Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

31 janeiro 2016

Cidades Medievais Portuguesas (13)

Embora se saiba hoje que a ligação de D. Afonso Henriques a Guimarães não seria tão grande como se costumava pensar, não há dúvida de que esta cidade foi a base para a sua liderança incontestável do condado Portucalense. Porque aqui nasceu Portugal e porque Guimarães tem também um lindíssimo centro histórico, resolvi dedicar-lhe mais um post.




























Em Guimarães, todos podem ser Afonso Henriques!

29 janeiro 2016

Os Melhores Romances



O Projecto Adamastor tinha levado a cabo um inquérito, no último trimestre de 2015, a fim de apurar quais «os melhores romances escritos em língua portuguesa». Os resultados foram publicados e, se não houve grandes surpresas, é sempre interessante verificar quais as preferências dos participantes.

Os grandes vencedores são Eça de Queirós e Saramago. Se Os Maias venceu na categoria de romance, o nosso único Nobel é o primeiro entre os autores. Nesta lista também constam escritores contemporâneos, alguns ainda jovens.




Em paralelo com o inquérito público, o Projecto Adamastor contactou igualmente diversos profissionais ligados à área da edição, por forma a avaliar quais as suas escolhas. Os resultados deste segundo inquérito serão publicados brevemente.

Lembro que no Projecto Adamastor se pode fazer o download gratuito de muitos clássicos da literatura em língua portuguesa.



27 janeiro 2016

Hábitos religiosos

Faz hoje 709 anos que o bispo de Lisboa Dom João Martins de Soalhães, colaborador de Dom Dinis desde o início do reinado, reuniu um sínodo, procurando a formação do clero paroquial a fim de prestigiar o ministério. Igualmente se procurou promover o matrimónio religioso, erradicar a bigamia e inculcar a prática da confissão anual ao respetivo pároco.

A necessidade de reunir um sínodo, a fim de tratar destes assuntos, é elucidativa em relação a alguns hábitos medievais portugueses, por parte do povo comum, o que vem contradizer a imagem medieval de profundos hábitos religiosos e morais.

Na verdade, o povo estava ainda muito ligado a ritos pagãos. A Igreja tentava, desde o século XI, moralizar os costumes, mas só para o fim da Idade Média as práticas e os sacramentos se começaram a generalizar.


25 janeiro 2016

24 janeiro 2016

Cidades Medievais Portuguesas (12)


Aqui nasceu Portugal - é assim que a cidade de Guimarães se dá a conhecer.


O nome Portugal deriva de Portucale, ou seja, do conjunto formado pelas atuais Porto e Gaia, um importante centro mercantil já antes da era romana. Era de facto, porém, na região de Braga e Guimarães que se encontrava o coração da terra, mais tarde condado, portucalense. A nobreza de Entre Douro e Minho, descendente dos condes representantes dos reis de Leão, concentrava-se à volta dessas duas cidades.


Como todos sabemos, essa nobreza tornou-se cada vez mais autónoma e, numa época de grandes convulsões, a fim de principalmente se demarcar da galega, reuniu-se à volta de Dom Afonso Henriques, neto do falecido imperador hispânico Afonso VI.


Aqui nasceu Portugal porque, através da Batalha de São Mamede, às portas do castelo de Guimarães, Afonso Henriques conseguiu o controlo do condado Portucalense, repudiando sua mãe, que governara o condado durante dezasseis anos, desde que enviuvara, em 1112.


O que muitas vezes se esquece é que, à data da batalha, 14 de Junho de 1128, Afonso Henriques tinha à volta de vinte anos e não fazia ainda ideia do que o futuro lhe reservava. Talvez já ambicionasse ser rei, por sua mãe se haver intitulado rainha, mas nem isso se pode provar, apenas conjeturar.


Afonso Henriques ficou identificado com Guimarães porque escolheu esta cidade para, digamos, seu quartel-general, enquanto exercia oposição a sua mãe e ao conde galego Fernando Peres de Trava. Fica, porém, por dizer que, pouco depois da Batalha de São Mamede, por volta de 1130, Afonso Henriques se mudou para Coimbra, a maior cidade do condado Portucalense.


O nosso primeiro rei viveu em Coimbra mais de cinquenta anos e poucas vezes terá tornado a Guimarães.


Nasceu Afonso Henriques em Guimarães? Não se sabe! Essa problemática tem sido objeto de estudo de vários historiadores, nos últimos anos.


O Dr. Abel Estefânio, que já em 2010 havia publicado um artigo sobre o tema na Medievalista online, tornou a publicar um novo, recentemente, depois de aturadas pesquisas para traçar o paradeiro de Dona Teresa e do conde Dom Henrique, pais de Afonso Henriques, entre 1103 e 1109. Ainda não tive ocasião de o ler, mas fá-lo-ei brevemente e aqui darei conta dele.


De uma coisa não há dúvida: Guimarães encerra uma magia especial, no que se refere à fundação da nossa nacionalidade. E a Batalha de São Mamede permitiu o espaço de que Dom Afonso Henriques precisava para desenvolver a sua vida, a sua força e o seu carácter. Com os resultados que se conhecem!



VIVA GUIMARÃES!



Fotos © Horst Neumann




21 janeiro 2016

Tutora dos Bastardos




Estátuas de Dom Dinis e Dona Isabel em Leiria

A 21 de Janeiro de 1298, Dom Dinis fez de Dona Isabel tutora de três dos seus filhos bastardos - Pedro Afonso, Afonso Sanches e Fernando Sanches -, para o caso de morrer antes dela e da maioridade dos filhos. Li algures que tal atitude seria um abuso, só permitido pelas qualidades de santa da rainha. Na verdade, era comum os reis medievais terem filhos ilegítimos, perfeitamente aceites pelas rainhas, suas esposas.

Além disso, a vida conjugal de Dom Dinis e de Dona Isabel levanta várias interrogações. Apesar de terem estado mais de quarenta anos casados, só tiveram dois filhos, nascidos nos primeiros anos. Por outro lado, Dom Dinis teve sempre barregãs. Um indício de que não haveria vida conjugal entre o casal real? Teria Dona Isabel optado pelo celibato, considerando a sua missão cumprida, depois de ter dado à luz o príncipe herdeiro? Ou teria ficado infértil, devido a um parto difícil?

Perguntas que ficarão para sempre sem resposta.


19 janeiro 2016

Na Berma de Nenhuma Estrada





São trinta e oito contos de Mia Couto, muito curtos (no máximo, cinco páginas), selecionados de entre publicação dispersa por jornais e revistas. É escusado salientar a qualidade literária das obras deste escritor moçambicano, um dos maiores vultos atuais da literatura em língua portuguesa. Uma das suas marcas é a criação de palavras, tantas, que não vale a pena listar aqui, nunca conseguiria referi-las todas. Opto por referir a minha preferida (pelo menos, neste livro): “tristemunha”.

A escrita é muito densa, as imagens e metáforas sucedem-se umas às outras, no que subsiste sempre o perigo de se tornarem vulgares. Para mim, foi igualmente interessante sentir a mentalidade e o modo de vida africanos, pelos quais tenho grande curiosidade. Não posso, porém, dizer que os contos me tenham cativado. Uma coisa é reconhecer a qualidade literária, outra coisa é encontrar uma leitura que realmente nos envolva. Houve um conto do qual gostei muito: Prostituição Auditiva. Gostei bastante de mais quatro ou cinco, mas o resto de facto não me cativou particularmente.

Foi o primeiro livro que li de Mia Couto e acho que, da próxima vez, experimentarei um romance. Quem sabe, não fique tão desiludida…