Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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9 de junho de 2011

Alcorão

O Islamismo na sociedade e no quotidiano

«Para muitos muçulmanos o Alcorão é o único grande sinal de Deus no universo físico. De facto, os versículos individuais do Alcorão são chamados ayat, o que significa, literalmente, «sinais». O texto refere-se a si póprio como «orientação para o mundo» e «um sinal claro para os que podem compreender». Fornece instruções acerca do modo como se deve viver a vida e funciona como uma fonte de orientação étíca para tudo aquilo de que não dá instruções precisas (...) A palavra «Alcorão» (Qur'an) deriva do verbo árabe que significa ler ou recitar. «Alcorão» significa portanto algo como uma recitação ou um conjunto de coisas para serem recitadas. Os muçulmanos normalmente designam a sua escritura simplesmente como o Alcorão, mas juntam-lhe também um título que significa respeito, como «al-Karim», o Nobre, ou «al-Azim», o Magnífico. No próprio Alcorão é usado o termo «al-Kitab», o Livro, em alternativa».

Leia o resto aqui.

2 de junho de 2011

O Livro de Cale

Uma das razões porque mal posso esperar pela minha ida à Feira do Livro do Porto:



Não sabia da existência deste livro (de capa excelente), até há cerca de dois meses, ao ler sobre ele, aqui. Dedica-se aos jogos de poder no Condado de Portucalense, muito antes de D. Afonso Henriques e mesmo de D. Teresa. Porque, para a constituição da nacionalidade portuguesa (...) foi também importante a contribuição de um grupo de poderosos infanções que ao longo do século X e XI, cimentou uma posição política e social... (Clique, para ler mais).

Estou com vontade de me dedicar a esta época, onde assentam os fundamentos da obra construída pelo nosso primeiro rei. Também me seduz muito a Lenda de Gaia ou do Rei Ramiro. Digam lá que não são assuntos para belos romances históricos! Tem de ser sempre o Rei Artur, ou Ricardo Coração de Leão?

27 de maio de 2011

Escritoras



No Horas Extraordinárias, a editora Maria do Rosário Pedreira, a propósito de uma polémica no Facebook, abordou o tema: porque é que há mais escritores do que escritoras? O assunto provou, mais uma vez, excitar os ânimos, o post teve mais de 60 comentários.

As razões podem ser diversificadas, mas, na minha opinião, há duas pertinentes:

1 - Falta de tempo

A escrita é uma actividade que exige, acima de tudo, tempo. Mulheres casadas, com filhos e com actividade profissional dificilmente arranjam ocasião para se isolarem no escritório do lar, duas ou três horas seguidas, algumas vezes por semana. Infelizmente (e embora haja cada vez mais excepções) há mais tolerância e compreensão para os homens, que, em situação semelhante, precisem do seu sossego. O facto de eu constatar que, muitas vezes, apenas o homem dispõe de um espaço em casa a que possa chamar de "seu escritório", parece confirmar esta suposição.

Como também o confirma uma entrevista a Alice Vieira, da qual transcrevo um extracto:


- Ele [Mário Castrim] incentivava-a a escrever?
Muito, muito. Eu acho mesmo que ele deixou a carreira dele de escritor para trás exactamente para que eu pudesse fazer a minha, não tenho dúvidas nenhumas (...) Para eu fazer a vida que fazia, ele tinha que ficar com os miúdos, e tratar da casa. Tinha que aguentar o barco.

Pois!

J. K. Rowling, a autora da saga do Harry Potter, começou a escrever por estar desempregada. Passou para o papel histórias que há muito engendrava na cabeça, mas é caso para perguntar: tivesse ela um emprego absorvente e dois ou três filhos, estaria o mundo privado do seu mais famoso aprendiz de feiticeiro?

Ao contrário do que muita gente pensa, não basta ter talento para se tornar escritor, é preciso ter condições para o desenvolver. E ser persistente e disciplinado. Nada podia ser mais errado do que aquela ideia de um génio que tem uma inspiração, passa-a para o papel... E aí está a obra-prima!



2 - Atrever-se

Uma outra razão, que não foi focada nos comentários ao post da Maria do Rosário Pedreira, mas que considero verosímil, é as mulheres não se atreverem tanto como os homens. Por mais que as coisas tenham evoluído e por mais que se considere que as mulheres estão ao nível dos homens, as meninas ainda são educadas de maneira diferente dos meninos, pois devem ser mais ponderadas e sossegadas. Enquanto se mantenham no seu quarto, a pentear bonecas, tudo bem. Mas poucos pais aceitam que elas queiram jogar à bola na rua, com os rapazes, por exemplo.

O atrevimento, a curiosidade e o experimentar "coisas malucas" continuam a ser mais tolerados neles. O resultado é que os miúdos, mais tarde, acreditam mais nas suas capacidades e são mais seguros de si.

Diz-nos Maria do Rosário Pedreira: recebo dezenas de originais todos os meses para avaliar mas, lamentavelmente, só dez por cento são escritos por mulheres. O mais engraçado é que eu recordo, dos meus tempos de liceu, serem as raparigas quem mais se dedicava à escrita (devaneios, contos, poesia, etc.). E são normalmente as meninas que escrevem diários. Mas desconfio que, mesmo que desejem ser escritoras, pensam não ter talento suficiente e não se atrevem a enviar os seus manuscritos a quem os possa apreciar. É pena!



Mas será que Portugal, mais uma vez, anda atrasado em relação a outros países europeus?  Publiquei aqui, a 25 de Abril (por acaso), fotografias tiradas numa livraria da cidade alemã onde vivo, nomeadamente, o escaparate dedicado aos romances históricos. E constatei que as escritoras alemãs deste tipo de literatura parecem ser mais do que os escritores.

Nesta fotografia, consegue ler-se o nome de oito autores e só um (Frank Schätzing) é homem:



Também em língua inglesa há muitas mulheres a dedicarem-se a este tipo de literatura.

Mulheres portuguesas, de que estão à espera? A falta de tempo poderá ser difícil de contornar. Mas há algo que só depende de vós: atrevam-se!

26 de maio de 2011

Já não se fazem promessas como antigamente...


Deixo-vos com as palavras da Zélia Parreira, autora do blogue Açúcar Amarelo e minha colega no 2711, surgidas como resposta aos comentários a propósito deste post, também de sua autoria:

E afinal, o que nos prometem estes partidos, que andam tão ocupados que não podem perder tempo com estes temas da educação e da cultura?

Alcatrão? Não, porque vamos pagá-lo a vida inteira.

Transportes públicos rápidos e acessíveis? Não, só TGV a preços proibitivos.

Um sistema de saúde eficaz e eficiente? Não, apenas grandes hospitais nas cidades do litoral e o deserto no interior.

Um sistema de educação com qualidade e exigência que forme cidadãos conscientes e informados? Não, apenas grandes centros educativos que produzem cidadãos "certificados" em série, enquanto os miúdos do interior são obrigados a viajar horas e horas sozinhos, de madrugada, para assistirem a "actividades curriculares".

Uma economia forte e saudável, assente no investimento e na produção? Não, apenas uma economia virtual, em que os dinheiros se jogam em instrumentos financeiros completamente incompreensíveis à maioria dos cidadãos e que nos conduzem sempre a uma crise maior do que aquela de onde partimos.

Uma justiça célere e (até é ridículo pedir isto) justa? Claro que não, o poder político não interfere no sistema judicial, apenas cria mecanismos e instrumentos legais que o sufocam.

E por aí fora. O que é que nos prometem? Eu ainda não vi nada a não ser trocas de insultos e acusações. É que já nem se dão ao trabalho de nos prometer nada...

21 de maio de 2011

10 dicas para incentivar a criança a ler

A origem do texto é brasileira (nota-se logo, pelas "dicas"), mas cheguei a ele através do Bibliotecar. E os conselhos são realmente bons:

1. RESPEITAR O RITMO DA CRIANÇA
Não se preocupe se o livro escolhido pelo seu filho parecer infantil demais. Cada criança tem um ritmo diferente. O importante é que o livro esteja sempre presente. A criança costuma dar sinais quando se sente preparada para passar para um próximo nível de leitura. "É preciso estudar o outro, entender o que ele gosta e respeitar as preferências", afirma Maria Afonsina Matos, coordenadora do Centro de Estudos da Leitura da Uesb.

2. SEGUIR O GOSTO DA CRIANÇA
Talvez o que o seu filho gosta de ler não seja exatamente o que você gostaria que ele lesse. Mas, para adquirir o hábito a leitura, é preciso sentir prazer. Então, se o seu filho prefere ler livros de super-heróis aos clássicos contos de fada, por exemplo, não se preocupe (e nem pense em proibi-lo!). "É importante entender a criança e lhe proporcionar leituras que atendam aos seus desejos", diz Rosane Lunardelli, da UEL.

Continuar a ler aqui.

19 de maio de 2011

Onde se explica o que é que a "geração à rasca" tem a ver com a pesca



Muito se tem escrito (e falado) sobre os jovens supostamente preguiçosos, que reclamam de barriga cheia. O conflito entre gerações é normal e saudável, o contrário é que seria de admirar. A Ana Vidal, do Delito de Opinião, publicou um post interessante (esta excelente imagem também vem de lá)  retirado do Facebook.  São 11 regras para a "geração à rasca", muito directas e escritas com humor, como, por exemplo:


Regra 3 - Não ganharás 10.000 euros por mês assim que saíres da escola. Não serás vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição enquanto não os tiveres ganho por ti próprio.

Regra 4 - Se achas teu professor duro, espera até teres um Chefe.

Regra 5 – Virar frangos ou trabalhar durante as férias não está abaixo da tua posição social. Os teus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam-lhe de oportunidade.

Regra 11 – Sê simpático com os marrões (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns totós). Existe uma grande probabilidade de que venhas a trabalhar PARA um deles.

Por outro lado, achei que algumas regras têm uma tendência acusativa muito forte:

Regra 6 - Se fracassares, não é culpa dos teus pais. Então não lamentes os teus erros, aprende com eles.

Regra 7 - Antes de nasceres, teus pais não eram tão chatos como são agora. Eles só ficaram assim por terem de pagar as tuas contas, lavar tuas roupas e ouvir-te dizer como tu és fixe (e eles são “ridículos”). Por isso antes de ires salvar o planeta para a próxima geração, querendo consertar os erros da geração dos teus pais, experimenta arrumar teu próprio quarto.

A sugestão final da Regra 7 é útil, mas, de resto, acho que se cai no erro de ilibar os pais de certas responsabilidades, ao mesmo tempo que se acusam os filhos de serem fardos. O mero título de "mãe" ou "pai" não é um atestado de qualidade e/ou competência. As facilidades e as mordomias que estes proporcionam aos filhos, que será a principal causa da preguiça deles, têm, muitas vezes, a ver com mero comodismo da sua parte.

A fim de melhor exprimir a minha opinião, deixei no post da Ana Vidal, um comentário baseado na máxima: "se vires um pobre à beira do rio, não lhe dês peixe, ensina-o a pescar". O Pedro Correia elegeu-o comentário da semana e ilustrou-o com uma imagem lindíssima.

Obrigada ao Pedro, pela escolha, e à Ana, por me ter inspirado.

7 de maio de 2011

Ainda a propósito da 81ª Feira do Livro de Lisboa (com condomínios privados pelo meio e, mais uma vez, o "megalito" da Babel)

 Palavras de José Mário Silva, o Bibliotecário de Babel (clique, para ler o texto completo):

Se nas últimas edições a LeYa já tinha construído uma espécie de Feira dentro da Feira, os condomínios privados (chamemos-lhes assim) agora multiplicaram-se (...) e a Babel inventou aquele túnel escuro por fora e abafado por dentro (estreito, apertadinho, vagamente claustrofóbico) que mais parece uma metáfora do país.

Será que todos os pavilhões deviam ser iguais, como eram há dez anos? Não sei. Mas a Feira do Livro sempre se distinguiu por ser um espaço onde as assimetrias entre as grandes editoras e as pequenas se esbatiam. Todos tinham direito ao seu espaço, proporcional ao respectivo catálogo e volume de negócios. Hoje, há claramente uma burguesia da edição, a dos grandes grupos açambarcadores de espaço e arquitectonicamente exibicionistas, em contraste com o resto das editoras proletárias, reduzidas a uma uniformidade que a APEL impõe só a alguns. O certo é que há dois pesos e duas medidas, duas Feiras distintas, sobrepostas mas não coincidentes, o que cria uma estranheza a que eu, frequentador há mais de 30 anos, duvido que me venha a habituar.

20 de abril de 2011

Voyeurismo

Através da Vespinha, cheguei ao trabalho do fotógrafo Michael Wolf. E a sua série de fotos Transparent City, embora composta de fotografias tiradas em Chicago, lembrou-me certas vivências nos meus primeiros anos na Alemanha.







Morava em Hamburgo e dava aulas de Português em escolas de línguas. No Inverno,  já era escuro quando regressava a casa, de autocarro (aliás, escurece aqui mais cedo do que em Portugal). A viagem demorava uns vinte minutos e passava por bairros habitacionais. Diga-se de passagem que os prédios não são muito altos, Hamburgo não é uma cidade de arranha-céus.

Era interessante constatar que os alemães, principalmente nas grandes cidades, são muito liberais e simples, quanto à decoração das suas janelas: quase nenhumas têm persianas, grande parte delas, nem sequer cortinas. Se as luzes estavam acesas, via-se o interior das casas. Os autocarros andam devagar e têm paragens a cumprir. Eu via-me com tempo para olhar para aqueles compartimentos. Sentia-me muito voyeurista, mas, por outro lado, se as pessoas não se dão ao trabalho de esconder o interior das casas...



 

 




 O certo é que a consciência não me pesava muito. Ao fim de um certo tempo, percebi porquê. Dei conta  que o que mais me interessava não eram as pessoas que estavam lá dentro e o que estavam a fazer e, sim, a decoração: os móveis, os candeeiros, os sofás, as cores etc. Muitos livros, poucos livros; paredes cheias de quadros, paredes nuas; candeeiros e móveis pomposos, decorações simples; plantas grandes, plantas pequenas, sem plantas; secretárias cheias de papéis e livros, secretárias arrumadas; decoração antiga, decoração moderna...

Aquelas viagens eram tudo menos monótonas...

4 de abril de 2011

Quem é o verdadeiro escritor?

O Horas Extraordinárias, da editora Maria do Rosário Pedreira, grupo Leya, é, com razão, um dos blogues mais conhecidos e elogiados da blogosfera. Também eu gosto de o ler, todos os dias, mas intrigou-me o post publicado, precisamente, na data simbólica de 1 de Abril. Não é tanto o seu conteúdo que me incomoda, mas a maneira como é expressado.

Intitulado "Ser Escritor", inicia assim: Não se é escritor porque se quer, mas porque se pode. Considero esta frase infeliz, na sua ambiguidade. Eu diria antes: não é escritor só quem pode, mas quem quer; e muito! Todos sabemos que o talento não chega, é preciso disciplina e, acima de tudo, perseverança. Dizer que não se é escritor porque se quer não faz, para mim, qualquer sentido, porque, se não o quisermos ser, não o seremos, de certeza! Como tudo na vida, aquilo que se quer alcançar, tem de se querer muito.

A frase até pode dar azo a interpretações menos honestas. Não se é escritor porque se quer, isto é, porque se vive com essa vocação e esse desejo, mas porque se pode, ou seja, quem tem contactos, cunhas, é famoso, tem pais famosos, ou dinheiro. Eu sei que não foi isso que a Maria do Rosário Pedreira quis dizer, mas, por isso mesmo, a frase é infeliz.


Daqui


Mais à frente, lê-se: ... infelizmente, nem toda a gente que aprende a juntar as letras sabe ler. Os verdadeiros leitores, como os verdadeiros escritores, serão sempre uma minoria. Deixemos, para já, os escritores de lado e concentremo-nos nos leitores. Então, passa-se assim um atestado de burrice e incapacidade à maioria da população que compra livros?! Talvez compre livros de que a Maria do Rosário Pedreira não gosta, ou que considera de qualidade inferior. Mas, daí a dizer que essas pessoas não sabem ler?! Entre amigos, ou num meio literário em que as opiniões coincidem, dizem-se coisas destas. Mas expô-las ao público, indicia, a meu ver, prepotência.

Conceitos como verdadeiro escritor, verdadeiro leitor e literatura séria não são estanques e deviam ser usados com cuidado. Os comentadores do post discutem o facto de muito poucos escritores poderem viver daquilo que editam. Mas, se há nomes que não deixam margem para dúvidas, como Saramago, Gonçalo M. Tavares e António Lobo Antunes, que dizer de José Rodrigues dos Santos, ou, a nível internacional, Dan Brown e Stephenie Meyer? Todos eles podem viver bem daquilo que editam. Mas são eles verdadeiros escritores? Escrevem eles literatura séria?

Um comentador anónimo diz algo, a meu ver, muito pertinente: Todavia, há que dizer que a literatura que tem como único propósito a diversão e o entretenimento também merece respeito. Aliás, se calhar até é ela que paga o salário da MRP no grande grupo económico em que trabalha. E no entanto, a Maria do Rosário Pedreira diz, no seu post: a literatura séria está, com o tempo, condenada a ocupar uma pequena parcela das prateleiras das livrarias, onde hão-de proliferar muitos outros géneros de mais fácil assimilação. A verdade, que temos de aceitar e com a qual temos de viver é a de que os livros não passam de um negócio! As editoras preferem seguir as regras do mercado, em vez de apostar na qualidade. Só assim conseguem sobreviver e pagar salários.A autora do Horas Extraordinárias devia estar bem dentro deste assunto!


Daqui

Embora todos os comentários sejam interessantes (o post acaba por ter essa virtude de despoletar a discussão), não resisto a transcrever o de um outro anónimo (ou será o mesmo?):

A velha polémica entre a literatura experimental vs. "uma boa história". Já me fartei do Bolaño, mas continuo a gostar do John Grisham. Gosto dos clássicos russos, mas nunca consegui ler o "Ulisses" do Joyce. Gostei muito do "Monte dos Vendavais" da Emily Brontë, mas detestei "Retrato de Uma Senhora" do Henry James. Adorei "Kane e Abel" do Jeffrey Archer, nas não consigo terminar "Os Detectives Selvagens"... Li quase tudo de Fiódor Dostoiévski, mas não suporto a imitação "tuga" do JRS e, no entanto, gosto de Dan Brown. Que leitor serei eu?

Ou seja, muitas vezes, a "qualidade", a "verdadeira literatura" é uma questão de gosto. E eu posso gostar de Saramago, Dan Brown e Stephenie Meyer ao mesmo tempo. Insisto na minha opinião, que já aqui expressei: mais vale ler livros "maus", do que não ler, aprende-se, pelo menos, a escrever sem erros.

E, respondendo à pergunta que serviu de título a este meu post, lembro o conceito de Sol Stein: escritores não são só aqueles que já publicaram livros, mas todos aqueles que não concebem a sua vida sem escrever. Ou seja, quem ama a escrita, é escritor. E quem ama os seus livros, sejam eles quais forem, é um verdadeiro leitor.

11 de março de 2011

O Olhar do Celestino

Comissão de Serviço V

O Celestino, neste dia, até estava contente. Tinha ido às compras e adorava a camisa nova. Tirou-se a fotografia, para marcar a efeméride. Mas o Celestino não sorriu para a câmara, como costumam fazer as crianças, na idade dele. Principalmente, quando estão contentes.

"Fi-lo rir-se. Só nunca lhe tirei os olhos tristes". O que fixam os olhos tristes do Celestino? Um horizonte longínquo, onde a felicidade espera por ele? Acreditaria ele na felicidade? Sentir-se-ia digno dela? Ou estaria conformado com uma vida que pouco tinha para lhe oferecer? O Celestino parece olhar para algo que só ele conhece, que talvez nem tenha nome.


O Celestino era mainato de Fernando Sousa, co-autor do Delito de Opinião, blogue onde ele vai publicando as suas "Notinhas de uma guerra engolida". Engolida, nem mais, como fazemos com algo que abominamos, mas que nos obrigam a comer. É a sua Comissão de Serviço, em episódios curtos, mas cheios de substância. Porque, mais do que ler frases pomposas e/ou complicadas, queremos ler sentimentos.

Gostei particularmente do primeiro episódio (Adeus Eternidade) e do quinto, esta Comissão de Serviço V, em que ele nos apresenta o Celestino e que aqui transcrevo:

8 de março de 2011

Fernando Pessoa na Suíça

A Moura Aveirense fala-nos do Café Literário Fernando Pessoa, em Genebra. Esteve lá e tirou fotografias.

Melhor Livro Estrangeiro

Os franceses podem ter muitos defeitos, mas sempre tiveram bom gosto literário e Paris foi (mais do que é) uma cidade-refúgio para escritores de diversas nacionalidades. O Prix du Meilleur Livre Étranger 2010 é uma garantia de qualidade. Fica-se curioso, embora não se possa evitar um certo cepticismo, afinal, há gostos pessoais.

Através d' O Cheiro dos Livros, tenho vindo a entrar em contacto, precisamente, com a obra vencedora deste Prix.




«A natureza está à espera, lá fora, mas mantém exactamente a mesma força: recuou, é certo, mas não está sequer prisioneira. Está num outro sítio, num outro ponto da batalha, e afia as lâminas; não reza, não suplica, não pede piedade.

«O Dr. Lenz, cirurgião importante da cidade, homem possuidor absoluto dos seus prazeres privados, apreciador de pequenas humilhações a prostitutas, e que ganhara o hábito recente de receber em casa um vagabundo, de lhe oferecer esmolas chorudas, de lhe dar pão e comida, e acima de tudo, de o humilhar, de atrasar a esmola, a comida, de saborear o prazer de estar na parte forte e de ter dois olhos sãos e claros para ver o que a claridade do mundo mostrava: a rudeza desse mesmo mundo, a violência e a indiferença entre quem tem saúde e quem não a tem, quem tem dinheiro e quem não o tem, quem é velho e quem não o é, quem é feio ou deficiente e quem não o é, quem tem marcas de acidente no rosto, queimaduras, cortes que desfiguram a beleza média e quem, pelo contrário, não tem nada que manche o seu orgulho, o seu orgulho exterior, físico, a única moeda comum a todos os séculos, a todos os países, a todas as línguas. Era isto que os olhos sãos e claros de Lenz viam, era isto que a claridade do mundo lhe mostrava.»

«- Nesta casa o medo é ilegal – era uma das frases mais marcantes de Frederich Buchmann.


O único problema, neste tipo de escrita, é o ritmo alucinante das frases de qualidade. Sucedem-se umas às outras, quase se anulando, quase evitando o seu desfrutar. Há escritores assim, que se têm de ler devagar. E várias vezes. Em vez de enfado, a repetição proporciona-nos novas revelações, novos encantos.


Descobri mais um motivo de entusiasmo para minha ida a Portugal, por alturas da Feira do Livro do Porto. Já acrescentei o Gonçalo M. Tavares à minha lista :-)

24 de fevereiro de 2011

Um Livro, Um Rei e Um Doce



Foi este o título que a Manuela Cruz Dias, conhecida por Moira na blogosfera, escolheu para um post dedicado a D. Dinis e ao Mosteiro de Odivelas, a propósito do meu livro. A Manuela tem um blogue delicioso, na verdadeira acepção da palavra, pois ela é uma artista da cozinha. Além disso, é uma grande fotógrafa. Tanto as receitas, como as imagens que ela publica no Tertúlia de Sabores, são obras de arte, fica-se logo com vontade de experimentar as iguarias. Aliás, ela foi entrevistada por Pedro Rolo Duarte e João Gobern, a 14 de Agosto de 2010, no programa Hotel Babilónia, da Antena 1. O Pedro Rolo Duarte declarou-se admirador do Tertúlias de Sabores, elogiando o design do blogue e as fotografias da Manuela, chamando a atenção para o facto de que a comida é uma das coisas mais difíceis de fotografar. Para provar que, tanto eu, como o conhecido jornalista, temos razão, é só compará-las com as de outros blogues dedicados à culinária.





Mas a Manuela também gosta de ler e interessa-se por História. Foi por essa razão que eu deparei, em Setembro de 2008, com o post que ela escreveu sobre o meu primeiro livro, A Moura e o Cruzado (que passou a chamar-se A Cruz de Esmeraldas, quando mudei de editora) na Teoria do Tudo e do Nada (o seu outro blogue, onde se pode comprovar o talento dela para a fotografia em geral). Nessa altura, eu ainda não andava pela blogosfera, mas houve trocas de emails entre nós as duas e acabámos por nos conhecer pessoalmente, na Feira do Livro de Lisboa, em 2009.

Agora que ela leu o D. Dinis, decidiu ligar a literatura à culinária. A par da opinião que expressa sobre o  livro, apresenta uma receita conventual do Mosteiro de Odivelas, mandado construir por D. Dinis. E foi lá que o Rei Lavrador ficou sepultado, como já aqui referi.





E aqui apresento eu também os Queques de Especiarias, do Livro de Receitas da última Freira de Odivelas, aproveitando as fotografias da Manuela, claro.





Para ficarem a par desta e de outras receitas deliciosas, é favor irem ao Tertúlia de Sabores. E deleitem-se, que os olhos também comem!


26 de janeiro de 2011

Relativizar



Devíamos estudar todos os dias astrofísica, para nunca nos esquecermos da insignificância dos nossos problemas.

A propósito deste post publicado pela Namorada de Wittgenstein, lembrei-me de uma entrevista a um astronauta alemão, que vi na TV.

Já foi há algum tempo, não me lembro das palavras exactas dele, mas, perguntado sobre a sensação que era ver a Terra ao longe, ele contou algo do género: "ao ver o nosso planeta do Espaço, claro que nos damos conta de como somos pequeninos, irrisórios e, acima de tudo, de como os nossos problemas são mesquinhos. Porquê irritar-se com o vizinho? Com a política? Se o dinheiro chega, ou não, para comprar o carro que desejamos? Alguns dias depois de regressar à Terra, a minha filha de quatro anos veio ter comigo a chorar, porque não sabia onde estava o seu ursinho de peluche favorito. Deveria dizer-lhe que essa sua preocupação era ridícula, quando comparada com o Cosmos? Claro que não. Dei comigo a perder o meu precioso tempo à procura do ursinho de peluche".



Tudo isto me levou a escrever sobre o tão apregoado "relativizar". Acontece que não sou grande apologista desta prática. Quer isso dizer que acho que nos devemos irritar por "dá cá aquela palha"? Também não. A verdade é que só se irrita com "bagatelas" quem se sente infeliz, para quem a vida nada mais é do que um grande vazio. E não é ridicularizando essas pessoas que as ajudamos, porque isso só contribui para diminuir a sua auto-estima.

O relativizar pressupõe o desvalorizar e/ou o ignorar de algo que nos preocupa ou atormenta. O que leva ao seu recalcamento. Por mais trivial que seja a razão, é importante criar empatia e compreensão pelos problemas (dos outros e dos próprios). Mesmo que nos pareçam irrisórios. Ao relativizar algo, temos a sensação que estamos a aliviar uma pessoa (ou nós próprios) do problema, mas fazemos o contrário: mostramos incompreensão, transmitimos a mensagem: tu és ridículo/a, só te preocupas com bagatelas. Isto envergonha-nos, o que diminui a auto-estima. E a auto-estima é a base onde assenta a nossa felicidade.


O relativizar pode mesmo tornar-se numa prática perigosa, ao contribuir para o ignorar de problemas sérios, como expressou Fernanda Matias, num comentário a um post sobre essa grande e grave doença que é a depressão, publicado por Laurinda Alves no seu blogue: Quem está à volta tantas vezes relativiza : é do inverno, é do trabalho... Importante mesmo é estar atento e não subvalorizar os sinais ou consequências.


Por isso, pense duas vezes, antes de começar a relativizar. Seja consigo mesmo, ou com os outros, principalmente, com crianças.

7 de dezembro de 2010

Escritores e Idiotas

Ao contrário do que possa parecer, o título deste post não compara escritores a idiotas. Haverá escritores que o sejam, outros, não, mas não me compete a mim julgar tal. Venho aqui apenas deixar dois links.

Um deles, remete para a Declaração de Istambul 2010, saída de um "Parlamento de Escritores" lá reunido, em que participou o português Rui Zink, mas onde também foi vedada a participação a V. S. Naipaul. A declaração (em inglês) tem precisamente a ver com a liberdade de expressão na literatura.


E este remete para o Perfil do Idiota. Delicioso, leiam!