Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

12 de abril de 2026

Rapidinhas de História #51

NACIONALISMO ANACRÓNICO (3)

Sob o título de “conde da Galiza”, D. Raimundo, casado com a infanta D. Urraca, tornou-se responsável por um território que ia desde a costa norte galega até ao rio Tejo. 


 

  

7 de abril de 2026

As marionetas loiras de Trump

Trump tinha quatro marionetas loiras. Agora, só tem duas. E, ou muito me engano, ou elas continuarão a diminuir.

 

As marionetas de Trump só fazem e dizem o que ele lhes comanda. Não significa, porém, que estejam nos seus cargos contrariadas. Por alguma razão, veneram Trump, buscam o seu elogio e dá-lhes um gozo enorme serem desagradáveis, na maneira como tratam os seus interlocutores.

 

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Imagem Instagram

 

Mas Pam Bondi falhou. Mostrou bastante nervosismo, quando questionada pela Comissão de Justiça da Câmara, a 11 de Fevereiro passado. Várias vezes lhe faltaram os argumentos, socorrendo-se do chavão ser Trump o "melhor Presidente que os Estados Unidos já tiveram". Além disso, cometeu uma gaffe monumental, ao segurar os seus papéis de maneira a ser possível ler o conteúdo. Numa das páginas, tinha o "Histórico de Busca de Jayapal Pramila", com os documentos do caso Epstein que foram revistos por esta congressista democrata. E vários congressistas deste partido exigiram, no dia seguinte, a investigação do que consideram ser “espionagem” pelo governo das suas pesquisas do caso Epstein.

 

Na altura, Trump defendeu Pam Bondi. Surpreendeu-me, confesso. E pensei que o presidente tivesse decidido dar-lhe uma segunda oportunidade, na próxima sessão, a acontecer neste mês de abril. Mas não. Ele apenas quis calar as vozes críticas, na altura. Trump tinha já o seu plano delineado e, aproveitando a semana santa, incluiu-a numa série de demissões. 

 

Karoline Leavitt parece estar de pedra e cal. É exímia, tanto a desconversar, como a insultar. Bem ao gosto de Trump. É uma espécie de "Rita Matias à americana", se bem que, no caso luso, se trate de uma política calculista, pronta a atacar o poder no seu partido, mal Ventura deixe de servir. Karoline Leavitt não tem aspirações dessas. Adora servir o seu ídolo.

 

A terceira loira, neste grupo de quatro, é a doce pastora evangélica Paula White-Cain, que elevou o pedófilo Trump ao nível de Cristo, num almoço de Páscoa. Bem, ela só é doce aparentemente, pois, na verdade, é uma fundamentalista religiosa, capaz de manipular tão bem, ou ainda melhor, do que qualquer aiatola. Mas depois da comparação exagerada, levando a Casa Branca a apagar o vídeo do seu discurso, não sei... Irá Trump deixá-la cair, apesar de ser sua colaboradora há vários anos? Veremos!

 

E perguntam-me vocês: quem é a quarta loira? Bem, a quarta loira, na verdade, não existe. Ou melhor, existia, mas foi apagada. Literalmente! Pelo menos, já não a encontro no Instagram, onde tinha mais de um milhão de seguidores.

 

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Imagem Instagram

Chamava-se Jessica Foster, era militar e influenciadora,  “a apoteose das fantasias do movimento MAGA, tudo concentrado num único canal, mas é obviamente IA: não há rasto que leve à origem das imagens, não há um historial sobre ela e há falhas visíveis”, afirmou Sam Gregory, director executivo da Witness — uma organização que investiga vídeos e deepfakes. 

 

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Imagem Instagram

Um produto da IA, sem estar assinalado como tal, enganando os seus seguidores, que acreditavam piamente na sua existência. Surgia sempre de uniforme e junto de políticos conhecidos.

 

E para que servem estas loiras?

 

Primeiro, servem para disfarçar a misoginia de Trump. O presidente machista pode assim mostrar que põe mulheres em cargos de responsabilidade, enquanto as controla como marionetas. E ai delas que o desiludam (como já vimos).

 

Segundo, elas têm de ser bonitas e loiras, a fim de capatarem um determinado público: homens conservadores e patriotas, o núcleo duro dos votantes de Trump.

 

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Imagem Instagram

Terceiro, cumprem o racismo norte-americano. Trump escolhe loiras também por serem o melhor garante de genes exclusivamente brancos. Há racismo em todo o lado, é certo. Mas a mentalidade norte-americana, no que à cor da pele diz respeito, difere da europeia.

 

Em 2020, Antonio Banderas foi nomeado para um Óscar, pela sua prestação no filme Dor e Glória, de Pedro Almodóvar. Quando se soube da sua nomeação, houve uma polémica, na imprensa norte-americana, sobre se o nomeado era, ou não, uma "pessoa de cor"! O próprio Antonio Banderas disse, numa entrevista, que li há alguns anos (e não sei onde) que, quando chegou a Hollywood, lhe disseram para não alimentar grandes esperanças porque... não era branco! Era um "brown man"! Por acaso, ele tornou a aflorar o assunto, há dias, numa entrevista ao The Times.

 

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Imagem Instagram

Isto quer dizer que também um ator português, em Hollywood, é um "brown man". Imagino o que terão dito de Joaquim de Almeida, que é tão moreno como o Banderas. O "brown man" Ventura sabe disto? E nunca reclamou?

 

“I don’t think Antonio Banderas qualifies as a person of color. I think he’s a wonderful person and a wonderful actor, but he’s European,” said Claudia Puig, president of the Los Angeles Film Critics Association, echoing common refrains heard initially online. “Yes, he is Hispanic, because he’s from Spain, but he’s not from Latin America, so he’s not Latino.”


A explicação desta senhora, embora bem intencionada, roça o patético. Mas que fique claro: é-me indiferente a cor de pele de cada um, ou uma. Quis apenas dar um exemplo do racismo latente nos EUA e da sua ignorância em relação a outras nações e seus povos. 

 

Se já fosse possível, não duvido que Trump poria também criações da IA em todas as funções, nas quais ele pensa poderem ser exercidas por mulheres. As humanas podem falhar.

 

Enfim, sempre as pode substituir por homens, como o amazing Todd Blanche, nas palavras da própria Pam Bondi.

28 de março de 2026

Israel e o ódio aos cristãos*

 

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Imagem Facebook

O beneditino alemão Nikodemus Claudius Schnabel, abade da Abadia Dormitio, em Jerusalém, e do priorado de Tabgha, vive há mais de vinte anos na Terra Santa e diz-nos que os ataques a cristãos em Israel têm vido a aumentar, nos últimos tempos.

 

Janelas de igrejas são destruídas à pedrada, membros de ordens religiosas e outros clérigos são hostilizados, pneus danificados à facada, automóveis incendiados e cemitérios vandalizados. “Quase todos os dias, há gente a cuspir à minha passagem, seja à minha frente, ou nas minhas costas”, afirma o abade.

 

Também a população civil cristã é descriminada, ao ter dificuldade acrescida em arranjar casa e emprego, por exemplo. Jerusalém tornou-se perigosa, em muitos aspetos. Mas, segundo o abade Nikodemus Schnabel, a situação é catastrófica em Taybeh, a única aldeia cristã na Cisjordânia. Ocupantes israelitas incendeiam propriedades cristãs e agridem as pessoas. Também se impedem lavradores cristãos de se deslocarem aos seus olivais, confrontos que resultam, muitas vezes, em feridos graves.

 

O abade Nikodemus Schnabel responsabiliza as autoridades israelitas pela situação. No verão de 2015, o mosteiro Tabgha foi incendiado. Muitos monges e voluntários tiveram de ser transportados para o hospital, por inalação de fumo. Os perpetradores deste ataque foram presos, mas um dos seus advogados de defesa revelou-se um extremista, com palavras de ódio em relação aos cristãos, em pleno Tribunal. Esse advogado chama-se Itamar Ben-Gvir e é hoje o Ministro da Segurança Nacional, no governo de Netanyahu.

 

O abade alemão considera este ser o governo mais extremista da História de Israel. O Ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, tem, como objetivo, a criação do “Grande Israel Bíblico”. E o beneditino acrescenta que o grande problema não são os judeus ultra-ortodoxos. Para a maioria deles, é blasfémia atacar cristãos. O problema são os extremistas religiosos, nos territórios ocupados, cujo chavão é: “Israel aos israelitas; não-judeus fora!”. Calcula-se que representem 5% a 10% da população israelita.

 

*A partir de um artigo do Jornal Católico do Bispado de Hildesheim, de 01 de Março de 2026

 

Comentário final (de minha autoria):

Trump e Netanahyu: uma dupla diabólica!

Putin farta-se de rir, enquanto sacrifica a Ucrânia e faz planos para o Báltico.

E Orbán engorda cada vez mais, com as subvenções de Bruxelas (que ele nunca rejeitou, apesar de odiar a Europa) e do Kremlin, em troca dos seus dotes de espião.

26 de março de 2026

O fiasco do século

Ao grande e orgulhoso povo do Irão, digo-vos que a hora da vossa liberdade está a chegar. Abriguem-se, não saiam de casa, é muito perigoso, bombas vão cair em todo o lado. Quando terminarmos de derrubar o vosso Governo, ele será vosso para o ocuparem.

Estas foram palavras de Donald Trump, a 28 de fevereiro passado, ao anunciar o ataque militar ao Irão. Antes disso, com o povo iraniano a revoltar-se e a ser dizimado, Trump encorajou esse mesmo povo a resistir e a lutar, prometendo-lhes apoio, que a ajuda não tardaria. Quantos iranianos e iranianas, que não planeavam sair à rua, o fizeram, despois destas palavras? E quantas dessas pessoas morreram e/ou foram torturadas?

 

Já aqui o disse e torno a dizer: Trump está a marimbar-se para os Direitos Humanos, para a liberdade, para a democracia, para o povo iraniano e… para as mulheres de cabeça coberta. Nada lhe podia ser tão indiferente. A única coisa que talvez incomode Trump, é não lhes poder apreciar o cabelo. Trump é um psicopata pedófilo, misógino e machista.

 

Aliás, as muçulmanas de cabeça coberta, ou, ainda melhor, de burca, dão muito jeito aos misóginos ocidentais. É vê-los a defenderem acirradamente os direitos das mulheres, a igualdade, a emancipação… Enfim, mais uma maneira de se servirem delas e de iludirem as ocidentais, que se deviam envergonhar de ainda serem feministas. Simplesmente lamentável.

 

Estamos a ver os resultados dos ataques ao Irão: além das inevitáveis destruição e mortandade, temos a inflação galopante a aumentar o fosso entre ricos e pobres, a iminência de uma crise petrolífera sem precendentes, Trump metido num beco sem saída e… o povo iraniano mais oprimido do que nunca! Nem sequer sabemos a que escala estão a ser torturados e executados.

 

Intitulei este post de “fiasco do século”. Mas não, não me estava a referir à guerra contra o Irão. Estava a referir-me a Trump himself. Já há apoiantes dele a caírem na realidade, a darem conta da sua retórica balofa. As palavras de Trump são como farófias inchadas, claras em castelo que, metidas na boca, se transformam em nada, numa fracção de segundo. Trump diz e desdiz-se, confunde, desrespeita as leis, provoca o caos, espalha o ódio. E, na Casa Branca, os pastores evangélicos rezam por ele, de mãos pousadas nele em profunda veneração, enquanto o seu Ministro da Guerra afirma ser o ataque ao Irão vontade de Deus.

 

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Imagem Instagram (vaticannewspt)

 

Acreditar em Trump é a mesma coisa que acreditar no Pai Natal. Ilusão infantil, de quem julga possível vivermos num mundo ideal, onde não haja crime, nem pobreza, nem gente diferente a vaguear pelas nossas ruas (porque ser diferente é sinónimo de ser perigoso), onde as famílias e as “pessoas de bem” vivam em paz e harmonia.

 

Esse mundo não existe, nem nunca irá existir. Mas o mundo tem épocas, em que, no seu conjunto, é mais, ou menos, perigoso. Neste momento, o mundo é um lugar muito perigoso. E isso o devemos, em larga escala, ao fiasco deste século: Donald Trump.

 

Não é messias quem quer. Muito menos um criminoso. Messias, só houve um! Devíamos ler e refletir mais vezes sobre as palavras do verdadeiro e único Messias.

21 de março de 2026

Para lá do Marão... (4)

Nesta interminável sequência de grandiosidade das «Terras de Bragança», muitas das coisas que por aqui vou trazendo são fruto do acaso ou, por vezes, «a pedido de várias famílias». Será esta incursão representativa do último caso. Tudo por responsabilidade da magnífica Algoso e do seu não menos magnífico castelo. O que conduziu a Balsamão e ao seu convento, território que, não obstante se localizar na soberba freguesia de Chacim, no concelho de Macedo, tem uma umbilical ligação a Algoso. “Atãu’e, bota lá mais uas palabrecas, pr’ós qui’u quijerim”…
 
De facto, durante meio século, os Marianos de Balsamão marcaram presença por Algoso, no Convento de Santo António, entre a segunda metade do séc. XVIII e a primeira metade do séc. XIX. Quando as ordens religiosas masculinas foram extintas, após um decreto dessa primeira metade do séc. XIX, os seus bens, ou foram «arrebanhados», ou vendidos em hasta pública ou, particularmente no que respeito dizia a «bens menores», como paramentos, vasos sagrados ou algumas pinturas, foram transferidos para a igreja paroquial respectiva. O que aconteceria com alguns bens, que foram depositados na Igreja de S. Sebastião de Algoso. Aqui destacando, particularmente, um: a magnífica tela de «Nossa Senhora da Imaculada Conceição». Pintura que, há não muitos anos, se encontrava «esquecida» na sacristia da igreja, e cuja autoria será de um dos mais renomados pintores portugueses do séc. XVIII. É a incúria com que, muitas vezes, por desconhecimento, tratamos o nosso valioso património…
 
Pintor esse que também deixou magnífica obra pelo Convento de Balsamão. Assim como o fizeram outros destacados pintores do séc. XVIII. Balsamão, como alguém deixava em comentário, está envolto em lendas. Todavia, Balsamão é muito mais do que lendas. Mas tanto mais!!! Talvez muitos não o saibam, Balsamão tem uma ocupação, quase contínua, desde há cerca de 2000 anos. Pois por lá existiu um povoado fortificado pré-romano, com toda a probabilidade dos nossos antepassados Zelas. Povoado esse que também teve ocupação Romana. E que, ao que tudo aponta, terá sido a sede de um dos «pagi» Suevos e, posterirmente, centro de cunhagem de moeda Visigoda. “Ah peis é”!
 

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Balsamão guarda muito mais do que História Religiosa. Aliás, as lendas sobre Mouros não passam disso mesmo, de lendas. Que os ditos Mouros pouco ou nada quiseram saber destas terras. Por isso, Chacim, por exemplo, nada tem a ver com a «chacina» que lhe apontam. Caso assim fosse, mais «Chacim» havendo, um dos quais no Minho, e mais uns quantos por Espanha, muitas «chacinas» teria havido. Pelo contrário, o nome «Chacim» é um antropónimo, ou seja, o nome derivado de uma pessoa. Assim como «Balsamão» o é. Mas isso não interessa para aqui…

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Balsamão que aldeia foi, alcandorada no alto do Monte Carrascal, popularmente chamado Monte do Caramouro. E até teve um castelo, cujo perímetro ainda é possível verificar (e não, não é a torre que por lá há, que essa é de construção contemporânea). Um castelo que, conjuntamente com o de Algoso, foi um dos tomados, no início do séc. XIII, aquando das incursões de Afonso IX de Leão, que deixaram as nossas terras «a ferro e fogo». Outras histórias… Assim como outras histórias levaram ao abandono da povoação de Balsamão, que ainda no séc. XIV existia como tal, pois o nosso D. Dinis andou «às turras» com um dos filhos do «último Braganção», por causa dos direitos sobre a dita povoação. Depois seria abandonada…

Por lá deve ter permanecido uma pequena capela em honra a Santa Maria. A qual, mais tarde, tomaria o nome de Nossa Senhora de Balsamão, em honra à povoação entretanto desaparecida. Capela essa cuja primeira referência documental à sua efectiva existência é do séc. XVI, quando uma das muitas «desgraçadas» vítimas da «santa» Inquisição, aí foi obrigada a ir em penitência para limpar os seus «pecados judeus». Posteriormente, seria um eremitério, por lá tendo assentado uma ordem religiosa. Só já no séc. XVIII é que chegariam os Marianos, de lá expulsos, tal como em Algoso, no séc. XIX. Em boa hora regressariam no séc. XX.
 

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Balsamão é muito mais do que devoção ou a casa-mãe dos Marianos em Portugal. Balsamão é um sítio mágico, onde se captam umas inigualáveis energias. E até tem um museu fantástico, uma igreja que assoberba os sentidos, quer pelo seu tecto, quer pelos vestígios de pinturas murais que ainda lá moram. E até tem uma subida que encantará qualquer um, com as suas capelas a bordejarem o caminho. E até se comem por lá uns acepipes de «fazer chorar por mais», acompanhados de uma simpatia e de uma arte de bem receber incomparáveis. Mas eu sou suspeito para falar…

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Porque Balsamão é uma marca indesmentível na minha vida, por lá foi decidido baptizar os filhos. Por lá, a deslumbrar os sentidos, corre o Azibo, que é muito mais do que a “barraige”. Só quem já experimentou dar uns mergulhos no «Poço dos Paus» é que sabe do que falo. Ou quem já estendeu a manta para um piquenique nas imediações da «Ponte da Paradinha» saberá o que quero transmitir. Ponte medieval essa que terá sido construída pelos Hospitalários, para melhor fazerem o seu trajecto entre a Comenda de São Cristóvão de Malta e a de São Sebastião de Algoso. Sempre a ligação entre as «minhas» terras e Algoso, daí o fascínio. Algoso e a sua Comenda Hospitalária que também foram detentoras, por via da Comenda de São Cristóvão, de vastos direitos sobre outras aldeias do meu concelho, na sua região noroeste, nomeadamente as magníficas Lamalonga, Vilarinho de Agrochão, Nozelos e Ala.

Tudo isso por doações feitas pelos «nossos» Bragançãos, que a «cartilha» diz que foram os reis a fazer. Havendo agora outra «cartilha» que até quer fazer de Balsamão, e de outras terras que Hospitalárias foram, território Templário. Mas isso são outras «batalhas»… E já me “ztendi co iz’tu’e, q’ou quandu impeçu a butare faladura” sobre as nossas terras, tanto que têm, nunca mais se me “fetch’á matraca”. “Zculpim qualquera cousinha, pode sere?”…

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8 de março de 2026

Rapidinhas de História #48

A MISOGINIA NOS ESCRITOS MEDIEVAIS (11)

Existe um grande contraste entre o conteúdo das crónicas medievais e a actuação de D. Teresa.

"Nada nos autoriza a distinguir D. Teresa de D. Henrique".

(historiadores Luís Carlos Amaral e Mário Jorge Barroca)

 


 

 

1 de março de 2026

22 de fevereiro de 2026

Rapidinhas de História #46

INDEPENDÊNCIA (5)

O processo de independência de Portugal foi "uma evolução na longa duração".

(as palavras entre aspas pertencem à historiadora Maria João Branco)

 

 


16 de fevereiro de 2026

Para lá do Marão... (3)

Pauliteiros e Caretos estiveram relacionados com manifestações religiosas e é interessante verificar o esforço da Igreja, noutros tempos, em conciliar hábitos pagãos com ritos católicos.

Regressando a uma das particularidades que transformam esta região num tal de território único: os Pauliteiros. “Dize que”… Pelo menos a partir do longínquo século XIII, os tais «dançadores da dança dos paus», ou, mais recentemente, «bailadores», como bem fui advertido, passaram a integrar, oficialmente, as manifestações religiosas, especialmente as «procissões do Corpo de Deus», ou aquelas que festejavam o «santo da terra». Isto porque a Igreja, bem ao jeito de «se não consegues vencer o inimigo, junta-te a ele», ao não ter tido a capacidade para eliminar as celebrações de carácter profano, tal como também acontecia com os «mascarados», optou por integrá-las nas suas celebrações.
 
Assim sendo, passaram a ser vulgares as referências à presença de «mascarados», «tamborileiros», «gaiteiros» e «dançadores», nas manifestações de carácter religioso. No entanto, particularmente no que respeitava aos «mascarados», isso terá dado azo a excessos, nomeadamente a ajustes de contas em plena procissão! “De bêz’im quandu’e”, lá aparecia um devoto que não terminava a procissão… O que acabaria por redundar na proibição de «mascarados», quer por instruções eclesiásticas, quer por decretos régios. Prosseguiria, no entanto, a presença dos elementos musicais, assim o justificam, entre outra documentação, alguns «livros de contas» de confrarias ou irmandades. Embora fossem surgindo Pastorais dos Bispos a tentar limitar os excessos, particularmente os cometidos no interior dos espaços sagrados.
 
É delicioso examinar a imensa documentação eclesiástica. Somos aí confrontados com realidades bastante distintas daquelas que conhecemos na actualidade. De repente, recordo-me da alusão que é feita aos abusos que eram cometidos dentro de igrejas ou de sacristias, onde se comia e festejava, noite dentro! Ou onde se dormia, «tudo ao monte e fé em Deus»… E outras coisas ainda mais mundanas… Mais tarde, alegando que os tocadores e dançadores distraíam os fiéis, foi mesmo proibida a sua presença em manifestações religiosas. Coisas do «arco da velha»…
 
A chegada de novos ventos, traria o regresso dos «Pauliteiros» às celebrações religiosas, voltando a misturar-se o profano com o sagrado. Assim como os «Caretos», especialmente nas festividades associadas ao Santo Estêvão, passariam a voltar a ter papel determinante. E muito haveria para dizer sobre as «Festas dos Rapazes», mas ficará para a altura própria. Como o haveria em relação a um incontável número de tradições populares que a chegada da «velha senhora» acabaria por castrar, algumas «matando» de irreversível forma, outras tendo tornado moribundas. O fenómeno da emigração também contribuiria, definitivamente, para esse abandono de milenares tradições, enraizadas na memória popular. Felizmente, resta a documentação para as relembrar. E, felizmente ainda, nas décadas mais recentes vem-se assistindo ao resgatar de muitas delas.
 
Entretanto, a propósito desta junção entre festas pagãs e festas religiosas, subitamente me lembrei de outro aspecto. Que também incluía a presença de «mascarados», «tocadores» e «dançadores»: as antigas procissões a locais de culto pagão.
 
A nossa história colectiva é fabulosa! Por isso há sempre mais uma «carta na manga»… E não se esgotam, acreditem! Mas também não gosto que os textos fiquem muito longos… Como tal, já cá virei trazendo, para os interessados, outros temas, começando pelas antigas procissões… e as capelas no alto dos montes. E outras “cousas, pur’i”…

15 de fevereiro de 2026