A minha amiga Céu, que me faz viajar no tempo, enviou-me mais uma curiosidade, produzida em 1983. Na altura, ela transcreveu um poema meu no seu diário com a seguinte introdução: «Hoje, dia 25 de Janeiro deste ano, revela-se um novo talento dentro do campo de malmequeres». E segue-se o poema humorístico, de que eu já não fazia ideia de que existia:
Onde está mi matador
qual belo tenente floral!
Como abelhudo não há melhor
oh, como me desvia a moral!
El jacaré tambem se vai
qual guapo filosofal.
Oh, Dulcineia como ela cai
nos braços do animal!
El lipo bombardeiro
não ata nem desata o cordel.
Enquanto Paulas sem dinheiro
procura rechear o farnel!
Oh que dia desastroso
em que três sequeosas meninas
num espanto assombroso
gritam como tolinhas!
Nem tenente, nem jacaré, nem lipo,
Paulas então, nem pensar
vão as três até ao pipo
as suas mágoas afogar.
Céu já dança de bêbeda
em saltos flibusteiros.
Isa e Krys estão em soberba
amizade (sem motoqueiros).
Depois, as três, com ressaca
choram lágrimas sem limites
limpam-nas à casaca
e dão com a cabeça nas estalactites.
Krys 25-1-83
Nota: algumas destas expressões não são inteiramente de minha autoria. A minha habilidade consistiu em adaptá-las ao formato.
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23 de março de 2014
A Máquina do Tempo 4
27 de dezembro de 2013
A Máquina do Tempo 3
Isa, Céu, Lena e Cris
Quatro adolescentes, no seu caminho entre o 10º e o 12º anos, (1980/83), Liceu de Gaia, que hoje se chama Escola
Secundária Almeida Garrett. Nos anos imediatos ao 25 de Abril, chamava-se,
aliás, Escola Secundária Nº 1 de Vila Nova de Gaia. Mas dizíamos sempre
«Liceu».
Já não sei como começámos com aqueles escritos. Histórias
sem pés nem cabeça, que nos faziam rir até às lágrimas, onde nos vingávamos da
família e dos professores e exorcizávamos a nossas dores de cotovelo, amores
assolapados e todo o género de angústias e insanidades que atingem as
adolescentes entre os 15 e os 17 anos. Às vezes, ilustrávamos essas histórias
com desenhos infantis e absurdos, pois nenhuma de nós era virada para as
Belas-Artes.
Escritos dispersos, em cadernos e folhas soltas, dos quais
fiquei apenas com meia dúzia, para amostra (devia haver centenas).
Em meados deste ano, recebi um email de uma certa Maria do Céu. Mal queria acreditar! Nem
acreditei mesmo, só depois de lhe perguntar se era a Céu de antigamente. Disse
que gostava de seguir o meu blogue e que já lera todos os meus livros. E isto fez-me
tão bem: a Céu gosta dos meus livros!
Começámos a recordar os velhos tempos, aquelas histórias,
que até tinham mais pés e cabeça do que pensávamos. Lamentámos não as ter
guardado… A Isa ainda deve ter muita coisa, disse a Céu, ainda bem que eu, ao
menos, guardei a cassete.
Cassete? Que cassete?
Eu já não fazia ideia! Mas quisemos imitar A Flor
do Éter, um programa de Herman José, na Rádio Comercial, com a equipa do
costume: Vítor de Sousa, Margarida Carpinteiro, Lídia Franco e Ana Bola. Transformámos alguns dos nossos escritos numa radionovela humorística e assim nasceu No Reino
da Miscelândia – Uma História Medieval. A Céu conseguiu que lhe
digitalizassem a cassete e enviou-me o CD pelo correio, neste Natal.
Com a gravação nas mãos, senti um medo terrível de enfrentar
essa viagem no tempo. Quando me resolvi, tive dificuldade em identificar a minha voz. Acabei por o conseguir por
exclusão de partes. Reconheci as outras, porque só as lembro assim, não
sei como são hoje.
Depois da primeira audição, fiquei confusa, angustiada mesmo. Vi-me transportada para uma altura em que a minha vida parecia uma batalha constante entre aquilo que eu queria ser e aquilo que os meus pais queriam que eu fosse.
Depois da primeira audição, fiquei confusa, angustiada mesmo. Vi-me transportada para uma altura em que a minha vida parecia uma batalha constante entre aquilo que eu queria ser e aquilo que os meus pais queriam que eu fosse.
Forcei-me a ouvir uma segunda vez, uma terceira… Dei comigo novamente a rir até às lágrimas. E com a sensação de que fiquei a conhecer-me melhor, de que redescobri algo meu, algo que me diz: «também eras/és assim».
Somos três miúdas (uma delas não participou na gravação), por vezes, histéricas, por vezes,
ridículas. Mas temos sempre piada. O histerismo e o ridículo são
próprios dessa idade em que se extravasam energias. Os textos são
incrivelmente criativos, os nomes das personagens um verdadeiro tratado. Talvez
publique aqui excertos...
Obrigada, querida Céu, por me teres levado nesta viagem no
tempo!
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Outras que tais,
Recordações
25 de dezembro de 2013
A Máquina do Tempo 2
Imaginem que tinham escrito, com 16/17 anos, em conjunto com
três amigas, uma história medieval.
Imaginem que a haviam gravado em cassete, ao estilo de
novela radiofónica.
Imaginem que tinham esquecido a sua existência.
Imaginem que, passados mais de trinta anos, a tornam a ouvir,
como por milagre.
Obrigada, querida Céu, por me teres levado nesta viagem no
tempo!
P.S. Seguir-se-ão mais pormenores
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Outras que tais,
Recordações
21 de dezembro de 2013
A Máquina do Tempo
Este vai ser um Natal muito especial. Vou viajar no tempo, enviaram-me uma máquina do tempo pelo correio.
Depois, contar-vos-ei tudo sobre esta experiência única da minha vida...
![]() |
| Imagem daqui |
Depois, contar-vos-ei tudo sobre esta experiência única da minha vida...
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Outras que tais,
Recordações
23 de março de 2013
Adolescência
Caio nas armadilhas
que pretendo
evitar.
Anulo a energia,
a criatividade,
porque mas roubam.
Simulo,
finjo
e odeio-me por isso.
Castigo-me,
entregando-me às pessoas erradas.
Masoquismo?
Antes ignorância,
impotência,
solidão.
Fujo de mim mesma,
sem sair do sítio.
Recordações são
aquilo que fomos,
aquilo que somos.
Poema incluído na V Antologia de Poetas Lusófonos
que pretendo
evitar.
Anulo a energia,
a criatividade,
porque mas roubam.
Simulo,
finjo
e odeio-me por isso.
Castigo-me,
entregando-me às pessoas erradas.
Masoquismo?
Antes ignorância,
impotência,
solidão.
Fujo de mim mesma,
sem sair do sítio.
Recordações são
aquilo que fomos,
aquilo que somos.
Poema incluído na V Antologia de Poetas Lusófonos
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Recordações
3 de setembro de 2012
A minha prima São
A minha família é bastante numerosa. Do lado do meu pai, éramos catorze primos. Agora, somos treze. Porque a São morreu.
Como tantas vezes acontece, os contactos entre primos tornam-se escassos, com o passar do tempo. Mas há pessoas com quem não precisamos de contactar frequentemente para ficarmos contentes ao saber que estão bem e sentirmos a sua falta, quando desaparecem.
Por razões que aqui não vêm ao caso, a São e a irmã Rosário passaram vários meses em nossa casa, no longínquo ano letivo de 1972/73. No meu 7º aniversário, tinha-me sido oferecido um diário, mas ainda não sabia o que fazer com ele. A São disse-me que era bom ter um diário, onde podemos escrever tudo aquilo que nos apetece: o bom e o mau; o que nos alegra e o que nos põe triste. E não descansou, enquanto eu não lhe cedi uma página.
Apesar de só começar a escrever as minhas peripécias em 1977, enchi o diário. E, ao encontrá-lo, nestes dias, constatei que ele sobreviveu quatro décadas. A página da São também:
Para que recordes sempre a tua prima muito amiga e todos os momentos alegres que passámos neste ano de 73.
Quando um dia leres este teu diário poderás ler estas palavras e por isso recordar-me sempre!...
Felicidades pela tua vida fora.
São os votos da priminha amiga: São
Gaia - 23-2-73
Também encontrei uma fotografia desses tempos. Da direita para a esquerda, a São (com dezasseis anos), a Rosário (dezoito) e eu (sete).
A São deixa muitas saudades a muita gente, para não falar do marido, dos três filhos (a mais nova tem dezoito anos), dos pais, dos irmãos e dos sobrinhos.
Recordo, ainda, o pequeno gira-discos das minhas primas. O disco mais tocado, enquanto estiveram connosco, terá sido o álbum Abraxas, de Carlos Santana, nomeadamente, o eterno Samba Pa Ti. Eu gostava de observar o movimento rotativo do enorme disco de vinil, que era maior do que o aparelho que o punha a funcionar, saía pelas bordas. Mas tocava. E ainda hoje, ao som das notas iniciais de Samba Pa Ti, eu me lembro de quando tinha sete anos e a São e a Rosário estavam em nossa casa.
Para que recordes sempre a tua prima muito amiga.
Nunca te esquecerei, São. Ninguém te esquecerá!
![]() | ||
| São * 10/12/1956 + 28/08/2012 |
Por razões que aqui não vêm ao caso, a São e a irmã Rosário passaram vários meses em nossa casa, no longínquo ano letivo de 1972/73. No meu 7º aniversário, tinha-me sido oferecido um diário, mas ainda não sabia o que fazer com ele. A São disse-me que era bom ter um diário, onde podemos escrever tudo aquilo que nos apetece: o bom e o mau; o que nos alegra e o que nos põe triste. E não descansou, enquanto eu não lhe cedi uma página.
Apesar de só começar a escrever as minhas peripécias em 1977, enchi o diário. E, ao encontrá-lo, nestes dias, constatei que ele sobreviveu quatro décadas. A página da São também:
Para que recordes sempre a tua prima muito amiga e todos os momentos alegres que passámos neste ano de 73.
Quando um dia leres este teu diário poderás ler estas palavras e por isso recordar-me sempre!...
Felicidades pela tua vida fora.
São os votos da priminha amiga: São
Gaia - 23-2-73
Também encontrei uma fotografia desses tempos. Da direita para a esquerda, a São (com dezasseis anos), a Rosário (dezoito) e eu (sete).
A São deixa muitas saudades a muita gente, para não falar do marido, dos três filhos (a mais nova tem dezoito anos), dos pais, dos irmãos e dos sobrinhos.
Recordo, ainda, o pequeno gira-discos das minhas primas. O disco mais tocado, enquanto estiveram connosco, terá sido o álbum Abraxas, de Carlos Santana, nomeadamente, o eterno Samba Pa Ti. Eu gostava de observar o movimento rotativo do enorme disco de vinil, que era maior do que o aparelho que o punha a funcionar, saía pelas bordas. Mas tocava. E ainda hoje, ao som das notas iniciais de Samba Pa Ti, eu me lembro de quando tinha sete anos e a São e a Rosário estavam em nossa casa.
Para que recordes sempre a tua prima muito amiga.
Nunca te esquecerei, São. Ninguém te esquecerá!
21 de maio de 2012
Febre de Sábado à Noite
Não se riam. Eu tinha 13 anos e adorava. À falta de um gira-discos em casa, aproveitei umas férias em Andorra, no Verão de 1978, para comprar um gravador de cassetes (naquela altura, esses aparelhos eram mais baratos por lá). E a primeira cassete que adquiri, o primeiro registo de música gravada da minha vida, foi precisamente a banda sonora do Saturday Night Fever.
O filme só o vi anos mais tarde. É muito brutal, nomeadamente, na maneira como os homens viam as mulheres. Mas Saturday Night Fever é mais do que isso: é o retrato dos primeiros tempos das discotecas, o que tem charme. E ainda acho que o Stayin' Alive é uma das melhores canções de todos os tempos, com uma magia muito própria.
Fiquei, por isso, triste, ao ouvir a notícia da morte de Robin Gibb. Dos quatro irmãos, resta o mais velho, Barry. Curioso, como se foram primeiro os mais novos, com o Andy, aquele que nunca pertenceu aos Bee Gees, à frente.
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