Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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1 de abril de 2019

Perfeita




Hoje não me apetece ser perfeita.
Não me apetece secar o cabelo e arreliar-me por o brushing não ficar no ponto. Não me apetece pintar os olhos, desenhar as sobrancelhas perfeitas, arranjar e pintar as unhas e arreliar-me por borratar aquele canto de sempre.
Hoje não me apetece ser perfeita.
Não me apetece vestir roupa que me prenda a barriga, o peito, os braços e as pernas, que engelhe facilmente, que não me deixe sentar nem andar à vontade. Não me apetece calçar sapatos de salto alto e caminhar com eles como se o fizesse descalça sobre tapetes macios.
Hoje não me apetece ser perfeita.
Não me apetece rir e sorrir para toda a gente, não me apetece ser encantadora, esforçar-me por ser a mais bonita, apetitosa e inteligente, achar piada a conversas estúpidas, dizer que está tudo delicioso, quando não está, ou quando está e eu não posso comer tudo o que me apetece para continuar a caber no vestido.
Hoje não me apetece ser perfeita.
Ninguém pode ser feliz a tentar ser perfeita o tempo todo.
Hoje apetece-me ser apenas eu.


13 de fevereiro de 2019

Mentirosos


Um mentiroso compulsivo prejudica terceiros, por vezes, de forma grave, e alimenta intrigas ao transmitir falsas informações. Não menos grave, porém, é a arrogância e o desprezo a que vota os seus interlocutores, o que diz muito sobre o seu carácter: um complexo de inferioridade tão grande, que só pode ser compensado por doses maciças de arrogância, a máscara perfeita para a sua pequenez.



19 de fevereiro de 2018

Refugiados e Terrorismo


O facto de o mundo estar perigoso não pode ser pretexto para deixarmos de ajudar quem precisa.

O risco é grande?
É. Eu vivo num país que recebeu, nos últimos dois anos, milhão e meio de refugiados.

Há criminosos no meio deles?
Há. Mas a esmagadora maioria é gente (muitas famílias com crianças pequenas) que precisa de ajuda.

Já houve atentados?
Já.

Eu tenho medo?
Não. Somos cristãos e devemos mostrar que somos diferentes, mesmo que os outros, nos países deles, nos maltratem. Foi assim que Cristo nos ensinou!


17 de fevereiro de 2018

Ama Os Outros Como a Ti Mesmo


Ilustração de Inês Massano

O problema não é não sabermos amar os outros. O problema é não sabermos amarmo-nos a nós próprios!

Há pessoas que dificilmente fazem um bem a si próprias. Pelos vistos, não se acham suficientemente dignas, ou valiosas. Como consequência, pode acontecer que também não gostem de ver os outros a fazerem-se algo de bom. São incapazes de os amar, porque não se amam a si próprias.

É preciso começar connosco próprios. «Ama os outros como a ti mesmo» tem de começar por nós.


10 de fevereiro de 2018

Politicamente (in)correto



O conceito do politicamente correto, criado, nos anos 1980 por estudantes norte-americanos, tornou-se uma mera forma de etiquetar as pessoas. E as etiquetas só servem para dividir e acirrar ódios.

Muita gente acha que só se pode ser, ou politicamente correto, ou incorreto, ou seja, radicaliza, bem ao estilo de "quem não é por mim é contra mim". Daí ao insulto é um passo muito pequeno e o politicamente correto passou mesmo a ser um insulto para quem exprime uma opinião diferente.

Por outro lado, ao abrigo do "politicamente incorreto", muitos se julgam contestários, veem-se como corajosos que ousam ir contra a corrente, uma posição que é aproveitada para se dizerem alarvidades a torto e a direito, incluindo discursos racistas e homofóbicos. E assim se criou a ideia de que os politicamente incorretos são verdadeiros revolucionários, mesmo quando pertencem à extrema-direita!

Radicalizações são contraproducentes, pois não aproveitam o que possa haver de bom em posições opostas. Em vez de nos andarmos a etiquetar de politicamente corretos ou incorretos, devíamos pensar em aproveitar as coisas boas de ambos os lados da barricada, agindo e falando de acordo com a nossa consciência, sem pensar em politicamentes!


10 de janeiro de 2018

O Quarto Mandamento


Honrarás Pai e Mãe.

«E se os pais tratam mal os filhos, humilham-nos, batem-lhes, prendem-nos, obrigam-nos a fazer tarefas indignas? E se eles nunca se dão ao trabalho de compreender os filhos e de lhes ensinar o que quer que seja? E se nunca ligam aos filhos, lhes dão a entender que são merda, que não contam, que só servem para atrapalhar, para os envergonhar? E se os abandonam? E se os molestam sexualmente, ou consentem que alguém o faça? E se passam a vida a rir-se deles e a dizerem-lhes que nunca serão nada na vida? E se os olham com nojo? E se os olham com desprezo? E se lhes incutem sentimentos de culpa e de vergonha por não serem aquilo que eles desejaram? E se os castigam por se atreverem a dizer não? E se os manipulam com falinhas mansas, para que façam apenas o que eles querem, sem lhes darem hipóteses de desenvolverem o seu carácter, a sua vontade, a sua personalidade? E se os desprezam, enquanto tratam outras pessoas com carinho e simpatia? E se, em público, são pessoas agradáveis e, em casa, lhes fazem a vida negra? E se se fartam de elogiar os outros, enquanto não se cansam de pôr defeitos nos filhos?»

In "Tu És a Única Pessoa"

Talvez Deus tivesse obtido melhores resultados se se tivesse dirigido aos pais, em vez de aos filhos. Afinal, aqueles já cá estão antes destes, compete-lhes dar o exemplo.




28 de dezembro de 2017

Retrocesso Civilizacional em Democracia


Agora, que o Natal já passou e nos preparamos para iniciar um novo ano, uma época que poderá servir de reflexão, publico um resumo da minha palestra do passado dia 2 de Outubro, no Rotary Clube da Feira, a convite da sua Presidente Carla Pinto:




Considera-se que, quanto mais evoluímos, mais solidariedade e companheirismo desenvolvemos e melhor sabemos viver em comunidade. Infelizmente, nem sempre se verifica tal e um dos nossos grandes males, a meu ver, é a memória curta.
Verifica-se um crescimento de partidos radicais e xenófobos, ou seja, um retrocesso civilizacional que muitos de nós não julgavam possível. Estamos perante um fenómeno estranho na nossa democracia: há como que um desejo de regresso a regimes autoritários. E, o que é realmente perigoso, a palavra ditadura parece ter perdido muito do seu verdadeiro significado.
«É o medo que nos torna agressivos», escreve a minha personagem Helena, numa das suas cartas, no meu romance parcialmente epistolar Tu És A Única Pessoa. Muitos de nós parecem ter capitulado a um medo ancestral, nomeadamente, o medo do desconhecido. Não nego que vivemos tempos complicados, em que o terrorismo é uma ameaça a ser encarada com toda a seriedade. Impõe-se, porém, discernimento, que ajude a separar o trigo do joio e não nos leve a ver um terrorista em qualquer refugiado que procure a nossa solidariedade (muitas vezes, até nos esquecemos que muitos desses refugiados são cristãos).
O medo procura soluções radicais, como a instauração de uma autoridade suprema, que proteja a vida daquelas que são consideradas “pessoas de bem”. Confesso ter dificuldades com a expressão “pessoas de bem”, altamente subjetiva e que, afinal, nada diz. Muitos de nós parecem dispostos a prescindir de liberdade, em nome de uma segurança, que aliás é sempre ilusória, pois não existe a segurança absoluta. E, numa ditadura, a segurança de alguns paga-se com a insegurança de outros, cujo único “crime” é discordar do sistema vigente.
Assusta-me que o comodismo em que vivemos vá ao ponto de desejar uma ditadura, desejar que haja uma autoridade suprema que nos resolva os problemas, sem nos preocuparmos com que métodos. Considero gravíssima essa ilusão de vivermos em segurança, sem querermos saber dos métodos aplicados, a ilusão que possibilitou o regime nazi.
Nós portugueses também já tivemos uma experiência ditatorial. Penso que é imprescindível manter viva essa memória e ir à procura de testemunhos que não nos deixem esquecer as barbaridades que se cometeram em nome de uma pretensa segurança, em nome da proteção das famílias e das tais “pessoas de bem”.