Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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2 de fevereiro de 2023

Momento publicitário (2ª parte)

E deixo aqui o link da RTP Play para o 10º episódio da série documental Duplas à Portuguesa, transmitido ontem. É dedicado à dupla Afonso Henriques e Egas Moniz.

Infelizmente, não tem direitos de transmissão para o estrangeiro, só poderei ver o programa no próximo dia 7, na RTP Internacional.

https://www.rtp.pt/programa/tv/p42647/e10

24 de janeiro de 2023

Momento publicitário

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Não sei se já ouviram falar na série documental Duplas à Portuguesa, que costuma passar na RTP2, às quartas-feiras, pelas 22:50 horas. O 10º episódio, dedicado à dupla D. Afonso Henriques/Egas Moniz, vai para o ar no próximo dia 1 de fevereiro.

A 13 de julho de 2021, desloquei-me ao Museu Soares dos Reis, no Porto, a fim de ser entrevistada sobre essa dupla, para essa mesma série. A entrevista durou cerca de uma hora, mas deduzo que apenas alguns momentos serão mostrados, pois são entrevistadas várias pessoas sobre cada tema (isto, no caso de terem aproveitado alguma coisa da minha entrevista).

E era isto. Se pudessem ver, agradecia.

 

23 de agosto de 2021

Histórias da Carochinha

Nesta minha estadia alargada em Portugal e apenas com acesso a oito canais televisivos (que são só seis, pois dois estão de férias), quase me limito aos da RTP. Acontece que a RTP Memória passa, nesta altura, a série “Walker, o Ranger do Texas”, não pertencente às minhas preferências, mas de algum agrado do meu marido (o meu sogro era fanático). E como é de minha opinião que podemos aprender com tudo, mesmo com coisas de que não gostamos, ou com as quais não concordamos, tenho visto alguns episódios. Pensei que me pudessem servir de reflexão. E serviram mesmo.

“Walker, o Ranger do Texas” é baseada num velho pressuposto: há alguém que tem sempre razão. A série assenta numa personagem de moral indiscutível, inteligência a toda a prova, forma física infalível e técnicas de combate invencíveis. Para ser ainda mais politicamente correcta, esta personagem reconhece as qualidades das artes marciais, é sensível aos ensinamentos cherokee e muito amiga dos negros (conquanto estes não lhe contestem a supremacia e estejam dispostos a desempenhar o papel do "banana", quando dá jeito). Concluindo: estamos perante um homem que sabe sempre tudo e age sempre de forma correcta, de acordo com os princípios que lhe foram ensinados na infância e na juventude, por pessoas (entenda-se, homens) igualmente sem defeitos e de uma moral ímpia.

Walker Texas Ranger.jpg

Homens assim não existem. O Walker é tão fictício, que podia ser representado por uma figura de desenhos animados. Esta série está ao nível de “Uma Casa na Pradaria”, ou dos contos de fadas dos Irmãos Grimm. O Ranger Walker mais não é do que a fada da Gata Borralheira, um ser com toque de Midas, pronto a resolver os problemas de gente em aflição.

E qual é o problema, perguntam vocês. Não se pode sonhar um bocadinho? Claro que pode. Desde que se tenha consciência disso. Não levamos as peripécias da família Ingalls a sério, assim como sabemos não existirem fadas. Mas muitos acreditam no Walker! E acreditam que o mundo pode ser como o da série: nunca há dificuldade em distinguir o Bem do Mal, todos têm o seu papel bem definido na vida e, caso esta ordem seja ameaçada, há sempre um justiceiro que põe tudo no lugar, um justiceiro que nunca cai em tentação, nunca se deixa corromper, nem nunca comete abusos. Quando o Walker pega numa arma, dispara sempre na direcção certa e atinge sempre o alvo certo. Quando o Walker faz um juízo sobre uma pessoa, nunca se engana (e raramente tem dúvidas). O Walker só agride alguém que o merece, nunca perde a calma nem a paciência com outros. Não há dinheiro no mundo que leve o Walker a fechar os olhos a uma incorrecção, a um desvio que seja.

Estes sonhos transformados em realidade são aproveitados por manipuladores. Até há pouco tempo, os EUA tiveram um Presidente que convenceu muitos norte-americanos ser capaz de construir uma América à medida da série do Walker, um mundo onde não há lugar para desvios, onde todas as famílias vivem felizes e seguras para sempre, onde as crianças têm sempre paciência para ouvirem os sermões dos adultos e onde as mulheres, profissionalmente, têm o rigor da Procuradora Alex Cahill e, em família, são dóceis, cumprindo o papel que dela se espera (mas, sinceramente, alguém consegue ver a Alex Cahill despenteada e desmaquilhada a levar com os salpicos de óleo, enquanto frita peixe?).

«Casaram e viveram felizes para sempre» - este é o final de chave de ouro nas histórias da Carochinha. Na vida real, todas as famílias escondem os seus podres.

1 de junho de 2012

Sherlock

Falava eu aqui na série Sherlock, da BBC, dizendo que ainda só tinha visto o primeiro bloco de três episódios. Mal sabia eu que o segundo estava prestes a ser transmitido pelo canal alemão ARD. Depois de ver o primeiro episódio deste bloco, A Scandal in Belgravia, confesso que me desiludiu um pouco a mesma tendência do filme de Guy Ritchie de sacrificar alguma coerência do enredo em favor do espetáculo.


De qualquer maneira, a ideia de transportar Sherlock Holmes para o século XXI é cheia de charme e está muito bem conseguida. As novas tecnologias desempenham um papel importante. Os sucessos do detetive, por exemplo, vão sendo conhecidos através do blogue do Dr. Watson. A comunicação na internet e por SMS é a base deste Scandal in Belgravia, que anda à volta de um smartphone, que conterá informações explosivas sobre terrorismo e Serviços Secretos. O smartphone está na posse de uma mulher que pretende provar que é mais inteligente do que o próprio Sherlock Holmes e, entre os dois, estabelece-se uma relação competitiva, carregada de erotismo. O Dr. Watson até se pergunta se Sherlock estará apaixonado. Ou a atração que sente pela mulher advém do desafio que ela lhe propõe? A verdadeira essência do detetive permanece um mistério, ninguém sabe (nem o seu amigo médico) se ele é hetero- ou homossexual, nem mesmo se o sexo representa algum papel na sua vida.

Mais do que o caso à volta do smartphoneA Scandal in Belgravia vale pelo enigma que representa a personalidade de Sherlock Holmes e pelos diálogos cheios de ironia e segundas intenções, como neste exemplo, em que o Dr. Watson se vê perante Irene Adler, a mulher em questão:

Irene Adler: O senhor veio sozinho. Consegui separar o par.
Dr. Watson: Nós não somos um par.
Irene Adler: Não?!
(O Dr. Watson precisa de refletir um pouco - surpreso? Ou com medo do que vai dizer a seguir?)
Dr. Watson: Eu não sou homossexual.

Deixo-vos com o respetivo trailer: