Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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8 de agosto de 2013

Editora alemã abre falência



A prestigiada editora Suhrkamp, fundada em 1950 e cheia de tradição no mundo literário alemão (Bertolt Brecht e Hermann Hesse fazem parte do seu catálogo) abriu falência. Nesta notícia (em alemão) se diz que os postos de trabalho estarão garantidos, já que se prepara o resgate da editora, através da sua transformação numa sociedade anónima.

É curioso verificar que está programada, para 2014, a edição alemã de O TeuRosto Será o Último, de João Ricardo Pedro, vencedor do Prémio LeYa 2011, precisamente pela Suhrkamp, facto confirmado pela editora Maria do Rosário Pedreira, num comentário a este post.

Será que a remodelação da Suhrkamp correrá bem? E, nesse caso, manterá os projetos anteriores? A bem do reconhecimento da literatura portuguesa no estrangeiro, esperemos que sim.

13 de julho de 2013

Verão

Depois de um início nada promissor (à semelhança de Portugal), o Verão, na Alemanha, pôs-se bonito, com a vantagem de dispensar calores exagerados. Na verdade, há cerca de uma semana que o tempo parece ter sido encomendado a São Pedro: 25ºC de dia, 13ºC à noite, fresquinho, para que se possa dormir melhor.

Sem praia, temos o nosso pequeno jardim para descontrair. E a Lucy confirma o bem-estar ;-)

As alfazemas em flor

A vantagem de viver num país em que chove muito é que, quando vem o sol, os verdes explodem, viçosos

Ora deixa-me cá trabalhar para o bronze, que estou muito branquita!
Mas que moleza!


Esplendor na relva

Não se arranjam uns óculos de sol?


14 de novembro de 2012

Mais Merkel



Sinto muito desiludir quem gostava de se ver livre da Merkel, mas uma sondagem recente revelou que o seu partido, a CDU, ganharia as eleições, neste momento. A chanceler já passou por períodos de pouca popularidade, mas tem-se vindo a destacar de Peer Steinbrück, o candidato escolhido pelo SPD (os Socialistas cá do sítio). O motivo não é propriamente os alemães estarem contentes com a Merkel, é mais a polémica que se tem gerado à volta do candidato socialista. Peer Steinbrück, especialista em Economia, ganha balúrdios em conferências: mais de um milhão de euros, o ano passado, sendo que chega a amealhar 20.000 euros por um único discurso. Acrescente-se que acumula estes ganhos com o seu salário de deputado.

Steinbrück apresentou todas as contas e, apesar de ser tudo legal, deixa sempre um amargo de boca aos cidadãos, quando um político atinge ganhos astronómicos por acumulação. Além disso, corre o rumor de que, a participar em tantas conferências, terá descurado as suas funções de deputado. E assim se começa a desconfiar de um político que até deixou boa impressão como Ministro das Finanças.

À laia de consolo para quem quer ver a Merkel pelas costas, o FDP, o partido com o qual a CDU costuma coligar, não atinge os 5%, nesta sondagem, percentagem necessária para ter lugar no Bundestag. A fim de alcançar a maioria absoluta, a CDU teria de coligar com os Verdes, o que não é muito provável. Além disso, falta cerca de um ano para as eleições do Bundestag (equivalente às nossas legislativas), ou seja, muita água há de ainda correr por baixo do moinho.

11 de novembro de 2012

Para quem acha...

... que a Alemanha ainda é nazi, aqui vão alguns dados tirados da ficha técnica publicada pelo SOL (realces meus):

Designação oficial: República Federal da Alemanha

Superfície: 356.970 quilómetros quadrados.

População: 81,7 milhões de habitantes. Cerca 8,2% estrangeiros
[ou seja, por aqui existem quase 7 milhões de estrangeiros].

Religião: Cerca de 30% da população é protestante, 31% é católica romana e 4% muçulmana (a maioria de origem turca). A Lei Fundamental garante a liberdade de pensamento, consciência e confissão religiosa e não existe uma Igreja do Estado
[ou seja, mais de 3 milhões de habitantes são muçulmanos; além disso, protestantes e católicos vivem em ambiente de totais tolerância e aceitação há várias décadas].


16 de julho de 2012

Vêm aí os Piratas


São a novidade no panorama partidário alemão. No início, ninguém os levou a sério, pois formaram-se tendo, como único objetivo, a liberdade total na internet: tudo deve poder ser copiado, transferido e partilhado. Quando, em 2011, conseguiram lugares no parlamento regional de Berlim, muita gente se perguntou como é que um partido com tão pouca consistência e, praticamente, sem organização, podia ir tão longe.

Os próprios Piratas se surpreenderam e tentaram desenvolver algo que se parecesse com um programa. À liberdade total na net, juntaram, por exemplo, a legalização de todas as drogas e transportes públicos gratuitos. Como, porém, ainda lhes falta consistência, no seu site, qualquer pessoa, mesmo anónimos, pode dar ideias, colaborando no aperfeiçoamento do partido.

A falta de alicerces não impediu que, entretanto, conseguissem votações entre os 7% e o 9% noutras eleições regionais, que lhes proporcionaram lugares parlamentares em mais três Länder: Renânia do Norte-Vestefália, Saarland e Schleswig-Holstein.

Sinais dos tempos? Os Piratas vão-se organizando internacionalmente, também em Portugal existe o Movimento Partido Pirata Português, à procura das 7.500 assinaturas necessárias para a fundação oficial do partido, o PPP.

Qualquer dia, somos todos piratas…




24 de maio de 2012

A Moura em alemão

Deu-me um trabalhão, mas consegui traduzir A Cruz de Esmeraldas para alemão. O meu marido teve de ajudar, porque o alemão é uma língua desgraçada. Mesmo depois de 20 anos de Alemanha (e uma licenciatura em Estudos Ingleses e Alemães) ainda não consigo escrever isenta de erros!

Mas o Horst não só corrigiu o texto, como modificou a capa, para que eu possa pôr o romance como ebook à disposição. Descubra as diferenças:










Dei-lhe o título original: A Moura e o Cruzado. Para já, só parentes, amigos e conhecidos me farão o favor de descarregar (e talvez ler) este livro.

Se alguém conhecer alguém que queira ler o livro em alemão, pode fazer o download aqui.





27 de abril de 2012

A Cidadela Verde de Magdeburgo

Friedensreich Hundertwasser (1928-2000) foi um arquiteto austríaco, conhecido pelas suas ideias e projetos excêntricos. Dizia ele que a arquitetura de uma casa influencia o bem-estar da pessoa que lá vive. A arquitetura será a nossa terceira pele, que podemos usar ou enfeitar a nosso bel-prazer, sendo a primeira a nossa pele natural e a segunda a nossa roupa.


 




Em 2003, começou a construir-se a Grüne Zitadelle von Magdeburg - «cidadela verde de Magdeburgo».  Como se pode ver, o prédio é predominantemente rosa, "verde" é aqui sinónimo de "ecológico" e refere-se aos materiais usados e ao sistema de aquecimento, por exemplo, concebido de maneira a prejudicar menos o ambiente.



O complexo de apartamentos ficou pronto em 2005 e tivemos o privilégio de o ver e fotografar, na nossa estadia nesta cidade do leste da Alemanha. Aqui, um pormenor das varandas.





Mais uma perspetiva (com chamada de atenção para as colunas, todas diferentes umas das outras).
Claro que é uma questão de gosto, muitos adoram, outros odeiam. Eu acho interessante e não me importava de viver num apartamento assim.






17 de abril de 2012

No Leste


A cidade de Magdeburgo, nas margens do rio Elba, pertencia à antiga República Democrática Alemã, ou seja, à chamada Alemanha de Leste. O traçado próprio dos regimes comunistas está bem patente nas avenidas largas e nos prédios monumentais.


Diga-se, porém, que o bom estado das avenidas e das casas só se conseguiu depois da unificação da Alemanha, há vinte anos, pois estava tudo num mísero estado e foi preciso investir muito dinheiro para dar este aspecto à paisagem.


Mas as cidades da antiga Alemanha de Leste debatem-se com a desertificação. Apesar de já há duas décadas não existir fronteira, muitas diferenças permanecem. No leste, as pessoas ganham menos e há muito desemprego.
A desertificação acaba, porém, por ter as suas vantagens, como, por exemplo, ser raro haver engarrafamentos. As avenidas estão praticamente vazias.



Outra vantagem é que cidades como Magdeburgo tentam atrair jovens para as suas Universidades, onde, por falta de estudantes, não há numerus clausus. O nosso sobrinho alemão aproveitou essa oportunidade e entrou para o curso de Engenharia Mecânica, em Outubro passado. Ele e mais três colegas do liceu aqui de Stade apenas tiveram de se apresentar na Universidade de Magdeburgo com as suas habilitações literárias e puderam iniciar imediatamente os estudos.

6 de novembro de 2011

Os amanhãs que cantam

Vivo, há quase 20 anos, num país que vê o ideal comunista destituído de qualquer romantismo e constato que, em Portugal, de vez em quando, ainda se nota uma nostalgia herdada da Revolução de Abril. A última vez, foi no Horas Extraordinárias, onde a sua autora dizia:

Quando fui a Cuba no início dos anos 90, levaram-me a uma fábrica de charutos em Trinidad, cidade belíssima, onde alguém me contou que em tempos os operários contavam com a ajuda de um funcionário que lhes lia romances enquanto trabalhavam. Também na Europa de Leste, em alguns países, era prática comum ler-se para os trabalhadores fabris, não sei se para os ilustrar, se para os entreter.

Alguns comentários elogiam igualmente a cultura dos países de leste. A mim não me consta que os habitantes da antiga RDA, que, pelos vistos, terão ouvido grandes obras literárias enquanto trabalhavam, sejam mais cultos que os ocidentais. Pelo contrário! Ainda hoje se nota neles o "novo-riquismo", uma grande ânsia de consumismo e de imitar os do ocidente. Isso verifica-se, aliás, em todos os países do antigo Bloco de Leste, com a Rússia à cabeça. Se liam em voz alta aos operários, ou era para os desviar de certos pensamentos "perigosos", ou se tratava, pura e simplesmente, de propaganda. Os dirigentes de regimes totalitários nunca deram ponto sem nó e sempre se serviram da censura.

Além disso, certos comentários manifestaram igualmente o seu encanto pelo povo cubano, que, mesmo na miséria e sob um regime que o subjuga, não perde a vontade de se divertir e de olhar para o lado belo da vida. Desculpem, mas, com todo o respeito que os cubanos me merecem, isto deixa-me um certo amargo de boca, um sabor salazarista: pobrezinhos, mas alegres, contentes e conformados! Há um certo resíduo letárgico neste tipo de atitude. Se os cubanos mostrassem mais vezes o seu descontentamento e se revoltassem contra a pobreza e a injustiça em que vivem, talvez já tivessem expulsado da sua ilha as múmias que os governam!

Combinar a nostalgia do comunismo com a herança do salazarismo... Só mesmo em Portugal!

18 de abril de 2011

Günter Grass e Nina Hagen



O que têm em comum estas duas personalidades alemãs tão díspares: o escritor, de 83 anos, vencedor do Nobel, e a rocker caótica, de 51, que atingiu fama mundial nos anos oitenta? Resposta: a luta contra a energia nuclear!

Os dois participaram numa acção de protesto junto à central atómica alemã de Krümmel, perto de Stade, a cidade onde vivo. Tanto Günter Grass, como Nina Hagen, não deixaram dúvidas quanto à sua posição.

A Alemanha tem tradição neste género de luta e mesmo um governo conservativo, como o de Merkel, pondera alternativas, estuda prazos. Infelizmente, isso não se verifica noutros países. Em França, por exemplo, em que existem mais do dobro das centrais atómicas da Alemanha, a contestação é quase nula, limita-se a meia dúzia de excêntricos, apesar da tragédia de Fukushima.

É isso que desencoraja muitos alemães. Mesmo que conseguissem desactivar todas as centrais do seu país, estariam rodeados de outras e não se livrariam de sofrer com possíveis acidentes. Além disso, se a Alemanha, nesse caso, não conseguisse produzir energia suficiente, acabaria a importá-la de outros países, que a produzem a partir das suas centrais nucleares.

Um problema global, para o qual não se vislumbra solução.

18 de dezembro de 2010

A Casa Pobre da Europa

"A Eurostat indica Portugal como o país mais pobre da Europa ocidental, devido, principalmente, à sua baixa produtividade. A Comissão Europeia diz que o problema principal assenta na má formação de grandes faixas da população portuguesa."

Estas afirmações (por mim traduzidas do alemão) podem ser lidas no site da ZDF, onde o nosso país é caracterizado pela expressão que serve de título a este post. E eu cito-as aqui porque referem um problema poucas vezes mencionado, ainda e sempre subestimado, mas que não deixará de causar dissabores enquanto persistir.

Em Portugal, não se aprendem profissões, ainda prevalece a mentalidade do "jeitoso", que vai aprendendo à medida que trabalha. Uma falha no sistema educativo, que é igualmente responsável pela desmotivação de muitos estudantes que desistem do liceu a meio, ou empurra outros para cursos superiores por falta de alternativas, correndo o risco de não arranjarem um emprego condizente. Além disso, permite a qualquer "jeitoso" fundar uma firma, sem dar provas das suas competências. Na Alemanha, um mecânico de automóveis, por exemplo, só é autorizado a abrir uma oficina se tiver o título de Meister. Este consegue-se frequentando um curso (normalmente de três anos), depois de se ter cumprido um certo tempo de escolaridade (não precisa do 12º ano), ao fim do qual se faz um exame rigoroso.

O investimento neste tipo de ensino demoraria a dar os seus frutos. Mas, se Portugal o tivesse feito a partir de meados dos anos oitenta (quando o país entrou na CEE) os resultados já se sentiam. E talvez a crise não nos apanhasse tão desprevenidos e ninguém nos apelidasse de "Casa Pobre da Europa".

28 de novembro de 2010

Exóticos

Esta caixa encontrava-se na minha revista de programação televisiva, anunciando a transmissão em directo de uma fase dos treinos para o Grande Prémio de Motociclismo, que teve lugar no Autódromo do Estoril, em fins de Outubro passado. É uma caixa pequenina, surgida no lado inferior esquerdo da página, mas não resisto a traduzir o texto:



"Nas três classes ccm há tantos pilotos originários da Península Ibérica como areia na praia. Tudo espanhóis. Não há o mínimo vestígio de portugueses. Estranho, até porque também se encontram por aqui exóticos, como o tailandês Ratthapark Wilairot, ou Mashel El Naimi do Catar."