Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

01 abril 2016

Amores de Dom Dinis*

Codex Manesse

Findas as Cortes, Dinis preparava-se para descansar da agitação, quando lhe surgiu Aldonça Rodrigues da Telha. Caiu-lhe nos braços, suplicando-lhe que não a continuasse a ignorar, pois andava angustiada e sem vontade de viver.
Sentindo a barregã a apertar-se contra si, era custoso resistir-lhe… Mas pensou no doce amar de Isabel, como ela o aguardava em Lisboa, tratando dos dois infantes, que eram o orgulho da sua vida…
Arranjou força para afastar Aldonça de si.
Os olhos de corça miraram-no perplexos:
- Recusais-me, senhor?
- Tentai compreender! Agora que…
- Não me achais suficientemente boa para vós?
- Não se trata disso…
- Se me mandais embora, matar-me-ei! Atirar-me-ei para a primeira ribanceira que vir pelo caminho!
Aquele arrufo de tragédia enfastiou Dinis, recordou-lhe Maria Rodrigues de Chacim. E sentiu-se mais apto a acabar com o caso:
- Abstende-vos de me intimidar com desvarios dessa ordem, minha senhora! Mais não conseguis do que dar-me cabo da paciência!
Aldonça não desarmava facilmente. Levou as mãos atrás do pescoço, onde o vestido apertava nas costas e, num gesto repentino, abriu a veste, rasgando-a em parte, soltando os seios nus. Aproveitou aquele momento de espanto do rei para lhe agarrar nas mãos e as colocar sobre o peito farto, suplicando-lhe:
- Não me mandeis embora, senhor! Que morro…
Dinis continuava perplexo e ela agarrou-se a ele, murmurando, entre beijos:
- Morro de amor… como nas vossas cantigas. Tende dó de tal coita!

* Do meu romance Dom Dinis, a quem chamaram o Lavrador, à venda na Wook e na Leya Online.


Sem comentários: