Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

10 de novembro de 2018

Politicamentes


Detesto o politicamente correto. Assim como detesto o politicamente incorreto.
Detesto que haja quem se julga lutador contra o sistema apenas por dizer que é politicamente incorreto.
Desteto que já não se possa ter opinião, sem que nos apelidem de politicamente corretos ou incorretos.
Detesto que muita gente, antes de dizer se concorda ou discorda de uma opinião, pense primeiro se esta é politicamente correta ou incorreta, para concordar ou discordar baseada nesse juízo - ou seja, não é a opinião em si que está em causa, mas a sua etiqueta.
Detesto visões simplistas, principalmente, quando se trata de problemas complexos: há insegurança, criminalidade? Vamos dar uma arma a cada cidadão e resolve-se o problema!
Detesto que haja ídolos políticos apenas porque se apelidam de politicamente incorretos.

Ser do contra condiciona tanto como o seu contrário, ou seja, o politicamente incorreto condiciona tanto como o politicamente correto.
É politicamente correto, ou incorreto, ser contra alguém politicamente incorreto? E o seu contrário?

Sempre detestei divisões em grupos, baseado no pressuposto: se não és por nós, és contra nós.
Detesto fake news. Mas não é por ser politicamente correta. É simplesmente por não gostar de mentiras.
OK, vão-me dizer que toda a gente mente.
Eu também. Passo a vida a mentir.


8 de novembro de 2018

A Tempestade do IVA

A recusa da Ministra da Cultura em não baixar o IVA das touradas gerou uma tempestade num copo de água. Já estamos habituados a que os defensores deste tipo de espetáculo adotem comportamentos próprios dos populistas, ou seja, em vez de argumentarem, fogem ao assunto, refugiando-se em afirmações e comparações absurdas e/ou ridículas. O pior é quando pessoas que nos habituámos a respeitar adotam também esse tipo de comportamentos. Muito me surpreenderam as palavras de Miguel Sousa Tavares, na sua qualidade de comentador da TVI, uma pessoa que, apesar de ter uma visão diferente da minha, sempre considerei inteligente.

Disse ele que o «deputado do PAN aterroriza mais do que um touro» e, pelos vistos, acha revoltante que um único deputado faça a diferença no Parlamento. Sinceramente, não entendo onde está aqui o problema. Houvesse mais deputados a fazerem a diferença! A maior parte está lá a fazer sala, seria bom que houvesse muitos mais a lutar apaixonada e empenhadamente pelas suas causas, sejam elas quais forem! E o homem afinal aterroriza quem? Criancinhas? Políticos? Comentadores televisivos? Se o Miguel Sousa Tavares tem medo dele, talvez fosse bom questionar-se porquê.

Diz ainda o conhecido comentador que não compreende que uma maioria imponha algo a uma minoria por uma questão de gosto. Em primeiro lugar, fico satisfeita por ele reconhecer que a maioria é contra as touradas. Não se trata, porém, de uma questão de gosto, uma redução que os aficionados gostam de praticar, a fim de menorizar o problema. Os opositores às touradas lutam contra um espetáculo de tortura de animais. Não é uma questão de gosto, é uma questão de ética. Eu até posso aceitar que se matem animais para a nossa alimentação, mas não aceito que sejam mal tratados, muito menos, que sejam torturados para gáudio de uma multidão ávida de ver correr o sangue. É a ética que está em causa, não um gosto pessoal.

Miguel Sousa Tavares ironizou com o facto de as touradas serem transmitidas a horas tardias. Não é por impressionar as crianças, diz ele, é com medo de que as crianças se encantem com tão lindo espetáculo equestre! E então não é possível assistir a uma exibição desse tipo, sem aturar sadismo? Na Alemanha, as crianças e os jovens adoram espetáculos equestres, principalmente, as meninas. Na província alemã, há inúmeras quintas onde se pode aprender a montar e que são frequentadas por uma multidão de raparigas, desde os cinco ou seis anos, miúdas que adoram cavalos e póneis. O CHIO em Aachen (Aix-la-Chapelle, em francês) é um show equestre anual esperado com muita ansiedade, um acontecimento que atrai não apenas famílias alemãs, também muitas estrangeiras, e onde se pode assistir a magníficas exibições, sem o espetáculo degradante da tortura.

Termino com a afirmação mais absurda que ouvi nos últimos tempos: é assim (proibindo as touradas) que nascem os Bolsonaros! Isto é típico de populistas, é uma afirmação bombástica, bem característica de quem não tem argumentos. Trump e o próprio Bolsonaro ficariam orgulhosos de Miguel Sousa Tavares. O que mais me entristece é que esta afirmação nem é dele, mas de uma outra pessoa, que muito admiro: Manuel Alegre! E o mais irónico, no meio disto tudo, é que a maior parte dos aficionados e toureiros portugueses são realmente grandes admiradores de Trump e Bolsonaro!

Pois é, os Bolsonaros estão do outro lado, meus senhores, do vosso! É no que dá adotarem discursos indignos de vós! Defendam as vossas causas, mas defendam-nas com decência, com inteligência, com argumentos, com pés e cabeça!


1 de novembro de 2018

Calendário da UZ (12)

«O sorriso da Nadine é indeciso, como se ela, tão jovem ainda, não soubesse que, em Novembro, ganham força as sementes que hão-de florir na Primavera».




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26 de outubro de 2018

Contos do Portugal Profundo - e uma história brasileira (2)





Nesta coletânea, cada um dos nove autores interpreta o tema à sua maneira.

António Breda Carvalho conta-nos amores infelizes, com a sua ironia habitual, em Este Caso Não O Contarei Ao Custódio.

António Luiz Pacheco introduz-nos em certos costumes da nossa província, em O Padre Bento.

Cláudia da Silva Tomazi dá conta d’O Barrete, uma eleição que servia de base à formação de uma Vila, no Brasil colonial.

Cristina Torrão mostra-nos a tragédia por trás do idílio rural, em Os Presuntos.

João J. A. Madeira foca a solidão e o desencanto citadinos, em O Canto do Cisne.

José Cipriano Catarino retrata psicopatias integradas no nosso quotidiano, em A Abafadora.

Luís Alves Milheiro coloca um citadino em confronto com o mundo aldeão, em Despedidas À Francesa Num Outro Portugal.

Maria do Rosário Pedreira ilustra como o tango é um “jogo” de equilíbrios universal, em O Estranho de Buenos Aires.

Pedro A. Sande leva-nos numa viagem alegórica em busca da alma de um nosso desencantado poeta em, O Meu Amigo Alma.

Como já referi, estes autores têm em comum serem comentadores do blogue Horas Extraordinárias, de Maria do Rosário Pedreira, que teve a gentileza de aceitar o nosso convite.

O livro está disponível na Amazon: