Nunca fui dada à poesia. Mas, ao ler um poema de MaryElizabeth Frye, tive uma inspiração e apeteceu-me fazer-lhe o negativo. Lembram-se dos negativos das fotografias, quando ainda se usavam rolos?
Hesitei em publicar esta minha ideia, pois, no fundo, penas peguei em algo que já existia e pu-lo ao contrário. Mas aqui vai. Primeiro, o original:
Do
not stand at my grave and weep;
I am
not there. I do not sleep.
I am
a thousand winds that blow.
I am
the diamond glints on snow.
I am
the sunlight on ripened grain.
I am
the gentle autumn rain.
When
you awaken in the morning's hush
I am
the swift uplifting rush
Of
quiet birds in circled flight.
I am
the soft stars that shine at night.
Do
not stand at my grave and cry;
I am
not there. I did not die.
(Mary
Elizabeth Frye)
E, agora, o negativo, de minha autoria:
Chora,
perante a minha sepultura.
Porque
parti. Porque morri.
E,
mesmo fazendo parte do infinito,
Sendo
um dos mil ventos que sopram,
Sendo
os cristais de neve que cintilam,
Sendo
o sol sobre os matagais,
Sendo
as suaves chuvas outonais,
Sendo
o voo dos pássaros,
Não
sou eu mais.
Sempre
que de mim te lembres,
Seja
eu vento, sol, neve, ou chuva,
Chora
a mágoa que te oprime o peito,
Porque
eu sou isso tudo, menos eu.
Eu
não estou cá. Eu morri.