Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

8 de junho de 2018

Livro da Semana na Rádio Alfa

Na Rádio Alfa, estação portuguesa em França, existe a rubrica O LIVRO DA SEMANA, às quartas (8h30) e aos domingos (14h25), com o apoio da Biblioteca Gulbenkian de Paris.


Foto publicada na página do Portucale Fidelis

Em destaque, esta semana, está o meu livro "Memórias de Dona Teresa". A Rádio Alfa apresenta-o como «um novo romance histórico da escritora portuguesa sobre as últimas semanas da vida da mãe de D.Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal. Uma obra que levanta algumas questões polémicas sobre a Fundação de Portugal. Um livro que destacamos quando se assinala, a 10 de junho, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades».

Agradeço muito este privilégio, sobretudo ao escritor Nuno Gomes Garcia, que me fez a entrevista, já difundida, em versão reduzida, na passada quarta-feira, às 8h30, e cuja versão integral poderá ser ouvida no domingo, às 14h25.



6 de junho de 2018

Na Terra dos Caretos



Em Podence, realiza-se o chamado Entrudo Chocalheiro com os famosos caretos. É um Carnaval português genuíno, que fiquei com muita vontade de festejar, depois de visitar a aldeia e a Casa do Careto, não fosse o frio que ainda faz em Trás-os-Montes, nessa altura. Mas até nisso se vê a genuinidade deste Carnaval, pois a vestimenta dos caretos é bem mais apropriada ao nosso clima de Inverno do que os biquínis fio dental das sambistas.


O melhor momento do Euro-festival realizado em Lisboa, para mim, foi o postal de Mikolas Josef, o representante checo, que de facto festejou o Entrudo Chocalheiro em Podence. Agradeço ao meu amigo do facebook Manuel Moreira, que me forneceu o vídeo.

 
E agora deixo-vos com fotografias da minha visita a Podence, bem pertinho de Macedo de Cavaleiros e da praia fluvial do Azibo, e à Casa do Careto (todas as fotografias são de autoria de Horst Neumann).



















4 de junho de 2018

Campos de Cultivo em Trás-os-Montes


Em plena cidade de Macedo de Cavaleiros, do meu 3º andar, tenho vista para estes campos, que os seus donos cultivam com esmero. Na minha última estadia (Abril/Maio), estes agricultores aproveitaram o bom tempo, que se seguiu a um Inverno muito longo e frio, para prepararem os seus campos. Aqui vão as fotografias das terras lavradas e prontas a serem semeadas. 








2 de junho de 2018

Contos da Emigração (3)


«"Where are you from, man? African?, perguntam-me às vezes, desconfiados. Torcem o nariz quando lhes respondo que sou português. "You look like a nigger.", enfatizam, olhando-me as feições com impaciência. Eu encolho os ombros. Geralmente são cotas, que vivem em casas do council, não trabalham, vêem televisão o dia todo e protestam continuamente contra a escumalha de estrangeiros que vem para aqui roubar o que é deles».

In "Cab driver", Gabriela Ruivo Trindade







31 de maio de 2018

O Moinho à Beira do Floss



Excelente romance da escritora britânica Mary Ann Evans (1819-1880) que usou o pseudónimo masculino George Eliot para que a levassem a sério como romancista. A autora mostra aqui toda a sua classe, contando a história da família Tulliver, no século XIX inglês, e revelando enorme capacidade de se enfiar na pele das suas personagens.

George Eliot mostra, acima de tudo, a diferença gritante entre a educação de um rapaz e de uma rapariga, baseando-se no princípio de que o filho deve obter a melhor formação que os pais lhe podem financiar, ao passo que a filha se deve manter longe dos livros e da sabedoria, coisas que só fazem mal à cabeça de uma menina. Azar para Maggie Tulliver, uma fanática da leitura, enquanto o irmão Tom só enfia o nariz num livro quando é obrigado. A moça cresce numa luta constante entre as suas aspirações e o dever da obediência, não só aos pais, mas também ao irmão, quando este atinge a maioridade. No fim, vence a obrigação, Maggie sujeita-se à vontade dos outros, numa adoração sem limites pelo irmão Tom, que, desde pequeno, é a estrela da família, na qual se depositam todas as esperanças, o que, diga-se, não deixa de ser um enorme fardo.

Não se pense, no entanto, que a autora aponta o dedo aos pais de Maggie e Tom, ou que o seu romance esteja escrito num tom ressabiado. A mestria dela assenta precisamente no apresentar as várias perspetivas e pontos de vista de uma maneira neutra, a fim de que o leitor construa a sua própria opinião. Para mim, esta é a característica mais importante de um bom escritor e é notável que alguém nascido e morrido no século XIX tenha atingido tal maturidade.

O romance, porém, não se resume à disparidade no tratamento e na consideração baseada na diferença de sexo. George Eliot dá-nos um retrato muito completo da vida campestre do Lincolnshire, de classes sociais muito marcadas e onde o snobismo está na ordem do dia, mesmo no seio das famílias. A vida decorre sob a capa das aparências, tudo se faz para manter a ordem, que se sobrepõe a tudo o resto, incluindo os sentimentos.

Na minha opinião, romances como este são essenciais para a compreensão da sociedade em que vivemos.