Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

19 maio 2018

Contos da Emigração (1)



«Caminhávamos como fantasmas que tinham ido longe demais e para quem não haveria regresso a uma realidade familiar».

In "A Salto", Ana Cristina Silva



17 maio 2018

Memórias de Dona Teresa (4)




«Fui para Viseu, ainda cismando com doenças e morte. Doei a vila de Marzovelos a Dona Gouvilde, grande proprietária viseense e mui minha amiga, que enviuvara de um importante cavaleiro vilão daquela terra. Vivia com as filhas solteiras, todas mui devotas, e fiz a doação pela alma de meu pai e de minha mãe. Além disso, dei-lhes instruções sobre o seu procedimento para a redenção de minha alma e o perdão dos meus pecados, quando chegasse a hora da minha morte. Agora, que ela não tarda, recordo em pormenor que lhes ditei rezarem todos os dias por mim, dar esmola aos pobres no dia de Santiago e fazer cantar todos os domingos duas missas de defuntos».

In "Memórias de Dona Teresa"


  

Nota: a recriação do agradecimento de Dona Teresa a Dona Gouvilde e suas filhas foi levada a cabo pelo grupo Portucale Fidelis, a 05 de Maio de 2018, nos claustros do Museu Nacional Grão Vasco.

 

14 maio 2018

Memórias de Dona Teresa (3)



Terá sido Portugal fundado por uma Mulher?

A pergunta que ressurge de tempos a tempos revela-se, pela força do debate e da investigação, cada vez menos descabida. Mais do que o conde Dom Henrique, Dona Teresa foi a preparadora do caminho que seu filho Afonso haveria de percorrer, ao insistir em dividir a herança de seu pai com a meia-irmã Urraca. Ainda antes de assumir o poder, Dom Afonso Henriques intitulava-se infante por sua mãe se intitular rainha. Neste romance, Dona Teresa, moribunda agonizante, recorda toda a sua vida, na urgência e na clareza de quem nada tem a perder.

Em breve, nas livrarias.
Pode ser comprado online em
http://poetica-livros.com/loja/index.php?route=product%2Fproduct&product_id=471



 

07 maio 2018

Memórias de Dona Teresa (2)

«Se não me deixais acabar a minha vida como rainha, só aceito uma derrota pelas armas!»

Desta vez, em Braga, cidade onde a "rainha" está sepultada.



02 maio 2018

Memórias de Dona Teresa

Estão todos convidados!
Sábado, 5 de Maio, às 16h00, Museu Grão Vasco em Viseu.



A apresentação do livro será precedida de reconstituição histórica do Paço de Dona Teresa no ano de 1125, pela Associação "Portucale Fidelis" (mesmo local, 15h00).



01 maio 2018

04 abril 2018

Guerreiros de Pedra





Um livro fantástico, essencial para quem se interessa pelo mundo medieval e se quer livrar de crenças ou mitos, baseando-se em informação honesta, segundo o conhecimento histórico atual (porque, se há uma área ainda cheia de equívocos, é a da guerra medieval).

Este livro não é só de leitura, também de consulta, facilitada pela maneira como está estruturado. Temos descrições de vários castelos portugueses, como Tomar, Guimarães, Lanhoso, Almourol, Feira, Leiria, Beja e muitos outros, descrições que nos esclarecem quanto à data da sua construção e às mudanças que foram sendo operadas ao longo dos séculos. Um dos erros mais comuns é, por exemplo, assumir que o castelo de Guimarães era, ao tempo de D. Afonso Henriques, tal e qual como o vemos hoje.

Além das informações sobre os castelos e suas funções, ficamos a saber como decorria o quotidiano da guarnição, como esta estava organizada, como se processava a vigilância das praças-fortes, quais as táticas de ataque e defesa, como funcionavam os cercos (tanto do ponto de vista dos atacantes, como dos defensores), etc. Muito importante também é verificar quais as técnicas usadas nas diversas fases medievais, pois, um outro erro grosseiro, muito comum, é pensar que não houve evolução ao longo da Idade Média.

Numa linguagem acessível, por não ser excessivamente académica, este é um livro de facto essencial, um livro, no qual muito sublinhei e anotei, como se pode ver na imagem, e que folhearei e consultarei ainda muitas vezes.




Do mesmo autor, lerei, com toda a certeza, 1147 - A Conquista de Lisboa na Rota da Segunda Cruzada e De Ourique a Aljubarrota.
Mas há mais…


24 março 2018

Escravos

© Foto: Pixabay/SammisReachers


Quem pensa que a escravidão é coisa do passado, engana-se. Hoje em dia, há cerca de 40 milhões de escravos no mundo! Ficamos escandalizados, não é? Pois a verdade é que todos nós beneficiamos do trabalho escravo!

Mais irónico ainda é que um escravo nunca foi tão barato como hoje! Convertendo os preços para valores atuais, pode dizer-se que um escravo, no século XIX, custava algumas dezenas de milhar de euros. Ora, segundo a Walk Free Foundation, o preço mais barato de um escravo dos nossos dias é de apenas 20 euros!

Considera-se trabalho escravo quando as pessoas não recebem salário, são mal alimentadas, exercem o trabalho sob ameaça ou castigos, não se podem movimentar livremente, assim como não se candidataram livremente para o trabalho que exercem, nem aceitaram as condições a priori. A maior parte dos escravos trabalha na agricultura, na pesca, na construção civil, ou como empregados em casas particulares (na sua maioria, aquilo a que chamamos “criadas de servir”). As mulheres são mais suscetíveis de cair na escravidão do que os homens, pois são elas as maiores vítimas da exploração sexual, a que se juntam os casamentos forçados, nos quais a maior parte delas vive em condições escravizantes.

Por mais que nos esforcemos, é quase impossível para nós, consumidores, evitar comprar produtos que, em algum momento, dependeram de trabalho escravo. Só para dar alguns exemplos: muitos dos camarões que compramos são alimentados com farinha de peixe originária da Tailândia, confecionada através de trabalho escravo; a carne de porco que consumimos pode ter origem em animais portugueses, mas estes foram talvez alimentados com soja brasileira, proveniente de quintas que sobrevivem à custa de trabalho indigno; os smartphones (telemóveis) existem, graças a minerais raros provenientes do Congo, extraídos por escravos, não só adultos, como também crianças; muitos carros contêm aço brasileiro, obtido igualmente através de trabalho escravo.

Há situações ainda mais difíceis de detetar, já que é longa a cadeia de produção e opaca a estrutura laboral ligada a certos serviços. Quando pensamos, por exemplo, no vestuário produzido em condições duvidosas, estamos a considerar as trabalhadoras das fábricas têxteis asiáticas. Mas o problema é muito mais profundo. No caso do algodão, por exemplo, começa na sua colheita e passa pela preparação e fiação. Por isso, de pouco adianta as lojas fazerem contratos com fábricas, nas quais as trabalhadoras são respeitadas. O mesmo acontece em relação ao chá plantado e colhido à mão na Índia.

A solução não está à vista. Os responsáveis estão bem escondidos na densidade das estruturas comerciais do nosso mundo globalizado. Seriam precisas mudanças estruturais a nível económico, social, cultural e jurídico. A escravidão assenta na pobreza, no desemprego, nas crises económicas, nos conflitos armados e nas catástrofes naturais.

Também não adianta exigir leis mais rigorosas. A escravatura é proibida em todos os países do mundo, com a exceção da Coreia do Norte.

Mas, afinal, o que podemos fazer? Apoiar políticos, instituições e organizações que combatam o trabalho escravo, estar atento às suas recomendações e iniciativas, é um bom começo.


Nota: informações obtidas no jornal católico alemão KirchenZeitung, edição nº 4, de 28-01-2018.