Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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15 de junho de 2018

Origens

A freguesia do Lombo, vista do Santuário de Balsamão


«Era com a impressão de entrar num outro mundo que eu, em criança, chegava ao Lombo, aldeia-natal do meu pai, cujo nome deriva da sua localização sobre a lombada de um monte, com vista para o Santuário de Balsamão, a norte, e para a Serra de Bornes, a oeste». 

Começa assim Um Outro Mundo, o conto que escrevi para a "Antologia de Autores Transmontanos, Alto-durienses e da Beira Transmontana", publicada pela Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa.
 

O meu pai é natural da freguesia do Lombo, concelho de Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança. Trata-se de uma aldeia bastante isolada, pois fica a cerca de cinco quilómetros desviada da EN 216, que liga Macedo de Cavaleiros a Mogadouro. Quando eu era criança, a estradeca que levava ao Lombo não estava alcatroada. E, ao tempo da infância e da juventude do meu pai (que tem 80 anos), apenas havia caminhos, pelo meio dos montes. Não havia meios de transporte motorizados, as pessoas iam a pé, ou de burrico, à sede do concelho, a vinte quilómetros de distância. Foi, por isso, uma aldeia sempre muito isolada, até meados do século XX.

Freguesia do Lombo

A informação na página da Wikipedia, que aponta a paróquia sueva do século VI, denominada Tureco, como origem da aldeia, não está historicamente comprovada. Pouco, ou nada, se sabe da História do Lombo, até meados do século XVIII. Há uma parte mais alta denominada de "castelo", embora não haja, hoje em dia, o mínimo vestígio de uma possível fortificação, ou castro. Confesso que acho a versão Tureco interessante, já que se assemelha ao nome da minha família (Torrão).


Lombo - praça principal

Devido à sua localização, perto da fronteira, houve, pelo menos, desde meados do século XIX, bastante intercâmbio com o concelho espanhol de Alcanices. Algumas famílias leonesas estabeleceram-se no Lombo, nessa altura. A da minha bisavó Maria Rodriguez, originária da localidade de Fonfria, foi uma delas.

Freguesia do Lombo

Na última vez que estive no Lombo, em Abril passado, era tempo de tosquia e o meu marido aproveitou para tirar algumas fotografias.










9 de junho de 2018

Prémios PORTUGALESER


Infelizmente, não posso estar hoje em Berlim para assistir à cerimónia de entrega dos prémios PORTUGALESER, no Hotel Pestana Tiergarten.


A fim de comemorar os seus vinte e cinco anos, o Portugal Post, o único jornal para portugueses na Alemanha, decidiu distinguir «vinte e cinco personalidades, empresas e instituições que, pela sua atuação, nos mais diversos campos, contribuíram para a dignificação da comunidade portuguesa residente na Alemanha e para o desenvolvimento das relações bilaterais entre o país de origem e de acolhimento. O prémio tem também como objetivo revelar alguns rostos menos conhecidos da comunidade, mas cujo contributo para a sociedade é indiscutível».

Esta é a terceira edição do prémio PORTUGALESER. O nome desta medalha de mérito e dedicação tem a sua origem numa moeda que permite estabelecer uma ligação histórica entre Portugal e a Alemanha.

Por volta de 1500, D. Manuel I mandou cunhar uma moeda de ouro no valor de dez cruzados, pesando cerca de catorze gramas e com um diâmetro superior a trinta milímetros. Foi-lhe dado o nome de “Portuguez”, mas ficou também conhecida por meia dobra.

Imagem daqui

Imagem daqui

Com a fuga de judeus de Portugal e Espanha para a Holanda e Alemanha, nos séculos XVI e XVII, estabeleceu-se uma grande comunidade em Hamburgo. Os mercadores desta cidade hanseática tiveram contacto com o “Portuguez” e ficaram tão fascinados, que cunharam moedas evocativas semelhantes, com um valor de dez ducados, e às quais chamaram “Portugaleser” (ou “Portugalöser”). Ainda hoje, cidadãos eméritos de Hamburgo são homenageados com uma condecoração denominada “Portugaleser”.

E este é o PORTUGALESER que será hoje atribuído pelo jornal Portugal Post:


Desde já, os meus parabéns aos premiados!

6 de junho de 2018

Na Terra dos Caretos



Em Podence, realiza-se o chamado Entrudo Chocalheiro com os famosos caretos. É um Carnaval português genuíno, que fiquei com muita vontade de festejar, depois de visitar a aldeia e a Casa do Careto, não fosse o frio que ainda faz em Trás-os-Montes, nessa altura. Mas até nisso se vê a genuinidade deste Carnaval, pois a vestimenta dos caretos é bem mais apropriada ao nosso clima de Inverno do que os biquínis fio dental das sambistas.


O melhor momento do Euro-festival realizado em Lisboa, para mim, foi o postal de Mikolas Josef, o representante checo, que de facto festejou o Entrudo Chocalheiro em Podence. Agradeço ao meu amigo do facebook Manuel Moreira, que me forneceu o vídeo.

 
E agora deixo-vos com fotografias da minha visita a Podence, bem pertinho de Macedo de Cavaleiros e da praia fluvial do Azibo, e à Casa do Careto (todas as fotografias são de autoria de Horst Neumann).