Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

13 de março de 2018

O Crime de Serrazes




«A vida escreve as melhores histórias» - a frase poderia servir de mote a este livro que nos conta um crime ocorrido a 26 de Julho de 1917, na Casa das Quintãs, mais conhecida por Solar dos Malafaias, em Serrazes, concelho de S. Pedro do Sul. Seria difícil engendrar crime mais obsoleto e insólito, um crime que destruiu uma família, não só pela perda de um dos seus membros, mas também pela campanha de difamação que se lhe seguiu, crime perpetrado por ganância e, podíamos dizer, também por mero capricho, motivado por uma psique doente e manipuladora. É um bom exemplo da obscuridade da mente humana.

O livro tem uma parte ficcional e outra factual, o que o torna aliciante, tanto como romance, como objeto de estudo. Até à ocorrência do crime, António Breda Carvalho apresenta-nos a família dos Malafaias e narra-nos acontecimentos ao estilo de romance de época, no seu modo assertivo e literário, ao mesmo tempo (ver também O Fotógrafo da Madeira e Os Azares de Valdemar Sorte Grande).

Também a descrição do crime tem alguns elementos ficcionais, embora menos do que na parte anterior. O livro é, enfim, completado com a transcrição de alguns depoimentos dos criminosos, de atas de audiências e dos dois julgamentos, de notícias da imprensa e de cartas escritas por um dos criminosos. Verifica-se uma campanha de difamação da família dos Malafaias que conseguiu manipular a opinião pública, pondo-a do lado dos assassinos!

Trata-se de uma história fascinante, que podia servir de base para um filme, ou uma série. O livro encontra-se à venda na Amazon, em papel e em formato ebook:



8 de março de 2018

A Nossa Primeira Grande Mulher


D. Teresa, miniatura medieval de manuscrito gótico do mosteiro de Toxosoutos

A desacreditação de Dona Teresa, iniciada durante a sua vida, perdurou muito para além da sua morte, num contexto de tradição oral e de criação de mitos e lendas que se introduziram no imaginário coletivo e que chegaram a prejudicar a própria investigação histórica moderna.
Na verdade, mais do que Dom Henrique, Dona Teresa preparou o caminho que seu filho Afonso haveria de traçar.

Há um ano, a página Lisbon's Heritage do Facebook, publicou um texto com o título: Terá sido Portugal fundado por uma mulher? E referia que entre documentos régios e particulares, com destaques para as cartas de doação ou de escambo existem várias provas de que D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, surge já com o título de rainha num período compreendido entre 1105 e 1126.

Publico algumas das imagens anexas a esse post:


Carta de delimitação de Penacova e Lorvão datada de 1105. 
É visível a diferenciação de tratamento entre D. Henrique de Borgonha (que ostenta o título de conde) e D. Teresa que surge já como rainha.
 Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo: Documentos provenientes do Mosteiro de Lorvão (Coimbra).




 

Referência ao "reinado da infanta D. Teresa de Portucale e Coimbra" numa contenda entre D. Gonçalo Pais, bispo de Coimbra (1109-1127) e Mendo Nunes. 
Documento datado de 26 de Março de 1117.
Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Documentos do Cabido da Sé de Coimbra.




Bula "Fratrum Nostrum" emitida pelo papa Pascoal II em 18 de Junho de 1116. 
É visível a referência a D. Teresa como rainha ("T. Regina") e aos bispos portugueses ("portugalensis eps"). 
Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Documentos do Cabido da Sé de Coimbra.



 

Carta de doação de Vila Cadima datada de 5 de Maio de 1119. 
Vê-se o selo real de D. Teresa (Tarasia) no fim do documento.
Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Documentos do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.



Carta de doação de Souto Seco e Pombeiro datada de Janeiro de 1126. 
No fim do documento observa-se o selo real com os dizeres "Tarasia Regina" (Teresa Rainha). 
Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Gavetas.


Informação confidencial: Diz que as memórias de Dona Teresa serão publicadas este ano...