No fim-de-semana, o município de Arruda dos Vinhos festeja o 29º aniversário da Biblioteca Irene Lisboa com vários eventos. Tive o privilégio de ser convidada, a par de Raquel Serejo Martins, para uma conversa à volta do tema "Mulheres na Literatura", a ter lugar no sábado, dia 22, pelas 21h 30m, na Sala Jardim da Biblioteca.
Irene Lisboa, autora que dá o nome à nossa biblioteca, acolhe na sua casa a apresentação da narrativa histórica “Memórias de D. Teresa”, de Cristina Torrão e o livro de poemas “Os Invencíveis”, de Raquel Serejo Martins - do site da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos.
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21 de setembro de 2018
3 de fevereiro de 2018
Em Boa Companhia!
Cerca de 20% dos portugueses vivem no estrangeiro, a emigração devia ser um tema recorrente na nossa literatura. A Oxalá Editora (editora portuguesa na Alemanha) publicará em breve uma coletânea de contos sobre emigração. E assim me vejo eu em excelente companhia:
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27 de janeiro de 2018
A Vida Trágica De Uma Escritora Que Morreu em Auschwitz
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| Foto: dpa/AP |
Else Ury, autora alemã de livros infantis da primeira
metade do século XX, foi morta nas câmaras de gás de Auschwitz, um destino
ignorado durante cinquenta anos no mundo literário alemão, apesar de os seus
livros tornarem a conhecer grande êxito depois da 2ª Guerra Mundial. A razão?
Os intelectuais alemães da literatura infanto/juvenil desdenhavam de uma escritora por eles intitulada de «propagandista do mundo
de conto de fadas”.
Else Ury ficou famosa, a partir de 1913, com uma série
dedicada a uma menina chamada Annemarie Braun, que vivia em Berlim no seio de
uma família feliz, com o pai médico, a mãe dona de casa, dois irmãos mais
velhos, uma criada, uma ama e a sua boneca. Por ser a mais nova, Annemarie
Braun era apelidada de Nesthäkchen
(benjamim), uma criança vivaça e traquina, que tinha muito a aprender, até se
tornar numa jovem obediente e, mais tarde, numa esposa e mãe perfeita. Os
episódios da série Nesthäkchen decorriam sob o esquema: «ultrapassar das regras - arrependimento - final
feliz».
Entre 1913 e 1925, a série conheceu grande sucesso.
Else Ury enriqueceu, mas nunca casou nem constituiu família própria, pelo que
se dedicou aos pais, aos irmãos e aos sobrinhos. Dir-se-ia que a sua vida
decorria perfeita, um retrato dos seus livros, até que… chegou o nazismo.
Else Ury era judia. A partir de 1933, foi proibida de
escrever e de publicar. Viu os seus livros serem retirados das livrarias. Um
dos seus irmãos suicidou-se em 1935, os outros familiares fugiram para o
estrangeiro. Else Ury ficou em Berlim. Mais! Regressou à sua cidade-natal,
depois de uma viagem que fez a Londres, em 1938! Regressou para não deixar a
mãe de noventa anos sozinha. Mas terá havido igualmente um pouco de
inconsciência? Acreditaria Else Ury no mundo conto de fadas que criara nos seus
livros?
O certo é que a sua biografia, publicada em 2007 por
Marianne Brentzel (e que finalmente revelou a vida desconhecida desta autora de
sucesso) se intitula Nada de mal me acontecerá…
(tradução livre de Mir kann doch nichts geschehen…). Else Ury confiaria na justiça e na humanidade, acreditaria que
o bem acabava por vencer o mal e terá pensado que os nazis não se preocupariam
com uma mulher que já passara os sessenta.
Como todos os judeus, ela foi despojada dos seus bens
e direitos, roubada e humilhada. Depois da morte da mãe, com 93 anos, foi
obrigada a mudar-se para o ghetto
nazi de Berlim. Em Janeiro de 1943, foi deportada para Auschwitz e guiada para
a câmara de gás, logo à chegada, por ser dada como inapta para trabalhar. Tinha sessenta e cinco anos.
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| Livros da Nesthäkchen publicados depois da guerra |
Apesar de gerações de meninas alemãs continuarem a ler
os seus livros, a partir dos anos 1950, e se ter feito inclusive uma série
televisiva neles baseada, em 1983, imperava o silêncio sobre o seu fim por ser
má vista pelos intelectuais. Na Alemanha de Leste, os seus livros permaneceram
proibidos até à queda do Muro de Berlim! E, no entanto, ao contrário de outros
autores do género, Else Ury acompanhou a vida da sua heroína muito para lá da
infância. Annemarie Braun, a Nesthäkchen,
tornou-se adolescente, casou, formou família e até envelheceu. No último livro
da série, publicado em 1925 e intitulado Nesthäkchen im weißen Haar, ela é uma avó de cabelos brancos.
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13 de dezembro de 2017
Escrita
Extrato de uma entrevista dada à Joana Dias do Páginas com Memória, nos idos de 2012:
Que conselho daria a quem decida enveredar pela área da escrita?
Se não consegue conceber a sua vida sem escrever, não desista! É preciso insistir muito para se conseguir publicar, não se deixando abater pelas recusas.
Seja disciplinado e exigente. Enquanto não estiver satisfeito com o texto, corrija-o, nem que sejam mil vezes! Se não gosta de alguma passagem, ou de alguma cena, mas pensa: «não faz mal, vai mesmo assim, no conjunto mal se nota», está a seguir o caminho errado!
Se não lhe ocorre melhor solução para a passagem, ou a cena, problemática, apague-a! Não tenha problemas em apagar, mesmo que doa. Li, uma vez, que o melhor amigo do escritor é o cesto dos papéis.
Não espere enriquecer com a escrita! Um número ínfimo de escritores consegue viver da escrita, os que enriquecem são ainda menos.
21 de novembro de 2017
Escrever e rever
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| Manuscrito de "O Ano da Morte de Ricardo Reis", José Saramago, visto neste blogue. |
Um/a escritor/a passa mais tempo a rever aquilo que escreve do que propriamente a escrever. Claro que as editoras têm revisores profissionais, mas é impensável para um/a autor/a (ou devia ser) enviar um original para publicação sem lhe ter dado várias voltas. Eu dou imensas voltas aos meus textos. E por vezes penso que gosto mais de rever do que de escrever!
Escrever é bom, claro, alivia poder despejar as ideias que temos na cabeça, as ideias que temos medo de perder. Mas também é muito cansativo. Se há ideias que nos saem sem esforço (e até se atropelam, daí o medo de perder alguma), há coisas que dão imenso trabalho, como, por exemplo, encontrar ligações entre diferentes partes do enredo, ou encontrar maneira de tornar certa cena mais verosímil.
Rever, por outro lado, é mais relaxante. Ter o texto escrito à minha frente tira-me um grande peso dos ombros, imagino que estou a ler algo escrito por outra pessoa e a corrigir o que me parece mal, cenas infelizes, diálogos supérfluos, por aí fora. Sinto-me livre para criticar e torcer o nariz. E quantas vezes as melhores ideias me surgem na revisão, ao dar coerência àquilo que está mal alinhavado...
Talvez a maior dificuldade seja encontrar uma altura em que chega de revisões. Há quem ache que até se corre o perigo de estragar, em vez de melhorar. Quando essa dúvida nos surge em relação a uma frase, um parágrafo ou uma passagem, talvez seja melhor não lhe mexer, deixar passar algum tempo e tornar ao local. Por outro lado, se nos dá uma vontade espontânea de corrigir algo, é melhor fazê-lo!
Guardar o original durante uns meses, sem lhe tocar, também ajuda. Ganhamos-lhe distância e as fraquezas saltam-nos à vista com mais facilidade.
2 de novembro de 2017
A Menina do Mar
A Oxalá
Editora acaba de publicar uma edição bilingue (português e
alemão) de A Menina do Mar. É a
primeira tradução alemã desta obra!
A tradutora, Isabel Remer, tem mãe portuguesa e pai
alemão. Fiquei igualmente estupefacta com revelações suas, na entrevista
que deu à edição de Outubro (nº 280) do Portugal Post, um jornal para os portugueses na Alemanha. Isabel Remer tentou, sem
sucesso, publicar a sua tradução durante quase cinco anos! Não houve uma única editora, fosse portuguesa, ou alemã, que se interessasse pelo projeto. Já depois de desistir, Isabel Remer leu um anúncio da Oxalá
Editora, no Portugal Post, chancela que resolveu, felizmente, avançar com uma publicação bilingue.
Espero que tenham muito sucesso com este conto que certamente será particularmente útil
para as crianças portuguesas que vivem na Alemanha, assim como para todos os portugueses que aprendam alemão, ou alemães que se interessem pela língua
de Camões, independentemente das suas idades.
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