Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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30 de outubro de 2017

Fazer o Bem Faz Feliz


© Horst Neumann

Não acredito na Humanidade. Penso que acabará por se destruir a si própria, assim como o planeta onde vive.

Não há, porém, dúvida de que há seres humanos fantásticos.

O filho de uma antiga colega de liceu, reencontrada no Facebook, adoeceu com leucemia e precisou de um transplante de medula. Todos sabemos que é difícil encontrar um dador compatível e a família do jovem iniciou uma campanha naquela rede social. Soube, agora, que ele já fez o transplante. E este jovem, que acabou de entrar na Faculdade, pode enfim encarar o futuro com o otimismo próprio da idade.

Não nos devemos esquecer, porém, de alguém que, voluntariamente, se sujeitou a uma operação, para doar parte da sua medula e salvar uma vida. Esse alguém deve ser uma pessoa muito feliz, porque a generosidade faz feliz. Já a maldade, pelo contrário, pode proporcionar alguma satisfação momentânea, mas, a médio e longo prazo, deixa a pessoa extremamente infeliz e vazia.
 
Por isso, me pergunto: as pessoas que insistem em desejar e exercer o mal não se acham dignas de ser felizes?



26 de fevereiro de 2014

Arrependimentos

 Já por várias vezes li que, na iminênica da morte, as pessoas arrependem-se mais por aquilo que não fizeram do que pelo que fizeram. A australiana Bronnie Ware, que trabalhou vários anos como enfermeira em cuidados paliativos, confirma. Foi reunindo as suas experiências num blogue e, devido ao êxito alcançado, acabou por publicar o livro THE TOP FIVE REGRETS OF THE DYING - A Life Transformed by the Dearly Departing. Como o título indica, Bronnie Ware discorre sobre os cinco maiores arrependimentos dos pacientes que acompanhou.

1 - «Desejaria ter tido a coragem de viver a minha própria vida».
A autora chama a atenção para que muita gente passa a maior parte do tempo a fazer certas coisas, apenas por acreditarem que os outros esperam que elas façam.

2 - «Desejaria não ter trabalhado tanto».

3 - «Desejaria ter tido mais vezes a coragem de expressar os meus sentimentos».
Bronnie Ware escreve que, muitas vezes, recalcamos os nossos sentimentos para evitar discussões. Será que sempre se justifica?

4 - «Desejaria ter mantido o contacto com os meus amigos».

5 - «Desejaria ter-me permitido ser mais feliz».
A autora diz que todos nós temos a oportunidade de decidir quão felizes queremos ser, embora refira que as condições nem sempre são as melhores, como é o caso da pobreza, da falta de sucesso, ou mesmo da guerra.

Não há fórmulas de felicidade, mas penso que, de uma maneira geral, as pessoas não deviam ter tanto medo de procurarem satisfazer os seus desejos (desde que não se prejudique intencionalmente ninguém). E, em relação ao medo da morte, talvez ajude a última frase que um velho padre terá dito, ao morrer: «Agora, estou, acima de tudo, curioso»!*

* Lido na KirchenZeitung


3 de fevereiro de 2014

Silêncio



Neste nosso mundo apressado e barulhento, há muita gente à procura de silêncio. Na Alemanha, pode-se quase dizer que está na moda passar férias num convento (sim, também os há por aqui). Desligam-se os telemóveis, ipads, internet e passa-se o tempo a meditar e a passear pela natureza.

Mas basta isso para conseguirmos paz? E será a melhor estratégia esquecer os problemas, fazer de conta que eles não existem?

Muita gente segue uma linha estoica, a fim de criar uma espécie de resistência às dificuldades da vida, ignorando as emoções destrutivas. Wilhelm Vossenkuhl, um prestigiado professor de filosofia em Munique, com vários livros publicados, não vê vantagens nesta «estratégia da negação», como lhe chama, porque a pessoa gasta todo o seu tempo e a sua energia a recalcar o negativo. Cícero, por exemplo, terá tentado superar o desgosto pela morte da filha, alegando que o desagradável não é a morte em si, mas o pensar nela. Não pensando, ficamos imunes!

Anselm Grün, um monge beneditino, autor de vários livros sobre espiritualidade, acompanha pessoas que vão para o seu convento à procura de paz e, à semelhança de Wilhelm Vossenkuhl, não concorda com o estoicismo. Segundo ele, a alma só encontra o seu equilíbrio se admitir o negativo, pois só nos podemos libertar de algo que admitimos.

Para Anselm Grün, os conceitos de silêncio e sossego estão para além da mera ausência de ruídos, já que o mais importante é apaziguar o nosso interior. A uma senhora que lhe disse: «eu não posso ir para o meio do silêncio, sempre que o faço, sinto um vulcão a crescer dentro de mim», o beneditino respondeu: «deve gastar muita energia da sua vida a domar esse vulcão».

Sobre este tema e Anselm Grün continuarei no próximo post.


28 de outubro de 2013

Viver na ilusão

Há pessoas que vivem numa ilusão permanente. Talvez lhes custe pousar os pés na terra, o que é compreensível. Serão essas pessoas mais felizes? Por vezes, penso que sim, embora ache que, no fundo, tenham de fazer um grande esforço para ignorar a realidade. Por outro lado, levam esse exercício a uma tão grande perfeição, que se torna cada vez mais fácil, com o passar dos anos.
Será, então, melhor viver iludido? Quase diria que sim. Não fosse um grande senão: só é possível construir um mundo de fantasia à custa dos outros, gerando a infelicidade alheia. Há quem se agarre às suas ilusões com unhas e dentes, não olhando a meios, tornando-se implacável na defesa dessa sua estratégia, roubando a luz e a felicidade dos outros. Nem que esses outros sejam os próprios filhos, que constantemente lhes tentam lembrar que existem.

Mais um pequeno texto inspirado pelas perguntas da Alice Alfazema.

27 de abril de 2013

Perfeição

Esta tarde apetece-me o caminho fácil, dizia a Carla Soares, a propósito das opções que somos obrigados a tomar, no dia-a-dia.

Tentamos ser o mais perfeitos possível, o que implica escolher o caminho mais difícil. É de louvar. E aplaca-nos a consciência. Caso contrário, sentimos necessidade de nos justificarmos, ou amarzenamos sentimento de culpa.

Por vezes, no entanto, somos mais severos connosco próprios do que com os outros. Passamos a vida a desculpar os outros - «não faz mal»; «o que tem?»; «não te preocupes» - e não nos admitimos uma falha que seja.

Será justo? Porque não havemos de, de vez em quando, optar pelo caminho mais fácil, sem nos censurarmos? Porque não aprendemos a desculparmo-nos, em vez de estarmos sempre a pedir desculpa aos outros? Nesta nossa busca incansável pela perfeição, de nos superarmos a nós próprios, esquecemo-nos de que há uma vida para viver. Uma vida que consiste de pequenos nadas, coisas, à primeira vista, insignificantes, mas apenas porque não nos damos ao trabalho de reparar nelas.

Não temos de tentar sempre agarrar as estrelas. Muitas vezes, o que está aos nossos pés, e que nos esforçamos por ignorar, faz-nos muito mais felizes.

18 de dezembro de 2011

"Deves amar o próximo como a ti mesmo"

Assim nos ensina a Bíblia. Mas sejamos sinceros: quem consegue dizer que se ama? Não nos achamos cheios de defeitos? Não nos tratamos mal, chamando-nos de parvos e estúpidos? Não nos achamos, inúmeras vezes, inferiores aos outros e não desejamos ter a vida deles, que julgamos mais felizes do que nós?

Condenamos o egoísmo. E há um egoísmo prejudicial, sim, mas ao mesmo tempo, existe um egoísmo saudável e, eu diria mesmo, vital. Não encontraremos paz interior, enquanto não nos ocuparmos de nós próprios. Só assim reuniremos condições de amar e ajudar o próximo. Caso contrário, somos vítimas fáceis do egoísmo prejudicial e doentio. E aí não adianta que nos preguem a humildade, a obediência, o sacrifício e a paciência. Se não temos nada para dar a nós próprios, também não encontramos nada para os outros.

Dito por outras palavras: antes de irmos ajudar os outros a arrumar a casa deles, será melhor arrumarmos a nossa. Que energia temos para as casas dos outros, se sabemos que, na nossa, reina o caos? Podemos abrigar-nos no artifício de nos distrairmos: enquanto arrumamos o lar alheio, esquecemos a desordem e a sujidade do nosso. Mas tanto maior será a desolação e a tristeza, quando lá regressarmos.

Não devemos ter medo, nem vergonha, de admitir que velamos, acima de tudo, pelo nosso próprio interesse. Não no sentido de nos julgarmos superior aos outros e de querermos ostentar riqueza, enquanto eles se afogam na miséria, mas no sentido de arranjarmos a energia e a paz que nos permitam encarar, seja quem for, em pé de igualdade; a energia e a paz que nos permitem subir ao degrau mais alto, mas, também, descer, sem preconceitos, a um mais baixo, em caso de necessidade.

Devemos tratar de nós próprios como, em criança, desejávamos que os nossos pais nos tratassem.

8 de agosto de 2011

Porque vim ao mundo?



Os jornalistas alemães Antje Starost e Hans Helmut Grotjahn fizeram um filme-documentário à volta do tema: "Porque vim ao mundo" (Warum ich auf der Welt bin). Uma pergunta que todos nós nos fazemos, desta vez, respondida por crianças. Os dois acompanharam sete crianças de países diferentes durante vários meses, filmaram-nas em vários momentos da sua vida e ocuparam-se do tema. Interessantes são as respostas dadas pelos petizes.

O alemão Jonathan, de dez anos, andando pela Berlim gelada do Inverno, sentencia: "O ser humano é, ao mesmo tempo, criação e ameaça. Ele pode causar a destruição da Terra, ou fazer dela um mundo melhor para se viver."

Basile, um parisiense de nove anos, não tem dúvidas: "Eu vim ao mundo porque a mamã e o papá encontraram a felicidade."

Chrysanti, uma menina de sete anos, que vive na Alemanha, mas cuja família é originária de Creta, diz que não tem pressa de crescer. Na sua ideia, o coração é uma bateria com duração de, mais ou menos, 50 anos. "Mas, se nos alimentarmos bem e vivermos de maneira saudável, ela pode aguentar mais, até cem anos."

Vanessa, uma equatoriana de 11 anos, pertencente à tribo índia dos Otavalena, sente-se marginalizada pela sua origem e pensa muito sobre isso. Na escola, fazem, muitas vezes, pouco dela, por ela usar as vestes tradicionais da sua tribo. "Não entendo o racismo", diz ela, quando considera que muitos dos meninos que troçam dela têm, eles próprios, sangue índio, pois são filhos de casais mistos.

As crianças dão-nos lições muito importantes, só temos de reservar tempo para as ouvir.

O documentário pode ser alugado pelas escolas alemãs. Aqui, pode ver um trailer com legendas em inglês e aqui uma sinopse em língua castelhana.

28 de abril de 2011

Já se sabia...

... mas é sempre bom lembrar: crianças felizes são adultos mais satisfeitos.



O artigo é alemão, mas o estudo é inglês, levado a cabo por investigadores da Universidade de Cambridge. 2800 ingleses, nascidos no ano de 1946, foram analisados, regularmente, desde o seu nascimento, até à actualidade. Os que tiveram uma infância feliz, têm 60% menos probabilidades de sofrer de doenças psíquicas. E o que eu considero muito importante, pois é um aspecto, muitas vezes, subestimado: aqueles que, entre os 13 e os 15 anos, tiveram mais incentivos por parte dos seus professores, através de crítica construtiva, também levam uma vida mais agradável. São mais felizes, tanto a nível profissional, como no contacto com a família e os amigos e nos tempos livres.