma nação
Gosto de pensar existem muitas línguas pelo mundo mas o sorriso fala por todas

Sou a mãe do puro amor Lucia Bauer disse...

O que dizer
Pensei nos acontecimentos que por a vida passei
São tantos os momentos que gosto de lembrar
e cada ocasião é unica
Pois nada se vive duas vezes

Cristina Torrão disse...

Obrigada pelas suas palavras, Lucia!
Cada ocasião é única, sem dúvida. Saibamos aproveitar os bons momentos e aprender com os menos bons!

Olinda Melo disse...


Tema que convida à reflexão.É verdade que os mais fracos são muitas vezes instrumentalizados de modo a levar a cabo práticas que lhes dão a sensação de poder. O ser humano é de uma grande complexidade.Reage a estímulos de conformidade com situações específicas, valores e interesses.

Um excelente post, Cristina.
Bj
Olinda

Cristina Torrão disse...

Muito obrigada, Olinda :)

Sim, o ser humano é de uma grande complexidade e para este problema há outras explicações, como as intrincadas relações entre países e a política e a economia a nível planetário. Mas as pessoas sem referências e apoios a nível familiar são mais fáceis de manipular.

Beijinho

Sou a mãe do puro amor Lucia Bauer disse...

Escritor POVO escolhido
Assim escreve o escritor aquilo que foi
Aquilo que é
E o que será
E acreditem muitas vezes o que vai a acontecer
Basta ler Leonardo da Vinci
Boa tarde Cristina vim te dar um alo beijinho

Cristina Torrão disse...

Obrigada, Lucia!
Um grande beijinho.