Hoje em dia, as fotografias são tão comuns e tiram-se tantas, em qualquer situação, que custa a crer ter havido um tempo em que eram coisa rara.
Apresento-vos os meus avós paternos, Ludovina Amélia
Rodrigues e Fernando César Torrão, naturais da freguesia do Lombo, perto de Chacim
e do Santuário de Balsamão, concelho de Macedo de Cavaleiros.
O meu avô era meio leonês, já que a sua mãe era
oriunda de Fonfria, concelho de Alcañices. Não me lembro dele, pois faleceu em
1967, mas surge sempre com um ar muito sereno, nas fotografias. Já a minha avó
é por mim recordada como uma mulher severa, de feições duras (no fundo, tipicamente
transmontana), por isso, gosto de ver aqui a sua bela fisionomia marcada por
uma certa leveza, concedida pela juventude.
O meu pai diz que a fotografia foi tirada ao tempo do
seu casamento, celebrado em Novembro de 1927. Gosto de os ver tão novos. Ainda
bem que tiraram a fotografia, coisa rara, naquela altura, sobretudo, numa
aldeia perdida nos montes transmontanos (tão perdida, que o meu pai ainda pensou em abalar para
essa região inóspita, quando, no Verão Quente, pairava a ameaça da guerra
civil).
A ideia desta fotografia foi com certeza do meu avô,
um autodidata, que sabia ler e escrever, sem nunca ter frequentado uma escola,
e um dos primeiros pais da aldeia a enviar os filhos para o liceu de Bragança -
atente-se que o primeiro filho que ele enviou foi uma rapariga, a minha tia
Nair, professora primária em Chacim durante mais de quarenta anos. O meu avô
encorajou igualmente parentes e conhecidos a enviarem as suas filhas para a
escola, nem que fosse apenas a primária.
E aqui estão os meus avós, cerca de trinta anos mais
tarde:






