Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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6 de dezembro de 2011

Audiolivros

Na Alemanha, além dos e-books, existe, há vários anos, uma outra forma de publicação alternativa aos livros de papel, que representa um grande mercado: os audiolivros. Dir-me-ão que nada substitui a leitura, mas, na verdade, há situações em que um audiolivro pode ser útil. O meu marido utiliza-os nas suas viagens diárias de comboio (cerca de 50 minutos) para o seu local de trabalho. Ele tem dificuldade em concentrar-se na leitura, quando há ruído de fundo (como num comboio, ou num café), de maneira que é fã dos audiolivros.

Nem todos os audiolivros se limitam à audição pura e simples do texto, alguns são verdadeiros "teatros radiofónicos", com várias personagens e ruídos apropriados (por exemplo, num romance histórico medieval, o som dos cavalos ou das batalhas).

Acho pena que em Portugal este modo de publicação seja raro. Foi, por isso, com satisfação que li sobre o lançamento do audiolivro de O Senhor Henri, o primeiro dos habitantes do “Bairro” de Gonçalo M. Tavares a entrar no catálogo da editora Boca, numa co-produção com o Teatro Municipal da Guarda, e inaugurando a colecção Boca de Cena, dedicada ao teatro.


O lançamento realiza-se no Teatro Municipal da Guarda, no dia 10 de Dezembro às 21h30, num espectáculo que se escuta, e ao qual se seguirá uma conversa com os editores, e repete no Bartô, dia 14 de Dezembro às 22h, com o mesmo figurino e com a presença de Gonçalo M. Tavares, José Neves, Luís Henriques e Américo Rodrigues, entre outros intervenientes.

Na minha opinião, uma belíssima ideia e um exemplo a seguir!

Via Bibliotecar

17 de março de 2011

O Domínio da Natureza

Fernandes



«A natureza está à espera, lá fora, mas mantém exactamente a mesma força: recuou, é certo, mas não está sequer prisioneira. Está num outro sítio, num outro ponto da batalha, e afia as lâminas; não reza, não suplica, não pede piedade.
Não reza, afia as lâminas.»

Gonçalo M. Tavares, Aprender a Rezar na Era da Técnica

8 de março de 2011

Melhor Livro Estrangeiro

Os franceses podem ter muitos defeitos, mas sempre tiveram bom gosto literário e Paris foi (mais do que é) uma cidade-refúgio para escritores de diversas nacionalidades. O Prix du Meilleur Livre Étranger 2010 é uma garantia de qualidade. Fica-se curioso, embora não se possa evitar um certo cepticismo, afinal, há gostos pessoais.

Através d' O Cheiro dos Livros, tenho vindo a entrar em contacto, precisamente, com a obra vencedora deste Prix.




«A natureza está à espera, lá fora, mas mantém exactamente a mesma força: recuou, é certo, mas não está sequer prisioneira. Está num outro sítio, num outro ponto da batalha, e afia as lâminas; não reza, não suplica, não pede piedade.

«O Dr. Lenz, cirurgião importante da cidade, homem possuidor absoluto dos seus prazeres privados, apreciador de pequenas humilhações a prostitutas, e que ganhara o hábito recente de receber em casa um vagabundo, de lhe oferecer esmolas chorudas, de lhe dar pão e comida, e acima de tudo, de o humilhar, de atrasar a esmola, a comida, de saborear o prazer de estar na parte forte e de ter dois olhos sãos e claros para ver o que a claridade do mundo mostrava: a rudeza desse mesmo mundo, a violência e a indiferença entre quem tem saúde e quem não a tem, quem tem dinheiro e quem não o tem, quem é velho e quem não o é, quem é feio ou deficiente e quem não o é, quem tem marcas de acidente no rosto, queimaduras, cortes que desfiguram a beleza média e quem, pelo contrário, não tem nada que manche o seu orgulho, o seu orgulho exterior, físico, a única moeda comum a todos os séculos, a todos os países, a todas as línguas. Era isto que os olhos sãos e claros de Lenz viam, era isto que a claridade do mundo lhe mostrava.»

«- Nesta casa o medo é ilegal – era uma das frases mais marcantes de Frederich Buchmann.


O único problema, neste tipo de escrita, é o ritmo alucinante das frases de qualidade. Sucedem-se umas às outras, quase se anulando, quase evitando o seu desfrutar. Há escritores assim, que se têm de ler devagar. E várias vezes. Em vez de enfado, a repetição proporciona-nos novas revelações, novos encantos.


Descobri mais um motivo de entusiasmo para minha ida a Portugal, por alturas da Feira do Livro do Porto. Já acrescentei o Gonçalo M. Tavares à minha lista :-)