Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

12 abril 2011

A importância de D. Châmoa Gomes na vida de D. Afonso Henriques (I)

O aspecto menos conhecido da vida de D. Afonso Henriques é o amoroso, sabe-se apenas que casou com D. Mafalda (ou Matilde) de Sabóia. O que não se costuma referir é que ele já ia perto dos quarenta e que D. Mafalda faleceu doze anos depois, na sequência do nascimento da infanta D. Sancha, o sétimo filho do casal.

José Filipe Photo


O primeiro filho ilegítimo do nosso primeiro rei nasce por volta de 1139/40, ao tempo da Batalha de Ourique e da sua aclamação de rei. Antes disso, não se lhe conhecem amantes, o que já intrigou alguns historiadores. Há, aliás, uma versão interessante, seguida, entre outros, pelo Dr. Paulo Loução, Director da editora Ésquilo: D. Afonso Henriques ter-se-ia, muito jovem, ligado aos Templários, os cavaleiros monges obrigados ao voto da castidade. A Ordem do Templo desempenhou um papel muito importante, tanto ao tempo do Condado Portucalense,  como na formação do reino de Portugal. E é curioso verificar que, pouco depois da Batalha de São Mamede, o jovem Afonso Henriques, ao confirmar a doação do Castelo de Soure aos Templários, declarou-se, ele próprio irmão da Ordem do Templo. Mas queria ele dizer que pertencia à Ordem, ou, apenas, que se sentia muito ligado a ela?


Cavaleiro Templário


De qualquer maneira, quando ia pelos vinte e oito anos, Afonso Henriques ter-se-á perdido de amores por D. Châmoa, ou Flâmula, (estes nomes medievais...) Gomes, pertencente à alta nobreza galega. Possuía, no entanto, dada a sua posição de nobre e para os padrões da época, um passado bastante atribulado. D. Châmoa Gomes casara, muito nova (talvez com catorze ou quinze anos), com D. Paio Soares da Maia, dando à luz três filhos, mas logo enviuvando. Ingressou no mosteiro de Vairão, o que não a impediu de se envolver com D. Mem Rodrigues de Tougues, engravidando e deixando o convento (coisa, aliás, proibida). Porém, o fidalgo faleceu ainda antes do filho nascer e, só depois desta infelicidade, ela se envolveu com D. Afonso Henriques.




Como se vê, um enredo digno de romance, de série televisiva, de filme... Quem diria que a vida de Afonso Henriques englobava tais peripécias? Os verdadeiros problemas, porém, começaram quando esta senhora se cruzou com ele. O Prof. Freitas do Amaral, na sua biografia de Afonso Henriques, diz-nos:

...não foi apenas uma ligação amorosa de que nasceu um filho. Foi muito mais do que isso: D. Afonso Henriques - no auge da sua pujança pessoal e da sua trajectória militar e política - conhece uma mulher, de quem se enamora intensamente, e que será a grande paixão da sua vida (...) é uma rapariga da melhor nobreza galega, jovem e bonita por certo, de seu nome Flâmula Gomes, que é nem mais nem menos do que uma sobrinha de Fernão Peres de Trava - o amante de D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques (...) Com ela terá querido, empenhadamente, casar.

Se D. Afonso Henriques tencionava realmente casar com D. Châmoa Gomes, tinha três grandes obstáculos pela frente:

1º Passado pouco recomendável para esposa de um monarca.
2º Sobrinha de Fernão Peres de Trava, o que queria dizer que o sucessor do nosso primeiro rei pertenceria, neste caso, à família galega que tantas dores de cabeça dera aos barões portucalenses.
3º D. Châmoa fizera-se monja em Vairão, depois de enviuvar, pelo que o casamento lhe estava proibido (segundo as leis da Igreja, uma vez freira, ela não podia deixar de o ser).

Sabemos que não casaram, ou seja, D. Afonso Henriques, que tanto lutava pelos seus objectivos e que estava habituado a vencer os seus combates, terá perdido esta "batalha". Darei conta disso no próximo post.

8 comentários:

Daniel Santos disse...

mais uma vez, muito bem.

Rita disse...

Ele era um rei muito "avançado" para a época...Grande militar, sabia escolher os seus conselheiros, bom político... E, para além disso, também era um homem de paixões...

*Gostei muito de ler o texto

gestpatrimonium@hotmail.com disse...

Olá D. Afonso!

NUNCA IMAGINEI K ERA TÃO RECHIADO DE AMORES..SÓ PENSAVA QUE ERA UM REI CONQUISTADOR, LUTADOR E LUTOU COM A SUA MÃE. GOSTEI DE LER E SABER K NO SEC. XI JÁ SE VIVIA TANTO...
GESTORA DE PATRIMÓNIO

gestpatrimonium@hotmail.com disse...

Olá D. Afonso!

NUNCA IMAGINEI K ERA TÃO RECHIADO DE AMORES..SÓ PENSAVA QUE ERA UM REI CONQUISTADOR, LUTADOR E LUTOU COM A SUA MÃE. GOSTEI DE LER E SABER K NO SEC. XI JÁ SE VIVIA TANTO...
GESTORA DO PATRIMÓNIO

Lurdes disse...

Gosto de saber que os nossos reis tiveram seus amores, são, eram pessoas. E, quem ama é melhor pessoa e mais humano. è Normal.
Gosto desta história.
Porque Portugal omite tanto estes factos?!
L.A.

Cristina Torrão disse...

Olá, Lurdes, obrigada pelo seu comentário :)
Não sei se é bem omitir. Durante o Estado Novo, sim, omitiram-se muitas coisas (e modificaram-se outras), a fim de dar uma aura heróica às nossas personalidades históricas. E, apesar de ainda estarmos a viver reflexos desses tempos, penso que o problema, agora, é não haver gente suficiente a pesquisar e a escrever sobre estes temas.

gonçalo costa disse...

....engravidando e deixando o convento (coisa, aliás, proibida). Piada : era proibido deixar o convento ou engravidar ? :) :)

Cristina Torrão disse...

Deixar o convento, claro ;)
Não especifiquei, porque a palavra "coisa" refere-se à última coisa/ação que se descreveu. Mas admito que possa suscitar dúvidas.