Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

02 novembro 2016

Dom Pedro III de Aragão

Pedro III de Aragão
Por Manuel Aguirre Y Monsalbe, 1854
Imagem Wikipedia

A 2 de Novembro de 1285 morreu o rei Dom Pedro III de Aragão, denominado o Grande, pelas suas conquistas militares, com apenas quarenta e seis anos. Dom Pedro III era o pai da rainha Santa Isabel. Não sabemos qual o efeito que o acontecimento teria causado em sua filha, que já estava em Portugal há dois anos e meio. Segundo a tradição, Dona Isabel era muito chegada ao pai, palavras que tudo e nada dizem. No entanto, considerando que Dona Isabel estava ainda a dois meses de completar quinze anos e seria dona de um carácter sensível, eu criei esta cena no meu romance:

De repente, os alões deitados em frente à lareira levantaram-se, a ladrar como doidos. Dinis bradou:
- Mas que vem a ser isto?
- Virá por aí alguém? - sugeriu Pêro Anes Coelho.
- A esta hora? Num tempo destes?
Dinis virou-se para Isabel e assustou-se: a cor sumira das suas faces, a rainha apresentava uma palidez cadavérica, uma das mãos agarrava o vestido à altura do peito. O monarca inquiriu:
- Que tendes? Não vos sentis bem?
Isabel apontou-lhe olhos aterrorizados:
- Uma desgraça sucedeu!
- Que dizeis?
- As más novas não tardarão!
Apesar de assustado, Dinis não queria conceber a ideia de que o momento doce e mágico terminara. Aquela noite pertencia-lhes, não lhes podia fugir! Pegou-lhe nas mãos, invulgarmente gélidas, e acrescentou:
- Enganais-vos! Quem viria a esta hora dar-nos más notícias? Os cães ficaram nervosos com o uivar dos lobos, é só.
Isabel fixava-o angustiada. E, de repente, irromperam na sala dois cavaleiros com os seus capotes cobertos de neve. Isabel começou a tremer, mas Dinis teve de a largar para ir ajudar Pêro Anes Coelho e João Anes Redondo a segurar os alões, que ameaçavam despedaçar as vestes dos recém-chegados.
- Quem sois? - bradou o rei. - Que fazeis aqui? Porque vos deixaram entrar?
- Vimos de Aragão, Alteza!
- Meu Deus! - gritou Isabel.
Levantou-se, foi ao encontro deles e os cães acalmaram-se como por encanto. Dirigiu-se mortificada aos cavaleiros:
- Trata-se de meu pai, não é verdade? Que lhe sucedeu? Dizei! Dizei!
- Lamentamos ter de vos informar que el-rei Dom Pedro III se finou no passado dia 2 deste mês de Novembro.
Gerou-se um silêncio sepulcral. Até que se ouviram mais uivos. Isabel desfaleceu de encontro a Dinis, que guisou de a segurar nos braços. Aquele corpo, leve como uma pena, que ainda há momentos emanava calor, envolvido num vago perfume a rosas, estava agora inanimado e frio. Como se ela própria houvesse morrido…
Carregando-a nos braços, Dinis desceu a escada exterior da torre de menagem e caminhou pela neve que lhe chegava às canelas. Pêro Anes Coelho, que os seguira, bateu à porta da casa da rainha, arrancando as damas e as camareiras do seu sono, que mais sobressaltadas ficaram, ao dar com Isabel desfalecida nos braços do rei.

Dom Dinis Série (1).JPG

O meu romance sobre Dom Dinis está à venda sob a forma de ebook, por exemplo, na LeYa Online, na Wook, na Kobo e na Amazon (pagamento em euros); Amazon (pagamento em dólares).

No Brasil, está disponível na Livraria Saraiva e na Livraria Cultura.

Para adquirir a versão em papel, contacte-me através do email andancas@t-online.de.

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