A Vespinha leu "Os Segredos de Jacinta" e publicou a sua opinião. Aqui, um excerto:
Este livro retrata a vida de uma rapariga do século XII, no período que antecede o cerco de Lisboa. Uma rapariga do povo que, tal como todas na época, tinha de se submeter cegamente às vontades dos pais e dos irmãos. Mas Jacinta precisa de mais, de decidir o seu caminho, que não é fácil porque cheio de altos e baixos, de momentos de santidade e de pecado.
Obrigada, Vespinha!
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16 de julho de 2014
Opinião
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Os Segredos de Jacinta
6 de julho de 2014
Opinião de Manuel Cardoso
Reproduzo a opinião de Manuel Cardoso sobre Os Segredos de Jacinta, publicada no Dos Meus Livros:
Tal como nas suas obras anteriores, também neste livro,
Cristina Torrão leva-nos pela mão a um passeio pelo Portugal Medieval com todos
os seus encantos e terrores. Mais do que a conturbada situação política e militar
da época, está em cena o enquadramento mental, social e moral desse período,
salpicado por descrições objetivas e agradáveis dos usos e costumes da época.
Não se pense, no entanto, que este é um livro apenas sobre o
século XII; o que está em causa é muito mais que a formação de Portugal; é a
formação da mentalidade portuguesa, com todos os vícios e qualidades com que
hoje nos identificamos: a bondade natural do nosso povo, uma certa ingenuidade
que tanto conduz à solidariedade como à fácil assunção de comportamentos e
atitudes ditadas pela pressão social dos grupos privilegiados; em suma, é a
construção do nosso quadro mental que está em jogo neste livro.
Os usos e costumes da época são precisamente apresentados
como testemunho deste quadro mental. Por exemplo, as festas populares são momentos
de profunda religiosidade, de humilde submissão aos ditames da santa madre igreja,
ao mesmo tempo que são ocasião para as mais profanas diversões, onde tudo
funciona como uma catarse social face ao rígido quadro de valores imposto pela
moral cristã que mais não é que uma forma de submissão do povo aos ditames do
poder. A festa religiosa tal como nos é descrita neste livro assume portanto um
caráter ambivalente onde a religiosidade tem o seu contraponto na extroversão
de atitudes mentais reprimidas.
Ao contrário do que acontece nos livros anteriores da autora,
o acento tónico é colocado no povo, enquadrado numa sociedade de ordens
fortemente estratificada. No topo da pirâmide, o alto clero, que rodeia o poder
político e o condiciona. Ao lado desta elite eclesiástica, os fidalgos, a
nobreza terratenente que nasceu da elite guerreira constituída pelos líderes
dos exércitos cristãos, compensados, também eles, pelo poder político pela
doação de terras. Por outro lado, o povo é constituído por uma maioria de
pobres vivendo do trabalho agrícola nas terras dos “filhos de algo”, os nobres,
e por uma minoria de pequenos proprietários como Ataúlfo, o pai de Jacinta.
A rigidez desta sociedade, bem como o conservadorismo
extremo que a sua manutenção implicava, conduz a maioria da população a um
estado de miséria social e, por outro lado, à manutenção de um quadro mental
fundado sobre a ignorância e o preconceito. Portanto, a vida conturbada de
Jacinta, o esmagamento da sua personalidade enquanto mulher e ser humano tem
muito menos a ver com as precárias condições de vida do que com esse quadro
mental de obscurantismo e preconceito, funcionando como verdadeiros alicerces
de um quadro social que se pretende cimentar.
Um dos temas fundamentais do livro é constituído pela
abordagem da condição feminina, num mundo em que o masculino é preponderante a
vários níveis. Mas o papel da mulher na sociedade medieval não é apenas
secundário; ela é frequentemente associada às forças demoníacas, por via do pecado
de Eva que constitui um estigma para toda a condição feminina. O próprio aborto
provocado é de certa forma justificado porque o pecado mortal estava já
cometido e o inferno era o destino incontornável. Dessa forma o aborto apenas
confirmava o triunfo de Lúcifer. Esta associação de ideias entre a mulher e o
diabo justifica também uma outra prática cujo papel é fulcral no mundo medieval
– a bruxaria. O papel da bruxa é ambivalente: por um lado ela é o protótipo da
mulher pecadora, condenada e amaldiçoada. Por outro ela é a salvadora; aquela
que tem poder para expulsar o próprio demónio.
No entanto, há estratégias de superação deste bloqueio
mental; e Jacinta procurar-as desesperadamente. Segundo a bruxa, as únicas
mulheres que conseguem escapar a esta pressão social eram as monjas e as próprias
bruxas, precisamente aquelas que optavam de forma voluntária pela solidão. A
solidão voluntária é uma via de libertação.
Na verdade, o tema da bruxaria é um dos mais complexos na
historiografia medieval – se, por um lado, é reconhecido à bruxa o poder de
afastar o próprio diabo, por outro, elas próprias são associadas ao demónio,
sendo perseguidas e condenadas por isso.
A autoexclusão social é, portanto, uma forma de escapar a
todas aquelas constrições sociais. O mosteiro surge aqui como um espaço de
liberdade mas também de tolerância; só aí Jacinta encontra a paz interior
porque só aí lhe é permitida uma identidade, uma autonomia enquanto ser humano
livre e pensante. A própria oração é encarada por Jacinta como um momento de
escape e de reencontro consigo própria; como se o verdadeiro Deus existisse
dentro dela, no seu espírito e não como um ente superior e castigador.
É genial a forma como a autora estabelece um paralelismo
entre Joana, a irmã monja de Jacinta e a soldadeira moura Zaida: duas
personagens só aparentemente opostas, uma freira e uma prostituta, duas
mulheres livres que conseguiram levar a paz ao coração de Jacinta.
Mas o preço da independência pessoal é sempre elevado:
Joana, Zaida e a bruxa conseguiram essa rara autonomia, essa paz interior, mas
tiveram de prescindir de algo: Joana prescindira dos sentimentos; a bruxa da
sua identidade social e Zaida prescindira do próprio corpo. Para ser livre é
preciso abdicar de algo. Na verdade, se o mundo humano, com as suas
contradições e injustiças é uma ameaça permanente à paz de espírito, o amor não
o é menos, apresentando-se como uma fonte de tormentos e de conflitos
interiores. Mesmo que disfarçado de idílio e sonho, o Amor é uma vigorosa e
trágica fonte de sofrimento e de dependência.
O talento literário de Cristina Torrão radica no seu estilo
objetivo, cinematográfico, como já o adjetivei a propósito de obras anteriores,
mas não é só isso. Há nas suas obras um humanismo notável, uma sensibilidade
apurada mas também uma dimensão de análise psicológica profunda, uma capacidade
de entrar na mente das personagens, a fazer lembrar grandes mestres neste
domínio como Dostoievski ou James Joyce.
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16 de outubro de 2013
Opinião D. Dinis
Excertos da opinião do André Nuno, do blogue Pensar nos Livros:
Viajamos pela História de Portugal, de Espanha, da Europa.
Adorei o modo como a autora enquadrou a ficção no contexto histórico. Momentos houve em que não percebia se o trecho que lia pertencia à História ou ao romance e acredito que isso aconteceu por mérito da escritora.
Adorei conhecer a vida deste Rei por quem sempre senti bastante simpatia mas que, depois desta obra, admiro profundamente.
Viajamos pela História de Portugal, de Espanha, da Europa.
Adorei o modo como a autora enquadrou a ficção no contexto histórico. Momentos houve em que não percebia se o trecho que lia pertencia à História ou ao romance e acredito que isso aconteceu por mérito da escritora.
Adorei conhecer a vida deste Rei por quem sempre senti bastante simpatia mas que, depois desta obra, admiro profundamente.
21 de janeiro de 2013
Opinião D. Dinis
Já há bastante tempo que não lia uma opinião sobre um dos meus livros, por isso, agradeço ao Ângelo Marques do Destante. E fico feliz por o romance lhe ter agradado:
A forma inteligente como escreve leva-nos a não querer parar de ler, uma escrita simples (e “simples” que aqui quero falar é do “simples” a que só alguns escritores (por norma os grandes escritores) estão ao alcance, a beleza da simplicidade) uma envolvência com as personagens extraordinária, Cristina tem uma escrita fluida onde todos os acontecimentos parecem estar lá com um propósito.
A forma humana com que a autora expõe as suas personagens, o rigor histórico, é de uma beleza admirável. Fiquei maravilhado como a Cristina conduz as intrigas, as descrições, os afetos, enfim uma leitura maravilhosa.
Obrigada, mais uma vez!
P.S. Em breve, vou tornar a dar destaque a este livro, com passatempos e outras ofertas.
11 de setembro de 2012
Opinião "A Cruz de Esmeraldas"
Agradeço à Carla Ribeiro a opinião publicada n' As Leituras do Corvo e da qual cito um excerto:
"Escrita cativante e uma história rica em aventura e mistério são duas das melhores características deste livro em que a história particular de Konrad e Aischa se junta à visão mais global da história da conquista de Lisboa e das barreiras culturais que, na época, opunham cristãos a muçulmanos, para dar forma a uma narrativa envolvente, com uma boa caracterização do contexto histórico e um equilíbrio muito bem conseguido entre romance, mistério e conflito".
"Escrita cativante e uma história rica em aventura e mistério são duas das melhores características deste livro em que a história particular de Konrad e Aischa se junta à visão mais global da história da conquista de Lisboa e das barreiras culturais que, na época, opunham cristãos a muçulmanos, para dar forma a uma narrativa envolvente, com uma boa caracterização do contexto histórico e um equilíbrio muito bem conseguido entre romance, mistério e conflito".
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25 de agosto de 2012
Opinião D. Dinis
Há cerca de um mês, publiquei aqui excertos da opinião da Sara Barros sobre D. Dinis, a quem chamaram o Lavrador. Na altura, tomei conhecimento porque o Manuel Cardoso publicara o texto completo. Mas a Sara também tem um blogue, os Desabafos Agridoces, que está hoje em destaque no Sapo blogs, precisamente, com esta sua opinião.
Os meus agradecimentos à Sara, à Sapo e ao Daniel Santos, o homem ao leme do 2711, que me deu a notícia.
P.S. A Sara também publicou um excelente texto com o título Cães Perigosos?, a propósito da tragédia ocorrida no Porto, em que morreu uma menina de ano e meio. Hoje, que leio que houve, em Matosinhos, mais um acidente lamentável com um cão, além do link da Sara, deixo o do meu texto Os cães mordem.
Os meus agradecimentos à Sara, à Sapo e ao Daniel Santos, o homem ao leme do 2711, que me deu a notícia.
P.S. A Sara também publicou um excelente texto com o título Cães Perigosos?, a propósito da tragédia ocorrida no Porto, em que morreu uma menina de ano e meio. Hoje, que leio que houve, em Matosinhos, mais um acidente lamentável com um cão, além do link da Sara, deixo o do meu texto Os cães mordem.
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24 de agosto de 2012
Opinião "A Cruz de Esmeraldas" (III)
A Carla M. Soares deu a sua opinião. Nem tudo lhe agradou, mas alegra-me que dois dos meus objetivos tenham sido atingidos:
As personagens são credíveis e cria-se empatia com elas.
Também o contraste entre a cultura e religião cristã e muçulmana está delicioso, a autora consegue mostrar o positivo e o negativo sem tomar partido.
Como sempre, a opinião completa está à distância de um clique.
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30 de julho de 2012
Opinião D. Dinis
A Sara Barros escreveu a opinião, o Manuel Cardoso publicou e eu atrevo-me a transcrever alguns excertos:
Em suma trata-se de um romance histórico onde o lado humano é o mais valorizado e por isso nos prende às suas páginas. Não estamos perante figuras distantes que sintam coisas que nos sejam desconhecidas. Estamos perante invejas, pequenos e grandes ódios, amores, traições…
Ler uma opinião destas é muito gratificante, especialmente, agora, que não faço ideia de quando tornarei a publicar. Como já aqui disse, não pretendo tornar a publicar com a Ésquilo e ainda não encontrei uma editora para o meu novo original. Agradeço aos dois, do fundo do coração. Obrigada!
Cristina Torrão dá-nos uma visão diferente deste monarca: ela tira-o do pedestal e atribui-lhe uma dimensão humana.
Assim, mais do que factos impessoais a autora dá especial destaque à esfera privada de D. Dinis: a relação conturbada com Isabel, tão ascética e tão pouco dada aos prazeres da vida, a relação com o irmão sempre a cobiçar-lhe o trono…
Isabel desce também um pouco do pedestal de Santa é retratada como uma mulher que apesar de tentar suportar tudo com penitência também sente ciúmes e se enfurece, especialmente quando vê que o filho não recebe aquilo que lhe devido…
Em suma trata-se de um romance histórico onde o lado humano é o mais valorizado e por isso nos prende às suas páginas. Não estamos perante figuras distantes que sintam coisas que nos sejam desconhecidas. Estamos perante invejas, pequenos e grandes ódios, amores, traições…
Ler uma opinião destas é muito gratificante, especialmente, agora, que não faço ideia de quando tornarei a publicar. Como já aqui disse, não pretendo tornar a publicar com a Ésquilo e ainda não encontrei uma editora para o meu novo original. Agradeço aos dois, do fundo do coração. Obrigada!
12 de maio de 2012
Opinião "Cloning Adolf"
O Manuel Cardoso já deu a sua opinião sobre o ebook que pus gratuitamente à disposição:
No meio dos fanáticos, como acontece em qualquer canto do mundo, também havia um português: o hilariante José Cebolo, um nazi que gostava de bom vinho e boas comidas (só um português podia curar as mazelas de Hitler com vinho tinto).
Alguns dos personagens deste livro são exemplos perfeitos de seres humanos que perderam tudo quanto se possa considerar “vontade própria” ou personalidade. E essa “desconstrução” do ser humano é assustadoramente possível. Basta que se cultive a ignorância e a estupidez.
Para ler no Dos Meus Livros e no Destante.
Descarregar o ebook aqui.
31 de março de 2012
Opinião A Cruz de Esmeraldas
Publico hoje um extracto da opinião da Paula, do blogue ...viajar pela leitura...:
A beleza deste romance consiste, em grande parte na emoção com que Cristina Torrão nos descreve a luta deste homem em busca da felicidade. Um cristão e uma muçulmana mostram que o amor é uma linguagem universal e que a convivência entre diferentes povos e religiões é e foi sempre possível.
Para quem, como eu, não tem conhecimentos muito profundos da História de Portugal, este livro é uma excelente forma de conhecer as origens do nosso país.
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Opinião
4 de março de 2012
Opinião "A Cruz de Esmeraldas" II
Extractos da opinião do Manuel Cardoso em Dos Meus Livros:
Levantado do Chão de José Saramago e Vagão J de Vergílio Ferreira foram livros que me marcaram. Porquê? Pela sua singeleza, pelo encanto que é recuar às origens de um génio; da mesma forma, a leitura deste livro de Cristina Torrão, que marca o arranque da sua carreira literária, é uma experiência interessante.
Emana deste pequeno romance o perfume de um humanismo notável. Já neste primeiro livro, Cristina Torrão faz a apologia de uma convivência pacífica entre cristãos, mouros e também judeus, em torno de uma espécie de panteísmo, como se o Deus de todos os povos fosse um e único.
Um aspecto curioso desta obra é o seu carácter didáctico: que proveitoso seria se este livro fosse lido por todos os estudantes de história. A linguagem utilizada torna-o acessível a qualquer grau do ensino e a beleza com que a ficção adorna a verdade histórica torna este livro muito atractivo e de fácil leitura.
Levantado do Chão de José Saramago e Vagão J de Vergílio Ferreira foram livros que me marcaram. Porquê? Pela sua singeleza, pelo encanto que é recuar às origens de um génio; da mesma forma, a leitura deste livro de Cristina Torrão, que marca o arranque da sua carreira literária, é uma experiência interessante.
Emana deste pequeno romance o perfume de um humanismo notável. Já neste primeiro livro, Cristina Torrão faz a apologia de uma convivência pacífica entre cristãos, mouros e também judeus, em torno de uma espécie de panteísmo, como se o Deus de todos os povos fosse um e único.
Um aspecto curioso desta obra é o seu carácter didáctico: que proveitoso seria se este livro fosse lido por todos os estudantes de história. A linguagem utilizada torna-o acessível a qualquer grau do ensino e a beleza com que a ficção adorna a verdade histórica torna este livro muito atractivo e de fácil leitura.
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Opinião
3 de fevereiro de 2012
Opinião Afonso Henriques (V)
Desta vez, foi a Joana Dias, do Páginas com Memória, que deu a sua opinião sobre Afonso Henriques, o Homem:
Não lhe interessa contar uma história que já foi centenas de vezes contada sobre os feitos heróicos de D. Afonso Henriques, interessa-lhe sim contar quem foi o homem de carne e osso por trás do herói.
Outra personagem que nos é apresentada de forma convincente e elucidativa é D. Teresa, geralmente apresentada ora como uma vítima do filho que a prende, ora como uma víbora e má mãe que desgraça a memória do defunto marido e se vira contra o próprio filho. D. Teresa não é nenhuma das duas coisas (...) É antes uma mulher de quem o filho herda grande parte do feitio, que tem uma personalidade invulgarmente forte e lutadora para as mulheres da época (...) que acredita que luta pela sua herança pois o Condado Portucalense pertencia originalmente ao seu pai. Morto o marido ela vê-se como herdeira legítima, por direito de sangue.
Não existem por parte da autora julgamentos de valor relativamente aos povos e aos personagens. Ela não diz se é D. Afonso ou D. Teresa quem tem razão na luta, não nos diz quem são os heróis ou os vilões da história (...) o que existe são personagens de carne e osso, com diferentes motivações, que não os tornam melhores nem piores. E é isso que torna este livro único: não estereotipar tudo e todos.
Não lhe interessa contar uma história que já foi centenas de vezes contada sobre os feitos heróicos de D. Afonso Henriques, interessa-lhe sim contar quem foi o homem de carne e osso por trás do herói.
Outra personagem que nos é apresentada de forma convincente e elucidativa é D. Teresa, geralmente apresentada ora como uma vítima do filho que a prende, ora como uma víbora e má mãe que desgraça a memória do defunto marido e se vira contra o próprio filho. D. Teresa não é nenhuma das duas coisas (...) É antes uma mulher de quem o filho herda grande parte do feitio, que tem uma personalidade invulgarmente forte e lutadora para as mulheres da época (...) que acredita que luta pela sua herança pois o Condado Portucalense pertencia originalmente ao seu pai. Morto o marido ela vê-se como herdeira legítima, por direito de sangue.
Não existem por parte da autora julgamentos de valor relativamente aos povos e aos personagens. Ela não diz se é D. Afonso ou D. Teresa quem tem razão na luta, não nos diz quem são os heróis ou os vilões da história (...) o que existe são personagens de carne e osso, com diferentes motivações, que não os tornam melhores nem piores. E é isso que torna este livro único: não estereotipar tudo e todos.
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Opinião
18 de janeiro de 2012
Opinião D. Dinis (VI)
Desta vez, é o Iceman que nos dá a sua opinião, no nlivros:
(...) a autora é mais uma vez exímia na forma como preenche com ficção os factos Históricos, “pegando” no que se sabe da época e dos personagens, vai tecendo um trama magnífico que se transforma num romance histórico brilhante, de uma excelente qualidade literária.
(...) a autora é mais uma vez exímia na forma como preenche com ficção os factos Históricos, “pegando” no que se sabe da época e dos personagens, vai tecendo um trama magnífico que se transforma num romance histórico brilhante, de uma excelente qualidade literária.
6 de setembro de 2011
Opinião D. Dinis (V)
Excerto da opinião da Joana Dias, do blogue Páginas com Memória:
A autora revela-nos as diversas facetas do soberano: o homem apaixonado e artístico, o escolástico responsável pela criação da Universidade de Coimbra e também o guerreiro (...) não podemos deixar de acreditar que a autora tenta passar uma mensagem de esperança para estes tempos: não só apelando ao orgulho histórico português, como demonstrando que homens comuns, com falhas e de todo longe de um ideal podem deixar uma obra duradoura, um património de o qual todos se podem orgulhar.
30 de agosto de 2011
Opinião Afonso Henriques IV
Iceman, apreciador de romances históricos, publicou, no nlivros, a sua opinião sobre Afonso Henriques - o Homem, dizendo: sem dúvida, o melhor (romance histórico) que li escrito por um(a) autor(a) português(a).
Outros excertos:
Simplesmente admirável! O que dizer de um romance histórico que me fez vibrar como poucos o conseguiram?
Num trabalho extraordinário de reconstrução da época, a autora é minuciosa e exacta nos factos históricos, nunca os adultera e sabe colocá-los na vida do dia a dia, construindo um percurso longo que culmina com o reconhecimento pelo Papa Alexandre III do título de Rei através da bula Manifestis Probatum.
Espero que isto sirva de motivação para outros apreciadores de romances históricos ;-)
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D. Afonso Henriques,
Opinião
27 de julho de 2011
Opinião Afonso Henriques III
Extractos da opinião da Paula, do blogue ...viajar pela leitura...
Um aspecto que me parece muito importante nesta obra é o facto de a autora não cair na armadilha da velha estória dos bons e dos maus. A nossa tradição e a nossa educação veneraram os guerreiros cristãos como heróis que lutaram contra os terríveis muçulmanos. Na verdade, nem os cristãos eram santos nem os muçulmanos eram terríveis; todos eram homens de carne e osso, com as suas qualidades e fraquezas. É muito interessante verificar neste livro como o povo e os próprios exércitos conviviam pacificamente (mouros e cristãos) quando não havia batalhas a travar. De resto, assim como aqui não há bons nem maus, também não há heróis nem bandidos; os nossos guerreiros cristãos muitas vezes punham em prática estratégias que de cristãs pouco tinham, arrasando aldeias e cidades, destruindo colheitas, violando mulheres, saqueando, etc.
É um livro que, embora extenso, nos deixa, no final, com pena de já ter terminado.
Um aspecto que me parece muito importante nesta obra é o facto de a autora não cair na armadilha da velha estória dos bons e dos maus. A nossa tradição e a nossa educação veneraram os guerreiros cristãos como heróis que lutaram contra os terríveis muçulmanos. Na verdade, nem os cristãos eram santos nem os muçulmanos eram terríveis; todos eram homens de carne e osso, com as suas qualidades e fraquezas. É muito interessante verificar neste livro como o povo e os próprios exércitos conviviam pacificamente (mouros e cristãos) quando não havia batalhas a travar. De resto, assim como aqui não há bons nem maus, também não há heróis nem bandidos; os nossos guerreiros cristãos muitas vezes punham em prática estratégias que de cristãs pouco tinham, arrasando aldeias e cidades, destruindo colheitas, violando mulheres, saqueando, etc.
É um livro que, embora extenso, nos deixa, no final, com pena de já ter terminado.
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22 de julho de 2011
Opinião "A Cruz de Esmeraldas"
Graças à máquina de busca do Google, deparei com uma opinião sobre o meu livro A Cruz de Esmeraldas, de que não tinha conhecimento, embora date do passado 6 de Dezembro. Na verdade, tenho desprezado um pouco este meu pequeno romance. E, no entanto, foi o primeiro que publiquei.
A ideia surgiu-me quando ainda escrevia o Afonso Henriques, pois a Conquista de Lisboa, só por si, é um tema com muito potencial. E, para não cismar nas recusas que recebia, meti mãos à obra.
Intitulei-o, inicialmente, A Moura e o Cruzado. E acabei por o enviar para um Concurso Literário, com o nome sugestivo de "O meu 1º Best-Seller", levado a cabo pelos hipermercados Modelo/Continente, em parceria com a editora Asa, que ainda não pertencia à Leya. Parecia-me que A Moura e o Cruzado seria mais indicado para aquele tipo de concurso, por ser mais pequeno e menos ambicioso do que o Afonso Henriques.
Estávamos em fins de 2006. E, em 16 Julho de 2007, o dia do meu aniversário (é verdade!), recebi um telefonema a dizer que tinha ganho o concurso e que o livro ia ser publicado!
Não me vou alargar a explicar como fui, depois, parar à Ésquilo e porque é que se mudou o título. O certo é que a Joana Dias, do blogue Páginas com Memória, o leu e deu a sua opinião, da qual transcrevo um extracto:
O livro prendeu-me da primeira à ultima página, sem tempos mortos, transportando-me numa viagem no tempo inesquecível que daqui a pouco tempo vou querer repetir com uma nova leitura ao livro. E são poucos os livros que me levam a lê-los uma segunda vez.
Obrigada à Joana Dias!
A ideia surgiu-me quando ainda escrevia o Afonso Henriques, pois a Conquista de Lisboa, só por si, é um tema com muito potencial. E, para não cismar nas recusas que recebia, meti mãos à obra.
Intitulei-o, inicialmente, A Moura e o Cruzado. E acabei por o enviar para um Concurso Literário, com o nome sugestivo de "O meu 1º Best-Seller", levado a cabo pelos hipermercados Modelo/Continente, em parceria com a editora Asa, que ainda não pertencia à Leya. Parecia-me que A Moura e o Cruzado seria mais indicado para aquele tipo de concurso, por ser mais pequeno e menos ambicioso do que o Afonso Henriques.
Estávamos em fins de 2006. E, em 16 Julho de 2007, o dia do meu aniversário (é verdade!), recebi um telefonema a dizer que tinha ganho o concurso e que o livro ia ser publicado!
Não me vou alargar a explicar como fui, depois, parar à Ésquilo e porque é que se mudou o título. O certo é que a Joana Dias, do blogue Páginas com Memória, o leu e deu a sua opinião, da qual transcrevo um extracto:
O livro prendeu-me da primeira à ultima página, sem tempos mortos, transportando-me numa viagem no tempo inesquecível que daqui a pouco tempo vou querer repetir com uma nova leitura ao livro. E são poucos os livros que me levam a lê-los uma segunda vez.
Obrigada à Joana Dias!
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12 de julho de 2011
Opinião Afonso Henriques II
Este livro é um verdadeiro exemplo do que deve ser um romance histórico porque consegue construir uma dramatização dos factos sem manchar a verdade histórica, ao mesmo tempo que revela uma especial sensibilidade na abordagem da dimensão psicológica na caracterização dos personagens.
Estas palavras são da autoria de Manuel Cardoso. Ele caracteriza a minha escrita como sendo "cinematográfica" (obrigada, essa foi mesmo uma opção que tomei, como escritora) e elogia a minha sensibilidade para compreender e exprimir a alma humana; os seus personagens são tão “humanos” que o leitor se envolve com eles, vivendo as suas paixões, o seu sofrimento e as suas alegrias.
O constatar que os meus objectivos foram atingidos, que a "mensagem passou", é uma das melhores recompensas que me podem dar, o verificar que valeu a pena, mesmo se, muitas vezes, pensei em desistir, na altura em que coleccionava recusas de editoras. E, mesmo que não tenha vendido muito até agora (deste romance venderam-se cerca de 2000 exemplares), depois de ler linhas destas, fico com a certeza de que o esforço compensou. E crio motivação para continuar a escrever.
Mais alguns excertos da opinião do Manuel Cardoso:
Ao longo de toda a obra, CT desfaz-nos vários pré-conceitos, herdados do senso comum e de tradições literárias e cinematográficas.
Em relação a alguns aspectos mais controversos da vida de AH, em que a historiografia não dá respostas definitivas, CT contorna-os habilmente: o local de nascimento de AH, a localização exacta da batalha de S. Mamede ou a “prisão” de D. Teresa no Castelo de Lanhoso.
Outro aspecto muito importante, muito bem explanado por CT é este: o nascimento de Portugal está umbilicalmente ligado à afirmação da diocese de Braga face a Santiago de Compostela e a Toledo, capital hispânica da cristandade. Ao longo do livro é notória a influência do arcebispo de Braga, D. João Peculiar.
Não é difícil perceber que considero esta obra brilhante! Mas gostava de finalizar este comentário com a referência a um episódio que bem demonstra o espírito da obra e que é, a meu ver, um dos pontos mais altos da narrativa: o momento em que Afonso Henriques, gravemente ferido no desastre de Badajoz, é assistido por um brilhante físico (médico) muçulmano. Nesse momento, AH reconhece o absurdo da guerra religiosa, comprometendo-se perante a sua consciência a respeitar a população muçulmana.
Em Dos Meus Livros pode-se naturalmente ler a opinião completa.
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Romance Histórico
4 de maio de 2011
Mais Mimos
Não posso deixar de publicar mais um elogio.
O Manuel Cardoso elegeu a sua melhor leitura do mês de Abril: Crónica do Pássaro de Corda, de Haruki Murakami. Mas ele destaca mais dois livros: Desgraça, de Coetzee e, ao nível da literatura portuguesa, o meu D. Dinis. Nas suas palavras, trata-se de um magnífico romance histórico porque alia duas dimensões que são indispensáveis neste género: a sensibilidade da escritora ao nível das emoções e a fidelidade histórica.
Ainda me estragam com eles...
O Manuel Cardoso elegeu a sua melhor leitura do mês de Abril: Crónica do Pássaro de Corda, de Haruki Murakami. Mas ele destaca mais dois livros: Desgraça, de Coetzee e, ao nível da literatura portuguesa, o meu D. Dinis. Nas suas palavras, trata-se de um magnífico romance histórico porque alia duas dimensões que são indispensáveis neste género: a sensibilidade da escritora ao nível das emoções e a fidelidade histórica.
Ainda me estragam com eles...
6 de abril de 2011
Opinião D. Dinis (IV)
Tenho o prazer de comunicar que a leitura do meu romance sobre o D. Dinis tornou a agradar, desta vez, ao Manuel Cardoso, do blogue Dos Meus Livros. Prezo muito esta opinião, porque o Manuel Cardoso revela conhecimento da época:
Estávamos numa época de charneira no plano cultural: o advento da arte gótica na Península, a escola de tradutores de Toledo que divulgava a cultura clássica, a promoção das línguas nacionais, a afirmação das Universidades, etc, construíram um ambiente cultural que, num contexto de laicização crescente da cultura, anunciavam uma espécie de pré-renascimento.
É interessante esta ideia de pré-renascimento, pois o século XIV talvez tenha sido o último verdadeiramente medieval, o XV anuncia já a mutação para o Renascimento.
Mas vamos à opinião, propriamente dita:
Com grande cuidado na fidelidade à verdade histórica, a autora presenteia-nos com um romance histórico de rara qualidade.
A sua política (de D. Dinis) foi, de facto, brilhante por ter sido “revolucionária” em três planos: político, económico e social (...) Mas a parte final do seu reinado acabou por ser problemática (...) Dinis teria grandes desafios a enfrentar (...), que Cristina Torrão narra com grande envolvência dramática, conferindo a este livro uma riqueza literária impressionante.
O encanto da Rainha Santa, a coragem de Dinis e a tremenda teia de interesses que se gerava nos reinos ibéricos são aspectos que Cristina Torrão desenvolve com mestria, tornando este livro indispensável a quem aprecia a literatura de qualidade. Uma surpresa muito agradável mas também um verdadeiro manual de história em forma de romance.
O contraste com o carácter rígido mas também mundano de Dinis dá à descrição da Raínha Santa um encanto especialíssmo. Chega a ser comovedora a forma como Cristina Torrão nos apresenta esta grande Raínha.
É gratificante ver o nosso trabalho reconhecido: dois anos a fazer pesquisas, a organizá-las e a envolvê-las num enredo, que se quer, ao mesmo tempo, interessante e lógico, pondo em relevo os comportamentos humanos. Sendo uma estudiosa de psicologia, dou uma importância fulcral aos motivos que levam as minhas personagens a agir de determinada maneira, um aspecto que me é bem mais importante do que executar acrobacias linguísticas. Pretendo criar personagens de carne e osso e, não, meros figurantes, que se limitam a agir conforme as circunstâncias.
Atendendo às palavras do Manuel Cardoso, penso que o consegui em pleno :-)
(Opinião igualmente publicada em Destante).
Estávamos numa época de charneira no plano cultural: o advento da arte gótica na Península, a escola de tradutores de Toledo que divulgava a cultura clássica, a promoção das línguas nacionais, a afirmação das Universidades, etc, construíram um ambiente cultural que, num contexto de laicização crescente da cultura, anunciavam uma espécie de pré-renascimento.
É interessante esta ideia de pré-renascimento, pois o século XIV talvez tenha sido o último verdadeiramente medieval, o XV anuncia já a mutação para o Renascimento.
Mas vamos à opinião, propriamente dita:
Com grande cuidado na fidelidade à verdade histórica, a autora presenteia-nos com um romance histórico de rara qualidade.
A sua política (de D. Dinis) foi, de facto, brilhante por ter sido “revolucionária” em três planos: político, económico e social (...) Mas a parte final do seu reinado acabou por ser problemática (...) Dinis teria grandes desafios a enfrentar (...), que Cristina Torrão narra com grande envolvência dramática, conferindo a este livro uma riqueza literária impressionante.
O encanto da Rainha Santa, a coragem de Dinis e a tremenda teia de interesses que se gerava nos reinos ibéricos são aspectos que Cristina Torrão desenvolve com mestria, tornando este livro indispensável a quem aprecia a literatura de qualidade. Uma surpresa muito agradável mas também um verdadeiro manual de história em forma de romance.
O contraste com o carácter rígido mas também mundano de Dinis dá à descrição da Raínha Santa um encanto especialíssmo. Chega a ser comovedora a forma como Cristina Torrão nos apresenta esta grande Raínha.
É gratificante ver o nosso trabalho reconhecido: dois anos a fazer pesquisas, a organizá-las e a envolvê-las num enredo, que se quer, ao mesmo tempo, interessante e lógico, pondo em relevo os comportamentos humanos. Sendo uma estudiosa de psicologia, dou uma importância fulcral aos motivos que levam as minhas personagens a agir de determinada maneira, um aspecto que me é bem mais importante do que executar acrobacias linguísticas. Pretendo criar personagens de carne e osso e, não, meros figurantes, que se limitam a agir conforme as circunstâncias.
Atendendo às palavras do Manuel Cardoso, penso que o consegui em pleno :-)
(Opinião igualmente publicada em Destante).
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