Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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3 de março de 2016

Amores anglo-germânicos


A 2ª Guerra Mundial influencia as relações entre a Grã-Bretanha e a Alemanha até hoje. No mundo da política, age-se com muita diplomacia, mas, entre as populações, há ainda preconceitos que cheguem. Os britânicos parecem não querer esquecer os bombardeamentos alemães a Londres. Por seu lado, os alemães mantêm viva a memória dos bombardeamentos maciços das cidades alemãs, na última fase da guerra, principalmente o da cidade de Dresden, que ficou em mais de 80% destruída. Ainda hoje, entre os alemães, esse bombardeamento representa um símbolo de um ataque supérfluo, exprimido numa mortandade desnecessária de civis, apesar de a esmagadora maioria concordar que o único responsável por tal absurdo foi o próprio Hitler, na sua teimosia em não se render.

É assim curioso constatar que os atores britânicos parecem apreciar muito as atrizes alemãs.

Daniel Craig, antes de se tornar mundialmente famoso, pois ainda ninguém adivinhava que desempenharia o papel de James Bond, teve uma relação de quase oito anos (entre 1997 e 2004) com a colega alemã Heike Makatsch

Imagem daqui

Hoje em dia, há um outro romance, que até deu em casamento, entre Sam Riley e Alexandra Maria Lara. O ator britânico, que ficou conhecido por desempenhar o papel de Ian Curtis, no filme Control, e do qual falei aqui há pouco tempo, a propósito de O Vale Sombrio, vive inclusivamente em Berlim, com a esposa e o filho comum. Alexandra Maria Lara ficou conhecida por interpretar, em 2004, o papel de Traudl Junge, a secretária de Hitler, no filme Der Untergang (em português: A Queda: Hitler e o Fim do Terceiro Reich).

Imagem daqui
Bom, na verdade, Alexandra Maria Lara é apenas uma "alemã adotiva". Nasceu em Bucareste e parece que mantém a nacionalidade romena, apesar de viver na Alemanha desde os quatro anos de idade. Os seus pais fugiram para a Alemanha Ocidental, em 1983, para escapar ao regime de Nicolae Ceauşescu na Roménia comunista.

24 de fevereiro de 2016

O Vale Sombrio (ou “Das Finstere Tal”, ou “The Dark Valley”)




O que soa a absurdo revela-se um inesperado bom filme, realizado pelo austríaco Andreas Prochaska, conhecido no meio germanófilo, ganhador de prémios.

Um fotógrafo americano, interpretado pelo britânico Sam Riley, chega, nos fins do século XIX, a um vale perdido nos Alpes austríacos, onde se situam duas pequenas aldeias. Os habitantes são fechados e hostis, não apreciam forasteiros. A filha da dona da casa onde o fotógrafo se hospeda estranha ele saber falar alemão. Ele diz que aprendeu com a mãe, nada mais conta. A jovem aconselha-o a ir embora, antes da chegada do Inverno, quando o vale fica isolado pela neve. O forasteiro alega que apenas deseja tirar fotografias.

Imagem daqui

Com a chegada da neve ao vale, começa uma série de assassínios e é claro que se desconfia do americano. A jovem censura-o por ele não ter desaparecido, enquanto teve ocasião. É também esse o nosso pensamento, como espectadores. Porém, à medida que o filme avança, começamos a nos perguntarmos se o fotógrafo tem de facto algo a ver com os crimes. O ambiente nas duas aldeias é sinistro, torna-se claro que guardam um qualquer segredo. E, embora ninguém conheça o americano, ele parece ter algo a ver com esse segredo. 

Imagem daqui

Mesmo depois de se saber no que consiste o tal segredo (aliás, uma ideia pouco original), mantém-se o suspense, que culmina num tiroteio impiedoso, ao estilo dos melhores Westerns americanos, com a particularidade de este se dar no meio da neve. Aliás, todo o filme transmite um frio cortante e a dureza da vida num Inverno rigoroso, quando ainda não havia um mínimo de conforto. 

Imagem daqui

Sam Riley ficou conhecido pela sua atuação como Ian Curtis no filme biográfico Control (2007), sobre o líder da banda pós-punk britânica Joy Division. 

Imagem daqui
 Tobias Moretti, é um famoso ator austríaco, que ficou conhecido internacionalmente através da série Rex, o cão polícia, na qual desempenhou o papel principal entre 1994 e 1998, abandonando voluntariamente a série e sendo substituído. Tem feito carreira no cinema e no teatro. 


Embora eu tenha encontrado um cartaz do filme em inglês, não me parece haver versões dobradas ou legendadas, o que acho uma pena. Vejo-me obrigada a deixar-vos com o trailer alemão. Mesmo não entendendo a língua, as imagens são poderosas. 




21 de outubro de 2015

É hoje, é hoje!




21 de Outubro de 2015! 

Foi precisamente nesta data que Marty McFly e Doc Brown chegaram ao futuro, no segundo filme da saga Regresso ao Futuro. O filme foi estreado em 1989 e é interessante ver quais as previsões que se cumpriram e as que não:

Atacadores automáticos:

Criou sensação, na altura, a cena dos ténis com os atacadores automáticos. Ainda não se tornaram comuns, mas a Nike registou uma patente destas no passado mês de Abril e está previsto os ténis serem lançados no mercado no fim deste ano. Aguardemos!

Skate Hoverboard e carros voadores:

Fez as delícias de todos os jovens da altura, o Sakteboard voador usado por Marty numa das cenas mais famosas e empolgantes do filme. O sonho, porém, ainda não se tornou realidade, embora já haja firmas a investir no seu desenvolvimento. Assim como em carros voadores. É famosa a frase que Doc Brown diz no final da primeira parte da saga, quando se preparam para viajar para o futuro: «Estradas? Para onde vamos, não precisamos de estradas». Ai não?

Outdoors holográficos:

Em 2015, o Marty McFly dos anos 1980 assusta-se, quando, num outdoor anunciando a 19ª parte do Tubarão, um desses animais gigantescos, de repente, sai da tela. A tecnologia para projetar hologramas tridimensionais já existe, mas ainda não está vulgarizada, muito menos, em outdoors.

Ecrã plano e videochamadas:

Marty admira-se por, na sua casa do futuro, haver ecrãs planos em várias paredes, algo que aliás já é realidade (embora não nessa quantidade em todos os lares). Também se espantou com as videochamadas. Hoje em dia, nada mais natural, em qualquer smartphone ou iPad. E, maravilha das maravilhas: hoje não ficamos de boca aberta, ao vermos ver no display a informação de quem nos telefona, antes de atendermos a chamada!


O filme, porém, falhou uma grande previsão, hoje tão infiltrada no nosso quotidiano, que já não imaginamos a vida sem ela: a internet!

Já agora, menciono algo a que acho imensa piada: há uma cena em que Marty olha para uma montra que anuncia “velharias” e vemos lá um ecrã de computador novinho em folha… Para nós, na altura! Hoje, ao ver o filme, surge-nos como verdadeira sucata.


8 de outubro de 2015

A face oculta dos génios


Pensa-se sempre numa campanha de difamação, quando uma personalidade é acusada de pedofilia, como no caso de Woody Allen. Recusamo-nos a acreditar que um génio do cinema seja capaz de atitudes sórdidas. Por outro lado, partindo do princípio de que as acusações têm razão de ser, pensemos no sofrimento e na revolta de alguém que, em criança, terá sido abusada e constata, mais tarde, que ninguém acredita nele/nela, enquanto o abusador é celebrado como uma estrela em todo o mundo, entenda-se: um ser humano acima de qualquer suspeita!

No caso de Woody Allen não sabemos quem mente, mas eu confesso que criei uma espécie de repulsa em relação à sua figura, apesar de muito o apreciar (ou ter apreciado) como ator e realizador. E mais pensativa fico, ao tomar conhecimento do caso de Klaus Kinski, o conhecido ator alemão (por acaso, nascido na Polónia), falecido em 1991.

Klaus Kinski
Em 2013, Pola Kinski, a sua filha mais velha, entretanto com sessenta anos, não mais conseguiu calar o tormento por que passou e publicou um livro, Kindermund, revelando que o pai tinha abusado sexualmente dela, entre os cinco e os dezanove anos.

Pola é filha do primeiro casamento de Klaus Kinski e, por isso, meia-irmã da mais conhecida Nastassja Kinski. Os pais separaram-se quando ela tinha três anos. Ficou com a mãe, que casou novamente e, depois de nascer um irmão, a pequena Pola sentia-se preterida. Quando o pai Klaus começou a levá-la para sua casa, abusando dela, a menina oscilava entre a felicidade, por o progenitor lhe dar algo que lhe parecia carinho, e o asco, por aquilo que ele verdadeiramente fazia com ela.

A situação manteve-se durante catorze anos. Klaus Kinski rodeava-a de luxos, comprava tudo o que ela queria, mas, ao mesmo tempo, ameaçava-a, para que ela não contasse a ninguém o que se passava entre os dois.

Pola Kinski com o pai, em 1979

Com dezanove anos, à beira do colapso psicológico (a ponderar suicidar-se), Pola conseguiu pôr termo àquela relação que a destruía por dentro. Quando casou, deixou a sua vida de atriz, a fim de cuidar da família (tem três filhos). À morte do pai, em 1991, teve vontade de revelar o seu suplício, mas na altura frequentava uma psicóloga que a desaconselhou a fazê-lo. Klaus Kinski era um ator muito conceituado, apesar de se conhecer o seu feitio difícil, dado a ataques de fúria. Havia até quem o apelidasse de psicopata. Mas participou em inúmeros filmes e o seu prestígio transformou-se num verdadeiro culto à sua figura, depois da sua morte, pelo menos, na Alemanha.

Pola Kinski, na juventude
Em 2013, Pola não aguentou mais e revelou a verdade. Há quem diga que seria desnecessário denegrir a imagem do pai, vinte e dois anos depois de ele ter falecido. Eu acho que ela fez bem! O abuso sexual de crianças é um crime imperdoável, que marca as pessoas para sempre. E porque deveria haver cuidado com a memória de um pai que foi capaz de cometer um crime hediondo e não há de haver preocupação com a vida de uma filha, cujo bem-estar depende do gritar da injustiça que lhe foi feita?

Pola Kinski, hoje, com sessenta e poucos anos
 
Nota: não li o livro, mas vi um documentário televisivo em que Pola Kinski conta a sua história.