Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

26 outubro 2011

Quando a televisão mete medo


Declarações de Renate Blum-Maurice, psicóloga, prestadas a um jornal alemão, sobre o efeito que a TV pode ter nas crianças (tradução minha):

É um erro pensar que crianças pequenas não registem o que ouvem ou vêem na televisão, mesmo os bebés podem já reagir a emoções negativas. Quando elas não entendem o que se passa, desenvolvem medo. Além disso, não controlam os seus sentimentos tão bem como os adultos e têm a tendência para achar que lhes poderia acontecer o mesmo, perante violência, ou uma qualquer tragédia. Se não se lhes explicar devidamente de que se trata, podem cismar, durante muito tempo, com imagens traumáticas. Os pais deviam controlar o tempo que as crianças passam em frente da televisão e, mesmo as que já se encontram em idade escolar, não deviam ver televisão sozinhas.

A melhor maneira de evitar os medos e os traumas, é falar sobre os programas que se vêem, principalmente, as imagens e as notícias más. Os pais devem falar com os filhos sobre aquilo que lhes mete medo e, claro, adaptar o discurso à idade das crianças.

Para a socialização das crianças, é preciso que elas aprendam que existe sofrimento, violência e crueldade. Mas, ao mesmo tempo, devem verificar que há pessoas que não ficam indiferentes a situações desse tipo e que se preocupam em ajudar e em trabalhar para a paz. Uma vez entendido isso, os pais podem dizer, com toda a clareza, que determinada situação também os assusta, ou os põe tristes.

Uma vida familiar estável, o brincar e o carinho ajudam a superar perturbações. Uma história, ou mesmo, uma oração, ao deitar, contribui para acabar o dia em bem e "despir-se" de vivências negativas.

5 comentários:

Manuel Cardoso disse...

Durante muitos anos tive pesadelos com uma única imagem que vi na televisão, nos longínquos anos setenta. Eu devia ter uns 6 ou 7 anos e a televisão era uma novidsade tal que não perdia nada; nem os noticiários :)
Passava-se numa ex-colónia de África, durante a guerra colonial. Era uma daquelas imagens que estão bem vivas nos livros de António Lobo Antunes: a cabeça de um guerrilheiro espetada na ponta de um pau. Uma simples imagem que me marcou talvez para toda a vida. Não fiquei traumatizado mas que me perturbou (e perturba) isso não posso negar.

Cristina Torrão disse...

Realmente, Manuel, uma imagem horrível.
Também eu tive os meus problemas, coisas que ainda hoje recordo e que posso dizer que me traumatizaram. Mas, naquela altura, havia a agravante de a televisão ser um fenómeno ainda recente e os pais não estarem preparados para lidar com essas situações.

Os adultos tendem a pensar que as crianças, ou não entendem o que vêem, ou esquecem facilmente. Um grande erro!

Daniel Santos disse...

hoje em dias nos telejornais, principalmente na hora de jantar, passam imagens que até a mim me arrepiam.

Bartolomeu disse...

Também sou de opinião, que deve existir mais contenção e moderação nas imagens que são apresentadas, sobretudo nas televisões.
Tanto crianças como adultos psicológicamente mais frágeis, poderão ser afectados por essas imágens.
Não quero dizer com isto, que os meios de informação devam ser privados do seu direito de informar mas, não posso conceber que a democratização na informação e a globalização, sejam o corredor largo por onde passem sem qualquer critério ou sensura moral, tanto a informação, como a agressão psicológica.

Cristina Torrão disse...

Sim, deviam-se evitar certas coisas, pelo menos, a certas horas.