Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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16 de setembro de 2016

Dom Dinis protege os Templários

O papa Clemente V enviou a Dom Dinis a bula Callidi serpentis vigil, recomendando-lhe a prisão definitiva dos Templários. Alguns eclesiásticos portugueses, como os Cónegos Regrantes de Santa Cruz e o bispo da Guarda, insistiram em que se cumprisse a bula papal. No fundo, pretendiam apoderar-se dos bens que haviam pertencido aos Templários.

A esse propósito, um excerto do meu romance, em que o bispo da Guarda Dom Vasco Martins de Alvelos expressa a sua indignação a Dom Dinis:

- Ignorais uma bula papal? E olvidais que Jacques de Molay confessou os pecados mais terríveis? Heresia, usura, sodomia! Se os franceses se davam a essas práticas repugnantes, os hispânicos não serão muito diferentes…
- Credes realmente que os freires do Templo fomentavam tais costumes? - contrapôs Dinis. - Sob tortura, qualquer um é levado a confessar principalmente o que não fez. Além disso, o Mestre francês desmentiu a sua confissão dois meses mais tarde.
- O que prova a sua falta de carácter!
- Ou constatar o não cumprimento de certas promessas?
O bispo olhou o seu monarca desconfiado:
- Que quereis dizer?
- Frei Vasco Fernandes é de opinião que Jacques de Molay terá confessado os crimes, acima de tudo, perante a promessa de que os restantes irmãos seriam poupados aos suplícios. Mais tarde, ao verificar que tal não passava de uma mentira, desmentiu a sua confissão.
- Ora, Alteza, é claro que eles se protegem uns aos outros. A opinião de Frei Vasco Fernandes, neste caso, é mais que suspeita.
Dinis olhou o prelado de soslaio, convencido de que ele cobiçava o património dos freires. Retorquiu:
- Tenho Frei Vasco Fernandes em grande estima e confio no seu juízo. Como aliás em todos os membros portugueses da Ordem. Bem sabeis como eles sempre lutaram com bravura contra a ameaça sarracena e como a sua presença é preciosa em muitos pontos da fronteira, garantindo a defesa e o povoamento.
Depois de um momento de vacilação, o bispo insistiu:
- As bulas papais são para se cumprirem!
- Pois eu estou certo que na Hispânia não se ateará uma fogueira que seja contra os Templários. Nem tão-pouco se procederá à alienação dos seus bens.


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No Brasil, está disponível na Livraria Saraiva e na Livraria Cultura.

Para adquirir a versão em papel, contacte-me através do email andancas@t-online.de.

14 de setembro de 2016

O Fim dos Templários

Fonte da Imagem

A 14 de Setembro de 1307, partiram da chancelaria do rei francês Filipe IV cartas lacradas, de conteúdo secreto, para vários pontos do reino, com a ordem de serem abertas apenas a 13 de Outubro. Tratava-se da ordem de prisão de todos os Templários franceses que assim os apanhou de surpresa, não lhes dando tempo de se precaverem.

Entre os dias 24 e 25 de Outubro, o Mestre da Ordem Jacques de Molay confessou, sob tortura, os crimes de que era acusado, confissão que aliás desmentiu a 24 de Dezembro, mas que não o livrou de ser queimado em Paris, a 18 de Março de 1314. Na hora da morte, o Mestre francês lançou uma profecia: o papa e o rei haveriam de se lhe juntar ainda antes do término daquele ano. De facto, Clemente V morreu a 20 de Abril (pouco depois de autorizar a fundação do mosteiro de Santa Clara de Coimbra) e Filipe IV o Belo a 29 de Novembro.

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Fonte da Imagem

 
Através da bula Pastoralis praeeminentiae, o papa Clemente V recomendou a todos os príncipes da Cristandade a prisão dos Templários e a confiscação dos seus bens, à semelhança do que se passava em França, e, por toda a Europa, os freires são presos, torturados e queimados. A Ordem do Templo só viria a ser definitivamente extinta a 22 de Março de 1312, através da bula Vox in excelso.

A Península Ibérica constituiu uma exceção. Dom Dinis suprimiu a Ordem, mas manteve os seus membros na clandestinidade. Sabedor da situação, o papa Clemente V enviou-lhe, a 30 de Dezembro de 1308, a bula Callidi serpentis vigil, recomendando-lhe a prisão definitiva dos Templários. Alguns eclesiásticos portugueses, como os Cónegos Regrantes de Santa Cruz e o bispo da Guarda, insistiram em que se cumprisse a bula papal. No fundo, pretendiam apoderar-se dos bens que haviam pertencido aos Templários e Dom Dinis iniciou um processo para que esses bens fossem incorporados na Coroa.

A 12 de Maio de 1310, depois de o Concílio de Salamanca declarar a inocência dos Templários hispânicos, Dom Dinis e Fernando IV de Castela estabeleceram um pacto de defesa e conservação dos bens dos freires contra qualquer decisão em contrário, mesmo vinda do papa. Jaime II de Aragão associou-se em 1311 a este acordo.

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Fonte da Imagem

À semelhança do cunhado aragonês, Dom Dinis acabou por criar uma nova Ordem, a Ordem de Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo, autorizada pelo papa João XXII através da bula Ad ea ex quibus, de 14 de Março de 1319, em que instava os freires a manterem a cruzada religiosa contra os sarracenos. Todos os bens que haviam pertencido aos Templários portugueses foram transferidos para a Ordem de Cristo a 24 Junho de 1319. Os primeiros estatutos da Ordem foram aprovados a 11 de Junho de 1321.



Dom Dinis Papel (1).JPG


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9 de agosto de 2016

Fundação do Estudo Geral das Ciências de Lisboa

Depois de, a 30 de Junho de 1290, ter decretado o fim do interdito a que o reino português esteve sujeito durante vinte e três anos, o papa Nicolau II emitiu, a 9 de Agosto de 1290, a bula De Statu Regno Portugaliae, confirmando a fundação do Estudo Geral das Ciências de Lisboa, percursor da Universidade.

A Universidade foi de facto fundada em Lisboa. Durante muito tempo, oscilou entre Lisboa e Coimbra, e só se estabeleceu definitivamente junto ao Mondego em 1537, mais de duzentos anos depois da morte de Dom Dinis.

A bula De Statu Regno Portugaliae confirmava o ensino de Cânones, Leis, Medicina e Artes e autorizava a concessão de grau de licenciado pelo bispo ou vigário da Sé lisbonense. Contudo, apenas dez anos depois, começaram os problemas. Não se sabendo exatamente qual a sua origem, é conhecido que, ainda antes da autorização papal, as aulas já decorriam num edifício situado no Campo da Pedreira à Lapa. A 4 de Setembro de 1300, porém, Dom Dinis tentou disponibilizar outro terreno para a construção de um edifício para o Estudo Geral, por ter problemas com a Casa da Moeda.

Em Janeiro de 1307, é feito o pedido de transferência para Coimbra, autorizado por Clemente V a 26 de Fevereiro de 1308 e, a 15 de Fevereiro de 1309, pela Charta magna privilegiorum, Dom Dinis estipula os estatutos do Estudo Geral de Coimbra.


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8 de junho de 2016

O papa que aboliu os Templários

Imagem Wikipedia

Em Junho de 1305 foi eleito o papa que haveria de abolir a Ordem dos Templários.

Filipe IV de França conseguiu que fosse eleito o cardeal francês Bertrand de Gouth, que ele manipulava e que adotou o nome de Clemente V. O monarca francês pretendia aniquilar os cavaleiros do Templo e iniciou uma grande campanha de difamação. As razões para tal são obscuras, pensa-se que a principal terá sido apoderar-se do património dos Templários. Mas teria sido apenas isso, ou teria Filipe IV realmente provas dos crimes que lhes eram imputados?

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 Imagem daqui

O certo é que Dom Dinis, à semelhança dos outros reis hispânicos, não se deixou influenciar e tudo fez para proteger os Templários. Perante a evidência da abolição da Ordem, o monarca criou outra, a Ordem de Cristo, para onde transferiu todos os cavaleiros do Templo e seu património.

Como já aqui referi, o Mestre dos Templários francês, Jacques de Molay, profetizou, ao ser queimado, que ainda antes do fim desse ano de 1314, os dois maiores responsáveis pela destruição da sua Ordem morreriam. De facto, Clemente V morreu passado cerca de um mês, a 20 de Abril, com cinquenta anos. E o rei francês Filipe IV acabaria por sucumbir a um acidente de caça, a 29 de Novembro, com apenas quarenta e seis.

Clemente V foi igualmente o papa que deu autorização a Dona Isabel para fundar o mosteiro de Santa Clara em Coimbra.

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 Imagem daqui

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19 de abril de 2016

Mosteiro de Santa Clara de Coimbra e Clemente V

Mosteiro de Santa Clara

A 19 de Abril de 1314, Dona Isabel obtém, do papa Clemente V, autorização para fundar o mosteiro de Santa Clara em Coimbra. Neste mesmo dia, a rainha fez o seu primeiro testamento, onde expressa o desejo de ser enterrada em Alcobaça, desejo que virá a modificar num outro testamento, optando por Santa Clara. É curioso verificar que não desejou ser sepultada junto de Dom Dinis, no mosteiro de Odivelas. O Rei Lavrador morreu onze anos antes dela.

Clemente V foi o papa que extinguiu os Templários, tão energicamente defendidos por Dom Dinis, e é curioso verificar que a autorização para a fundação do mosteiro de Santa Clara terá sido das últimas, senão a última, que outorgou, pois morreu apenas um dia depois.
Com a sua morte, cumpria-se a primeira parte da profecia do Mestre francês dos Templários, Jacques de Molay, que, a 18 de Março de 1314, dia em que foi queimado como herege, perto de Paris, previu que o papa e o rei responsáveis pela supressão dos Templários morreriam nesse mesmo ano. De facto, também o rei Filipe IV de França morreu em 1314 (29 de Novembro)!

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 Imagem daqui