Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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22 de fevereiro de 2018

Look At The World

Mais um videoshow do nosso grupo Gospel Lightfire. Desta vez, com a canção Look At The World, de autoria de John Rutter:





14 de fevereiro de 2018

Closer To You

Hoje é Quarta-Feira de Cinzas, mas também Dia dos Namorados, por isso, pensei que um pouco de música vinha mesmo a calhar, principalmente, em se tratando de uma composição que se adequa às duas situações.

O meu marido e eu pertencemos, há cerca de um ano, a um grupo coral Gospel, intitulado Lightfire. No passado mês de Novembro, demos um concerto na igreja de São Cosme, em Stade. Foi feita uma gravação áudio e, a partir dela, eu criei um videoshow para a canção Closer To You, que se pode ver no YouTube.

No original, em espanhol, Acercarme a Ti foi adaptada à língua inglesa por Joakim Arenius e acho-a adequada a este dia por, apesar de ser uma canção religiosa, expressar uma grande paixão, como é comum no Gospel:

To get closer to you
Oh Jesus, you know
That is what I, that's what I want
Because life has no meaning
If I'm alone
If I am lost in this world without you.




10 de janeiro de 2018

O Quarto Mandamento


Honrarás Pai e Mãe.

«E se os pais tratam mal os filhos, humilham-nos, batem-lhes, prendem-nos, obrigam-nos a fazer tarefas indignas? E se eles nunca se dão ao trabalho de compreender os filhos e de lhes ensinar o que quer que seja? E se nunca ligam aos filhos, lhes dão a entender que são merda, que não contam, que só servem para atrapalhar, para os envergonhar? E se os abandonam? E se os molestam sexualmente, ou consentem que alguém o faça? E se passam a vida a rir-se deles e a dizerem-lhes que nunca serão nada na vida? E se os olham com nojo? E se os olham com desprezo? E se lhes incutem sentimentos de culpa e de vergonha por não serem aquilo que eles desejaram? E se os castigam por se atreverem a dizer não? E se os manipulam com falinhas mansas, para que façam apenas o que eles querem, sem lhes darem hipóteses de desenvolverem o seu carácter, a sua vontade, a sua personalidade? E se os desprezam, enquanto tratam outras pessoas com carinho e simpatia? E se, em público, são pessoas agradáveis e, em casa, lhes fazem a vida negra? E se se fartam de elogiar os outros, enquanto não se cansam de pôr defeitos nos filhos?»

In "Tu És a Única Pessoa"

Talvez Deus tivesse obtido melhores resultados se se tivesse dirigido aos pais, em vez de aos filhos. Afinal, aqueles já cá estão antes destes, compete-lhes dar o exemplo.




7 de junho de 2017

O papa Francisco e o bispo de branco



Traduzo, do alemão, o intrigante texto do jornalista Burkhard Jürgens, correspondente em Roma do jornal católico KirchenZeitung e que acompanhou o papa Francisco a Fátima. O texto foi publicado na edição nº 21 daquele jornal, com a data de 28 de Março de 2017:

«O conteúdo dos discursos oficiais do papa nunca são encarados de ânimo leve. Por isso, nós jornalistas ficámos intrigados, quando ele, em Fátima, falou de si próprio como “o bispo vestido de branco”.
Foi uma escolha de palavras eletrizante: tem origem no assustador “terceiro segredo” de Fátima - a tenebrosa imagem de um bispo a ser abatido por soldados. João Paulo II relacionou-o com o atentado por ele sofrido em 1981.
Mas então onde queria chegar o papa Francisco, ao referir-se a isso, na Capela das Aparições? Relativizava a interpretação do seu antecessor? Via-se ele próprio em perigo?
Prosseguindo a oração, Francisco revelou querer “louvar o Senhor para toda a eternidade… rodeado de luz”. Um prenúncio de morte?, perguntou um colega. Estará o papa doente?
No voo de regresso a Roma, quisemos saber: “Santidade, o que queria dizer com o bispo de branco?” A sua resposta espantou-nos: “A oração… isso não foi escrito por mim, foi pelo Santuário. Eu próprio igualmente me perguntei o que queriam eles dizer com aquilo”.
Ainda bem que nós jornalistas não estávamos sozinhos na tentativa de resolver o enigma».

E agora pergunto-me eu sobre o significado de tudo isto. Pelos vistos, Fátima insiste na imagem do “bispo de branco”, mesmo depois de ter sido identificada com João Paulo II. Porquê?

Pelos vistos, nem o próprio papa sabe…

27 de janeiro de 2016

Hábitos religiosos

Faz hoje 709 anos que o bispo de Lisboa Dom João Martins de Soalhães, colaborador de Dom Dinis desde o início do reinado, reuniu um sínodo, procurando a formação do clero paroquial a fim de prestigiar o ministério. Igualmente se procurou promover o matrimónio religioso, erradicar a bigamia e inculcar a prática da confissão anual ao respetivo pároco.

A necessidade de reunir um sínodo, a fim de tratar destes assuntos, é elucidativa em relação a alguns hábitos medievais portugueses, por parte do povo comum, o que vem contradizer a imagem medieval de profundos hábitos religiosos e morais.

Na verdade, o povo estava ainda muito ligado a ritos pagãos. A Igreja tentava, desde o século XI, moralizar os costumes, mas só para o fim da Idade Média as práticas e os sacramentos se começaram a generalizar.


11 de dezembro de 2015

Misericórdia



«Diz-se que esta quadra abre o coração, que nos tornamos mais mansos, conciliatórios, generosos. A misericórdia, porém, não significa esmolas, mas sim empatia, acompanhamento, estar com o coração no outro. Nesta quadra, podemos aprendê-lo e treiná-lo, mas isso só funciona se não andarmos apenas ocupados na caça ao presente, pelos centros comerciais».

Tradução de um apontamento da teóloga alemã Andrea Schwarz num jornal católico


3 de dezembro de 2015

O Espinho de São Paulo

Imagem daqui
"E para que eu não ficasse vaidoso com a grandeza dessas revelações, foi colocado no meu corpo um espinho, um enviado de Satanás que me atormenta continuamente. Isso impede que eu me envaideça. Por três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Mas ele respondeu-me: «Basta que tenhas a minha graça. Pois a minha força manifesta-se melhor nas fraquezas.» Por isso, acho muito melhor orgulhar-me das minha fraquezas, para que a força de Cristo desça sobre mim. Alegro-me, portanto, com as fraquezas, as injúrias, as privações, as perseguições e as angústias que passei por amor de Cristo. Pois quando me sinto fraco, então é que sou forte".
2 Co 12,7-10

Esta passagem da segunda Carta aos Coríntios faz os teólogos pensarem que São Paulo carregaria uma doença que lhe causava muito sofrimento. Ele interpreta-a como um espinho que lhe terá sido colocado no corpo pelo diabo, deixando, porém, em aberto a que tipo de sofrimento, ou de deficiência, estaria sujeito. Teólogos atuais deduzem que seria uma doença crónica que lhe causava dores fortes e talvez fosse o resultado dos perigos decorrentes das suas viagens. Sabe-se que São Paulo esteve várias vezes em risco de naufrágio, que foi chicoteado e apedrejado. Porém, como ele refere ter suplicado várias vezes a Deus que o livrasse de tal espinho, outros teólogos pensam que se poderá ter tratado de um mal psicológico que ciclicamente o atormentava. Também há quem ponha a hipótese da epilepsia, ou simplesmente de uma grande tentação contra a qual ele energicamente lutava.


4 de agosto de 2015

Judas – traidor, ou um simples peão nos planos de Deus?



Judas, por Carl Heinrich Bloch


No seu livro Judas, Amos Oz dá uma nova explicação para o comportamento do apóstolo, através do estudante Schmuel Asch, a personagem principal (link em alemão). Schmuel Asch possui a firme convicção de que Judas tanto amou e acreditou em Jesus, que estava à espera que ele descesse da cruz, provando que, de facto, era Deus. Ao constatar que tal não aconteceu, enforcou-se.

É curioso constatar que em Bad Gandersheim, uma pequena cidade alemã, se pode assistir a uma peça de teatro, da autora holandesa Lot Vekemans, igualmente sobre a interpretação do comportamento de Judas. A peça, que dura hora e meia, consiste num monólogo do próprio Judas. Numa entrevista à KirchenZeitung, Christian Schramm, um estudioso da Bíblia, fala dela.

O teólogo chama a atenção para o facto de que, na Bíblia, há muito poucas informações sobre Judas e rigorosamente nenhuma sobre os motivos que o teriam levado a entregar Jesus. E, na verdade, a entrega foi crucial para que os planos de Deus, anunciados pelo próprio filho, se concretizassem, ou seja, se Judas não o tivesse traído, ele não teria morrido na cruz, salvando a humanidade.

Christian Schramm evidencia a contradição existente na Bíblia: o próprio Cristo anuncia que tem de cumprir o caminho que lhe foi destinado, mas, ao mesmo tempo, condena-se quem o entrega. Talvez por isso, na peça, Judas pergunte aos espetadores: não estão contentes por eu ter feito o que fiz?

Um outro aspeto focado na peça é o político: Judas terá ficado profundamente desiludido, ao constatar que o Messias, afinal, não pretendia resistir aos opressores romanos. A Bíblia não menciona este aspeto, mas Judas parece ter pertencido ao grupo daqueles que estariam dispostos a lutar contra as forças ocupantes. Christian Schramm põe mesmo a hipótese de se terem juntado vários desses apoiantes, muitos deles, armados. Judas terá insistido com o Messias para que agisse. A desilusão teria provocado a traição.

O monólogo de Judas não representa uma defesa dos seus atos, é mais uma tentativa de explicação, porque, afinal, no Evangelho, não temos a sua perspetiva. O seu comportamento é-nos apresentado e comentado por terceiros.


Nota: não sei se o livro de Amos Oz já existe em Portugal. Pesquisando na internet, só encontrei, na Amazon, uma versão «em português do Brasil».