Andanças Medievais
& outras que tais (pois nem só de "medievalidades" vive a Mulher)
Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
15 de março de 2026
8 de março de 2026
Rapidinhas de História #48
A MISOGINIA NOS ESCRITOS MEDIEVAIS (11)
Existe um grande contraste entre o conteúdo das crónicas medievais e a actuação de D. Teresa.
"Nada nos autoriza a distinguir D. Teresa de D. Henrique".
(historiadores Luís Carlos Amaral e Mário Jorge Barroca)
1 de março de 2026
Rapidinhas de História #47
A MISOGINIA NOS ESCRITOS MEDIEVAIS (10)
Em relação às mulheres, também Herculano adotou e propagou a visão medieval.
22 de fevereiro de 2026
Rapidinhas de História #46
INDEPENDÊNCIA (5)
O processo de independência de Portugal foi "uma evolução na longa duração".
(as palavras entre aspas pertencem à historiadora Maria João Branco)
16 de fevereiro de 2026
Para lá do Marão... (3)
Pauliteiros e Caretos estiveram relacionados com manifestações religiosas e é interessante verificar o esforço da Igreja, noutros tempos, em conciliar hábitos pagãos com ritos católicos.
15 de fevereiro de 2026
Rapidinhas de História #45
INDEPENDÊNCIA (4)
Não se pode "colar uma data precisa" à independência de Portugal.
(historiadora Maria João Branco)
12 de fevereiro de 2026
Para lá do Marão... (2)
Texto de autoria de Rui Rendeiro Sousa, partilhado (assim como a imagem) no grupo Memórias... e outras coisas - BRAGANÇA:

8 de fevereiro de 2026
Rapidinhas de História #44
INDEPENDÊNCIA (3)
O título real de Afonso Henriques não implicava a independência de Portugal.
7 de fevereiro de 2026
Para lá do Marão... (1)
Texto de autoria de Rui Rendeiro Sousa, partilhado (assim como a imagem) no grupo Memórias... e outras coisas - BRAGANÇA:

1 de fevereiro de 2026
Rapidinhas de História #43
INDEPENDÊNCIA (2)
Nem a Afonso Henriques, nem ao cardeal, conviria abordar a questão da independência, em Zamora.
27 de janeiro de 2026
Um ano com D. Dinis (74)
HÁBITOS RELIGIOSOS
Faz hoje 719 anos que o bispo de Lisboa, D. João Martins de Soalhães, colaborador de D. Dinis desde o início do reinado, reuniu um sínodo, procurando a formação do clero paroquial, a fim de prestigiar o ministério. Igualmente se procurou promover o matrimónio religioso, erradicar a bigamia e inculcar a prática da confissão anual ao respetivo pároco.
A necessidade de reunir um sínodo, a fim de tratar destes assuntos, é elucidativa em relação a alguns costumes medievais portugueses, o que vem contradizer a imagem medieval de profundos hábitos religiosos e morais.
Na verdade, o povo estava ainda muito ligado a ritos pagãos. E o casamento religioso só quase se verificava no seio da nobreza. Entre o povo, dominavam as relações de facto.
A Igreja tentava, desde o século XI, moralizar os costumes. Mas só para o fim da Idade Média (segunda metade do século XIII e todo o século XIV) as práticas e os sacramentos se começaram a generalizar.
Com este post, dou por findo o ano dedicado a D. Dinis, iniciado a 30 de Janeiro de 2025. Encontram todos os posts na "pasta" umanocomddinis. Obrigada pela vossa atenção e pelos comentários.
21 de janeiro de 2026
Um ano com D. Dinis (73)
TUTORA DOS BASTARDOS

A 21 de janeiro de 1298, D. Dinis fez de D. Isabel tutora de três dos seus filhos bastardos - Pedro Afonso, Afonso Sanches e Fernando Sanches -, para o caso de morrer antes dela e da maioridade dos filhos. Li algures que tal atitude seria um abuso, só permitido pelas qualidades de santa da rainha. Na verdade, porém, a aceitação de filhos do rei fora do casamento, pela rainha sua esposa, não era tão raro como isso, um pouco por toda a Europa. Dependia muito dos casos e das circunstâncias. Muitos desses filhos, reconhecidos pelo pai, eram educados e integrados na corte. Como vemos, já nesses tempos, a família tradicional nem sempre era o modelo.
A vida conjugal de D. Dinis e de D. Isabel levanta algumas interrogações. Apesar de terem estado mais de quarenta anos casados, só tiveram dois filhos, nascidos nos primeiros anos da união. Especular sobre as razões, não nos leva a lado nenhum. No entanto, sabendo ser a missão principal de uma rainha gerar o herdeiro do trono e tendo conhecimento da profunda religiosidade de D. Isabel, usei a hipótese, no meu romance, de ela ter optado pelo celibato, depois de ter dado à luz o infante D. Afonso, considerando a sua missão cumprida. Notemos que a infanta D. Constança nasceu apenas um ano antes do irmão. E, depois dele, não veio mais nenhum!
Inverti, assim, um pouco os papéis. Apesar de não lhe agradarem as aventuras do marido, não era propriamente D. Isabel a pessoa mais amargurada, neste casamento. Era, sim, D. Dinis. Ao ver-se casado com uma "santa".
Nota: a capa do livro de Mário Domingues serve apenas para representar o casal. É interessante verificar que D. Dinis surge aqui parecido com a reconstrução do seu rosto, feita a partir do seu crâneo.
20 de janeiro de 2026
Manifesto eleoitoral de uma votante PSD
Não é segredo para ninguém que Ventura persegue um único objectivo: ser o líder da "direita" em Portugal. Para isso, ele tem de destruir o PSD!
Ao contrário do que muita gente (do PSD e CDS) diz, tentando justificar o seu voto em Ventura, António José Seguro será muito melhor Presidente para Luís Montenegro. Seguro é uma pessoa democrática, moderada e cumprirá a nossa Constituição, em qualquer circunstância.
Tal como Trump (o seu grande modelo inspirador), Ventura não respeita leis, nem regras. Como Presidente, tudo fará para destruir o governo de Montenegro, a fim de surgir, depois, como o "grande líder", apresentando o seu partido como a única alternativa para pessoas que não se reconheçam nos partidos da esquerda.
A campanha de Ventura, para esta 2ª volta, vai ser suja, falsa, sem escrúpulos. A propaganda chegana já começou, com a divulgação de um texto, supostamente de autoria de Miguel Esteves Cardoso, de apoio a Ventura. Um texto falso! E isto é só o começo.
Como o Sérgio de Almeida Correia já aqui disse, Luís Montenegro comete um grande erro, ao não aconselhar o voto am Seguro. Montenegro devia preocupar-se mais com a franja do eleitorado que oscila entre o PSD e o PS, do que piscar o olho aos radicais. Ele devia dizer claramente que Seguro dá mais garantias de cumprir a Constituição e salvaguardar a democracia. Montenegro devia, acima de tudo, demarcar-se de qualquer forma de extremismo.
Estou com eles:




Sérgio de Almeida Correia referiu ainda Rui Moreira, Carlos Carreiras, José Eduardo Martins, António Capucho e Pacheco Pereira terem revelado o seu apoio a Seguro.
Não votei na 1ª volta. Aliás, nunca votei nas presidenciais, desde que estas ficaram acessíveis aos emigrantes. Mas, no dia 8 de Fevereiro, vou fazer 100km (ida e volta) para votar no Consulado de Hamburgo!
Contra a "trumpização" de Portugal!
Pela democracia!
Por um PSD com futuro!
18 de janeiro de 2026
Rapidinhas de História #41
A rainha D. Urraca era comparada a Jezabel.
«quanto mais o poder transparecia, mais o processo de demonização da mulher tinha de ser eficaz»
Maria do Rosário Ferreira (historiadora)
15 de janeiro de 2026
Um ano com D. Dinis (72)
TRANSFERÊNCIA DO ESTUDO GERAL DAS CIÊNCIAS
Em Janeiro de 1307 (não se sabe o dia) fez-se o primeiro pedido de transferência, de Lisboa para Coimbra, do Estudo Geral das Ciências, percursor da Universidade.
O Estudo Geral tinha sido fundado em Agosto de 1290, em Lisboa, através da bula De Statu Regno Portugaliae, emitida pelo papa Nicolau II. Poucos anos depois, iniciaram-se conflitos com a Casa da Moeda em relação ao terreno que D. Dinis doara para a construção do edifício, no Campo da Pedreira à Lapa, perto do Mosteiro de São Vicente de Fora. Também haveria conflitos entre os estudantes e a população de Lisboa, embora os motivos, tanto para uns, como para outros, não sejam hoje claros. No meu romance, tentei dar uma explicação plausível:
O Estudo Geral, porém, continuava a ser um problema bicudo. A contestação dos escolares aumentava, pois a Casa da Moeda instalara-se definitivamente naquele que havia sido o seu edifício e o rei ainda não conseguira disponibilizar os terrenos para a construção de um novo. As querelas descambavam, muitas vezes, em autênticas zaragatas, que se alargavam à população residente à volta do bairro dos estudantes. Estes, por seu turno, reclamavam do monarca a proteção especial que Nicolau IV lhes havia destinado. E Dinis ponderava a transferência do Estudo Geral. Custava-lhe afastá-lo de Lisboa, mas a situação tornava-se insustentável.
Considerava a hipótese de Coimbra. O Estudo Geral teria de se situar obrigatoriamente numa cidade, já que era o bispo quem concedia o grau de licenciado aos estudantes. Santarém e Leiria, por exemplo, não sendo assento episcopal, possuíam apenas o estatuto de vila. Em Portugal, havia apenas nove cidades, tantas, quantos os bispos: a Braga arquiepiscopal à cabeça, seguindo-se Lisboa, Coimbra, Porto, Lamego, Viseu, Guarda, Évora e Silves.
A transferência para Coimbra foi autorizada pelo papa Clemente V em 26 de fevereiro de 1308. No entanto, a Universidade mudaria de local várias vezes, entre Lisboa e Coimbra, e só ficou definitivamente instalada junto ao Mondego mais de dois séculos depois da morte de D. Dinis.
À altura da Fundação do Estudo Geral das Ciências de Lisboa, já existiam as Universidades de Paris, Oxford, Cambridge, Nápoles, Pádua, Montpellier e Salamanca, todas fundadas na primeira metade do século XIII. Bolonha, a mais antiga, foi fundada ainda no século XII.

Estátua de D. Dinis, em Coimbra
