O CONDE D. HENRIQUE (9)
Vimos então que os cunhados Raimundo e Henrique decidiram, num pacto secreto, a divisão da herança do sogro, depois da morte deste.
De facto, Afonso VI estava velho e doente e morreria cerca de quatro anos mais tarde. Porém, antes desta, houve duas mortes que, novamente, trocaram os passos a estes protagonistas da História.
A primeira, foi a morte inesperada do próprio Raimundo, a 20 de setembro de 1107, cerca de dois anos depois de assinado o pacto. Politicamente, esta morte não teve grande impacto no casal Henrique/Teresa. A descendência de Afonso VI estava decidida: o infante D. Sancho seria o próximo imperador da Hispânia.
Não tinha, porém, passado ainda um ano sobre a morte de Raimundo, quando se deu mais uma viragem, esta sim, modificando a História de toda a Península Ibérica: o infante D. Sancho morreu, com apenas quinze anos.
O pai nomeara-o responsável pela defesa de Toledo, apesar de ele ser ainda tão jovem. E o rapaz pereceu na Batalha de Uclés, na sequência de um ataque sarraceno.
O imperador perdeu o seu único filho varão. E o conde D. Henrique era agora o seu único genro. D. Urraca, a herdeira legítima, nascera com um problema para aquela época: era mulher!
Henrique elevou a fasquia das suas ambições. Só assim se compreende o gravíssimo enfrentamento que o opôs ao monarca [Afonso VI], pouco antes da morte deste. (1)
O “nosso” conde D. Henrique, esse homem que a nossa historiografia apresenta como um modelo de virtudes, tudo fez para evitar que o sogro nomeasse a própria filha como herdeira Por isso, se deu um gravíssimo enfrentamento (1) entre ele e Afonso VI.
Como vemos, Henrique não pensava sequer em elevar o seu condado Portucalense a reino e tornar-se independente. Henrique pretendia reinar sobre Leão e Castela, pretendia o lugar de imperador de toda a Hispânia.
(1) TERESA, A CONDESSA-RAINHA, Luís Carlos Amaral e Mário Jorge Barroca, Temas e Debates 2020, p. 161


