Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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4 de abril de 2016

Afonso X de Leão e Castela

Verifica-se hoje o 732º aniversário da morte de Afonso X de Leão de Castela, que ficou conhecido como o Sábio. Afonso X era o avô materno de Dom Dinis e igualmente poeta. Deixou as Cantigas de Santa Maria para a posteridade, um conjunto de quatrocentas e vinte e sete composições em galaico-português, à época, a língua fundamental da lírica culta em Castela.


Imagem daqui
Como se vê, Dom Dinis tinha a quem sair, não só no que diz respeito à poesia, como a outras medidas régias. Também o avô foi um grande legislador, autor do Fuero Real de Castilla, um conjunto de leis adaptadas às diversas regiões dos seus reinos, e das Siete Partidas, leis baseadas no direito romano. Afonso X determinou que os documentos régios fossem redigidos em castelhano e não em latim, como era costume, e como o neto Dinis viria a fazer com o português. Fundou igualmente a Escola de Tradutores de Toledo, onde se traduziam documentos do árabe, do grego e do latim para o castelhano. Inúmeros estudiosos de várias nacionalidades se reuniram nessa Escola, pelo que o reinado de Afonso X ficou conhecido por as três religiões - cristã, judaica e muçulmana - terem convivido pacificamente em Toledo.

Catedral de Toledo
Foto © Horst Neumann

Este rei poderoso e culto teve um fim amargo. Descontentes com a sua política de centralização de bens na Coroa, os nobres revoltados conseguiram depô-lo, substituindo-o por seu filho Sancho IV.

Afonso X viveu os seus últimos anos em exílio, na cidade de Sevilha. Sua filha Dona Beatriz, mãe de Dom Dinis, acompanhou-o nessa fase difícil, pelo que o pai lhe deixou, em herança, as vilas de Moura, Serpa, Noudar e Mourão. Graças a esta herança, Dom Dinis conseguiu alargar a fronteira portuguesa para leste do Guadiana.

Afonso X, o Sábio (imagem daqui)

O meu romance sobre Dom Dinis encontra-se disponível em ebook na LeYa Online (clique).

16 de agosto de 2011

Catedral de Toledo



À hora marcada, e sob a protecção de Afonso Peres Farinha, prior da Ordem do Hospital, que o sentou à sua frente sobre o seu cavalo, Dinis juntou-se à comitiva do avô. Seguiam-nos mais três freires daquela Ordem militar e o cavaleiro trovador João Soares Coelho.
Percorreram as ruas tortuosas de Toledo, até chegarem ao local de uma obra gigantesca, onde se moviam centenas de trabalhadores, alguns sobre andaimes em alturas alucinantes. D. Afonso explicou aos cavaleiros portugueses que ali se construía a nova catedral. Seu pai Fernando III, que reunira as coroas de Leão e Castela, mandara demolir a velha mesquita, que servira durante quase dois séculos de catedral, e iniciara, há cerca de quarenta anos, a construção da nova, ao estilo das recentes catedrais francesas de Saint Denis, Notre-Dame de Paris, de Reims ou de Amiens. Tratava-se de uma nova técnica de construção, baseada em arcos ogivais, que permitia alturas incríveis se perder leveza e elegância.
O arquitecto Pedro Pérez informou os visitantes que aquele templo, como habitualmente em forma de cruz, mediria 180 côvados de longitude por 90 de eixo. Dinis não podia calcular o valor daquelas medidas, mas mirava boquiaberto o exterior da cabeceira da catedral, praticamente pronta.

11 de julho de 2011

Visita a Toledo II



A comitiva continuou a sua digressão e, chegados a um outro edifício, el-rei desmontou, pelo que todos o imitaram. Entraram no edifício e Dinis quedou-se mais uma vez boquiaberto. Apesar de não se tratar de um mosteiro, inúmeros escribas e copistas, debruçados sobre escrivaninhas, dedicavam-se aos seus pergaminhos, só parando à passagem d’el-rei, a fim de o cumprimentarem. Havia ainda senhores que conversavam em línguas que o pequeno não entendia. Eram judeus e muçulmanos, à conversa com monges e outros cristãos! Consultavam documentos e comparavam-nos. Talvez por se aperceber da sua confusão, o avô chamou o neto e disse-lhe:
- Encontras-te na Escola de Tradutores de Toledo.
- Escola de Tradutores?
- Sim. Traduzir significa passar escritos de uma língua para outra. Por isso, mandei aqui reunir estudiosos das mais diversas proveniências.
- E o que é que eles traduzem?
- Textos antigos. - El-rei pegou num livro velho e mostrou-lhe: - Estás a ver estes sinais esquisitos? Isto é grego, uma língua que andava esquecida, mas que os muçulmanos preservaram e traduziram para árabe. Com a sua ajuda, estudiosos cristãos traduzem-na para latim e castelhano.
- Mas porque fazem isso?
- Porque há aqui muita sabedoria. São textos escritos por sábios que viveram há muitos séculos. Há tratados de filosofia, astronomia, medicina, matemática, geometria e de outros ramos do saber. E é todo esse saber que eu quero reunir e copiar em livros que a Cristandade entenda.


2 de julho de 2011

Damasquinados de Toledo

Primeiro, gravam-se os desenhos no metal, de cor preta. Depois, incrusta-se lá fio de ouro (por vezes, também de prata). Na tradição de Toledo, misturam-se três religiões: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islão, como se nota, nestas peças de arte. Deleitem-se!









17 de junho de 2011

Visita a Toledo





























- Estás a ver? - dizia Branca, esticando o braço através da janela, em direcção ao rio. - Foi por aquela ponte que viemos.

            - Eu sei - replicou o pequeno Dinis. - Lembro-me bem das duas torres. Mas diz-me: achas mesmo que este é o nosso Tejo?
            Branca riu-se, mostrando os grandes incisivos que cresciam na falha provocada pela queda dos dentes de leite:
            - Que pergunta! Claro que é o mesmo.
            - Mas o nosso Tejo lá em Lisboa é tão largo… - Dinis, que tinha apenas cinco anos, saltou do banco em que os dois irmãos se tinham encarrapitado para chegarem à janela, e abrindo os braços, bradou: - É largo, muito mais largo do que…
            - Mas que é isso Dinis? - lançou a mãe severa. - Já te disse que falasses baixo. E um príncipe não faz desses gestos exagerados. Anda, senta-te ao pé de mim! Tu também, Branca!
            As duas crianças obedeceram, embora Dinis achasse injusto que a mãe não repreendesse o irmão mais novo, Afonso, que insistia em contar em voz alta as oito velas que se encontravam no candelabro de ferro de pé alto. Afonso nem sabia contar!