O CONDE D. HENRIQUE (10)
Afonso VI, rei da Galiza, Leão e Castela, Imperador de toda a Hispânia
Pintura del Ayuntamiento de León
Tendo morrido o seu único filho varão, o imperador Afonso VI, em precário estado de saúde, teve novamente de decidir sobre a sua descendência.
No segundo volume desta História de Portugal, publicada em 1997, o Professor Mattoso considera que Afonso VI “mandou convocar cortes para Toledo, ainda no verão de 1108, para aí tomar uma decisão sobre a sucessão ao trono” (p. 43)
Também na biografia de Afonso Henriques, José Mattoso insiste ter sido nas Cortes de Toledo que o imperador anunciou a sua decisão (p. 31).
Há, porém, historiadores, como Luís Carlos Amaral e Mário Jorge Barroca, que duvidam da existência dessas Cortes. Nesta biografia de D. Teresa, elas não são mencionadas.
Vou, contudo, considerar que elas aconteceram, a fim de facilitar o contexto: a decisão de Afonso VI, a reação do conde D. Henrique e as consequências que esta acarretou.
Imaginemos, então, essa reunião magna, em que Afonso VI, perante os pares dos reinos, declara a filha Urraca, a única legítima, sua herdeira universal.
Ora, naquela altura, mulheres não eram consideradas adequadas a governar territórios. Além disso, Urraca encontrava-se numa situação considerada frágil: era viúva e o seu sucessor tinha apenas três anos.
Por isso, Afonso VI anunciou igualmente que ela deveria casar, uma decisão que muito agradou aos nobres leoneses e castelhanos. Porque alguns deles encaravam a possibilidade de a desposar, a fim de se apoderarem do trono imperial.
Mas também havia quem não achasse agrado nesta ideia. Um determinado homem remoía a sua irritação. Esse homem era o conde D. Henrique.
Já vimos que, depois das mortes de Raimundo e do infante Sancho, Henrique, como único genro do imperador, aspirava à coroa do sogro. Ora, com o casamento de Urraca, os seus planos iriam por água abaixo.
Ele não era, contudo, o único oponente deste matrimónio. A fação galega, liderada pelo bispo Gelmírez e pelo conde Pedro Froilaz de Trava, ou seja, o pai de Bermudo e Fernando Peres de Trava, também não via com bons olhos tal consórcio.
No próximo vídeo, veremos porquê.

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