Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

11 de agosto de 2017

Poemas Simples Para Corações Inteiros





Este livro, que a autora Virgínia do Carmo dedica aos filhos, «raízes da minha coragem», não podia ter título mais adequado. Os poemas são, porém, apenas simples na facilidade com que os lemos, pois não deixam de encerrar uma grande profundidade em si.

Solidão

Penso na solidão das canoas.
Nas sombras anónimas. E no ventre
onde se geram todas as coisas
que não são de ninguém.

Há versos que nos deixam perplexos, pela sua clareza:

E não sei porquê, resisto de pé.
À espera de ser ruína.

In Esperança

Esperança é aliás a ideia subjacente, apesar da melancolia que cruza todo o livro:

Atravessa-me um deserto.
Com os gritos construo uma ponte sobre a areia.

In Deserto

Uma esperança que finalmente se consubstancia naqueles a quem a autora dedicou a obra:

Dos meus filhos, o que nasceu primeiro,
tem um acordar sempre preso nos olhos.
Uma janela sempre aberta aos pássaros.

In Filho primeiro

Tem lábios discretos e palavras que nunca diz.
Ama com cuidado. Sabe coisas que desconhece.

In Filho segundo

E são deste «filho segundo» os encantadores desenhos que ilustram muitos dos poemas.

Virgínia do Carmo é igualmente editora, com muito espaço para a poesia. Vale, por isso, a pena ir ver o que se vai passando na Poética Edições.


8 de agosto de 2017

O Comedor de Preocupações



Foto © Horst Neumann


Escrevo hoje sobre uma iniciativa de que tomei conhecimento, numa escola primária de uma pequena cidade alemã chamada Lehrte, e que achei que devia existir em todas as escolas. Trata-se de uma caixa de correio, decorada com uma espécie de ursinho sorridente e de braços abertos, apelidado de Comedor de Preocupações ou Problemas (em alemão Sorgenfresser). O princípio é simples: qualquer aluno pode escrever sobre aquilo que o aflige, sejam as notas, sejam problemas na família, zangas com os colegas, ou qualquer outra coisa que lhes passe pela cabeça. Depois é só enfiar o papel num sobrescrito, fechá-lo e metê-lo na tal caixa. Quem quiser, pode escrever o seu nome, solicitar uma resposta ou até uma conversa com as responsáveis por esta iniciativa. Mas os sobrescritos também podem ser anónimos, tendo sido a carta escrita com o único propósito de desabafar.

A iniciativa pertence a uma professora desta escola, em colaboração com uma assistente social do bispado de Hildesheim, que também está à disposição de professores e pais. As duas analisam as cartas juntas, atuam conforme as necessidades das crianças e ainda não deixaram de se espantar com os pensamentos e as preocupações manifestadas por alunos da primária sobre a família, a amizade e, por vezes, até sobre o mundo e Deus. As crianças podem confiar em que os seus segredos não serão violados, tem de ser mesmo assim, para que se atrevam a dar esse passo de passar para o papel aquilo que lhes vai na alma. Escrever é desabafar. E dar a carta ao Comedor de Preocupações é livrar-se destas.

Porém, as cartas não contêm apenas problemas. As duas responsáveis constatam, com agrado, que algumas crianças aproveitam o método para contar sobre as suas alegrias e até sobre coisas boas que aconteceram a algum amigo ou amiga. Tanto as tristezas, como as alegrias da vida, devem ser partilhadas.

Penso que iniciativas destas são impagáveis, no bem que fazem às crianças. Além de lhes dar oportunidade de analisarem os seus problemas, treinam a escrita. Era tão bom que todas pudessem contar com iniciativas destas…


4 de agosto de 2017

Juventude preguiçosa e egoísta



Crianças e jovens são, muitas vezes, acusados de serem preguiçosos e egoístas. Na verdade, foi assim que aprenderam a ser. E que podem fazer os pais para evitar isso? Muita coisa!

Os tempos do trabalho infantil já lá vão (pelo menos, no nosso país) e ainda bem. E as crianças têm de brincar, sim. É a brincar que elas testam a sua força, as suas capacidades, o seu carácter, etc. Isto não implica, no entanto, que não possam executar certas tarefas. Especialistas e psicólogos asseguram ser realista e efetivo que as crianças comecem a executar tarefas caseiras, a partir da idade escolar (seis anos), por exemplo, levantar a mesa, preparar o chão do seu quarto para ser aspirado (arrumando os objetos espalhados), ou tratar do lixo (prepará-lo e ir deitá-lo ao contentor ou levá-lo à rua). À medida que forem crescendo, aumenta naturalmente o número de tarefas que podem executar: arrumações em casa, trabalhos de jardinagem, fazer recados, ou mesmo, em idades mais avançadas, tratar de crianças mais novas ou ajudar a tratar e fazer companhia a idosos.

As crianças e jovens aprendem, assim, não só a trabalhar, como a desenvolver empatia e a ser úteis a outras pessoas, o que é muito importante para a sua formação e educação.