Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

07 dezembro 2016

Sugestões de Prenda de Natal (3)



Paulo M. Morais, finalista do Prémio LeYa 2015, editou, há cerca de um ano, o romance O Último Poeta, sob a chancela da Poética Edições. A editora Virgínia do Carmo pediu aos poetas que edita que encarnassem a personagem do romance, Isaque. O resultado foi o livro As Vozes de Isaque.

As duas obras estão agora em promoção por 20 €.
(encomendas: poeticaedicoes@gmail.com, ou na loja online: poetica-livros.com/loja).

Uma boa maneira de oferecer poesia e prosa ao mesmo tempo, neste Natal.


04 dezembro 2016

Os irmãos Sancho e Afonso




Dom Afonso III na Viagem Medieval de Santa Maria da Feira 2015


Em Dezembro de 1245, o conde Dom Afonso de Bolonha desembarcou em Lisboa, a fim de tomar conta do reino, caído em desordem sob a regência de seu irmão Dom Sancho II. Dom Afonso, que vivia em França há vários anos, satisfazia assim o pedido de uma delegação portuguesa que se deslocara a Paris em busca de ajuda. Possuía o apoio dos concelhos do Centro e do Sul e dos castelos de Santarém, Alenquer, Torres Novas, Tomar e Alcobaça.

Seguiu-se uma guerra civil, que acabou com a deposição de Dom Sancho II.

Dom Afonso, o terceiro desse nome, seria o pai de Dom Dinis. O seu irmão Sancho morreu no exílio, em Toledo, a 4 de Janeiro de 1248.


Dom Sancho II



O meu romance sobre Dom Dinis está à venda sob a forma de ebook, por exemplo, na LeYa Online, na Wook, na Kobo e na Amazon (pagamento em euros); Amazon (pagamento em dólares).

No Brasil, está disponível na Livraria Saraiva e na Livraria Cultura.

Para adquirir a versão em papel, contacte-me através do email andancas@t-online.de.

01 dezembro 2016

Sugestões de Prenda de Natal (2)

Além do meu livro Tu És a Única Pessoa, há outros na Oxalá Editora que valem a pena. Podem ser encomendados diretamente ao jornal Portugal Post, ou nas livrarias online. Também poderão ser encontrados nas lojas FNAC e em livrarias independentes como a Pó dos Livros em Lisboa, Lello no Porto e Centésima Página em Braga.

Nota: para informações sobre cada um dos livros, clique no nome da editora e/ou do jornal.





29 novembro 2016

Morte de Filipe IV de França

A 29 de Novembro de 1314, morreu o rei francês Filipe IV o Belo, o monarca que suprimiu a Ordem do Templo. Cumpriu-se assim a profecia de Jacques de Molay, Mestre dos Templários franceses.

Ler sobre o fim dos Templários.

Dom Dinis Série (1).JPG

O meu romance sobre Dom Dinis está à venda sob a forma de ebook, por exemplo, na LeYa Online, na Wook, na Kobo e na Amazon (pagamento em euros); Amazon (pagamento em dólares).

No Brasil, está disponível na Livraria Saraiva e na Livraria Cultura.

Para adquirir a versão em papel, contacte-me através do email andancas@t-online.de.

24 novembro 2016

Forais

Verifica-se este mês o 720º aniversário dos forais de Sabugal, Castelo Rodrigo, Castelo Bom, Almeida e Vilar Maior, concedidos por Dom Dinis, numa altura, em que estes lugares pertenciam ainda ao reino de Leão. Depreende-se que já teriam sido prometidos ao Rei Lavrador. A sua integração no reino português foi ratificada cerca de um ano mais tarde, no Tratado de Alcañices.

22 novembro 2016

Sugestões de Prenda de Natal (1)


Nem Sempre os Pinheiros São Verdes
Oito contos de Natal e um desejo 


Tive a honra de participar neste projeto da Poética Edições, com o conto Natal em Família.
Não se trata de um livro infantil, nem de contos de Natal convencionais. Estes são tão diferentes uns dos outros como os seus autores e proporcionam um outro olhar sobre esta quadra. O mote é dado pela editora Virgínia do Carmo e uma das autoras presentes neste volume:

«Nem sempre os pinheiros são verdes. Nem sempre há pinheiros no Natal. Nem sempre as folhas dos pinheiros são perenes. Nem sempre o que é perene é belo. Por vezes o Natal é opaco como os dias vulgares. Por vezes, ainda, é mais triste do que os amanheceres de Novembro. Mas nem sempre a alegria é só alegria. E nem sempre Novembro é triste».

O lançamento deste livro terá lugar a 26 de Novembro, pelas 18h00, na Sociedade Guilherme Cossoul - Av. D. Carlos I, nº 61 - 1º andar, em Lisboa (Santos).





Uma boa oportunidade para conhecer vários autores de uma vez. Tenho muita pena de não poder estar presente, mas enviarei uma mensagem, que será lida pela Virgínia do Carmo.

Divirtam-se!


18 novembro 2016

Morte de Dona Constança

- Que se passa?
Isabel respondeu num sussurro:
- Tive um sonho…
- Um pesadelo?
- Não sei… Uma mensagem… Ou uma premonição…
Mais uma? Dinis fez esforço por vencer o enfado, pois haveria uma razão forte que a trouxera ali, numa noite tão fria. Acabou por dizer:
- Sentai-vos e contai-me o que vos atormenta!
Isabel assim fez. Depois de pousar a vela sobre a mesinha ao lado da cama, iniciou o seu relato:
- Há cerca de uma semana, andando para os lados da Azambuja, deparei com um eremita à beira da estrada. Parecia muito perturbado e eu desmontei da minha mula e perguntei-lhe se havia mister do meu auxílio. Ele não respondeu, limitou-se a fixar-me numa tristeza infinita. Já tratei de muitos enfermos e assisti a muitas aflições, mas nunca vira olhos tão tristes. Insisti na minha pergunta. Depois de me fixar durante mais alguns momentos, ele abanou a cabeça e afastou-se de mim sem uma palavra.
Isabel baixou a cabeça e prosseguiu:
- Não mais olvidei aquele olhar. Passado uns dias, tornei ao local, a fim de o procurar. Mas não o encontrei. Perguntei por ele nas aldeias da região, descrevendo-o o melhor que podia. Ninguém parecia conhecê-lo. Indicaram-me alguns eremitas que por ali viviam e fui ter com eles. Mas nenhum era o que eu havia visto. O homem parecia ter-se esfumado, ou sido engolido pela terra… Tentei olvidá-lo. Mas hoje…
Começou a tremer mais violentamente:
- Sonhei com ele…
- Ora, ficastes impressionada com a sua figura…
- No sonho, ele falou comigo. E disse-me… - Olhou-o, muito trágica: - Que Constança havia morrido!

A 18 de Novembro de 1313 morreu a rainha Dona Constança de Castela, antiga infanta portuguesa, filha de Dom Dinis e Dona Isabel, com apenas 23 anos.

Constança 1.jpg
Para mais informações sobre Dona Constança ver o texto publicado a propósito do seu nascimento.

Nota: não encontrei nenhuma representação de Dona Constança. Deparei, nas minhas pesquisas, com esta imagem de Sansa Stark, uma personagem d'As Crónicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. Decidi usá-la porque se aproxima muito da Constança que descrevo no meu romance.
 

Dom Dinis Papel (1).JPG

O meu romance sobre Dom Dinis está à venda sob a forma de ebook, por exemplo, na LeYa Online, na Wook, na Kobo e na Amazon (pagamento em euros); Amazon (pagamento em dólares).

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15 novembro 2016

O Dia Em Que O Sol Se Apagou




Um livro que se lê bem, de aventuras, seguindo Pêro da Covilhã pela África e pelas Índias, à procura do reino do Preste João. Tem igualmente uma forte componente de fantasia, já que, a 26 de Março de 1487, o sol apaga-se subitamente no reino de Portugal. É isso mesmo! O nosso país, tão conhecido pelo sol, fica sem ele. E D. João II envia dois espiões em demanda da solução que restitua a luz ao país.

Paralelamente, temos a história de Salvador, um embalsamador albino com um estranho passado, que procura também uma luz, ou melhor, procura olhos que possam devolver a luz ao seu irmão Mil-Sóis.

O cruzamento de fantasia com rigor histórico levanta, contudo, alguns problemas. Há certas coisas que me soaram anacrónicas, coisas que acho que não se podem relegar para o plano do fantástico. Temos, por exemplo, o nascimento de Mil-Sóis com uns olhos tão brilhantes, que cegam quem os vê. Apelidam-no de “criança com olhos de diamante”. Ora, Mil-Sóis nasce no seio de uma comunidade de gente ignorante isolada nas montanhas. Saberia gente dessa, no final da Idade Média, o que eram diamantes? Duvido muito. Embora na Índia os diamantes já fossem conhecidos há dois ou três mil anos, eles eram raríssimos e, na Europa, só se tornam mais frequentes a partir do século XVIII. Imperadores, reis e nobres já conheciam os diamantes na Idade Média, mas duvido que o povo comum alguma vez tivesse ouvido falar de tal, ou, nesse caso, fizesse ideia do que se tratava.

Cito agora uma passagem da página 181, referente à Índia:
«À sua passagem, as castas inferiores inclinavam-se respeitosamente ou, então, atiravam bosta de vaca sagrada para debaixo dos pés desses homens superiores. Nas Índias, pavimentava-se com merda os caminhos que os reis ou os nobres percorriam para assim homenagear o seu poder. As vacas eram, em boa verdade, mais bem tratadas e alimentadas que os sem-dita que pertenciam às castas menores. Além de maltratada e desprezada, a ralé não tinha qualquer esperança de fugir à sua triste condição, estando a sua linhagem condenada a permanecer naquela ignomínia».

Ora bem, que Pêro da Covilhã se admire de que nas Índias se pavimentasse «com merda os caminhos que os reis ou os nobres percorriam», tudo bem. Já o seu julgamento em relação às castas me parece mais de homem do século XX ou XXI. A Europa cristã de Pêro da Covilhã era um mundo em que certa gente (na verdade, a esmagadora maioria da população) era «maltratada e desprezada», sem «qualquer esperança de fugir à sua triste condição». Também não devia ser motivo de espanto para ele que (certos) animais fossem mais bem tratados e alimentados do que os homens e mulheres pertencentes à arraia-miúda. Além disso, na Cristandade (leia-se Europa) da altura, duvidava-se que os pretos tivessem alma (algo aliás referido no romance), por isso, era justificável que se tratassem esses seres como animais, ou pior ainda. Este anacronismo não se pode com certeza arrumar para o reino da fantasia…

Também não compreendi, nem achei necessidade de, que a história de Pêro da Covilhã fosse contada na primeira pessoa e a de Salvador na terceira. Dá a impressão de que Pêro da Covilhã seria o contador de tudo o que se passa neste livro, mas ele não tinha hipótese de conhecer a história de Salvador.

Dir-me-ão que são pormenores sem importância para a maioria dos leitores. Pode ser. Mas este romance foi finalista do Prémio LeYa em 2014, razão suficiente para sermos exigentes. Reitero, contudo, que a leitura é agradável. E a descrição dos países visitados por Pêro da Covilhã, assim como as suas aventuras, estão bem conseguidas.


12 novembro 2016

Estudo Geral das Ciências de Lisboa

A 12 de Novembro de 1288 foi redigida, em Montemor-o-Novo, a carta ao papa Nicolau IV, pedindo autorização para a criação do Estudo Geral das Ciências em Lisboa (percursor da Universidade). Além de Dom Dinis, assinaram a carta o abade do mosteiro de Alcobaça, os priores de Santa Cruz de Coimbra e de São Vicente de Lisboa e os superiores de vinte e quatro igrejas e conventos do reino. Suplicaram a aprovação e «confirmação de uma obra tão pia e louvável», já que o Estudo Geral devia albergar estudantes sem posses, impedidos de irem para universidades estrangeiras.
O Estudo Geral das Ciências de Lisboa é aprovado pelo papa em Agosto de 1290.

Terá sido igualmente nesta altura que Dom Dinis resolveu usar o Português nos documentos oficiais da chancelaria, normalmente redigidos em latim ou em galaico-português, a língua que se falava no início da fundação do reino, que era ainda igualmente usada na poesia trovadoresca.

Dom Dinis Papel (1).JPG

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09 novembro 2016

Ontem e hoje

Penso que este excerto do romance medieval em que atualmente trabalho combina com o dia de hoje. A política sempre foi um negócio sujo.

«Debatíamos num remoinho de intrigas e desaguisados, havendo precisão uns dos outros e querendo, ao mesmo tempo, aniquilarmo-nos mutuamente. Até eu cheguei a pactuar com o execrável bispo, Deus me perdoe, permitindo que ele cresse ter-me na sua mão. Imagino o quão esperto ele se sentia, pensando que nos manipulava às duas, provando a fraqueza e a instabilidade próprias das donas e, no convencimento da sua soberba, nem se apercebia de que Urraca e eu agíamos tal e qual. Nunca maior teia de ardis, mentiras, hipocrisias e traições se terá visto, que Cristo se amerceie de nós! Sorríamo-nos, mantendo o punhal atrás das costas, aguardando a primeira oportunidade de o espetar no parceiro de ocasião».




© Cristina Torrão