Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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16 de julho de 2011

Prenda de Aniversário

Esta última semana trouxe-me duas boas notícias (mal-grado as informações falsas de certas livrarias - ver post anterior): a opinião do Manuel Cardoso sobre Afonso Henriques - o Homem e o facto de a organização da Viagem Medieval de Santa Maria da Feira ter resolvido promover o meu romance. E como tudo culmina no meu aniversário, precisamente hoje, resolvi dar-me este post, que agora escrevo, de prenda.

São estas "pequenas grandes" coisas que me motivam, que me dizem que valeu a pena embarcar nesta aventura da escrita. Porque a compensação monetária nunca a terei. Foram horas, semanas, meses e anos investidos num projecto em que teimei acreditar, por mais que me quisessem convencer de que não valia a pena:

"Os escritores de romances históricos têm toda uma equipa a trabalhar para eles. Tu, sozinha, pensas que chegas onde?"
"Como podes pôr o Afonso Henriques a ter atitudes destas? Sabe-se lá como ele era."
"Isto veio mesmo da tua cabeça? Não leste nalgum lado? Cuidado com o plágio! Sabes o que é o plágio?"

Cheguei a ouvir mimos destes, ditos por familiares, que, pelos vistos, nunca se aperceberam de que há uma coisa chamada motivação, que se deve usar em relação àqueles que amamos.

Aprendi muito pouco sobre História de Portugal, o 25 de Abril apanhou-me na 3ª classe, pelo que fiz o ciclo preparatório e quase todo o liceu nos tempos conturbados que se seguiram à Revolução dos Cravos. Não sei se a nossa História ficou "esquecida" como reacção ao exagero do tempo da ditadura, ou, simplesmente, por falta de coordenação do Ministério responsável. Muitas vezes, os governos sucediam-se em catadupa. Mas é um facto: quem fez o ciclo/liceu entre os anos lectivos de 1975/76 e 1983/84 pouco ouviu falar de História de Portugal!

Vivendo no estrangeiro, não foi fácil pesquisar, impossibilitada de consultar regularmente as nossas bibliotecas. Apesar de me fartar de gastar dinheiro em livros, nas minhas estadias em Portugal,  constatava, em casa, depois de os ler, de tirar apontamentos e de organizar o enredo, que me surgiam dúvidas só susceptíveis de serem esclarecidas com a aquisição de novos livros.

Fiz uma odisseia pelas editoras, "coleccionei" recusas. Até à publicação do primeiro livro, foram vários anos de esperanças, desilusões e o "cerrar de dentes", a fim de ganhar novo alento. Mas li, algures, que a única diferença entre um escritor que publica e outro que não o consegue, é que o primeiro não desiste. E fiz desse princípio o meu lema.

Os sonhos são realizáveis, quando descobrimos a nossa vocação e acreditamos em nós próprios. Porque nós, os anónimos, os que começamos do zero, no início, só temos o sonho.

Continuação de bom-fim-de-semana para todos!

20 de fevereiro de 2011

Teimosia

Nota: Não pretendo "catequizar" ninguém, apenas, digamos, proporcionar matéria de reflexão. Interesso-me por Psicologia e leio muito sobre o tema. Este post, à semelhança do Relativizar (e outros que se seguirão) resultam dessas leituras e exprimem aquilo que me parece correcto.






A teimosia é vista como um grande defeito, algo a corrigir, principalmente, quando a pessoa "teimosa" ignora conselhos que lhe sejam dados e persiste na sua intenção.

Eu já aqui chamei a atenção para a frase do Prof. Eduardo Sá, autor do livro Sindicato da Bondade: "Ninguém educa com bons conselhos, mas com bons exemplos". Crianças e jovens, principalmente, não têm paciência para ouvir "bons conselhos", preferem ficar à espreita da primeira oportunidade de os contrariar.

Se alguém (seja criança, ou adulto) insiste em fazer algo, claro que se lhe pode dar a nossa opinião, mas seria bom que prescindíssemos de censurar, ou julgar, essa pessoa, por ela levar a sua avante. A melhor maneira de aprendermos algo é cometendo erros.


Eddie


Os animais não entendem a nossa linguagem, o que nos treina a aceitar a teimosia, ao mesmo tempo que nos mostra como as experiências (principalmente, as más) ensinam melhor do que qualquer conselho. Tivemos um cãozinho (o nosso saudoso Eddie) que, em cachorrinho, insistia em transportar pauzitos na boca ao comprido, assim como se de um charuto se tratasse. Tínhamos medo que ele se magoasse e fazíamos trinta por uma linha para lhe dar a entender que era muito melhor transportar aquele objecto atravessado. Em vão, claro. Por outro lado, não queríamos impedir que ele brincasse com pauzitos e íamos aturando aquele comportamento. Até ao dia em que um pauzinho bateu no chão e a outra extremidade lhe foi de encontro ao céu da boca. O Eddie ganiu com dores. Mas, a partir daí, transportou sempre os pauzitos como devia ser!

Os pais gostariam de poupar os filhos a experiências más e/ou dolorosas, mas, na verdade, assim se aprendem as lições para a vida. Como nos diz o psicólogo alemão Karl König, a aprendizagem resultante da sequência tentativa/erro é essencial para a criança. O papel dos pais será mais o de acompanhantes, mostrando compreensão para os problemas e as angústias dos filhos, independentemente da idade destes. Claro que também são orientadores, mas, na medida do possível, sem julgamentos ou censuras. Não é vergonha nenhuma admitir que se errou, pelo contrário. Por isso, será bom evitar frases do género: "Estás a ver? Eu bem te disse. Bem feito!" Isto gera vergonha, por se ter errado. E, ainda, raiva, revolta e falta de confiança nas próprias capacidades.



Foto recebida por email sem indicação da fonte


Em vez de teimosa, eu prefiro dizer que sou persistente, que tenho objectivos a atingir e que não deixo que ninguém me impeça de fazer aquilo que acho certo (não vale prejudicar terceiros, claro). Se, mais tarde, constato que estava errada, resta-me a grandeza de o admitir. Sem vergonha!