Tive esta
ideia de escrever sobre o 25 de Abril através dos olhos de uma criança.
Estava eu, na altura, a três meses de completar os nove anos e escuso
de referir o impacto causado na minha vida e na da minha família.

Não sei se A Revolução da Verónica
transmite fielmente os acontecimentos. Afinal, já decorreram cinquenta
anos e é sabido o tempo lançar-nos algumas armadilhas. Costuma dizer-se
que não recordamos aquilo que se passou, mas o que julgamos ter-se
passado. Por isso, a miúda protagonista não leva o meu nome. Porém,
entre memórias, armadilhas e alguma ficção, penso que estas páginas
transmitem a essência das vivências de uma criança e do esforço de
adaptação aos novos tempos, surgidos, literalmente, da noite para o dia.

A Revolução da Verónica
abrange o período entre 1973 e 1975. Não podia faltar o Verão, de
facto, quente, em que completei os dez anos e em que fui, pela primeira
vez, ao Algarve e a Lisboa. Nem tão-pouco podia faltar o "Outono
Quente", do Norte. Afinal, vivíamos paredes meias com o RASP, em Vila
Nova de Gaia. Sei, de facto, o que é estar em casa e ouvir rajadas de
G3, a menos de cinquenta metros de distância, consequência da troca de
galhardetes entre as forças enviadas por Pires Veloso e os SUV,
infiltrados no quartel.

O livro inclui ainda um pequeno conto, A Festa da Revolução,
esse sim, ficção pura. Além de referir o lado folclórico do 25 de
Abril, centra-se nas vivências de uma adolescente da altura e nas
consequências catastróficas, trinta anos mais tarde, geradas no
contraste entre a mentalidade antiga e a mudança repentina.
A Revolução da Verónica
está à venda na Feira do Livro de Lisboa, nos stands C19 e C20
(Dinalivro). Se ficaram curiosos e passarem por lá, talvez até peguem no
livro, a fim de decidirem se o compram, ou não. Declaro-me, desde já,
agradecida por esse simples gesto.

Nota: A Revolução da Verónica está igualmente à venda na livraria UNICEPE, na Praça de Carlos Alberto, no Porto.