Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

26 de setembro de 2026

Texto da Rapidinha #60

 

Guimarães - Portugal
© 2009 H. Neumann
 
 

Hoje, vamos atentar à primeira fase da vida em comum de D. Henrique e D. Teresa.

Nos primeiros sete ou oito anos de casamento, o casal viveu em concordância com a sua condição de vassalos, cooperando com o rei de Leão, intitulado imperador de toda a Hispânia. Apesar de terem organizado e engrandecido o condado, não há, para este período, indícios de que pretendessem independência.

Isto faz todo o sentido, se analisarmos aspetos pessoais e familiares de D. Henrique.

Ele era um nobre de grande linhagem: bisneto de Roberto II, rei de França; sobrinho-neto de D. Hugo, o famoso abade de Cluny; neto do duque Roberto I de Borgonha e de Hélie de Semur, a irmã do abade D. Hugo; irmão de dois duques de Borgonha; e sobrinho da rainha D. Constança de Leão e Castela.

Como vemos, ele pertencia à alta nobreza. Mas a época medieval tem as suas particularidades. E Henrique, sendo o mais novo de seis irmãos, não tinha direito a qualquer herança. Nada mais lhe restava do que ir em busca de fortuna e glória. D. Henrique foi realmente um desses aventureiros medievais.

Como sabemos, foi bem recompensado, ao casar com uma filha de Afonso VI, tornando-se, através dela, conde de Portucale. Por isso, é lógico que, numa primeira fase, ele cumprisse o papel de genro agradecido e dedicado, não lhe passando pela cabeça revoltar-se contra o sogro.

Esta situação vai mudar. Mas não motivado por aquilo que se costuma pensar.

 
 

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