Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

21 novembro 2017

Escrever e rever

Manuscrito de "O Ano da Morte de Ricardo Reis", José Saramago, visto neste blogue.


Um/a escritor/a passa mais tempo a rever aquilo que escreve do que propriamente a escrever. Claro que as editoras têm revisores profissionais, mas é impensável para um/a autor/a (ou devia ser) enviar um original para publicação sem lhe ter dado várias voltas. Eu dou imensas voltas aos meus textos. E por vezes penso que gosto mais de rever do que de escrever!

Escrever é bom, claro, alivia poder despejar as ideias que temos na cabeça, as ideias que temos medo de perder. Mas também é muito cansativo. Se há ideias que nos saem sem esforço (e até se atropelam, daí o medo de perder alguma), há coisas que dão imenso trabalho, como, por exemplo, encontrar ligações entre diferentes partes do enredo, ou encontrar maneira de tornar certa cena mais verosímil.

Rever, por outro lado, é mais relaxante. Ter o texto escrito à minha frente tira-me um grande peso dos ombros, imagino que estou a ler algo escrito por outra pessoa e a corrigir o que me parece mal, cenas infelizes, diálogos supérfluos, por aí fora. Sinto-me livre para criticar e torcer o nariz. E quantas vezes as melhores ideias me surgem na revisão, ao dar coerência àquilo que está mal alinhavado...

Talvez a maior dificuldade seja encontrar uma altura em que chega de revisões. Há quem ache que até se corre o perigo de estragar, em vez de melhorar. Quando essa dúvida nos surge em relação a uma frase, um parágrafo ou uma passagem, talvez seja melhor não lhe mexer, deixar passar algum tempo e tornar ao local. Por outro lado, se nos dá uma vontade espontânea de corrigir algo, é melhor fazê-lo!

Guardar o original durante uns meses, sem lhe tocar, também ajuda. Ganhamos-lhe distância e as fraquezas saltam-nos à vista com mais facilidade.



08 novembro 2017

A Paixão do Conde de Fróis




Trata-se de um romance histórico com a qualidade literária a que Mário de Carvalho nos habituou.

No século XVIII, ao tempo do rei D. José e do Marquês de Pombal, o jovem conde de Fróis envolve-se num crime, em Lisboa. O prestígio do pai evita que vá para a cadeia, mas é desterrado para a longínqua praça de S. Gens. O pai, que não vê o filho estouvado responsável por uma praça militar, por mais pequena e insignificante que seja, pede ao capelão da família que o acompanhe e olhe por ele, coisa que o clérigo faz muito contrariado.

A viagem é longa e desconfortável. E ainda mais desconfortável é o local onde aterram. O capelão diz mal da sua vida. O jovem conde, porém, surpreende tudo e todos, levando a sua missão muito a sério e impondo disciplina naquele fim do mundo.

Contudo, se o clérigo, apesar do desconforto, julgava levar ali vida pacata, engana-se, pois é declarada guerra entre Portugal e os exércitos coligados de Espanha e França. E a insignificante fortaleza ganha uma certa importância, devido à sua localização raiana, perto de Miranda do Douro. O jovem conde tudo faz para a defender, indo muito para além do que lhe é exigível, e instala-se uma guerra de cerco feroz e movimentada.

Mário de Carvalho, dono de fina ironia, é exímio na narração dos acontecimentos e na criação de personagens com as suas virtudes, fraquezas e contradições.


05 novembro 2017

Museu Municipal Martim Gonçalves de Macedo


© Horst Neumann


D. Martim Gonçalves de Macedo salvou a vida a D. João Mestre de Avis na Batalha de Aljubarrota, em 1385, e teve direito a sepultura no Mosteiro da Batalha. A sua memória foi-se, porém, apagando, ao longo dos séculos.

A terra de onde ele era oriundo, hoje cidade de Macedo de Cavaleiros, inaugurou, há dois anos, um museu com o seu nome. Instalado numa antiga escola primária, o museu é pequeno, mas muito bem organizado e cuidado até ao mais ínfimo pormenor.

© Horst Neumann

Adorei a visita que lá fiz, também pela simpatia e competência do seu responsável, Cláudio Pereira.
Se algum dia passarem por Macedo de Cavaleiros, não deixem de visitar este museu! A entrada é grátis e, se a porta estiver fechada, toquem à campainha!

© Horst Neumann


Para mais informações:

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Sobre D. Martim Gonçalves de Macedo, podem ler nesta publicação com descarregamento gratuito:

© Horst Neumann