Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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9 de outubro de 2016

755º Aniversário de Dom Dinis

Verifica-se hoje o 755º aniversário de Dom Dinis.

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A 9 de Outubro de 1261, nascia o segundo filho do rei Dom Afonso III e da rainha Dona Beatriz, o príncipe herdeiro, pois sua irmã mais velha, a infanta Dona Branca, sendo mulher, só seria considerada na linha de sucessão em situações de emergência.

Dom Afonso III, que vivera vários anos na corte francesa, protegido por sua tia Branca de Castela, rainha de França por casamento, resolveu dar ao seu herdeiro o nome do Santo francês.

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Imagem: História Universal da Literatura Portuguesa


À altura do seu nascimento, Dom Dinis era, na verdade ilegítimo, já que o casamento dos pais ainda não havia sido reconhecido pela Igreja - sobre este assunto, ver o post sobre o casamento de seus pais.

Além da infanta Dom Branca, Dom Dinis teve mais cinco irmãos:

Infante Dom Afonso, nascido a 6 de Fevereiro de 1263
Infanta Dona Sancha, nascida a 2 de Fevereiro de 1264 (morreu com cerca de vinte anos)
Infanta Dona Maria, nascida em Fevereiro ou Março de 1265 (morreu com pouco mais de um ano)
Infante Dom Vicente, nascido a 22 de Janeiro de 1268 (morreu ainda criança)
Infante Dom Fernando, nascido em 1269, morrendo pouco tempo depois.


Dom Dinis Papel (1).JPG


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No Brasil, está disponível na Livraria Saraiva e na Livraria Cultura.

Para adquirir a versão em papel, contacte-me através do email andancas@t-online.de.

19 de junho de 2016

Levantamento do interdito ao tempo de Dom Afonso III

A 19 de Junho de 1263, o papa Urbano IV atendeu às solicitações do clero português: levantou o interdito que imperava sobre o nosso reino e legitimou o consórcio de Afonso III.

À data do seu casamento com Dona Beatriz de Castela, o pai de Dom Dinis era ainda casado com Matilde de Boulogne, pelo que foi acusado de bigamia pelo papa Alexandre IV, que, dois anos mais tarde, lançaria o interdito sobre Portugal. A complicada situação resolveu-se com a morte inesperada de Matilde.

Para mais informações sobre este assunto, consultar este meu post.

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4 de maio de 2016

Casamento de Dom Afonso III

Dom Afonso III na Viagem Medieval de Santa Maria da Feira 2015

Também o avô de Dom Afonso IV, Dom Afonso III, casou no mês de Maio, não se sabendo o dia e sendo a noiva igualmente infanta Dona Beatriz de Castela! Foi cinquenta e seis anos antes, em 1253, a noiva teria apenas onze anos, o noivo ia pelos quarenta.

Este casamento surgiu na sequência de um Tratado de Paz entre Portugal e Castela por causa da questão do Algarve, mas implicou problemas muito graves: Dom Afonso III foi acusado de bigamia pelo papa Alexandre IV, que, dois anos mais tarde, lançaria o interdito sobre Portugal. Um reino sob interdito estava proibido de celebrar missas e sacramentos (incluindo casamentos e batizados), situação que durou quase dez anos.

A razão para medida tão severa: à altura do seu casamento com Dona Beatriz, Dom Afonso III era ainda casado com Matilde de Boulogne. Dom Afonso III tinha ido ainda jovem para a corte francesa, que se encontrava sob a regência de sua tia Branca, antiga infanta de Castela. Em 1239, a tia arranjou-lhe casamento com a viúva Matilde de Boulogne, bastante mais velha do que ele, mas filha única da condessa Ida e herdeira daquele condado.

Seis anos mais tarde, porém, Dom Afonso regressou sozinho a Portugal, a fim de tomar conta do reino mal governado por seu irmão. Em 1253, já coroado rei, e no intuito de pôr fim ao conflito com o monarca castelhano por causa do Algarve, casou com Beatriz, ignorando Matilde por completo, de quem vivia separado há oito anos.

O rei chegou ao ponto de ignorar uma ordenação papal para se apresentar em Roma, a fim de ser julgado por bigamia, mas o problema resolveu-se com a morte inesperada de Matilde. No entanto, só passados cinco anos, em Junho de 1263, um novo papa, Urbano IV, legitimou o segundo consórcio do monarca, levantando o interdito sobre o reino.

À altura do seu nascimento, a 9 de Outubro de 1261, Dom Dinis era, no fundo, ilegítimo e este argumento foi usado por seu irmão Afonso, quando, pela terceira vez, se revoltou contra o rei, em 1299, obrigando Dom Dinis a montar cerco a Portalegre. Dom Afonso alegava ter mais direito ao trono do que o irmão mais velho, por ter nascido numa data mais próxima da legalização do casamento dos pais (a 6 de Fevereiro de 1263).

Dom Afonso III e Dona Beatriz tiveram sete filhos:

Infanta Dona Branca, nascida em Fevereiro de 1259
Dom Dinis, nascido a 9 de Outubro de 1261
Infante Dom Afonso, nascido a 6 de Fevereiro de 1263
Infanta Dona Sancha, nascida a 2 de Fevereiro de 1264 (faleceu com cerca de vinte anos)
Infanta Dona Maria, nascida em Fevereiro ou Março de 1265 (faleceu com pouco mais de um ano)
Infante Dom Vicente, nascido a 22 de Janeiro de 1268 (falecido ainda criança)
Infante Dom Fernando, nascido em 1269, falecendo pouco tempo depois.

4 de abril de 2016

Afonso X de Leão e Castela

Verifica-se hoje o 732º aniversário da morte de Afonso X de Leão de Castela, que ficou conhecido como o Sábio. Afonso X era o avô materno de Dom Dinis e igualmente poeta. Deixou as Cantigas de Santa Maria para a posteridade, um conjunto de quatrocentas e vinte e sete composições em galaico-português, à época, a língua fundamental da lírica culta em Castela.


Imagem daqui
Como se vê, Dom Dinis tinha a quem sair, não só no que diz respeito à poesia, como a outras medidas régias. Também o avô foi um grande legislador, autor do Fuero Real de Castilla, um conjunto de leis adaptadas às diversas regiões dos seus reinos, e das Siete Partidas, leis baseadas no direito romano. Afonso X determinou que os documentos régios fossem redigidos em castelhano e não em latim, como era costume, e como o neto Dinis viria a fazer com o português. Fundou igualmente a Escola de Tradutores de Toledo, onde se traduziam documentos do árabe, do grego e do latim para o castelhano. Inúmeros estudiosos de várias nacionalidades se reuniram nessa Escola, pelo que o reinado de Afonso X ficou conhecido por as três religiões - cristã, judaica e muçulmana - terem convivido pacificamente em Toledo.

Catedral de Toledo
Foto © Horst Neumann

Este rei poderoso e culto teve um fim amargo. Descontentes com a sua política de centralização de bens na Coroa, os nobres revoltados conseguiram depô-lo, substituindo-o por seu filho Sancho IV.

Afonso X viveu os seus últimos anos em exílio, na cidade de Sevilha. Sua filha Dona Beatriz, mãe de Dom Dinis, acompanhou-o nessa fase difícil, pelo que o pai lhe deixou, em herança, as vilas de Moura, Serpa, Noudar e Mourão. Graças a esta herança, Dom Dinis conseguiu alargar a fronteira portuguesa para leste do Guadiana.

Afonso X, o Sábio (imagem daqui)

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11 de março de 2016

As vilas a leste do Guadiana

11 de Março é uma data simbólica da nossa história recente, mas também o foi há 735 anos!

A 11 de Março de 1281, o rei Afonso X de Leão e Castela concedeu terras e igrejas aos Hospitalários, a título de escambo, para os compensar da perda de Moura, Serpa, Noudar e Mourão. O rei castelhano pretendia doar estes lugares e vilas à filha Dona Beatriz, rainha viúva de Portugal. Dona Beatriz tinha-se refugiado na corte castelhana por desentendimentos com o filho Dom Dinis, depois de enviuvar.


Imagem de Dom Dinis, publicada na História Universal da Literatura Portuguesa (2006)

Depois de aguardar uns momentos, Dinis inquiriu:
- As vilas de Moura, Serpa, Noudar e Mourão continuam em vosso poder, não é verdade?
- Sim, com todos os seus termos, castelos, rendas e direitos. Foi essa a recompensa de vosso avô, por eu lhe ter prestado assistência.
- Presumo então que nada tereis contra o facto de integrá-las no reino de Portugal!
Beatriz fixou-o pensativa e, assim pareceu a Dinis, um pouco acusadora. Na verdade, o rei receava que ela dissesse que ele não merecia tal, por ter abandonado o avô. Mas ela acabou por retorquir:
- Longe de mim contrariar vosso pai nessa questão.
- Meu pai?!
- Fosse ele vivo, não tenho a menor dúvida qual seria a sua vontade!
Para Dinis, aquela era uma vitória de sabor amargo. Sua mãe concordava em alargar a fronteira portuguesa para leste do Guadiana, mas, pelos vistos, não porque ele merecesse, ou por ela lhe querer dar esse gosto. Beatriz acrescentou:
- Além disso, não está apenas em causa a vossa herança. - Prosseguiu, com um esboço de sorriso: - O reino pertencerá um dia ao vosso herdeiro, meu neto. Essa é a razão mais forte para o meu regresso: pretendo acompanhar a educação e o crescimento dos infantes.

Foi graças a esta herança de sua mãe, que Dom Dinis pôde alargar a fronteira portuguesa para leste do Guadiana, alargamento que ficou estipulado no Tratado de Alcañices, a 12 de Setembro de 1297.

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