A Ordem de Malta, no estado alemão da Baixa Saxónia, criou, há cerca de um ano, o projeto Herzenswunsch-Krankenwagen, o que, traduzido, dá mais ou menos: a "ambulância dos desejos". Este projeto trabalha em conjunto com hospitais especializados em cuidados paliativos, a fim de realizar um último desejo aos doentes terminais. Foi assim que uma paciente terminal conseguiu satisfazer o desejo de se despedir do seu cavalo, adquirido no longínquo ano de 1994, seu companheiro inseparável de inúmeras cavalgadas (a foto que se segue foi publicada no jornal católico alemão KirchenZeitung).
As ambulâncias possuem o equipamento necessário para este tipo de doentes, que são ainda acompanhados por enfermeiros e psicólogos e/ou assistentes sociais. O transporte é gratuito, o projeto vive de voluntários e donativos.
Adenda: Entretanto, constatei que há mais instituições que oferecem este tipo de serviço.
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3 de dezembro de 2017
6 de janeiro de 2017
Quando queremos um filho à nossa imagem
Sou grande admiradora de Cristiano
Ronaldo. Apesar de, muitas vezes, se pensar que o carácter dele deixa algo a
desejar, ou de se ter chegado a um ponto em que não se consegue distinguir o
que é autêntico, ou mero golpe de marketing,
não há dúvida de que Ronaldo é a maior estrela que Portugal jamais deu ao
mundo. Nem sequer vale a pena comparar com Eusébio ou Amália, por mais respeito
que devamos a estas duas pessoas, que tanto fizeram pelo nosso país. Nem sequer
com Camões! Cristiano Ronaldo é um símbolo planetário, conhecido nas aldeias
mais remotas das regiões mais inóspitas, sejam os seus habitantes ricos ou
pobres, cultos ou ignorantes.
Confesso, porém, que fiquei um pouco desiludida, ao ler um
artigo baseado numa entrevista que Ronaldo deu a um canal egípcio,
nomeadamente, quando fala na educação do seu filho. «Digo-lhe
sempre que tem de ser forte para lidar com a adversidade». Tenho sérias
dúvidas se se consegue que uma criança fique forte, ao repetir-lhe
constantemente que ela tem de ser forte. As crianças esforçam-se muito para não
desiludir os pais, por isso, acho contraproducente carregá-las de exigências. Corre-se
o risco de as esmagar, desenvolver nelas o medo de falhar, de desiludir, o que desemboca
numa grande insegurança.
Educa-se mais com exemplos do que com palavras. Se Ronaldo quer que o filho seja forte, tem, acima de tudo, de dar o exemplo, não só na sua vida pública, como na familiar. Além disso, o mais importante é que ele acompanhe o filho nos seus problemas diários, escutando-o, levando-o a sério, por mais insignificantes que as suas queixas lhe pareçam. E, mais do que repetir: «tens de ser forte», deve apoiá-lo. Fazer uma criança forte não é “largá-la aos bichos”, mas mostrar-lhe que se está do lado dela.
«Claro que gostaria [que ele fosse futebolista], mas não vou pressionar. Vou empurrá-lo um pouco para ser futebolista, mas não quero que seja guarda-redes. Quero que seja avançado. Mas ele será o que quiser. Isso não me preocupa».
Mas então vai pressioná-lo, ou não? Por um lado, diz que não, por outro, diz que sim, um pouco… E porque não há de o miúdo de ser guarda-redes? Que tem Ronaldo contra guarda-redes? Não há grandes exemplos a seguir? Que dizer de Vítor Damas, Michel Preud’Homme, Gianluigi Buffon e outros fantásticos profissionais?
Os filhos não são uma segunda versão nossa, mas sim pessoas autónomas. Cristiano Ronaldo não precisa de «empurrar um pouco» para que o filho seja futebolista, sendo ele próprio um. Os filhos guiam-se pelos pais. Mas é importante que não se sintam pressionados, pois só serão verdadeiramente felizes se seguirem a sua vocação. Os pais podem dar sugestões, orientações, mas não devem nunca pressionar. Devem, sim, dar competências aos filhos para que possam decidir livremente.
O verdadeiro amor não conhece preferências. Ama-se um filho independentemente do que ele vier a ser.
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6 de maio de 2016
Quanto valemos?
Não é fácil viver com a sensação de que não somos amados. Ela acompanha-nos desde que nos lembramos de ser gente. Tentamos desesperadamente agradar, usando o nosso talento. E conseguimos tudo: o topo das tabelas, a multidão em delírio, prémios sem fim, até o Óscar...
A multidão ama-nos. Mas não chega. Aqueles a quem quisemos realmente agradar, aqueles de quem esperávamos reconhecimento, mal ligam. Fingem que não é nada de especial.
Por isso, queremos mais e mais. Mas quanto tempo dura a popularidade? Quanto tempo, até que nos esqueçam, até que nos atirem para o lado, sem pruridos, como a um trapo? Esquecem-nos, assim que deixarmos de sermos novos e bonitos.
Quanto valemos, realmente?
O álcool e as drogas ajudam a dissipar momentos de desespero. E o sucesso, por vezes tornado a atingir, dura pouco, dura cada vez menos. Percebemos que o nosso tempo já passou. Fica cada vez mais cansativo impressionar, estamos a envelhecer...
Não adianta fingir. Já só meia dúzia de saudosos aplaudem... Ninguém nos quer, ninguém nos ama...
Não é fácil viver com a sensação de que não somos amados. Queremos a paz, o sossego! Queremos o fim!
Quanto valemos?
6 de janeiro de 2016
Fama
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| Imagem daqui |
«Imagina que vai um famoso a passar e ninguém repara! Que aconteceria a todos aqueles que pisam o tapete vermelho usando roupas caras, ou àqueles que sobem ao pódio para festejar uma vitória, se ninguém disso tomasse conhecimento, aplaudisse, ou desmaiasse de emoção? A fama é normalmente proporcionada por aqueles que não a possuem, aqueles que admiram o sucesso alheio a partir da berma, que observam o tapete vermelho por trás da barricada da polícia, ou que olham de longe para o pódio. Os famosos são-no pelos seus espectadores e admiradores.
Há uns anos, a equipa de futebol de uma pequena cidade alemã subiu à primeira divisão e a autarquia resolveu enfeitar as janelas da câmara com as fotografias dos heróis, bem grandes, para se verem ao longe.
Apesar de não ser apreciador de futebol, achei bem. E propus que as janelas da câmara também tivessem lugar para as fotografias daqueles que, nessa cidade, se ocupam dos mais fracos, dos pobres, dos refugiados, e também para quem faz donativos, apesar de não possuir muitas notas na carteira. Afinal, essa gente, tal como os heróis do desporto, contribui para a imagem da cidade.
Até hoje, porém, as fotografias das pessoas que ajudam outros ainda não apareceram nas janelas da câmara».
Christoph Stender
(Padre alemão)
Nota: texto traduzido do alemão
6 de novembro de 2015
«Quem ama os seus filhos, pune-os!»
«Se não deixas de me martirizar, suicido-me, em frente ao altar da igreja e, na minha mão, estará uma carta que te responsabiliza pelo meu ato» - estas palavras foram ditas por um jovem filho ao próprio pai.
O
filho, hoje com setenta anos, é um escritor alemão de romances históricos; o
pai era um pastor (padre) protestante; o suicídio seria na igreja onde este
rezava missa; a história é verídica. Tilman
Röhrig, o escritor que felizmente não se suicidou, porque a ameaça
funcionou, participou num documentário do ARD, o primeiro canal alemão, sobre o
uso de violência na educação de crianças.
Tilman
Röhrig não teve pejo em revelar os suplícios por que passou, tareias de chicote
e de cinto, que lhe deixavam as costas em sangue. Mas não foi só ele, outras
pessoas, nascidas no pós-guerra (anos 40 a 60) não recearam encarar a verdade
em público. E fica-se com um nó na garganta, quando se veem homens e mulheres,
de cinquenta, sessenta ou setenta anos, a regressarem às casas da sua infância
(já lá não iam há décadas, por as casas terem deixado de pertencer às famílias),
para logo ficarem embargados, de lágrimas nos olhos. Uma mulher chorou mesmo
copiosamente. Aqueles lugares só lhes trazem recordações dolorosas. E não se
trata de órfãos, criados num lar, sujeitos a sevícias, trata-se de pessoas
criadas no seio de uma «família tradicional».
A
frase que serve de título a este post
é a tradução de um provérbio alemão - wer
seine Kinder liebt, der züchtigt sie - um provérbio que justificou (e
talvez ainda justifique) violências inenarráveis. Também o pastor protestante,
pai de Tilman Röhrig, pensava que estava a fazer bem, baseado inclusive no
Antigo Testamento, que prevê o exercer de violência sobre os filhos para lhes expulsar
o «mal» do corpo! Por isso, o escritor deixou de odiar o pai (porque o odiava
mesmo, na altura que ameaçou com o suicídio, tinha apenas 16 anos). Sim,
conseguiu deixar de o odiar. Mas perdoar… Não! «Coisas dessas não se conseguem
perdoar» - diz ele hoje, porém, não com uma expressão de revolta, ou de rancor,
antes com um sorriso… um sorriso triste.
Tilman
Röhrig é conhecido pelos seus romances históricos, mas o seu primeiro sucesso
literário foi um livro sobre um rapaz de catorze anos, vítima de violência por
parte dos pais.
Todas
as pessoas que, no documentário, se prestaram a contar a sua história, são pais
e/ou avós e declararam-se contra qualquer tipo de violência sobre as crianças.
Alguns, que confessaram ter-se descontrolado uma vez na vida com os filhos, ficaram
tão mortificados e arrependidos, que juraram que nunca mais o fariam. E
cumpriram!
Em baixo, o vídeo do documentário. É só para quem sabe alemão, mas resolvi pô-lo aqui, como prova das minhas palavras:
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13 de março de 2015
Ajudas Preciosas
Hans-Jürgen Hufeisen, um flautista e compositor alemão, nascido em 1952, publicou a sua biografia em novembro passado. Enfim, pensei, mais alguém que aproveita o facto de ser mais ou menos conhecido para ganhar um dinheirinho extra.
Deparei com um artigo num jornal sobre o livro e comecei a ler, a ver se era minimamente interessante. E, de facto, surpreendeu-me, logo no início: a mãe de Hans-Jürgen Hufeisen teve-o sozinha, num quarto de hotel, e abandonou-o com dois dias de vida.
O futuro flautista cresceu num lar de órfãos e, segunda surpresa: diz ter boas recordações desses tempos! Perguntei-me se seria uma maneira de ele idealizar a sua infância, como quase todos nós o fazemos, uns mais, outros menos. Ao continuar a ler, porém, constatei que havia verdade nestas suas palavras. A educadora que se ocupou do pequeno Hans-Jürgen era professora de música e ofereceu-lhe a primeira flauta, no seu sexto aniversário. O rapaz surpreendeu-a, parecia feito para enveradar por aquele caminho, a música passou a ser a sua atividade favorita, a que intensamente se dedicava. E, quando a professora notou que ele era já melhor do que ela, enviou-o para o Conservatório.
Aqui, fiz uma pausa na leitura, a fim de refletir sobre esta passagem. «Quando a professora notou que ele já era melhor do que ela»... Comovi-me com esta maravilha! Infelizmente, observo, muitas vezes, que os pais, ou educadores, invejam as capacidades e os talentos dos seus filhos, ou das crianças a seu cargo. Não raro, tentam abafar, bagatelizar, tais talentos, não vão os rebentos ultrapassá-los e passarem a ser o centro das atenções, passarem a ser aqueles que são elogiados e admirados, em vez deles! Podem perder-se verdadeiros talentos, deste modo. Pode, acima de tudo, ser a origem de uma tragédia pessoal.
Uma professora/educadora trata de uma criança, que nem vive em casa dela, vive numa instituição, uma criança que foi abandonada pela própria mãe. Um dia, essa professora nota nela um talento maior do que o dela e acha que tal não se deve perder, que deve ser estimulado. E essa professora envia a criança para o lugar certo, continuando a apoiá-la...
Hans-Jürgen Hufeisen é o bebé abandonado que conseguiu, em adulto, atingir a fama. É um homem de grande mérito. Mas não podemos esquecer que, não fosse a prova de amor incondicional dado pela sua educadora, ele provavelmente não o teria conseguido. É o melhor presente que se pode dar a alguém! E é smplesmente maravilhoso!
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Destinos Pessoais,
Livros e Leituras
20 de fevereiro de 2015
Danos Colaterais
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| Daqui |
Estas
crianças parecem ter uma boa vida. Estão bem alimentadas, bem vestidas e lavadas.
Porém, reparando nos seus olhares (é tão importante reparar nos olhares!),
constatamos que algo os incomoda. Os olhos são profundamente tristes,
desiludidos, um tanto desconfiados.
Estas
crianças foram simplesmente abandonadas! Não só pela família, como por toda a
aldeia onde viviam. A razão? Algum seu familiar adoeceu com ébola, ou elas
próprias apresentaram sintomas: febre, vómitos, dores nas articulações. Na
verdade, muitas nem contraíram o ébola! Quantas outras doenças há com os mesmos
sintomas?
Para
estas crianças, não costuma haver regresso. As portas fecham-se-lhes, sentem na
pele a frieza, a recusa, a segregação. Vagueiam pelas ruas e, se têm sorte, são
recolhidas numa aldeia SOS, como estas, em Freetown, na Serra Leoa.
O
monge salesiano alemão Lothar Wagner é uma das pessoas que se ocupam destes “órfãos”,
lhes tentam incutir nova coragem, gosto e confiança na vida. O sucesso não está
garantido. Mesmo os fisicamente saudáveis, quedam-se sem iniciativa, queixam-se
de falta de apetite, alguns passam a vida a chorar silenciosamente, ou
mantêm-se apáticos.
Já
não se fala de ébola, na Europa e nos Estados Unidos. Depois da histeria de
alguns casos (meu Deus, a doença já está entre nós!), o perigo passou. É como
se o ébola estivesse debelado. Apesar de a situação estar mais ou menos
controlada, porém, o ébola continua a matar. E a condenar crianças ao abandono.
Post baseado neste artigo (em alemão).
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