Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

7 de novembro de 2026

Texto da Rapidinha #66

O CONDE D. HENRIQUE (10)


Afonso VI, rei da Galiza, Leão e Castela, Imperador de toda a Hispânia

Pintura del Ayuntamiento de León 

 

Tendo morrido o seu único filho varão, o imperador Afonso VI, em precário estado de saúde, teve novamente de decidir sobre a sua descendência.

No segundo volume desta História de Portugal, publicada em 1997, o Professor Mattoso considera que Afonso VI “mandou convocar cortes para Toledo, ainda no verão de 1108, para aí tomar uma decisão sobre a sucessão ao trono” (p. 43)

Também na biografia de Afonso Henriques, José Mattoso insiste ter sido nas Cortes de Toledo que o imperador anunciou a sua decisão (p. 31).

Há, porém, historiadores, como Luís Carlos Amaral e Mário Jorge Barroca, que duvidam da existência dessas Cortes. Nesta biografia de D. Teresa, elas não são mencionadas.

Vou, contudo, considerar que elas aconteceram, a fim de facilitar o contexto: a decisão de Afonso VI, a reação do conde D. Henrique e as consequências que esta acarretou.

Imaginemos, então, essa reunião magna, em que Afonso VI, perante os pares dos reinos, declara a filha Urraca, a única legítima, sua herdeira universal.

Ora, naquela altura, mulheres não eram consideradas adequadas a governar territórios. Além disso, Urraca encontrava-se numa situação considerada frágil: era viúva e o seu sucessor tinha apenas três anos.

Por isso, Afonso VI anunciou igualmente que ela deveria casar, uma decisão que muito agradou aos nobres leoneses e castelhanos. Porque alguns deles encaravam a possibilidade de a desposar, a fim de se apoderarem do trono imperial.

Mas também havia quem não achasse agrado nesta ideia. Um determinado homem remoía a sua irritação. Esse homem era o conde D. Henrique.

Já vimos que, depois das mortes de Raimundo e do infante Sancho, Henrique, como único genro do imperador, aspirava à coroa do sogro. Ora, com o casamento de Urraca, os seus planos iriam por água abaixo.

Ele não era, contudo, o único oponente deste matrimónio. A fação galega, liderada pelo bispo Gelmírez e pelo conde Pedro Froilaz de Trava, ou seja, o pai de Bermudo e Fernando Peres de Trava, também não via com bons olhos tal consórcio.

No próximo vídeo, veremos porquê.


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