Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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25 de julho de 2020

A importância dos Jogos

Tóquio 2020.jpg

Não fosse a pandemia e ter-se-ia realizado ontem a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio. E dei comigo a pensar que o cancelamento e/ou adiamento de eventos deste tipo podem ser bem mais prejudiciais do que pensamos.

No início do confinamento, ainda houve quem pensasse (eu incluída) que a Humanidade saísse reforçada desta crise. Seríamos levados a refletir sobre os nossos hábitos e sobre aquilo que realmente queremos para o nosso mundo. Mera ilusão. A falta de contacto social e de convívio, o desespero e a insegurança, têm o efeito contrário, ou seja, a polarização e o radicalismo. Não mudámos nada desde a Idade Média, continuamos a acreditar naqueles que nos prometem fórmulas milagrosas. E continuamos a procurar bodes expiatórios, crendo em teorias da conspiração, como antigamente se acreditou que os judeus eram os culpados pela Peste Negra, pois teriam envenenado as fontes.

Eventos como os Jogos Olímpicos não deixam de ser polémicos, seja por implicarem custos astronómicos, seja por transmitirem uma harmonia mundial fictícia, seja pelos escândalos de doping. Penso, porém, que são responsáveis por um importante efeito psicológico. Em que outra cerimónia vemos quase todos os países do mundo a festejarem juntos? As imagens que nos chegam mostram pessoas de todas as nacionalidades e etnias em celebração e convívio. E nós, os do outro lado do ecrã, também vibramos, quanto mais não seja, quando o nosso próprio país entra no estádio, cheios de expectativa pelos resultados, mal podemos esperar pelas competições. Onde há aqui lugar para pensamentos negativos?

Os vencedores dão a volta ao estádio com a sua bandeira pelas costas e os espetadores seus compatriotas acham-se os melhores do mundo. Mas é uma alegria saudável, até porque é comum os detentores do pódio abraçarem-se, confraternizarem, juntando bandeiras das mais diversas origens. Assim como se veem vencedores a consolar perdedores. E quantas vezes o estádio vibra com algum/a atleta, seja de que nacionalidade for, perante uma performance desportiva de exceção?

Penso que imagens dessas são importantes, não duvido que têm um efeito psicológico positivo. Certo, os racistas não deixam de o ser. Mas dão menos importância a essa sua característica, até a escondem, porque no fundo, sabem que está errada. É essa a mensagem dos Jogos. A pandemia, por outro lado, faz sobressair o ódio por aquilo que é diferente. Temos medo, queremos distância, centramo-nos na desgraça do nosso país sem ligar aos outros, procuramos bodes expiatórios, veneramos quem confirma certos comportamentos e tendências, que em situação normal, se desaprovam. A vergonha cai.

Também o adiamento do Campeonato Europeu de Futebol masculino para 2021 pode ser mais grave do que pensamos. Mau grado toda a corrupção existente no futebol, este é igualmente um evento que cria uma atmosfera muito especial, apesar das rivalidades. Quem não se lembra do ambiente de exceção (no bom sentido) gerado no nosso país, em 2004? Claro, há hooligans e cenas menos bonitas nos estádios. Também as existem nos Jogos Olímpicos (incluindo um grave atentado em Munique). No cômputo geral, porém, o resultado é francamente positivo. As imagens de eventos desportivos que juntam nações são uma espécie de pausa nos ódios e nos rancores. E pausas dessas fazem muita falta.

 

P.S. O próprio Festival da Eurovisão, odiado por tantos,  é bem mais benéfico para a saúde mental de milhões de pessoas do que se pensa.


Nota: texto igualmente publicado aqui.

4 de junho de 2019

Ajudar quem quer desistir

Foto © Horst Neumann


O jornal católico que assino (na Alemanha), dedicou, há algumas semanas, uma edição ao suicídio (nº 18, 15-05-2019). Achei interessantíssimo, acima de tudo, porque informava como devemos reagir, caso desconfiemos que alguém que nos está próximo, ou que conhecemos, corre o risco de se suicidar. É um tema muito difícil de ser abordado e muitos de nós não o fazem pela simples razão de não saber como. Também há quem pense que o melhor é ignorar, pois receia que, ao referir o assunto, encoraje ainda mais a pessoa a levar a cabo as suas intenções.

No entanto, o contrário é válido: os psicólogos consultados foram unânimes a afirmar que ninguém deve ter medo de provocar o suicídio, pelo facto de o referir. É muito mais eficaz abordar a pessoa diretamente. Por exemplo: «Sentes-te tão desesperado, que achas que deves desistir? Encaras a possibilidade de pôr um fim a tudo? Como te posso ajudar?»

Quem pensa em suicidar-se, costuma enviar sinais. Anda angustiado, sem esperança, desesperado; deixa de cultivar as suas amizades, ou de exercer os seus hobbies; queixa-se de ser um fardo para os outros; ou diz mesmo que pretende acabar com a vida. Quem assim age, precisa de quem o ouça, de quem o leve a sério e lhe providencie ajuda profissional. Ignorar, na esperança de que passe, é o maior erro.

Outro grande erro é tentar menorizar os problemas de quem sofre: “isso não é nada”; “há quem esteja bem pior”; “isso passa”; “tens de te animar”; “pensas que a minha vida também é fácil?”. Atitudes destas são de evitar ao máximo, pois a pessoa sente que não é levada a sério, o que a deixa ainda mais amargurada, mais fechada.

A parte mais interessante no tratamento deste tema, foi, para mim, uma entrevista a uma senhora que faz trabalho voluntário numa linha do tipo “SOS Voz Amiga”, da qual traduzo algumas passagens:


Imagine que está de serviço na linha e alguém telefona a dizer: “estou desesperado, vou matar-me”. O que faz?


Em primeiro lugar, tento estabelecer um contacto, alcançar a pessoa em todos os sentidos.

E como o faz?

Pergunto: “Quer contar-me o que o deixa assim tão desesperado? O que está por trás disso?”. Depois, conforme o que me contam, valorizo a luta dessa pessoa, valorizo o seu sofrimento, a sua dor. Digo, por exemplo: “eu sei o que tem de aguentar; sei como é difícil levantar-se todos os dias e tentar viver normalmente, ignorando o sofrimento da depressão”. Com expressões deste género, consigo o contacto. O meu interlocutor ganha confiança em mim e solta-se. No decorrer da conversa, digo: “diz-me que não quer continuar a viver e eu consigo compreender. Mas o que seria necessário para que dissesse que tornaria a tentar? Pode sempre suicidar-se, no fim, terá sempre essa opção. Mas vamos primeiro ver: o que é ainda possível? Tem talvez um sonho na sua vida, alguma coisa que gostaria de fazer? Repare: luta todos os dias contra a sua depressão, sem avançar. Não concebe empregar essa energia para atingir algo com que sempre sonhou?”. Tento não dar conselhos, mas sim avaliar quais as possibilidades que a pessoa ainda tem, ir ao encontro dos seus desejos, dos motivos que a podem levar a mudar de ideias.
  
Não relativiza.


Nunca. A pessoa iria imediatamente sentir que não é levada a sério. Mantenho-me compreensiva e expresso as minhas emoções com sinceridade, por mais abalada que fique. Lembro-me de um caso de um homem que me disse que era o bastardo da família, que sempre fizeram questão de lho dizer, pois ele era o resultado de uma relação extraconjugal de sua mãe. O seu pai [marido da mãe] arrancava-o da cama três vezes por semana, começou a fazê-lo quando ele tinha três ou quatro anos, metia-o no carro, levava-o para um sítio ermo e dizia-lhe que lhe dava um tiro e que depois se suicidava da mesma maneira. Nunca o fez, mas o homem revivia o cenário constantemente.

Isso é horrível. Como reage?

Com sinceridade. Digo: “Isso que me está a contar abala-me imenso; até me pergunto como tem conseguido sobreviver”.

Nunca relativizar ou desvalorizar.

Exatamente. E tento então ver onde estão as possibilidades. Pergunto: “como tem aguentado esse fardo? O que lhe deu força? A sua fé? A sua avó? Um amigo? Tem de haver alguma coisa.” Faço perguntas. E não dou conselhos, apenas sugestões, em função do que me dizem.

E como é consigo? Como supera a desilusão, quando alguém desliga, a meio da conversa, deixando-a com a sensação de que não evitará o suicídio?

Aceito, simplesmente. E procuro distanciar-me, digo-me: a decisão de desligar foi do outro. Tentei dar o meu melhor, fazer o que estava dentro das minhas possibilidades. Se não chegou, não há nada que eu possa fazer para alterar esse estado de coisas.


Acrescento que esta senhora teve uma formação de dois anos, antes de começar a atender pessoas em desespero.

Nota: a tradução é minha, do alemão; o publicado é um resumo da entrevista que li.

Texto originalmente publicado aqui.

 

16 de março de 2019

O Bem e o Mal



Enquanto considerarmos o Mal como algo exterior a nós, uma espécie de personagem invisível, que nos acompanha e nos faz cair em tentação, nada mudará para melhor. O Mal, como o Bem, não existem independentes de nós. Eles estão dentro de nós. E, tanto um, como o outro, são semeados durante a infância. Humilhações, injustiças e violências fazem germinar o Mal. Amor, apoio e respeito fazem germinar o Bem. Não nos desculpemos com forças exteriores que nos fazem cair em tentação! Olhemos para dentro de nós e tenhamos a coragem de admitir que nem tudo correu como deveria ter corrido. Aceitemos as nossas frustrações, os nossos rancores, os nossos medos! Não culpemos, porém, os responsáveis, que pensaram estar a fazer o seu melhor. Tenhamos antes a coragem de corrigir, mesmo que, para isso, tenhamos de renegar aquilo que nos ensinaram! Enquanto vivermos, é sempre tempo de nos modificarmos.


13 de fevereiro de 2019

Mentirosos


Um mentiroso compulsivo prejudica terceiros, por vezes, de forma grave, e alimenta intrigas ao transmitir falsas informações. Não menos grave, porém, é a arrogância e o desprezo a que vota os seus interlocutores, o que diz muito sobre o seu carácter: um complexo de inferioridade tão grande, que só pode ser compensado por doses maciças de arrogância, a máscara perfeita para a sua pequenez.



17 de fevereiro de 2018

Ama Os Outros Como a Ti Mesmo


Ilustração de Inês Massano

O problema não é não sabermos amar os outros. O problema é não sabermos amarmo-nos a nós próprios!

Há pessoas que dificilmente fazem um bem a si próprias. Pelos vistos, não se acham suficientemente dignas, ou valiosas. Como consequência, pode acontecer que também não gostem de ver os outros a fazerem-se algo de bom. São incapazes de os amar, porque não se amam a si próprias.

É preciso começar connosco próprios. «Ama os outros como a ti mesmo» tem de começar por nós.


8 de fevereiro de 2018

Sobre o insulto


Insultos são palavras proferidas com o intuito de ferir, ou seja, violência verbal. Os insultos têm origem no desejo de adquirir poder, quando a nossa impotência nos incomoda. Quem insulta, aumenta a sua autoestima com tiradas carregadas de ódio; quem insulta, combate a sua impotência rebaixando os outros.

A livre expressão e o debate representam uma parte importante da democracia. Porém, por mais que os pontos de vista se diferenciem, e apesar de toda a dureza que se possa usar, há que ter em conta que não se deve humilhar o outro. Afirmações, acusações e juízos generalizados, sem provas, nem nomear fontes, constituem um baixíssimo nível de argumentação, cheio de vaidade e orgulho ferido.

Num artigo publicado na revista Visão de 15 de Setembro de 2016, sobre insultos na política, dizia-se:

«O insulto pode ser fruto da falta de autocontrolo. De uma explosão espontânea ou premeditada, quando não há outros argumentos. Segundo a psiquiatra Maria Antónia Frasquilho, antiga diretora do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa,  nunca se deve permitir que funcione como tratamento para alguém carregado de tensão. "É um destratamento", afirma. "Ao descarregar a pressão, quem insulta não resolve um problema. Está a criar outro: o abuso moral sobre a vítima".
No seu livro Stick and Stones - The Philosophy of Insults, Jerome Neu, professor numa Universidade californiana, define o insulto como a declaração ou assunção de domínio, quer reivindicando superioridade, quer revelando falta de consideração. E, escreve, ser insultado é sofrer um choque, a disrupção do nosso sentido de nós mesmos e do nosso lugar no mundo. É que quem insulta fá-lo com esse objetivo. Quer remeter o alvo ao desprezo, desvalorizá-lo, realçando os seus pontos fracos, apoucá-lo e desumanizá-lo».

Para terminar, as palavras de Ilse Junkermann, bispa alemã (luterana), por mim traduzidas:

«As pessoas movimentam-se em sistemas pensantes fechados e aceitam apenas informações dos seus "semelhantes". As vivências de uma pessoa são o seu cartão de visita. Quais teriam sido as vivências de alguém que exerce violência verbal? Podemos exprimir-nos de maneira crítica perante certas palavras ou atitudes, até julgar a pessoa em pensamentos ou palavras, mas temos sempre de respeitar a sua condição de ser humano. Esta é uma posição cristã».


12 de janeiro de 2018

Educar Sem Violência

Foto © Horst Neumann

Na Alemanha, há cada vez menos pais a bater nos filhos. E a delinquência juvenil diminuiu para metade, nos últimos dez anos!

«É uma diminuição histórica», dizem os criminologistas Dirk Baier, Christian Pfeiffer e Sören Kliem, que procederam a um estudo de longa duração. Ainda há uma década se discutia, na Alemanha, o problema do aumento da criminalidade juvenil (dos 14 aos 18 anos), com delitos cada vez mais brutais. As instituições prisionais próprias para delinquentes desta idade estavam a abarrotar, por isso, se procedeu ao aumento das instalações de umas, enquanto surgiram novas, construídas de raiz.

Hoje verifica-se que muitas estão vazias, outras apenas ocupadas pela metade. Mesmo uma cadeia acabada de construir em 2010, a Jugendvollzugsanstalt Wuppertal-Ronsdor, tem muitas alas vazias. Já se procedeu ao fechamento de algumas, outras estão prestes a seguir o mesmo destino e os municípios fazem planos de adaptação dos edifícios a outras funções.

Mas quais as razões para esta evolução, se as leis e os tribunais até se tornaram mais duros? Os criminologistas citados não hesitam em referir o cada vez mais raro uso da violência familiar, o denominador mais comum nos delinquentes juvenis: quem experimenta violência em casa é mais suscetível de a usar fora de portas - confirma o que escrevi aqui, em Agosto de 2016: Os dados oficiais dizem que a violência doméstica é o principal factor de risco para jovens em Portugal (neste post). Em sondagens escolares, na Alemanha, a percentagem de estudantes que declaram terem pais que não os castigam corporalmente subiu de 43,3% para 60,8%.  Paralelamente, verifica-se que os pais e/ou educadores dão mais apoio emocional às suas crianças e aos seus jovens.

Também outros fatores contribuíram para esta diminuição. Os criminologistas apontam para a necessidade de os jovens terem uma perspetiva e a verdade é que o desemprego juvenil diminuiu de 15% para cerca de 7%, entre 2004 e 2016. Onde há perspetivas, dizem eles, desenvolvem-se menos agressões. Também o consumo de álcool tem diminuído.

Porém, nem tudo são rosas. Com a crise dos refugiados (a Alemanha recebeu quase milhão e meio, nos últimos dois anos), assistiu-se a um aumento da criminalidade juvenil, contrariando a tendência que se vinha a verificar desde 2007. Os refugiados são vítimas e agressores, ao mesmo tempo. Se, por um lado, sofrem ataques da extrema-direita, por outro, com menos perspetivas de emprego, os jovens tornam-se mais violentos e são mais facilmente atraídos por movimentos extremistas.

Nota: post baseado neste artigo, de autoria de Patrick Diekmann (em alemão):

http://www.t-online.de/nachrichten/panorama/kriminalitaet/id_82990678/jugendkriminalitaet-liebe-fuehrt-zu-leeren-gefaengnissen-in-deutschland-.html

Adenda: já depois de ter escrito este texto, tomei conhecimento deste artigo, no blogue IP:

Filhos de vítimas de violência doméstica chumbam cinco vezes mais (clique). 

Não faltam provas de que a violência doméstica é extremamente prejudicial, por isso, me surpreende que ainda há quem a defenda (em relação aos filhos).




5 de janeiro de 2018

Se vires um pobre à beira de um rio...



Pais que se prezam tudo fazem para proporcionar aos filhos uma vida melhor do que a que eles tiveram. Mas incorrem facilmente no erro de os super-protegerem. Apesar de não ter filhos, calculo que não será fácil encontrar um equilíbrio entre o desejo de os ver felizes e despreocupados e a obrigação de os preparar para a vida. Penso, no entanto, que, se os pais tiverem consciência de que não podem evitar que os filhos sofram desilusões ou falhanços e enfrentem desafios, apenas essa consciência já poderá ajudar. O importante é que eles, os pais, não os deixem sozinhos, nessas dificuldades, o importante é que estejam lá, quando os filhos perdem o ânimo. Porque a verdadeira ajuda não é evitar que sofram desilusões e, sim, compreendê-los nos seus desgostos e infelicidades, dar-lhes os meios de saberem lidar com as agruras da vida (porque ela traz sempre agruras).

Observo, no entanto, que muitos pais fazem tudo pelos filhos por uma questão de comodismo. É muito mais fácil dar um peixe a um pobre do que ensiná-lo a pescar, já que ensinar implica oferecer tempo, ter paciência para lhe explicar o processo, ficar a seu lado durante essa aprendizagem, apoiá-lo, aturar-lhe as primeiras tentativas desajeitadas, consolá-lo nos falhanços (e este consolo não passa por pescar por ele), às vezes, fingir o resultado (ou melhor, pescar, sim, mas sem ele dar conta) para que ele não perca a motivação, etc. Sim, é bem mais fácil, rápido e cómodo dar-lhe um peixe! Mas esse “pobre” estará novamente cheio de fome no dia seguinte, na margem do rio cheio de peixes.

Nos nossos dias, porém, há pouco peixe, o que põe os jovens numa situação absurda: gordinhos, bem tratados, com telemóveis e carros, mas, quando se vêem na necessidade de pescar, gritam e protestam: “Não sabemos e nem vale a pena aprendermos, porque não há peixes”.

Penso que a melhor solução não é acusá-los de que berram de barriga cheia. Será melhor tentar explicar-lhes que vale a pena aprender, pois os peixes, apesar de poucos, estão lá. Têm é que se dar ao trabalho de os procurar, o que não será fácil, pois estão habituados a sacar da cesta dos paizinhos. Mas lembremos sempre que a responsabilidade não é só deles!

P.S. A solução também não passa por pô-los a pescar, sem lhes ter ensinado antes.



30 de outubro de 2017

Fazer o Bem Faz Feliz


© Horst Neumann

Não acredito na Humanidade. Penso que acabará por se destruir a si própria, assim como o planeta onde vive.

Não há, porém, dúvida de que há seres humanos fantásticos.

O filho de uma antiga colega de liceu, reencontrada no Facebook, adoeceu com leucemia e precisou de um transplante de medula. Todos sabemos que é difícil encontrar um dador compatível e a família do jovem iniciou uma campanha naquela rede social. Soube, agora, que ele já fez o transplante. E este jovem, que acabou de entrar na Faculdade, pode enfim encarar o futuro com o otimismo próprio da idade.

Não nos devemos esquecer, porém, de alguém que, voluntariamente, se sujeitou a uma operação, para doar parte da sua medula e salvar uma vida. Esse alguém deve ser uma pessoa muito feliz, porque a generosidade faz feliz. Já a maldade, pelo contrário, pode proporcionar alguma satisfação momentânea, mas, a médio e longo prazo, deixa a pessoa extremamente infeliz e vazia.
 
Por isso, me pergunto: as pessoas que insistem em desejar e exercer o mal não se acham dignas de ser felizes?