Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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20 de outubro de 2016

Boas surpresas


Montalvo e as Ciências do Nosso Tempo foi um dos primeiros blogues que conheci, quando entrei nestas lides, já lá vão mais de seis anos. Não faço ideia de quem seja o autor, que se dá a conhecer apenas pelas iniciais JDACT. Não apresenta qualquer contacto, nem permite comentários aos seus posts.

O blogue é muito interessante, porque se resume à transcrição de excertos de livros. Nota-se uma certa tendência para assuntos históricos, mas também são divulgados outro tipo de livros, ficção e não-ficção.
Descobri agora que JDACT tem vindo, nas últimas semanas, a publicar excertos dos meus livros A Cruz de Esmeraldas e Afonso Henriques - o Homem. Seja quem for, agradeço-lhe muito e deixo aqui o link, para quem estiver interessado.


Só um pequeno aviso: a transcrição do discurso direto é feita sem parágrafos nem travessões, ao contrário do que acontece nestes meus livros, em que esse tipo de discurso surge de maneira tradicional.


10 de novembro de 2015

Os melhores romances

O Projecto Adamastor dedica-se à conversão de clássicos da literatura portuguesa e brasileira para formato digital. Já li, ou reli, clássicos, depois de ter feito o seu download gratuito no referido site (é só irem à minha lista de leituras, que lá os encontram).

Até ao fim do ano, toda a gente pode participar em mais uma iniciativa do Projecto Adamastor, com o título «Os Melhores Romances Escritos em Língua Portuguesa». Será elaborada uma lista dos melhores romances de autores lusófonos baseada na opinião do público em geral.

As regras são as seguintes:

- Podem ser indicados quaisquer romances originalmente escritos em português.
- Não serão considerados títulos de menor extensão, como contos ou novelas, assim como os casos cuja classificação é mais problemática, de que é exemplo O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa.
- Não existe qualquer restrição no que diz respeito ao número de obras por autor, isto é, podem ser indicados múltiplos romances escritos pelo mesmo autor.

Cliquem nesta frase para ler o texto completo de apresentação desta iniciativa.

Quem tem conta Google, pode participar utilizando este formulário, indicando dez romances de autores lusófonos, por ordem de preferência.
Quem não possui conta Google, pode enviar diretamente as suas escolhas para o email geral@projectoadamastor.org, ou partilhá-las na secção de comentários do Projecto Adamastor.

Eu já estou a pensar nas minhas escolhas... ;-)

15 de março de 2015

Lendo os outros

Mais um formidável texto de José Rentes de Carvalho:

«Sem ser o que se chama um bicho-de-buraco, também me não posso considerar medianamente sociável, pois fora possuir uma capacidade limitada para o convívio, a minha paciência suporta mal a maioria das conversas.
Francamente, não me interessa saber o que este e aquele ressentiram ao visitar as Pirâmides, ou qual é agora o preço do capuccino nas esplanadas dos Champs-Elysées. Menos ainda que na praça de São Pedro, com vinte e cinco mil outros, tenham recebido a benção do Santo Padre. Que a sogra tenha sido operado a um quisto no pescoço ou que, devido à escandalosa subida dos preços, já não valha a pena comprar casa de férias na Dordogne.
De visitas são poucas as que gosto, mas os jantares, que sempre me foram um momento agradável do dia, nalgumas ocasiões, e com certos convivas, estão-se-me a transformar em martírio.
Fadiga da idade, impaciência inata, o caso é que as mais das vezes, depois de horas à mesa, não consigo evitar que o meu rosto revele o aborrecimento, que os olhos procurem o vazio, o cérebro se me enevoe e a língua recuse participar na conversa.
Transformo-me num macambúzio anfitrião, o que pelos jeitos não afecta esses hóspedes. Indiferentes ao meu humor, eles continuam a contar do Papa e da Dordogne, e do quisto, e da má qualidade da hortaliça, e do que viram ontem na televisão. Incansáveis, repetem as Pirâmides, o preço do cappucino, recordam a pontada que uma vez lhes deu à saída do teatro, remoem os seus pequeninos interesses. Mostram as botas que, regateando, compraram em Lisboa por dez réis de mel coado. Desfiam com minúcia as razões da queda do índice da Bolsa...
Duas, três, cinco, as horas arrastam-se, a minha cabeça oura, revira-se-me o estômago, falta-me o ar. Sinto-me exausto, derreado pelo contraditório esforço de permanecer cortês e disfarçar a misantropia».


14 de novembro de 2014

Mania de Escritor

Imagem daqui

O título é roubado a um post da editora Maria do Rosário Pedreira e este texto é baseado no meu comentário.

Em primeiro lugar, não sei se sou escritora, se não. Para alguns, serei; para mim, sou (caso contrário não me dava ao trabalho de exercer uma atividade que monetariamente não compensa); para outros, ando a armar-me em.

Enquanto escrevo, sempre no computador, a minha única mania é... anular manias. Nada de café, bolos, chocolates, álcool, cigarros (deixei de fumar há cerca de vinte anos, uma das melhores decisões da minha vida). No máximo, tenho um copo de água a meu lado. A utilidade disto tudo? Não alimentar vícios que são extremamente difíceis de erradicar. E sou de opinião de que, quando se come, ou se bebe, não se deve fazer outra coisa ao mesmo tempo (talvez apenas conversar) para melhor apreciarmos aquilo que engolimos.

Às vezes, esqueço-me de comer durante quatro ou cinco horas.

Disciplinada? Sou! Deve ser por isso que me dei bem na Alemanha, desde o primeiro dia. Mas há quem diga que a disciplina é essencial ao escritor...


P.S. Estou a rever o romance sobre D. Dinis (já não pegava nele há mais de três anos) e estou a adorar! Em breve, porei algumas páginas à disposição para download.


5 de novembro de 2014

Vale a pena ler (2)

Vale a pena ler o texto da Sara dos Desabafos Agridoces sobre aquela polémica de um tribunal de Nova Iorque ter de decidir se os chimpanzés devem ser considerados pessoas legais.


Alguns excertos:

Fiquei a pensar nisto e com franqueza parece-me muito ridículo. Não pelos motivos óbvios - símios serem considerados pessoas, o horror! Mas pelo simples facto de se perder tempo a discutir se um ser vivo deve ter ou não direito à liberdade...

Há pouco tempo li um livro do Eça, um conjunto de crónicas que ele escreveu em Londres, e dizia numa delas com o seu sarcasmo habitual que nos achamos no direito de escravizar outros povos só porque eles não sabem construir pianos ou escrever óperas cómicas.

A um nível mais vasto o ser humano acha-se superior às demais formas de vida no planeta e por isso usa e abusa dos recursos. Ficamos reconfortados ao pensar que os animais não têm sentimentos ou raciocínio complexo (...) Estar um tribunal a decidir se os animais devem ou não ser libertados, não passa de mais uma prova em como nos consideramos superiores a tudo o resto. Claro que ganharíamos mais se vivêssemos em comunhão com outros seres vivos, animais e plantas, mas...O mais perigoso é talvez aquela ideia: são apenas quatro macacos - é apenas um cão, apenas uma mulher numa terrinha, apenas uma escola, apenas um milhão de pessoas.



19 de outubro de 2014

Vale a pena ler (1)

Inicio hoje uma rubrica em que transcrevo posts de outros blogues que me tocaram particularmente. A inaugurá-la, um texto de Céu Mota n' A Voz da Girafa, com o título O Nome:

 
Digam-se os nomes. O nome dela e o nome dele!
Diga-se Afonso Reis Cabral, o jovem de 24 anos que ganhou o Prémio Leya 2014 com o romance O Meu Irmão. A história é entre dois irmãos... um deles com síndrome de Down... Não se fiquem pela designação «trineto de Eça». Ele é Afonso, já um escritor por mérito. Sim, descendente do autor de Os Maias, mas que isso não lhe pese demais...
Digam, descubram, perguntem pelo nome da menina de 13 anos que amava os irmãos. Tanto, que deu a vida pelos quatro, não apenas um, mas 4 ( o mais novo que salvou tinha 3 anos)!! Subiu e desceu escadas para e do 2º andar para resgatar todos. Da última vez que desceste já te trouxeram no colo... 
(«A minha filha tem 12» - pensei). 
Tinhas, menina, um pesado fardo às costas, uma enorme responsabilidade: levavas os teus irmãos à escola e tratavas deles. Bem, muito bem. Salvaste-lhes a vida.
Onde estavam os teus pais," menina lindíssima"? Os teus pais não te mereciam (desculpa-me o desabafo).
Parabéns ao Afonso (para escrever também é preciso muita coragem). 
Parabéns menina!! Não sei o teu nome, não nos dizem, mas é uma heroína real! Gostava muito de te ter conhecido. Fica bem.
 
 

6 de julho de 2014

Opinião de Manuel Cardoso

Reproduzo a opinião de Manuel Cardoso sobre Os Segredos de Jacinta, publicada no Dos Meus Livros:


Tal como nas suas obras anteriores, também neste livro, Cristina Torrão leva-nos pela mão a um passeio pelo Portugal Medieval com todos os seus encantos e terrores. Mais do que a conturbada situação política e militar da época, está em cena o enquadramento mental, social e moral desse período, salpicado por descrições objetivas e agradáveis dos usos e costumes da época.
Não se pense, no entanto, que este é um livro apenas sobre o século XII; o que está em causa é muito mais que a formação de Portugal; é a formação da mentalidade portuguesa, com todos os vícios e qualidades com que hoje nos identificamos: a bondade natural do nosso povo, uma certa ingenuidade que tanto conduz à solidariedade como à fácil assunção de comportamentos e atitudes ditadas pela pressão social dos grupos privilegiados; em suma, é a construção do nosso quadro mental que está em jogo neste livro.
Os usos e costumes da época são precisamente apresentados como testemunho deste quadro mental. Por exemplo, as festas populares são momentos de profunda religiosidade, de humilde submissão aos ditames da santa madre igreja, ao mesmo tempo que são ocasião para as mais profanas diversões, onde tudo funciona como uma catarse social face ao rígido quadro de valores imposto pela moral cristã que mais não é que uma forma de submissão do povo aos ditames do poder. A festa religiosa tal como nos é descrita neste livro assume portanto um caráter ambivalente onde a religiosidade tem o seu contraponto na extroversão de atitudes mentais reprimidas.
Ao contrário do que acontece nos livros anteriores da autora, o acento tónico é colocado no povo, enquadrado numa sociedade de ordens fortemente estratificada. No topo da pirâmide, o alto clero, que rodeia o poder político e o condiciona. Ao lado desta elite eclesiástica, os fidalgos, a nobreza terratenente que nasceu da elite guerreira constituída pelos líderes dos exércitos cristãos, compensados, também eles, pelo poder político pela doação de terras. Por outro lado, o povo é constituído por uma maioria de pobres vivendo do trabalho agrícola nas terras dos “filhos de algo”, os nobres, e por uma minoria de pequenos proprietários como Ataúlfo, o pai de Jacinta.
A rigidez desta sociedade, bem como o conservadorismo extremo que a sua manutenção implicava, conduz a maioria da população a um estado de miséria social e, por outro lado, à manutenção de um quadro mental fundado sobre a ignorância e o preconceito. Portanto, a vida conturbada de Jacinta, o esmagamento da sua personalidade enquanto mulher e ser humano tem muito menos a ver com as precárias condições de vida do que com esse quadro mental de obscurantismo e preconceito, funcionando como verdadeiros alicerces de um quadro social que se pretende cimentar.
Um dos temas fundamentais do livro é constituído pela abordagem da condição feminina, num mundo em que o masculino é preponderante a vários níveis. Mas o papel da mulher na sociedade medieval não é apenas secundário; ela é frequentemente associada às forças demoníacas, por via do pecado de Eva que constitui um estigma para toda a condição feminina. O próprio aborto provocado é de certa forma justificado porque o pecado mortal estava já cometido e o inferno era o destino incontornável. Dessa forma o aborto apenas confirmava o triunfo de Lúcifer. Esta associação de ideias entre a mulher e o diabo justifica também uma outra prática cujo papel é fulcral no mundo medieval – a bruxaria. O papel da bruxa é ambivalente: por um lado ela é o protótipo da mulher pecadora, condenada e amaldiçoada. Por outro ela é a salvadora; aquela que tem poder para expulsar o próprio demónio. 
No entanto, há estratégias de superação deste bloqueio mental; e Jacinta procurar-as desesperadamente. Segundo a bruxa, as únicas mulheres que conseguem escapar a esta pressão social eram as monjas e as próprias bruxas, precisamente aquelas que optavam de forma voluntária pela solidão. A solidão voluntária é uma via de libertação.
Na verdade, o tema da bruxaria é um dos mais complexos na historiografia medieval – se, por um lado, é reconhecido à bruxa o poder de afastar o próprio diabo, por outro, elas próprias são associadas ao demónio, sendo perseguidas e condenadas por isso.
A autoexclusão social é, portanto, uma forma de escapar a todas aquelas constrições sociais. O mosteiro surge aqui como um espaço de liberdade mas também de tolerância; só aí Jacinta encontra a paz interior porque só aí lhe é permitida uma identidade, uma autonomia enquanto ser humano livre e pensante. A própria oração é encarada por Jacinta como um momento de escape e de reencontro consigo própria; como se o verdadeiro Deus existisse dentro dela, no seu espírito e não como um ente superior e castigador.
É genial a forma como a autora estabelece um paralelismo entre Joana, a irmã monja de Jacinta e a soldadeira moura Zaida: duas personagens só aparentemente opostas, uma freira e uma prostituta, duas mulheres livres que conseguiram levar a paz ao coração de Jacinta.
Mas o preço da independência pessoal é sempre elevado: Joana, Zaida e a bruxa conseguiram essa rara autonomia, essa paz interior, mas tiveram de prescindir de algo: Joana prescindira dos sentimentos; a bruxa da sua identidade social e Zaida prescindira do próprio corpo. Para ser livre é preciso abdicar de algo. Na verdade, se o mundo humano, com as suas contradições e injustiças é uma ameaça permanente à paz de espírito, o amor não o é menos, apresentando-se como uma fonte de tormentos e de conflitos interiores. Mesmo que disfarçado de idílio e sonho, o Amor é uma vigorosa e trágica fonte de sofrimento e de dependência.
O talento literário de Cristina Torrão radica no seu estilo objetivo, cinematográfico, como já o adjetivei a propósito de obras anteriores, mas não é só isso. Há nas suas obras um humanismo notável, uma sensibilidade apurada mas também uma dimensão de análise psicológica profunda, uma capacidade de entrar na mente das personagens, a fazer lembrar grandes mestres neste domínio como Dostoievski ou James Joyce.


10 de abril de 2014

Setembro

É o mês da mudança.
Lânguido como o horizonte, que se toldava de cores e sons novos, embebedando-me com compotas e vindimas.
Setembro era o mês da roupa nova e das botas compradas em Viseu.
Da caça e das feiras francas, o mês para mudar de namorada.
E um dia, sem dar por isso, comecei a escrever.
Uma das poucas paixões que conservo e alimento.
Em Setembro saboreei a primeira praia e, pouco depois, a tropa raptou-me à adolescência.
Casei-me e divorciei-me.
De tudo, e sempre em Setembro.
Se me fosse dada a hipótese de escolha, acho que Setembro deve ser um bom mês para se morrer.


Jorge Fallorca

Não foi em Setembro, foi em Abril, há dias. O seu blogue, O Cheiro dos Livros, foi um dos primeiros que segui. Gostei deste texto e copiei, dei agora com ele na minha lista de rascunhos. Aqui fica, como homenagem.




28 de novembro de 2013

O Intendente e os Patos-Bravos - uma carta de Abraão Forjaz

Abraão Forjaz é alguém que, de vez em quando, aparece no blogue do Manuel Cardoso. No Verão passado, foi publicada uma carta descoberta do seu espólio, dirigida ao seu amigo Visconde da Ribeira Seca, e que dá conta da situação do Reyno - qualquer semelhança com a atual será pura coincidência...

Meu caro Visconde, muita água tem corrido por baixo da ponte desde que o enviaram aí para o Brasil, como inspetor dos negócios de Pau Brasil.
Como sabe, há muito que Sua Majestade se demitiu da governaçom do Reyno, (como se escrevia antes do acordo ortográfico) deixando todo o poder nas mãos do nosso santo e sábio Intendente. Dizem que vai por aí uma crise dos diabos, mas o certo é que temos herói na coisa pública. Dizem que há por aí gente a passar fome de cão mas todos os dias o nosso Intendente aparece nos noticiários, distribuindo sorrisos e estórias de embalar.
Os patos bravos seguem-no para todo o lado; são como moscas.
Alguns dizem que o Intendente é um homem do povo; que subiu a pulso. Dizem ainda que é um homem sensível, dedicado à sua missão, sábio, desinteressado… enfim, meu caro visconde, só falta que o coloquem em cima de um andor e lhe façam uma procissão.
Pois, e não será isso verdade? perguntará o amigo Visconde.
De todo, como diria a tia do Estoril. De todo. O homem é um nabo, para ser direto. O que acontece é que anda na moda, que é como quem diz, cultiva a imagem. Veste bons fatos e penteia-se bem, dirá o Visconde. Olhe que não, olhe que não, responderia o Cunhal que Deus tem. O pior é que a imagem a que me refiro não é bem isso; é a arte global de convencer os patos bravos a segui-lo até pertinho da falésia; até que ele, em pessoa, surja em cima da dita cuja falésia, como um Cristo-Rei (ou Corcovado como aí se diz) glorioso e triunfal, enquanto os patos bravos, embalados por ele, não conseguirão travar e se esbardalharão por completo falésia abaixo.
Então e a lei? Perguntará o amigo Visconde. A lei, meu caro, tem sido o maior motivo de divertimento. O nosso Intendente, no alto da sua sapiência inventou um expediente infalível: sempre que lhe dizem que a lei não permite isto ou aquilo, faz beicinho, arrota a bafio, deixa correr o ranho pelo nariz afora e, comovidos, os patos bravos oferecem-se em sacrifício no altar da Pátria. 


31 de julho de 2013

Letras Portuguesas

Este é o título de uma das rubricas do blogue Ler é Viver. E, no passado sábado, a sua autora, escolheu-me para figurar lá. O meu muito obrigada à Clarinda!

Interessante é, também, a rubrica eu já vi, em que a Clarinda compara capas de livros idênticas. Mas o blogue tem outros pontos de interesse e vale bem uma visita.


2 de abril de 2013

Solução da charada do dia das mentiras

Eram duas mentiras numa só (ver post anterior).

A primeira era mais fácil de adivinhar. O senhor de "cabelo grisalho, quase branco e parecido com o do George Clooney, o nariz esticado como o do Pinóquio" e que "fala de um jeito quase hipnótico que nem o Luther King" não é o meu herói (Ooooooooh).

A segunda já era mais difícil, pois atrevi-me a publicar o texto, sem referenciar que não é de minha autoria. A mulher que tanto suspira pelo homem que tem nome de filósofo e craque de futebol chama-se Rosalina e é advogada. Mas também não é ela a autora das palavras (afinal, eram três mentiras) e, sim, o escritor Vasco Ricardo, que vem publicando as Crónicas de um Portugal demasiado português, em parceria com o Destante Blog.

1 de abril de 2013

Mentira dois em um

Hoje sinto-me inspirada.
Ontem à noite assisti a uma entrevista de um dos meus maiores ídolos. Tinha saudades dele, pois não lhe punha a vista em cima há dois anos. Admiro-o pela forma como me cativa. Foi primeiro-ministro de Portugal durante alguns anos, mas, quando o seu mandato foi quebrado, infelizmente partiu. Mas agora voltou. Viva ele!
Ora, o meu herói tem o cabelo grisalho, quase branco e parecido com o do George Clooney, o nariz esticado como o do Pinóquio, um sorriso que espelha confiança da mesma forma que o de um monárquico português cujo nome não me recordo e fala de um jeito quase hipnótico que nem o Luther King. Senti-me preenchida quando o escutei a disparar em todas as direcções e a refutar as acusações que sobre ele lançaram nos últimos tempos. E mesmo assim, deu a cara. Mal abriu a boca, todas as partículas do meu ser vibraram.
Que homem!
Para além disso, tem um nome impactante, de estrela. Até nisso ele caiu em graça, porque quando o pronuncio recordo-me do grande filósofo e do craque de futebol, mas também do pincher da minha vizinha, que é uma fofura de animal.
É isso que almejo, ser como ele, ter a sua atitude, iludir tanto os outros que eu mesma acabo por acreditar. E é dessa forma que encaro os meus adversários assim que entro numa sala de um tribunal: por mais culpado que pareça o meu cliente, faço dele uma espécie de santo.
Por isso hoje me sinto assim. Pois sei que o D. Sebastião voltou.



Nota: A publicação deste texto implica duas mentiras. Têm alguma ideia? Amanhã, publicarei a solução.

22 de agosto de 2012

"They had no choice"

Fiquei comovida ao tomar conhecimento, através da Teresa, do Animals in War Memorial, um monumento dedicado aos animais que pereceram ao serviço do exército britânico ao longo da História, concebido pelo escultor inglês David Backhouse e inaugurado em Londres em 2004, em Brook Gate, junto ao Hyde Park.



«This monument is dedicated to all the animals
that served and died alongside British and allied forces
in wars and campaigns throughout time»


«They had no choice»



Está na hora de deixarmos de ser egoístas, de fazer de conta que somos os donos do planeta. E, se usarmos animais para atingir os nossos objetivos, pelo menos, reconheçamo-lo e agradeçamos-lhes!


18 de junho de 2012

A viagem mais difícil

Transporto-me por segundos aos lugares que descreves, maravilho-me contigo. A espaços, porém, a atenção descola. Pergunto-me porque razão falarás tanto de aventuras, viagens, cinema, música, mas do que no íntimo pensas e sentes nada contas.

6 de abril de 2012

À espera da vida

 Mais um lindo pedaço de prosa de J. Rentes de Carvalho

"Pouco a pouco foi descobrindo que a vida, a sua vida, é uma longa espera. Tempo infindo esperou os namoros que não teve, os amantes que a arrebatariam de paixão, os beijos que não deu nem recebeu. Esperou as horas loucas que tantos vivem, e depois longamente contam, indiferentes à melancolia de quem os ouve.
Uma manhã deu-se conta de que esperava menos. A falar verdade teve o sentimento de que deixara de esperar, e estranhou, sentiu-se vazia, desorientada, como se tivesse perdido um hábito ou lhe faltasse um arrimo.
(...)
Aos pais, à irmã, e a duas pessoas por quem tinha amizade, escreveu a mesma carta, falando da sua desilusão e da tristeza de não ter compreendido a vida. Tinha trinta e dois anos. Foi  ontem o enterro."

1 de abril de 2012

Encontro Livreiro

Pedro Vieira

No passado dia 25 de Março, na livraria Culsete, em Setúbal, teve lugar o III Encontro Livreiro, com a presença de vários escritores e outras personalidades do mundo editorial. Soube, em cima da hora, que quem não pudesse lá estar, poderia enviar uma mensagem por email, subordinada ao tema do Encontro: Esperança no Futuro da Leitura, do Livro e da Livraria.

O blogue da livraria Culsete tem vindo a publicar as mensagens enviadas e intitularam a minha com uma das frases: «Eu tenho muita esperança no futuro da leitura e do livro, penso que nunca se parará de ler». Chamei, no entanto, a atenção para a mudança que se está a verificar, que, na minha opinião, modificará o conceito de livraria. Quem quiser ler a mensagem, só terá de seguir o link.

26 de fevereiro de 2012

Respeito pela Vida

Deixo-vos com as bonitas palavras da Ana Domingos, prestes a tornar-se veterinária:

Somos apenas mais uma espécie no meio de milhões, um ser vivo com determinadas características rodeado por um infinito de outros seres com um outro infinito de características distintas. Todas são especiais à sua maneira, todas têm o seu papel a desempenhar neste complexo ecossistema chamado Terra. E não podemos, de forma alguma, esquecermo-nos disto. Devemos sentirmo-nos humildes perante a vida que nos rodeia, pois a verdade é que não fazemos a mínima ideia das capacidades extraordinárias que essa vida detém. Quem nos garante que a existência daquela espécie que tratamos como se fosse nada não foi essencial para que a nossa própria espécie pudesse ter surgido? Nós, que procuramos tão avidamente distanciarmo-nos das outras espécies que vemos como inferiores, dispensáveis e que podemos destruir a nosso belo prazer, somos tão semelhantes a elas que nem imaginamos o quanto. Afirmamos que não somos animais, somos pessoas. Afirmamos que não temos nada a ver com o porco que esventramos num matadouro. Afinal somos pessoas, não porcos. Como nos enganamos! O sangue que corre nas veias de um porco, de uma vaca, de um leão, de um cão, de uma gaivota, de um golfinho é o mesmo. Só muda o aspecto do recipiente onde este corre. A vida deve ser respeitada, independentemente do aspecto que adoptou. Afinal, um corpo coberto de penas não é mais desprovido de vida que um coberto de pelos. E certamente que um humilde e discreto veado não tem menos vida que um arrogante e egocêntrico humano.