No
entanto, vejo-me tentada a apontar-lhe algumas fraquezas. O problema é que se assemelha, de certo modo, ao meu estilo de escrita, embora eu esteja longe de ser finalista do Prémio LeYa. Modéstia à parte, costumo receber elogios deste tipo: escrita cinematográfica, bons diálogos. É certo que não inovo do ponto de vista estilístico, mas João Pinto Coelho também não o faz. E, num caso destes, uma pessoa põe-se a comparar, a procurar outras soluções para certos momentos do enredo e, pronto, não resiste à tentação de explanar a sua opinião completa.
Para começar, pergunto-me se era necessário o romance ser tão longo. Como disse, a parte que realmente nos impressiona e apaixona surge nas últimas 150 páginas. O resto é, sem dúvida, interessante, mas está longe de ser surpreendente ou arrebatador. Pergunto-me mesmo se a história de Kimberley Parker seria necessária, sobretudo, porque criou em mim expectativas que se esfumaram, como um rastro de pólvora que se incendeia e que, no fim, em vez de explodir, se apaga. O romance começa com ela, trata dos mistérios, dos planos e dos receios de Kimberley Parker. Mas, no fim, é só e apenas o romance de Sarah Gross!
Para começar, pergunto-me se era necessário o romance ser tão longo. Como disse, a parte que realmente nos impressiona e apaixona surge nas últimas 150 páginas. O resto é, sem dúvida, interessante, mas está longe de ser surpreendente ou arrebatador. Pergunto-me mesmo se a história de Kimberley Parker seria necessária, sobretudo, porque criou em mim expectativas que se esfumaram, como um rastro de pólvora que se incendeia e que, no fim, em vez de explodir, se apaga. O romance começa com ela, trata dos mistérios, dos planos e dos receios de Kimberley Parker. Mas, no fim, é só e apenas o romance de Sarah Gross!
Também
acho que a amizade entre Kimberley Parker e Sarah Gross carece de estrutura. A
figura de Sarah impressiona Kimberley desde o primeiro momento, mas as duas
mantêm-se distantes. Kimberley encontra mesmo outra companhia, com
quem estabelece uma amizade aparentemente mais intensa. E, de repente, é a
Sarah que ela conta os segredos mais íntimos da sua vida!
Também
não aprecio a técnica dos diálogos longos (de várias páginas) para comunicar
partes importantes do enredo, pois normalmente cenas desse tipo não são
credíveis. Ressalvo, no entanto, o facto de os diálogos desta obra estarem muito enquadrados
e estruturados, aumentando a sua verosimilhança.
Por último, não posso deixar de elogiar o/a funcionário/a da LeYa que selecionou este romance para finalista. Na minha opinião, essa pessoa teria forçosamente de chegar à parte do enredo verdadeiramente surpreendente, ou seja, leu, pelo menos, 200 páginas de um original pouco literário. Sei que vão a concurso entre 300 a 400 originais
todo os anos (já chegaram quase aos 500) e sempre pensei que os selecionadores
se limitassem a ler vinte ou trinta páginas de cada um, mesmo assim,
duvidando que consigam dar uma vista de olhos a todos. Neste caso, há um desempenho a admirar!
