Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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25 de fevereiro de 2017

Bruxas e Caretos



Tenho pena que o Carnaval tradicional português, também conhecido por Entrudo, com características específicas de cada região, se esteja a perder em nome da importação brasileira. Não critico que existam escolas de samba em Portugal, o samba é uma dança belíssima, além de ótimo exercício físico, mas festejar um Carnaval abrasileirado, com dançarinas a tiritar de frio, parece-me fora de contexto.


 

Em certas zonas, porém, continua a manter-se a tradição, como no nordeste transmontano, nomeadamente no concelho de Macedo de Cavaleiros, com os Caretos de Podence. São figuras curiosas, que me abrem o apetite para um livro publicado recentemente sob a chancela da Poética Edições e de autoria de Luís Filipe Costa.




Não sei até que ponto o autor explica a origem dos Caretos, mas gostaria muito de saber se há alguma ligação com as bruxas Allersberger Flecklashexen, figuras do Carnaval bávaro, que surpreendentemente me fazem lembrar as do nordeste transmontano. Desde as máscaras, à vestimenta e aos guizos que tilintam com os movimentos, em tudo são semelhantes aos “nossos” Caretos (que utilizam aliás chocalhos).




Penso que seria interessante ir ao fundo da questão, averiguar se realmente há uma origem comum, quiçá celta, mas nem sei se tal pesquisa será possível. Quem sabe, algum dia arranjo tempo…

Deixo-vos com imagens de um espetáculo carnavalesco da Baviera, bem diferente daquilo que consideramos Carnaval, mas, pelo menos, genuíno:





6 de janeiro de 2014

Os alemães e os foguetes


Os alemães são vistos como um povo ordeiro e disciplinado, mas não há regra sem exceção. O exemplo mais flagrante é o de Mallorca, local de férias para milhões de alemães. A própria comunidade alemã, nesta ilha espanhola, é enorme e organizam-se festas e orgias, em que se embebedam até à inconsciência. Outra exceção é a noite de Ano Novo, em que o alemão mais pacato se transforma num verdadeiro piromaníaco!

Enfim, sejamos coerentes: um bom fogo de artifício pertence a um reveillon que se preze. Mas o que se passa na Alemanha, nessa noite, supera todas as expectativas. Gastam-se cerca de cento e cinquenta milhões de euros (repito: cento e cinquenta milhões!) em foguetes, rojões e quejandos. Note-se que o lançamento de fogo de artifício não se encontra nas mãos das autarquias ou de empresas que organizam reveillons. Qualquer cidadão é autorizado a adquirir material pirotécnico, em qualquer supermercado.

Estabelece-se um dia para o início da venda, este ano foi no sábado, 28 de dezembro. Não será necessário dizer que a maior parte das pessoas se sentem incapazes de esperar pela meia-noite do dia 31. Durante três ou quatro dias, as explosões, os petardos e o assobio dos foguetes passam a fazer parte do quotidiano e sair à rua pode tornar-se num sobressalto. Os estrondos vão aumentando de intensidade, até culminarem numa verdadeira orgia, na noite de passagem de ano. E, a 1 de janeiro, as ruas das cidades e das localidades alemãs têm o aspeto da imagem seguinte:




Enfim, cada um tem o direito de se divertir como quiser. Mas toda esta euforia tem o seu preço. E não estou apenas a falar dos milhões de euros que chegariam para deixar os reformados e pensionistas portugueses em paz. Verificam-se sempre acidentes e incêndios, por vezes, até mortes. Por isso, muita gente é contra este hábito e há proibições, como não se poder usar o fogo de artifício em certos locais. Mas não são respeitadas. Além de não haver pessoal suficiente na Polícia para vigiar todas as infrações, nesta noite, há muita tolerância (a tal conversa das tradições).

Embora o meu marido e eu nos recusemos a gastar um cêntimo que seja neste tipo de material, o barulho não nos incomoda. O mesmo já não se pode dizer da nossa cadela. Cães e gatos, em geral, entram em verdadeiro stress, que vai do ligeiro medo ao pânico total. Também outros animais, inclusive nos zoos, têm problemas. Li, por exemplo, sobre espécies de pássaros tropicais, no zoo de Hamburgo, que são metidos em salas à prova de som, pois entram num pânico tal, que chegam a morrer de ataque cardíaco. Para outros, acendem-se todas as luzes e holofotes do zoo, a fim de que não se assustem com os clarões dos foguetes.

No início, a Lucy ficava mais ou menos calma, mas tem vindo a piorar com a idade. E nós assustamo-nos, quando a vemos a tremer e a arfar horas e horas seguidas, sem comer, nem sequer fazer as necessidades (passa um dia inteiro assim). Como completou dez anos no Outono (o que, para um cão, já começa a ser uma idade respeitável), resolvemos, este ano, poupá-la ao stress. Foi essa a razão que nos levou à ilha Föhr, já que se dizia que nas ilhas do Mar do Norte há apenas uma sessão de fogo de artifício, oficial, na maior localidade, à meia-noite.

Constatámos que não é bem assim. Mas foi, de qualquer maneira, muito mais sossegado do que no continente. Conto mais pormenores num próximo post.


6 de janeiro de 2012

O Mar

Cresci com o mar à beira dos olhos. Nunca vivi sem ele. Faz-me falta como ar - são palavras de Pedro Rolo Duarte, que me recordaram a falta que o mar me fazia, nos meus primeiros tempos na Alemanha.

Na verdade, até sou uma privilegiada, estou a cerca de 90 km da foz do rio Elba, que desagua no Mar do Norte, numa cidade chamada Cuxhaven. É lá que os navios entram nesse rio, a fim de atingirem o famoso porto de Hamburgo.

Estava cá há cerca de meio ano, quando disse ao meu marido que tínhamos de lá ir, pois, apesar de ainda ser Inverno, eu queria ver praia: a areia e o mar.
Lá chegados, a expectativa era grande, ao estacionarmos o carro. A praia não se avista da estrada, é preciso subir a a um dique, em certos sítios até existem escadinhas. Subi-as ansiosa, mas, chegada ao cimo... a desilusão! Vi areia, mas não vi mar nenhum!!!
"Isto é que é a praia?" perguntei. "Onde está o mar?"
"Bem", respondeu o meu marido, "é maré baixa."
"E depois?"
"O mar recua vários quilómetros, deixa de se ver."
Uma destas!
Fomos consultar a tabela das marés e constatámos que demorava algumas horas a vir o mar. Tivemos de ir embora, sem o ver., o que, na altura, muito me desiludiu.

Entretanto, já lá fui mais vezes e vi o Mar do Norte, até já banhei nele. Claro que não se compara ao Atlântico, só se formam ondas quando há tempestades, isto é, Outono/Inverno. Mas esta coisa de haver uma grande diferença entre a maré alta e a baixa tem as suas vantagens.

Aqui, uma fotografia, numa altura em que a água começa a desaparecer:


Permite-nos ir até bem longe da praia. No sítio onde tirámos esta, a água dava-nos apenas pelos tornozelos:



Aqui, um aspecto da praia, que, em vez de barracas, tem estes bancos protegidos por uma espécie de concha, chamam-se Strandkorb ("cesto" de praia):



A água desaparece por completo, permitindo organizar passeios e excursões no sítio onde, pouco tempo antes, se podia nadar. Ao largo de Cuxhaven, há uma ilha, a cerca de 11 km da costa, que se pode atingir a pé, ou nestas carroças castiças, puxadas por cavalos:




31 de dezembro de 2011

Costumes Curiosos (2)

Vamos então ao fenómeno Dinner for One!


Dinner for One, também conhecido por The 90th Birthday, é um sketch de comédia britânico, com cerca de 15 minutos de duração, escrito para o teatro nos idos anos 1920. Em 1963, a NDR, estação televisiva alemã, gravou uma representação que se tornou na peça televisiva mais repetida de todos os tempos (registada como tal no Guinness Book of Records, 1988-1995; as edições posteriores não contemplam esta categoria).

E agora eu digo-vos como foi atingido este recorde: os alemães deliram tanto com esta peça (um fenómeno difícil de explicar, pois aqui não se aprecia muito aquilo que vem das ilhas Britânicas), que ela é repetida, desde 1963, todos os anos, na véspera de Ano Novo! E isto não só num canal televisivo, mas em vários! Milhões de alemães vêem o sketch ano após ano e desfazem-se em riso, mesmo aqueles que não percebem patavina de inglês. E isto constitui o próximo fenómeno, pois a transmissão alemã não tem legendas, nem é dobrada!

Trata-se de uma senhora que, no seu aniversário, convida sempre quatro amigos muito especiais. No dia do seu 90º aniversário, porém, já nenhum deles está vivo. A senhora recusa-se a aceitar esse facto e o seu mordomo, também ele já velho, põe a mesa como habitualmente e serve o jantar, constituído por quatro pratos. O homem vê-se obrigado a representar o papel dos quatro convidados e a brindar, por cada um deles, entre o servir de cada prato. Apanha uma grande bebedeira e o cómico do sketch está precisamente no facto de ele servir à mesa, cada vez mais borracho.

A peça tem piada, mas não sei porque é que os alemães a vêem, todos os 31 de Dezembro, há quase 50 anos!

Para quem estiver interessado, pode ver o sketch aqui. Embora acuse o pó dos anos, é divertido. Escolhi uma versão com legendas francesas, porque a alemã (sem legendas) tem um apresentador que, no início, fala cerca de três minutos.

29 de dezembro de 2011

Costumes curiosos (1)

Os alemães são vistos com muita desconfiança por terem provocado duas guerras mundiais no mesmo século, muita gente se pergunta que tipo de povo é este. Depois de quase 20 anos na Alemanha, não vejo grandes diferenças, no geral. Há gente de que gosto, há gente que me irrita, há simpatias, há hipocrisias, etc. Mas é claro que há muitas diferenças, em relação a Portugal. Este post da Rita fez-me lembrar uma característica alemã curiosa: o costume de ver, repetidos até à exaustão, certos filmes e/ou programas de televisão e surpreender-se, ou rir-se, de todas as vezes como da primeira! Isto é tanto mais estranho, porquanto se trata de películas sem qualidade, algumas delas mesmo imbecis.

Começo pelos filmes da dupla Bud Spencer/Terence Hill. Não sei se se lembram do cow-boy Trinitá, ou dos Dois Missionários. Pois! Estes eram os únicos filmes que eu conhecia da dupla italiana (que já me aborreciam quando eu tinha 12 ou 13 anos). Mas isso era antes de vir para a Alemanha. Há muitas mais destas "obras de arte", cada uma mais imbecil do que a outra. São constantemente repetidas por alguns canais alemães, a ponto de representar excepção passar mais de meio ano sem isso acontecer!
Ao fim de 20 anos, uma pessoa acaba por tomar mais ou menos contacto com os filmes e houve um que me chamou a atenção. O título original é Non c’è due senza quattro, rodado no Rio de Janeiro, nos anos 80, e conta com a participação de actores de telenovelas que eu conhecia, dessa altura.


Resta dizer que Bud Spencer publicou, há meses, uma auto-biografia e conquistou os tops de vendas de livros cá do burgo!

Outro costume deste género tem por objecto os filmes de Louis de Funès, esse francês colérico, que dá pulinhos como um coelho a pilhas e se desfaz em esgares imbecis. Na verdade, ele teve algumas actuações de mérito e é muito considerado em França, mas a maior parte das películas são mesmo para atrasados mentais, especialmente, as do Gendarme de St. Tropez.


Os alemães adoram os filmes de Louis de Funès e - socorro gente - há dezenas deles! Cada um já mostrado pela milionésima vez, claro!

Um outro exemplo é uma trilogia, aqui considerada como um "clássico do cinema" (mas só mesmo aqui). Data dos fins dos anos 50/princípios de 60 e trata-se de um western de produção europeia, rodado em terras jugoslavas (já isto chega para nos pôr o estômago às voltas). A personagem principal é um índio, chamado Winnetou, que trava amizades fraternas com "brancos", que têm nomes sugestivos como Old Surehand, ou Old Shatterhand. Esta trilogia põe esta nação de trabalhadores disciplinados e, normalmente, nada dados a pieguices, a chorar baba e ranho! E, sim, no passado 24 de Dezembro, houve um canal que transmitiu a trilogia completa, de enfiada!


Os filmes são baseados na obra de Karl May, um autor alemão do século XIX, que escreveu inúmeros livros de aventuras.
Nos meus primeiros tempos neste país, numa reunião de família (sogros, cunhados, sobrinhos), começaram todos a falar de Winnetou. Ele era Winnetou para aqui, Winnetou para acolá... Decidi-me a perguntar: "Mas, quem é Winnetou?" Todos me olharam como se eu viesse de outro planeta!

Enfim, um outro caso digno de estudo tem a ver com um antigo sktech britânico, intitulado Dinner For One, este sim, com a sua piada. Mas merece um post exclusivo, até porque se aproxima a data em que ele será mostrado pela, sei lá, trilionésima vez!

20 de abril de 2011

Voyeurismo

Através da Vespinha, cheguei ao trabalho do fotógrafo Michael Wolf. E a sua série de fotos Transparent City, embora composta de fotografias tiradas em Chicago, lembrou-me certas vivências nos meus primeiros anos na Alemanha.







Morava em Hamburgo e dava aulas de Português em escolas de línguas. No Inverno,  já era escuro quando regressava a casa, de autocarro (aliás, escurece aqui mais cedo do que em Portugal). A viagem demorava uns vinte minutos e passava por bairros habitacionais. Diga-se de passagem que os prédios não são muito altos, Hamburgo não é uma cidade de arranha-céus.

Era interessante constatar que os alemães, principalmente nas grandes cidades, são muito liberais e simples, quanto à decoração das suas janelas: quase nenhumas têm persianas, grande parte delas, nem sequer cortinas. Se as luzes estavam acesas, via-se o interior das casas. Os autocarros andam devagar e têm paragens a cumprir. Eu via-me com tempo para olhar para aqueles compartimentos. Sentia-me muito voyeurista, mas, por outro lado, se as pessoas não se dão ao trabalho de esconder o interior das casas...



 

 




 O certo é que a consciência não me pesava muito. Ao fim de um certo tempo, percebi porquê. Dei conta  que o que mais me interessava não eram as pessoas que estavam lá dentro e o que estavam a fazer e, sim, a decoração: os móveis, os candeeiros, os sofás, as cores etc. Muitos livros, poucos livros; paredes cheias de quadros, paredes nuas; candeeiros e móveis pomposos, decorações simples; plantas grandes, plantas pequenas, sem plantas; secretárias cheias de papéis e livros, secretárias arrumadas; decoração antiga, decoração moderna...

Aquelas viagens eram tudo menos monótonas...

18 de abril de 2011

Günter Grass e Nina Hagen



O que têm em comum estas duas personalidades alemãs tão díspares: o escritor, de 83 anos, vencedor do Nobel, e a rocker caótica, de 51, que atingiu fama mundial nos anos oitenta? Resposta: a luta contra a energia nuclear!

Os dois participaram numa acção de protesto junto à central atómica alemã de Krümmel, perto de Stade, a cidade onde vivo. Tanto Günter Grass, como Nina Hagen, não deixaram dúvidas quanto à sua posição.

A Alemanha tem tradição neste género de luta e mesmo um governo conservativo, como o de Merkel, pondera alternativas, estuda prazos. Infelizmente, isso não se verifica noutros países. Em França, por exemplo, em que existem mais do dobro das centrais atómicas da Alemanha, a contestação é quase nula, limita-se a meia dúzia de excêntricos, apesar da tragédia de Fukushima.

É isso que desencoraja muitos alemães. Mesmo que conseguissem desactivar todas as centrais do seu país, estariam rodeados de outras e não se livrariam de sofrer com possíveis acidentes. Além disso, se a Alemanha, nesse caso, não conseguisse produzir energia suficiente, acabaria a importá-la de outros países, que a produzem a partir das suas centrais nucleares.

Um problema global, para o qual não se vislumbra solução.

21 de dezembro de 2010

Weihnachtsmarkt



Uma das coisas que muito me surpreendeu (e agradou) nos meus primeiros tempos na Alemanha foi o Mercado de Natal. Em todas as cidades, grandes e pequenas, realiza-se, durante o Advento, um Mercado de Natal, onde se podem comprar objectos alusivos à quadra, sem esquecer os habituais comes e bebes, que incluem doces, muitos doces. Para quem não sabe, os alemães são grandes comedores de bolos, chocolates e afins.

Na fotografia seguinte podem-se ver Lebkuchen, bolos de especiarias, neste caso, em forma de coração, com dizeres escritos a creme de açúcar. As mensagens variam, agora há, claro, muitos "Feliz Natal" e "Boas Festas", mas também se encontram os "amo-te", "és a minha gatinha" e outras do género.




As fotografias foram tiradas em Stade, a cidade onde vivo, que tem cerca de 40 000 habitantes. Estavam 4 graus negativos, o que não impede que as pessoas andem na rua (um alemão que se preze não tem medo do frio). Este tipo de mercado decorre paralelo ao comércio habitual e costuma acabar por estes dias, antes do Natal propriamente dito.




O Mercado de Natal transmite muito bem a atmosfera desta época, principalmente, quando há neve e faz este frio de rachar. Claro que isto nada tem a ver com as condições climatéricas da terra onde Cristo nasceu, mas o frio, a neve, as luzinhas são, para o bem e para o mal, o símbolo do Natal europeu.




Por acaso, não tenho nenhuma fotografia de uma barraca de Glühwein. Como o próprio nome indica, Glühwein (vinho incandescente, ou em brasa) é feito de um vinho tinto um pouco ácido, assim a dar para o nosso verde, ao qual se juntam várias especiarias (canela, cardamomo, anis, etc.). Pode ainda ter um Schuss (pinguinha) de rum ou um qualquer bagaço. Agora, imaginem o carácter explosivo da mistela. Há quem venha ao Weihnachtsmarkt apenas para beber canecas de Glühwein mit Schuss... Não há frio que resista...

À falta das ditas fotografias, fico-me, para rematar, pelas habituais e inofensivas estrelas decorativas.


29 de novembro de 2010

Advento



Na Alemanha, há muito tempo que católicos e protestantes vivem lado a lado, de modo pacífico. A população divide-se, em partes mais ou menos iguais, entre as duas formas de cristianismo (estou a falar sobretudo de indivíduos de nacionalidade alemã). No norte, a maioria é protestante, no sul, é católica. Como moro na região de Hamburgo, estou "rodeada" de protestantes, a começar dentro de casa, pois o meu marido é luterano.

Os hábitos e as tradições são praticamente iguais e, sendo os alemães surpreendentemente tradicionalistas em certos aspectos, o início do Advento é uma data a assinalar. Ontem foi o primeiro Domingo do Advento. Começa a anoitecer cedo, à hora do café/chá (costuma-se tomar uma dessas bebidas pelas 3/4 horas da tarde, acompanhadas de bolo). No Primeiro Advento, acende-se a primeira vela de quatro, alinhadas num arranjo como o da fotografia, ou em forma de círculo (Adventskranz, ou Coroa do Advento). Todos os Domingos se acende mais uma vela, até chegar às quatro, no último Domingo, antes do Natal.

Eu adoro este hábito. Além de estar a ficar escuro, já faz muito frio. E é confortável, até romântico, acender a primeira vela, enquanto se bebe um chá quentinho. Ontem comemos Stollen, um doce tradicional, também desta altura, com uvas passas pelo meio.





Resta-me desejar a todos um bom Advento!