Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

01 julho 2017

São os medíocres merecedores de dignidade?


A maior parte dos escritores laureados e outros pertencentes à elite literária julgam-se as pessoas mais tolerantes, apreciadoras do povo genuíno, pobre, humilde e ignorante. Pregam a igualdade, a fraternidade, etc. e tal.
Até que...
Até que alguém pobre, humilde e ignorante resolve lutar por riqueza?
Não!
Resolve tentar a sua vida como músico?
Não!
Resolve passar para o papel aquilo que lhe vai na cabeça, quem sabe, dê para um livro...
Sacrilégio!
Acabam-se a tolerância, a igualdade, a fraternidade. Passam a existir dois mundos: o dos eleitos e o dos medíocres. E cada qual no seu lugar, faz favor!

Lembram-se do filme Amadeus?




4 comentários:

Miguel Chaica disse...

Cristina, eu nem vou tão longe nisso de isolar quem resolve passar para o papel aquilo que lhe vai na cabeça. Eu penso que neste mundo global de hipócritas, onde fica bem dizer que se é tolerante com os outros, que se respeita a opinião, etc, é tudo balelas.

Nota que quem se atreve a ir contra ao que a generalidade pensa ou apregoa, é logo enxovalhado. Isso vê-se em todo o lado e sobretudo nos comentários das redes sociais, Tolerância é uma treta.

Eu às vezes de propósito pico certo tipo de pessoal com comentários que vão contra aquilo que apregoam e sou logo chamado de tudo como se eles fossem Deuses e eu tivesse que pensar como eles.

Por exemplo, há dias, num posto no facebook alguém colocava uma notícia em como Portugal precisa de pessoas, logo, esse alguém afirmava que podiam vir do Brasil, pois ele é brasileiro. Eu disse que se fosse para trazer o que de mau tem a sociedade brasileira, então não faziam cá falta. Ui o que eu fui dizer, como se o Brasil fosse um exemplo. Até me chamaram de xenófobo. Quando, simplesmete, afirmei: se é para respeitar a cultura portuguesa, a lei e o país, entao são bem vindos. Se é para trazer aquele jeitinho brasileiro, a criminalidade gratuita, etc. então podem ficar onde estão. E ainda sublinhei que isso diz respeito a todos os povos.

O que fui dizer, fui obrigado a exclui-lo dos meus "contactos", pois nem o considerava amigo.

Ou seja, tolerância o tanas! Há que ser um rebanho!

Carla M. Soares disse...

Oh, Cristina, tenho a impressão de que, se não somos laureados nem fazemos parte dessa elite, que não sei como se constrói ou se penetra, somos todos medíocres, ponto final.

Cristina Torrão disse...

Sim, Miguel, apregoar a tolerância é fácil. Praticá-la é que é mais difícil.

Cristina Torrão disse...

Essa elite, «que não sei como se constrói ou se penetra». Também ainda não descobri, Carla. Ou melhor, desconfio que, ou é preciso nascer dentro dela, ou se exerce uma profissão que lhe dá mais fácil acesso, como a de jornalista. Por acaso, estou agora a ler um livro interessante quanto a isso (aqui no blogue está outro, mas é por eu andar atrasada com as opiniões). Há lá um rapaz que acaba por arranjar emprego num jornal, através de um tio materno (1º - se não fosse o tio, ele provavelmente nunca seria jornalista). Ora, no mesmo prédio, há uma editora, cuja chefe faz parte da direção do jornal. O rapaz, assim que lhe é apresentado, conta-lhe que pensa escrever um livro. Ela não parece muito convencida dele, mas é óbvio que dará uma certa atenção ao seu original (2º - o que nunca aconteceria, se ele não trabalhasse ali; o mais certo seria ela nem sequer ler o que ele lhe enviaria). Achei esta passagem muito interessante, porque é assim mesmo (ou parecido) que as coisas funcionam. O livro é "A Dama de Espadas", de Mário Zambujal, que como jornalista e escritor, conhece bem o meio. Mas eu acho piada como ele conta aquilo: como se fosse a coisa mais natural do mundo. Para ele realmente é! E o rapaz, em vez de reconhecer que está numa situação vantajosa para concretizar esse seu plano, acha-se um coitado, pois sabe que o tio não confia nele e só lhe arranjou o lugar por não querer recusar o pedido da irmã.

Também me irrita muito o facto de se publicarem livros de má qualidade, enquanto há gente que escreve bem, ou até muito bem, e não consegue arranjar editora. Claro que gente dessa é olhada com muito desprezo pela tal elite. Nem lhes passa pela cabeça que haja pessoas assim que escrevem bem. Se não publica, é porque não presta. E quem publica, mas não ganha prémios, também não. Enfim...