"A Eurostat indica Portugal como o país mais pobre da Europa ocidental, devido, principalmente, à sua baixa produtividade. A Comissão Europeia diz que o problema principal assenta na má formação de grandes faixas da população portuguesa."
Estas afirmações (por mim traduzidas do alemão) podem ser lidas no
site da
ZDF, onde o nosso país é caracterizado pela expressão que serve de título a este
post. E eu cito-as aqui porque referem um problema poucas vezes mencionado, ainda e sempre subestimado, mas que não deixará de causar dissabores enquanto persistir.
Em Portugal, não se aprendem profissões, ainda prevalece a mentalidade do "jeitoso", que vai aprendendo à medida que trabalha. Uma falha no sistema educativo, que é igualmente responsável pela desmotivação de muitos estudantes que desistem do liceu a meio, ou empurra outros para cursos superiores por falta de alternativas, correndo o risco de não arranjarem um emprego condizente. Além disso, permite a qualquer "jeitoso" fundar uma firma, sem dar provas das suas competências. Na Alemanha, um mecânico de automóveis, por exemplo, só é autorizado a abrir uma oficina se tiver o título de
Meister. Este consegue-se frequentando um curso (normalmente de três anos), depois de se ter cumprido um certo tempo de escolaridade (não precisa do 12º ano), ao fim do qual se faz um exame rigoroso.
O investimento neste tipo de ensino demoraria a dar os seus frutos. Mas, se Portugal o tivesse feito a partir de meados dos anos oitenta (quando o país entrou na CEE) os resultados já se sentiam. E talvez a crise não nos apanhasse tão desprevenidos e ninguém nos apelidasse de "Casa Pobre da Europa".