Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

14 outubro 2017

Insanidade




Depois de várias semanas de pausa, retomo as publicações no blogue. A pausa não foi 100% voluntária, eu não pretendia estar tanto tempo sem publicar, mas as férias em Portugal nunca me dão grande tempo para escritas.

Para esta rentrée, escolhi a opinião sobre o livro Insanidade, de André Arrátel Torrão, um jovem oriundo da freguesia transmontana do Lombo, concelho de Macedo de Cavaleiros, e que é meu parente afastado.

Penso ser esta a sua obra de estreia e tenho a dizer que me despertou muito interesse. Nota-se uma habilidade nata do autor para contar uma história, com bom ritmo narrativo e a criação de suspense. Eu situaria este livro no chamado romance gótico. André Torrão soube criar uma atmosfera muito interessante e invulgar, dando-me a sensação de estar a ler um conto dos Irmãos Grimm para adultos.

A ação situa-se algures no século XIX, numa povoação imaginária. Mortimer O'Donoghue, o fidalgo local, sem pais nem irmãos e viúvo pela segunda vez, procura noiva, gerando agitação nas famílias da aldeia. Depois de escolhida a rapariga, Melissa Jones, prepara-se um casamento cheio de pompa e circunstância.

Mortimer esconde, porém, um segredo familiar terrível e, logo no dia do casamento, Melissa nota que a mansão onde passará a viver encerra algo de estranho em si. O segredo vai-se revelando aos poucos, também em flash-backs com cenas da infância de Mortimer, deixando a moça cada vez mais surpreendida e receosa. O leitor segue em suspenso o desenrolar dos acontecimentos.

Apesar de toda a vida Mortimer ter sido marcada por uma violência fora do comum, serve de alegoria para os segredos que as famílias encerram no seu seio, alegoria constatada na altura em que Melissa diz ao marido: «a tua família não era nada daquilo que eu julgava», ao que ele responde: «nenhuma família é o que parece».

André Arrátel Torrão revela talento e espero que continue a escrever.


Sem comentários: