Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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30 de junho de 2019

Feira do Livro de Braga

De 28 de junho a 14 de julho, as "Memórias de Dona Teresa" poderão ser encontradas na Feira do Livro de Braga, stand nº 11, da Poética Edições.





«- Senta-te a meu lado, Teresa - dizia minha tia Urraca, nos serões longos de Estio, quando já tínhamos os olhos cansados de bordar, provocando ciúme nas minhas duas irmãs. - Já te falei da cidade de Viseu? Já te contei que foi junto às suas muralhas que teu bisavô, Afonso V de Leão, encontrou a morte, trespassado por uma flecha dos infiéis?
Tantas vezes ouvi aquelas narrativas, que Viseu se me tornou uma cidade de fantasia que eu ansiava conhecer, a cidade ligada, desde tempos mui antigos, à meninice de infantes leoneses que ali foram criados.
- Não havia, na Hispânia, memória de soberano tão poderoso como Dom Fernando, "O Magno" - dizia ela, o olhar brilhante pousado no horizonte. - Nunca estes reinos viram tão excelso par real, como meus queridos pais, Dom Fernando e Dona Sancha!
Sentada a seu lado, eu venerava-a, junto com meus gloriosos avós paternos, envolvida pelo doce aroma dos jasmins da alcáçova toledana, que hoje recordo como se do Paraíso se tratasse».


In "Memórias de Dona Teresa"






16 de setembro de 2018

Memórias de Dona Teresa na Feira do Livro do Porto


«Estou a morrer. Na solidão de um quarto humilde, de paredes despidas.
Conheci o poder, acreditava dominar este mundo e o outro. Julgava poder sair da minha pele, remando contra a maré, dando vazão à ânsia indomável que me consumia. Venci vagas e julguei-me invencível, mesmo quando novas surgiam, cada vez mais altas, atiçadas por vento impiedoso, que desencorajava quem tencionava abrigar-me.
Quão solitário procedimento! Recusei-me a crer que fora longe demais, quando as vagas me roubavam as forças. Recusei-me a aceitar que remava sem avançar, que enfim recuava, até ser despejada na praia, derrotada, fraca, enferma…»

In "Memórias de Dona Teresa"

É já amanhã, da Feira do Livro do Porto:




15 de novembro de 2016

O Dia Em Que O Sol Se Apagou




Um livro que se lê bem, de aventuras, seguindo Pêro da Covilhã pela África e pelas Índias, à procura do reino do Preste João. Tem igualmente uma forte componente de fantasia, já que, a 26 de Março de 1487, o sol apaga-se subitamente no reino de Portugal. É isso mesmo! O nosso país, tão conhecido pelo sol, fica sem ele. E D. João II envia dois espiões em demanda da solução que restitua a luz ao país.

Paralelamente, temos a história de Salvador, um embalsamador albino com um estranho passado, que procura também uma luz, ou melhor, procura olhos que possam devolver a luz ao seu irmão Mil-Sóis.

O cruzamento de fantasia com rigor histórico levanta, contudo, alguns problemas. Há certas coisas que me soaram anacrónicas, coisas que acho que não se podem relegar para o plano do fantástico. Temos, por exemplo, o nascimento de Mil-Sóis com uns olhos tão brilhantes, que cegam quem os vê. Apelidam-no de “criança com olhos de diamante”. Ora, Mil-Sóis nasce no seio de uma comunidade de gente ignorante isolada nas montanhas. Saberia gente dessa, no final da Idade Média, o que eram diamantes? Duvido muito. Embora na Índia os diamantes já fossem conhecidos há dois ou três mil anos, eles eram raríssimos e, na Europa, só se tornam mais frequentes a partir do século XVIII. Imperadores, reis e nobres já conheciam os diamantes na Idade Média, mas duvido que o povo comum alguma vez tivesse ouvido falar de tal, ou, nesse caso, fizesse ideia do que se tratava.

Cito agora uma passagem da página 181, referente à Índia:
«À sua passagem, as castas inferiores inclinavam-se respeitosamente ou, então, atiravam bosta de vaca sagrada para debaixo dos pés desses homens superiores. Nas Índias, pavimentava-se com merda os caminhos que os reis ou os nobres percorriam para assim homenagear o seu poder. As vacas eram, em boa verdade, mais bem tratadas e alimentadas que os sem-dita que pertenciam às castas menores. Além de maltratada e desprezada, a ralé não tinha qualquer esperança de fugir à sua triste condição, estando a sua linhagem condenada a permanecer naquela ignomínia».

Ora bem, que Pêro da Covilhã se admire de que nas Índias se pavimentasse «com merda os caminhos que os reis ou os nobres percorriam», tudo bem. Já o seu julgamento em relação às castas me parece mais de homem do século XX ou XXI. A Europa cristã de Pêro da Covilhã era um mundo em que certa gente (na verdade, a esmagadora maioria da população) era «maltratada e desprezada», sem «qualquer esperança de fugir à sua triste condição». Também não devia ser motivo de espanto para ele que (certos) animais fossem mais bem tratados e alimentados do que os homens e mulheres pertencentes à arraia-miúda. Além disso, na Cristandade (leia-se Europa) da altura, duvidava-se que os pretos tivessem alma (algo aliás referido no romance), por isso, era justificável que se tratassem esses seres como animais, ou pior ainda. Este anacronismo não se pode com certeza arrumar para o reino da fantasia…

Também não compreendi, nem achei necessidade de, que a história de Pêro da Covilhã fosse contada na primeira pessoa e a de Salvador na terceira. Dá a impressão de que Pêro da Covilhã seria o contador de tudo o que se passa neste livro, mas ele não tinha hipótese de conhecer a história de Salvador.

Dir-me-ão que são pormenores sem importância para a maioria dos leitores. Pode ser. Mas este romance foi finalista do Prémio LeYa em 2014, razão suficiente para sermos exigentes. Reitero, contudo, que a leitura é agradável. E a descrição dos países visitados por Pêro da Covilhã, assim como as suas aventuras, estão bem conseguidas.


26 de junho de 2011

Aquisições da Feira

Apresento, finalmente, as minhas aquisições da Feira do Livro do Porto (sem esquecer as prendas para os sobrinhos)




Antes destas compras, fomos à loja da Imprensa Nacional da Casa da Moeda. O meu marido colecciona moedas e, sempre que estamos no Porto, aproveita para lá ir. Para mim, torna-se, por vezes, uma grande seca. Embora ache algumas muito bonitas, não ligo às moedas. Além disso, os funcionários da INCM não primam pela rapidez com que atendem a fila de clientes. E a lista do Horst é sempre comprida.

Sentei-me numa cadeira e reparei que, na mesinha ao lado, havia catálogos com as promoções da INCM na Feira do Livro. Descobri lá a Colecção "o essencial sobre", livrinhos que costumam custar entre 3 e 5 euros e que, na Feira, estavam a 1 euro, além de outras promoções interessantes. Uma vez na Feira, dirigi-me ao stand da INCM. A menina viu-se um pouco aflita para reunir todas as minhas escolhas. Procura daqui, procura dali, lá encontrou o que eu queria. E, faça-se-lhe justiça, foi simpática



Claro que os livrinhos de "o essencial sobre" não aprofundam os temas. Mas, para se levarem no bolso, a fim de os ler em qualquer lado, são ideais.

11 de junho de 2011

Feira do Livro do Porto

O Daniel Santos e o Manuel Gouveia honraram-me com a sua presença na Feira do Livro do Porto. Gostei muito de os conhecer pessoalmente e eles até me fizeram uma entrevista, que publicaram no 2711.



E uma palavrinha minha sobre essa entrevista e a Feira do Livro do Porto, da qual publicarei aqui mais fotografias, em breve.

20 de maio de 2011

14 de maio de 2011

Venha a próxima!



A Feira do Livro de Lisboa está a chegar ao fim, mas vem aí a do Porto. E eu vou estar lá, no dia 4 de Junho, entre as 16 e as 19 horas, no stand da Ésquilo. Apareçam, para dois dedos de conversa! Se comprarem algum livro, será autografado, mas, se já o adquiriram noutra ocasião, tragam-no, que o resultado será o mesmo.

Também vou à concorrência comprar livros: de Gonçalo M. Tavares (por ter ganho um importante Prémio internacional e por eu ter gostado de extractos que tenho lido), de Pedro Almeida Vieira e Carlos Cordeiro (por escreverem romances históricos) e de Eduardo Sá (por me interessar por Psicologia e tudo o que diga respeito à educação das crianças, apesar de não ter filhos). Além disso, mais alguns "objectos de trabalho": o volume dedicado à Idade Média da História da Vida Privada em Portugal (o projecto é dirigido pelo Prof. José Mattoso e o volume em questão coordenado por Bernardo Vasconcelos e Sousa) e ainda Naquele Tempo, de José Mattoso.

Depois, tiro a fotografia da praxe à pilha dos livros e espeto-a aqui. Quem, nesse dia, decidir passar pelo stand da Ésquilo, também se arrisca a aparecer neste blogue (com a devida autorização, claro, ou sem ser identificado com o nome, se assim o desejar).

7 de maio de 2011

Ainda a propósito da 81ª Feira do Livro de Lisboa (com condomínios privados pelo meio e, mais uma vez, o "megalito" da Babel)

 Palavras de José Mário Silva, o Bibliotecário de Babel (clique, para ler o texto completo):

Se nas últimas edições a LeYa já tinha construído uma espécie de Feira dentro da Feira, os condomínios privados (chamemos-lhes assim) agora multiplicaram-se (...) e a Babel inventou aquele túnel escuro por fora e abafado por dentro (estreito, apertadinho, vagamente claustrofóbico) que mais parece uma metáfora do país.

Será que todos os pavilhões deviam ser iguais, como eram há dez anos? Não sei. Mas a Feira do Livro sempre se distinguiu por ser um espaço onde as assimetrias entre as grandes editoras e as pequenas se esbatiam. Todos tinham direito ao seu espaço, proporcional ao respectivo catálogo e volume de negócios. Hoje, há claramente uma burguesia da edição, a dos grandes grupos açambarcadores de espaço e arquitectonicamente exibicionistas, em contraste com o resto das editoras proletárias, reduzidas a uma uniformidade que a APEL impõe só a alguns. O certo é que há dois pesos e duas medidas, duas Feiras distintas, sobrepostas mas não coincidentes, o que cria uma estranheza a que eu, frequentador há mais de 30 anos, duvido que me venha a habituar.

6 de maio de 2011

A Propósito da 81ª Feira do Livro de Lisboa (já cá faltava)

O blogue da revista Os Meus Livros publica, mensalmente, as Crónicas do Eugénio dos Livros, assinadas por A. V. Gostei particularmente da última, a propósito da Feira do Livro de Lisboa. Aqui está ela, surripiada:


Eugénio vai à Feira

− Feira do Livro? Ouve o que te digo: só vai à Feira do Livro quem não compra livros durante o ano. Há mais gente por lá para comer gelados do que para calcorrear stands e stands de livros, muitos deles técnicos, de direito, infantis e outros. Algures, ainda se encontram uns alfarrabistas e vendedores de best-sellers, mas mais nada. Acho que já nem se devem vender livros na Feira, digo eu.
Não havia dúvida, o tio Adolfo tinha acordado num dia mau e Eugénio fizera o erro de o ir visitar, como habitualmente fazia, com a sua querida mãezinha aos sábados de manhã.
− Fui no ano passado e chegou-me. Nem morto me apanham lá de novo, este ano.
Maldizia agora Eugénio a hora em que lhe dissera que a Feira do Livro de Lisboa tinha começado, e que por lá passara na primeira quinta-feira e vira o movimento das gentes e dos livros.
− Viste foi chuva, é o que é. Aquilo já não é para mim!
Eugénio tinha até visto a Lídia Jorge andando por lá e sentiu-se tentado a ir falar com ela, dizer-lhe que tinha gostado bastante do seu último livro, mas, à última da hora, vacilou, acabando sentado numa das cadeiras da praça LeYa a fingir folhear um livro enquanto olhava de soslaio para a autora. A história da minha vida, pensou.
Com o rejuvenescimento da Feira, Eugénio pensa se a mesma não afasta pessoas como o tio Adolfo. Será que ele preferia andar a esturricar ao sol, subindo uma ladeira imensa sem sítio onde descansar, sem música, cadeiras, quase sem debates ou animação?
Eugénio pensava nisto e veio-lhe à cabeça o espaço da Babel, três megálitos negros deitados que parecem querer apontar a resposta do futuro quando, no fundo, nada mais são do que uma incompreensão sepulcral sobre o que foi e deverá ser esta feira.
Acho que não é da idade, mas se a Feira se tornar assim também eu passarei a soar como o meu tio Adolfo, suspirou Eugénio.
A.V.

8 de março de 2011

Melhor Livro Estrangeiro

Os franceses podem ter muitos defeitos, mas sempre tiveram bom gosto literário e Paris foi (mais do que é) uma cidade-refúgio para escritores de diversas nacionalidades. O Prix du Meilleur Livre Étranger 2010 é uma garantia de qualidade. Fica-se curioso, embora não se possa evitar um certo cepticismo, afinal, há gostos pessoais.

Através d' O Cheiro dos Livros, tenho vindo a entrar em contacto, precisamente, com a obra vencedora deste Prix.




«A natureza está à espera, lá fora, mas mantém exactamente a mesma força: recuou, é certo, mas não está sequer prisioneira. Está num outro sítio, num outro ponto da batalha, e afia as lâminas; não reza, não suplica, não pede piedade.

«O Dr. Lenz, cirurgião importante da cidade, homem possuidor absoluto dos seus prazeres privados, apreciador de pequenas humilhações a prostitutas, e que ganhara o hábito recente de receber em casa um vagabundo, de lhe oferecer esmolas chorudas, de lhe dar pão e comida, e acima de tudo, de o humilhar, de atrasar a esmola, a comida, de saborear o prazer de estar na parte forte e de ter dois olhos sãos e claros para ver o que a claridade do mundo mostrava: a rudeza desse mesmo mundo, a violência e a indiferença entre quem tem saúde e quem não a tem, quem tem dinheiro e quem não o tem, quem é velho e quem não o é, quem é feio ou deficiente e quem não o é, quem tem marcas de acidente no rosto, queimaduras, cortes que desfiguram a beleza média e quem, pelo contrário, não tem nada que manche o seu orgulho, o seu orgulho exterior, físico, a única moeda comum a todos os séculos, a todos os países, a todas as línguas. Era isto que os olhos sãos e claros de Lenz viam, era isto que a claridade do mundo lhe mostrava.»

«- Nesta casa o medo é ilegal – era uma das frases mais marcantes de Frederich Buchmann.


O único problema, neste tipo de escrita, é o ritmo alucinante das frases de qualidade. Sucedem-se umas às outras, quase se anulando, quase evitando o seu desfrutar. Há escritores assim, que se têm de ler devagar. E várias vezes. Em vez de enfado, a repetição proporciona-nos novas revelações, novos encantos.


Descobri mais um motivo de entusiasmo para minha ida a Portugal, por alturas da Feira do Livro do Porto. Já acrescentei o Gonçalo M. Tavares à minha lista :-)