Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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25 de fevereiro de 2017

Bruxas e Caretos



Tenho pena que o Carnaval tradicional português, também conhecido por Entrudo, com características específicas de cada região, se esteja a perder em nome da importação brasileira. Não critico que existam escolas de samba em Portugal, o samba é uma dança belíssima, além de ótimo exercício físico, mas festejar um Carnaval abrasileirado, com dançarinas a tiritar de frio, parece-me fora de contexto.


 

Em certas zonas, porém, continua a manter-se a tradição, como no nordeste transmontano, nomeadamente no concelho de Macedo de Cavaleiros, com os Caretos de Podence. São figuras curiosas, que me abrem o apetite para um livro publicado recentemente sob a chancela da Poética Edições e de autoria de Luís Filipe Costa.




Não sei até que ponto o autor explica a origem dos Caretos, mas gostaria muito de saber se há alguma ligação com as bruxas Allersberger Flecklashexen, figuras do Carnaval bávaro, que surpreendentemente me fazem lembrar as do nordeste transmontano. Desde as máscaras, à vestimenta e aos guizos que tilintam com os movimentos, em tudo são semelhantes aos “nossos” Caretos (que utilizam aliás chocalhos).




Penso que seria interessante ir ao fundo da questão, averiguar se realmente há uma origem comum, quiçá celta, mas nem sei se tal pesquisa será possível. Quem sabe, algum dia arranjo tempo…

Deixo-vos com imagens de um espetáculo carnavalesco da Baviera, bem diferente daquilo que consideramos Carnaval, mas, pelo menos, genuíno:





17 de fevereiro de 2015

Quem é o mais medroso?

Imagem Daqui

O Carnaval alemão (sim, aqui também há Carnaval) destaca-se, não pelas suas sambistas, que não as há (coitaditas, não teriam a mínima hipótese, no meio da neve e de temperaturas negativas ou a rondar os zero graus), mas pelas piadas socio-políticas, muitas vezes, verdadeiramente satíricas. As línguas afiadas fazem-se notar, não só nos desfiles de carros alegóricos, mas também em festejos e eventos dentro de portas, em que humoristas têm a oportunidade de mostrar o que valem, perante assistências, por vezes, de alto nível, quando delas faz parte a nata política da nação, que aliás aceita as críticas com excelente desportivismo.

Este ano, como não podia deixar de ser, os humoristas dividiram-se entre aqueles que cederam ao terrorismo islâmico, argumentando que há um limite para a liberdade de imprensa, e aqueles que não se deixam intimidar.

A propósito disto, achei este cartoon muito significativo. Os desfiles do Carnaval de Colónia, os mais famosos, pautam-se, este ano, pelo cuidado. E, na pequena cidade de Braunschweig, houve um contratempo, no fim-de-semana, quando o desfile foi cancelado, à última da hora, por uma ameaça terrorista, que provou ser falsa.

No cartoon, alusivo ao Carnaval de Colónia, retrata-se uma disputa entre os medrosos. Vê-se alguém que segura o dístico Je suis vorsichtig - a palavra vorsichtig significa cuidadoso, ou cauteloso -, enquanto alguém reclama o título de mais medroso, afirmando: nós somos os mais cagarolas! Os de Braunschweig só cancelaram o seu cortejo para que soubéssemos da existência do dito.